Cera perdida

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Exemplo de molde de cera perdida

Cera perdida ou microfundição é um método de escultura de peças metálicas por moldagem. Consiste em fazer um modelo em cera que é revestido com refratário para formar um molde e então aquecido até a cera derreter e sair do molde. Na sequência, se derrama o metal líquido no molde vazio.[1] O exemplar mais conhecido de peça produzida por esse método é um amuleto do Calcolítico de 6 000 anos encontrado em Mergar, no Paquistão.

Embora o processo hoje possa variar, as etapas utilizadas para criar esculturas pequenas em bronze é sobretudo estandardizada (no uso industrial atual, adquiriu o nome de fundição por investimento). Variações do processo incluem: molde perdido, que utiliza outros materiais além da cera (resina, tecido, sebo, alcatrão);[2] e processo de perda de cera (ou fundição por perda de molde), pois o molde é destruído para remover o item moldado.[3][4]

Uso têxtil[editar | editar código-fonte]

No processo, a cera e o tecido são trocados pelo metal no processo de fundição, em que o reforço de tecido permite um modelo mais fino, e assim reduz a quantidade de metal expandido no molde. Evidência desse processo é visto pelo relevo têxtil no verso em objetos e é às vezes referido como "cera perdida, tecido perdido". Esse relevo têxtil é visível em ornamentos de ouro de moldes sepulcrais no sul da Sibéria das antigas tribos equestres, tal como o distintivo grupo de placas de ouro no Museu Hermitage, São Petersburgo.[5] Ela pode ter sua origem no Extremo Oriente, como indicado por alguns exemplos Han, e a fivela de bronze e placas de metal encontradas no cemitério Xiongnu em Xigou.[6] Até pode ter sido usada para fazer alguns broches ovais da Era Viquingue, indicado por vários exemplares como os de Castletown, Escócia.[7]

Evidência arqueológica[editar | editar código-fonte]

Réplica do cetro de bronze de Naal Mismar

Ásia Meridional[editar | editar código-fonte]

O mais antigo exemplar da técnica provém de um amuleto de cobre moldado em roda de 6 000 anos encontrado em Mergar, Paquistão.[8] A fundição da Civilização do vale do Indo começou cerca de 3 500 a.C. na área de Moenjodaro e produziu um dos mais antigos exemplares, uma figurinha indiana em bronze chamada de Garota Dançarina que é datada de quase 5 000 anos.[9] Outros incluem o búfalo, touro e cachorro encontrados em Moenjodaro e Harapa,[10][11] duas figuras em cobre de Lotal no distrito de Amedabade de Guzerate [12] e provavelmente um carrinho coberto com as rodas faltando e um carrinho completo com um condutor encontrado em Chanhundaro.[2][13]

Do período pós-harapano, tesouros de implementos de cobre e bronze feitos com cera perdida são conhecidos de Utar Pradexe, Biar, Madia Pradexe, Orissa, Andra Pradexe e Bengala Ocidental. Ornamentos de ouro e cobre, aparentemente em estilo helenístico, foram achados nas ruínas em Sircape. Um exemplar dessa arte indo-grega data do século I a.C., a figurinha juvenil de Harpócrates escavada em Taxila. Ícones de bronze foram produzidos durante os séculos III-IV, tal como a imagem de Buda em Amaravati e as imagens de Rama e Escanda no distrito de Guntur de Andra Pradexe. Outras duas imagens de bronze de Parsvanata e um pequeno touro oco de Saribalol, em Gandara, e um Tirtancara de pé (século II-III) de Chausa em Biar também podem ser citados. Outras figuras e imagens notáveis foram achadas em Rupar, Matura (em Utar Pradexe) e Bramapura em Maarastra.[14]

Figuras de bronze guptas e pós-guptas foram achados nos seguintes sítios: Saranate, Mirpur Cas (no Paquistão), Sirpur (distrito de Raipur), Balaigate (próximo de Maastangar em Bangladexe), Acota (próximo de Vadodara, Guzerate), Vasantagade, Chatari, Barmer e Chambi (no Rajastão). A produção de imagens pelo processo de cera perdida alcançou seu pico de 750 a 1100, e ainda permaneceu prevalente no sul da Índia entre 1500 e 1850.[14] A técnica foi usada por toda a Índia, bem como nos países vizinhos no Nepal, Tibete, Ceilão, Birmânia e Tailândia.[11]

Oriente Médio[editar | editar código-fonte]

Alguns dos mais antigos exemplos da técnica de cera perdida são objetos descobertos no tesouro da Caverna do Tesouro (Naal Mismar) no sul do Iraque, e que pertence ao Calcolítico (4500 3500 a.C.). Estudos com Carbono 14 estimam que os itens foram produzidos antes de 3 500 a.C., o que os faz ter mais de 5 500 anos.[15]

Na Mesopotâmia, de ca. 3 500–2 750 a.C., a técnica foi usada em pequena escala, mas mais tarde foi utilizada em larga escala para estátuas de cobre e bronze.[16] Um dos mais antigos exemplares é uma pequeno pingente de leão de Uruque IV. Metalúrgicos sumérios praticaram essa técnica desde aproximadamente ca. 3 500–3 200 a.C.. Exemplares muito tardios do nordeste da Mesopotâmia/Anatólia incluem o Grande Túmulo em Górdio (final do século VIII a.C.),[17] bem como outros tipos Acessórios de caldeirão urartianos.[18]

Egito[editar | editar código-fonte]

Os egípcios utilizaram-a desde meados do III milênio a.C., como é possível atestar em braceletes e jóias de ouro da Época Tinita.[19] Bicos inseridos para jarros (vasos d'água de cobre) da IV dinastia (Reino Antigo) foram feitas com esse método. Fundições vazias, como a estatueta do Louvre de Faium, apareceram durante o Reino Médio, seguidas por estatuetas sólidas (como a mãe de cócoras e lactante no Brooklyn) do Segundo Período Intermediário/Reino Novo Inicial.[20] O molde oco das estátuas é representado no Reino Novo pela estátua ajoelhada de Tutmés IV (Museu Britânico, Londres) e o fragmento principal de Ramsés V (Museu Fitzwilliam, Cambrígia).[21] Fundições vazias tornam-se mais detalhadas e continuam na XVIII dinastia, mostrado pela figura ajoelhada de bronze preto de Tutancâmon (Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia). [22] Cera perdida é usada durante a Época Baixa e períodos Greco-Romano quando figuras de divindades foram fundidas para devoção pessoal oferendas votivas em templos. Alças em forma de mulheres nuas em espelhos de bronze também foram moldadas pelo processo de cera perdida.[23]

Referências

  1. Merriam-Webster 2018.
  2. a b Agrawal 2000, p. 46.
  3. McCreight 1991, p. 67-68.
  4. Maryon 1912, p. 221.
  5. Bunker 1988, p. 222-228.
  6. Bunker 1988, p. 223.
  7. Smith 2005.
  8. Thoury 2016.
  9. Singh 2008, p. 162.
  10. Agrawal 2000, p. 46; 72; 85; 92; 100.
  11. a b Krishnan 1976.
  12. Kuppuram 1990, p. 177.
  13. Kenoyer 1999, p. 126.
  14. a b Kuppuram 1989.
  15. Moorey 1988, p. 1973.
  16. Moorey 1988, p. 31.
  17. Lightfoot 2007.
  18. Azarpay 1968, p. 54.
  19. Ogden 1982, p. 73.
  20. Ogden 2000, p. 158.
  21. Aldred 1980, p. 167.
  22. Silverman 1997, p. 101.
  23. Scheel 1989.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Aldred, G. (1980). Egyptian Art in the Days of the Pharaohs 3100 - 320 BC. Londres: Thames and Hudson 
  • Azarpay, Guitty (1968). Urartian art and artifacts: a chronological study. Berkeley: University of California Press 
  • Bunker, E. C. (1988). «Lost Wax and Lost Textile: An Unusual Ancient Technique for Casting Gold Belt Plaques». In: Maddin, Robert. The beginning of the use of metals and alloys: papers from the Second International Conference on the Beginning of the Use of Metals and Alloys, Zhengzhou, China, 21–26 October 1986. Cambridge, Massachusetts; Londres, Inglaterra: MIT Press 
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  • Krishnan, M. V. (1976). Cire perdue casting in India. Nova Déli: Kanak Publications 
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  • Kuppuram, Govindarajan (1990). History of Science and Technology in India: Metals and metal technology. Déli: Sundeep Prakashan. ISBN 8185067376 
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  • Thoury, M.; Mille, B.; Séverin-Fabiani, T.; Robbiola, L.; Réfrégiers, M.; Jarrige, J-F; Bertrand, L. (2016). «High spatial dynamics-photoluminescence imaging reveals the metallurgy of the earliest lost-wax cast object». Nature Communications. doi:10.1038/ncomms13356