Clima da cidade de São Paulo

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O clima de São Paulo é considerado subtropical úmido do tipo Cfa[carece de fontes?] segundo Köppen, com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 20 °C, tendo invernos frescos (média de 17 °C no mês mais frio) e verões com temperaturas moderadamente altas (média de 23 °C no mês mais quente), aumentadas principalmente pelo efeito da poluição atmosférica e da altíssima concentração de edifícios.

A estação meteorológica mais antiga em atividade no município de São Paulo está localizada na antiga sede do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), no bairro da Água Funda, zona sul da cidade, e opera desde 1933. No entanto, é no Mirante de Santana, na zona norte, onde fica a estação oficial da cidade, administrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e em operação desde 1945, doze anos depois da estação do IAG/USP.[1] Em março de 2018, o INMET instalou uma estação automática em parceria com SESC-Interlagos, na zona sul, que entrou em operação no dia 14 e foi oficialmente inaugurada no dia 23, em alusão às comemorações do Dia Meteorológico Mundial.[2][3]

Temperatura[editar | editar código-fonte]

A capital paulista é considerada a segunda ou terceira mais fria do Brasil, dependendo da referência utilizada para a classificação. Tomando-se como referência a temperatura média anual, a cidade recebe o título de segunda capital mais fria. Tomando-se como referência a temperatura média do mês mais frio, a cidade recebe o título de terceira mais fria.[carece de fontes?] Devido à proximidade do mar, a maritimidade é uma constante do clima local, sendo responsável por evitar dias de calor intenso no verão ou de frio intenso no inverno e tornar a cidade mais úmida, com temperaturas mínimas que raramente são superiores a 23 °C num período de 24 horas no verão.

No inverno, o ingresso de fortes massas de ar polar acompanhadas de excessiva nebulosidade às vezes fazem com que as temperaturas permaneçam muito baixas, mesmo durante a tarde. Tardes com temperaturas máximas que variam entre 14 °C e 16 °C são comuns até mesmo durante o outono e o início da primavera. Durante o inverno, já houve vários registros de tardes em que a temperatura sequer ultrapassou a marca dos 10 °C, como em 24 de julho de 2013, quando a máxima foi de apenas 8,5 °C.

Estação meteorológica do Mirante de Santana, onde são realizadas as principais observações meteorológicas da cidade; Ao fundo o bairro de Santana e parte da Zona Central de São Paulo

Devido ao efeito das ilhas de calor, causado por excessos de prédios, asfalto, concreto e poucas áreas verdes, a cidade de São Paulo tem sofrido com os dias quentes e secos durante o inverno, não raro ultrapassando a marca dos 25 °C nos meses de julho e agosto, um estudo realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, com o apoio do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), indica que a diferença de temperatura, entre o centro e as áreas mais afastadas do centro, pode chegar a até 10 °C.[4] Por isso o governo do estado e a prefeitura iniciaram um projeto, com o intuito de plantar árvores na cidade, a fim de aumentar suas áreas verdes e diminuir os efeitos das ilhas de calor.[5][6]

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1945 a menor temperatura registrada em São Paulo, na estação do Mirante de Santana, onde são feitas as medições oficiais da cidade, foi de -2,1 °C em 2 de agosto de 1955,[7][8] embora, no Observatório de São Paulo, tenham sido registrados -3,2 °C em 25 de junho de 1918, em uma estação meteorológica que funcionou entre 1916 e 1930.[9][10] A máxima histórica atingiu a marca de 37,8 °C em 17 de outubro de 2014, ultrapassando o recorde anterior de 37 °C registrado em 20 de janeiro de 1999.[8]

Em 2016, a cidade de São Paulo chegou a registrar 3,5 °C de temperatura mínima em 13 de junho, a menor temperatura em um mês de junho desde 1994, quando o INMET registrou 1,2 °C no dia 26 daquele mês no Mirante de Santana.[11] E em 17 de outubro do mesmo ano, a temperatura chegou a 35,2°C, 2 graus a menos do que ao do dia 17 de outubro de 2014.[12]. Além disso o período entre 22 de setembro de 2016 e 22 de outubro de 2016 foi marcado por uma diferença grande entre a temperatura mais baixa e a temperatura mais alta na cidade de São Paulo, onde a mais baixa foi 10,8 °C, ocorrida no início do dia 27 de setembro de 2016; no decorrer do dia a temperatura subiu e chegou aos 23,4 °C, e a maior foi 35,9 °C, que ocorreu na quarta-feira do dia 19 de outubro de 2016.[13]

Dados climatológicos para São Paulo (Mirante de Santana)
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 37 36,4 34,3 33,4 31,7 28,8 30,2 33 35,9 37,8 36,1 34,8 37,8
Temperatura máxima média (°C) 28,2 28,8 28 26,2 23,3 22,6 22,4 24,1 24,4 25,9 26,9 27,6 25,7
Temperatura média compensada (°C) 22,9 23,2 22,4 21 18,2 17,1 16,7 17,7 18,5 20 21,2 22,1 20,1
Temperatura mínima média (°C) 19,3 19,5 18,8 17,4 14,5 13 12,3 13,1 14,4 16 17,3 18,3 16,2
Temperatura mínima recorde (°C) 10,2 11,1 11 6 3,7 1 0,4 -2,1 2,2 4,3 7 9,4 -2,1
Precipitação (mm) 288,2 246,2 214,5 82,1 78,1 50,3 47,8 36 84,8 126,6 137 224,4 1 616
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 16 14 13 7 7 4 4 4 7 10 10 14 110
Umidade relativa compensada (%) 77,2 76 77,1 75,3 75,6 73,2 71,6 69,4 72,5 74,3 73,6 75,5 74,3
Horas de sol 139,1 153,5 161,6 169,3 167,6 160 169 173,1 144,5 157,9 151,8 145,1 1 893,5
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[14] recordes de temperatura: 1945-presente)[7][8]

Precipitação[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados em
São Paulo (Mirante de Santana) por meses (INMET, 1945-presente)[7][15]
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 127,4 mm 12/01/1949 Julho 123,6 mm 05/07/2019
Fevereiro 123 mm 10/02/2020 Agosto 53,2 mm 24/08/1953
Março 106,2 mm 11/03/1994 Setembro 78,1 mm 09/09/2009
Abril 82,1 mm 07/04/2017 Outubro 72,7 mm 07/10/1991
Maio 140,4 mm 25/05/2005 Novembro 103,2 mm 27/11/1950
Junho 89,6 mm[16] 27/06/2020 Dezembro 151,8 mm 21/12/1988

A cidade é conhecida como "terra da garoa" por ser comum o registro de chuvisco (garoa) associado à maritimidade, no entanto a urbanização densa fez com que a entrada dessa umidade marítima fosse dificultada e a ocorrência do fenômeno tem sido cada vez mais escassa. Em vez disso, foram intensificados os registros de eventos extremos a partir da década de 1940 e em especial após os anos 1990, com tempestades mais severas intercaladas por períodos maiores sem precipitação.[17] Tempestades de granizo são mais comuns durante o verão, quando ocorrem grandes quedas em pouco tempo.[18]

A precipitação anual média no Mirante de Santana é de 1 441 milímetros (mm), concentrados principalmente no verão. As estações do ano são relativamente bem definidas: o inverno é ameno e subseco, e o verão, moderadamente quente e chuvoso. Outono e primavera são estações de transição. Geadas ocorrem esporadicamente em regiões mais afastadas do centro, e em invernos rigorosos, em boa parte do município. Também ocorrem frequentemente nos municípios vizinhos.

O maior acumulado de precipitação registrado pelo INMET em 24 horas, desde o início das medições, em 1943, também no Mirante de Santana foi de 151,8 mm, no dia 21 de dezembro de 1988. Outros grandes acumulados no mesmo período foram 140,4 mm em 25 de maio de 2005, 127,4 mm em 12 de janeiro de 1949, 123,6 mm em 5 de julho de 2019, 114,3 mm em 15 de dezembro de 2012, 109,5 mm em 28 de fevereiro de 2011, 106,4 mm em 16 de janeiro de 1991, 106,2 mm em 11 de março de 1994, 103,5 mm em 19 de janeiro de 1977, 103,3 mm em 8 de fevereiro de 2007 e 102,7 mm em 17 de fevereiro de 1988.[15][19][20] O mês de maior precipitação foi março de 2006, com 607,9 mm registrados.[21] No dia 14 de agosto de 2009 a cidade bateu o recorde com o dia mais seco da história, com 10% de umidade do ar.[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. SALDAÑA, Paulo (12 de agosto de 2011). «A vida na estação meteorológica». Consultado em 24 de julho de 2020 
  2. Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (31 de julho de 2019). «SÃO PAULO CAPITAL, BALANÇO DE JULHO DE 2019» (PDF). Consultado em 24 de julho de 2020 
  3. INMET (2018). «INMET CELEBRA O DIA METEOROLÓGICO MUNDIAL COM TEMA: "PRONTOS PARA O TEMPO, PREPARADOS PARA O CLIMA"» (PDF). Consultado em 24 de julho de 2020 
  4. Tatiana Loureiro. «Ilhas de calor em São Paulo: Pontos quentes da cidade». Superinteressante. Consultado em 11 de novembro de 2010 
  5. Eli Serenza (15 de agosto de 2011). «Especialistas vêem reflorestamento como atividade econômica e meio para reduzir desmatamentos». Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Consultado em 10 de setembro de 2011 
  6. «Subprefeituras que mais plantaram árvores em 2008 são premiadas». Prefeitura Municipal de São Paulo (SP). 19 de março de 2009. Consultado em 10 de setembro de 2011. Arquivado do original em 26 de janeiro de 2012 
  7. a b c Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (1979). «Normais Climatológicas do Brasil (1931-1960)» 2 ed. Rio de Janeiro. Consultado em 21 de julho de 2020 
  8. a b c INMET. «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C), temperatura máxima (°C) - São Paulo (Mirante de Santana)». Consultado em 12 de junho de 2014 
  9. ZN na Linha (fevereiro de 2008). «Mirante de Santana: O tempo oficial da cidade». Consultado em 14 de julho de 2009. Arquivado do original em 24 de março de 2014 
  10. Eduardo Geraque (19 de junho de 2016). «SP teve 'neve de mentira' em manhã fria de 1918; caso virou folclore local». Folha de S.Paulo. Consultado em 1 de janeiro de 2019. Cópia arquivada em 1 de janeiro de 2019 
  11. «Cidade de São Paulo tem junho mais frio em 22 anos, diz Inmet». 10 de junho de 2016. Consultado em 18 de outubro de 2016 
  12. «Com 35,2°C, São Paulo tem o dia mais quente do ano». G1 Globo. 17 de outubro de 2016. Consultado em 18 de outubro de 2016 
  13. «SP tem primavera com temperaturas que variam de 10,8ºC a 35,9ºC» 
  14. INMET. «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Consultado em 23 de março de 2018 
  15. a b INMET. «BDMEP - série histórica - precipitação (mm) - São Paulo (Mirante de Santana)». Consultado em 24 de março de 2014 
  16. INMET (1 de julho de 2020). «SÃO PAULO CAPITAL, BALANÇO DE JUNHO DE 2020» (PDF). Consultado em 20 de julho de 2020. Cópia arquivada (PDF) em 3 de julho de 2020 
  17. Herton Escobar (28 de fevereiro de 2020). «Dados comprovam aumento de eventos climáticos extremos em São Paulo». Jornal da USP. Consultado em 23 de julho de 2020. Cópia arquivada em 30 de julho de 2020 
  18. Terra (17 de setembro de 2008). «Queda de Granizo na Grande São Paulo». Consultado em 9 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 24 de junho de 2012 
  19. PEGORIM, Josélia (25 de janeiro de 2014). «S. Paulo teve a maior chuva em 24h desde março de 2013». Climatempo. Consultado em 26 de abril de 2014. Cópia arquivada em 27 de abril de 2014 
  20. «São Paulo registra recorde de chuva em 24 horas para o mês de julho». Agência Brasil. 5 de julho de 2019. Consultado em 5 de julho de 2019 
  21. INMET. «BDMEP - série histórica - dados mensais - precipitação total (mm) - São Paulo (Mirante de Santana)». Consultado em 26 de abril de 2014 
  22. INMET. «BDMEP - série histórica - dados horários - umidade relativa (%)- São Paulo (Mirante de Santana)». Consultado em 26 de abril de 2014