Colostro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Colostro é uma forma de leite de baixo volume secretado pela maioria dos mamíferos nos primeiros dias de amamentação pós-parto. Composto de vários fatores para o desenvolvimento e proteção como água, leucócitos, proteínas, carboidratos e outros. O colostro vai se transformando gradativamente em leite maduro nos primeiros quinze dias pós-parto. Também são identificados componentes, como fatores de crescimento, lactoferrina, citocinas anti-inflamatórias, oligossacarídeos, antioxidantes, pré e pró-bióticos, leucócitos e anticorpos.

O colostro tem uma importante função na imunidade passiva de algumas espécies de animais. Nele existem uma grande quantidade de imunoglobulinas, que em determinadas espécies não conseguem passar pela placenta, ficando a cargo total do colostro transferir da mãe para o filho. Além da quantidade de imunoglobulinas, o colostro se difere do leite pela quantidade de sólidos totais, proteínas e demais fatores. Com o tempo, essas diferenças vão diminuindo e essa secreção vai se transformando em leite.[1]

Durante o aleitamento, imunoglobulinas (IgA, IgG, IgM, IgD, IgE) são transferidas pelo colostro para o recém nascido, havendo passagem de imunidade passiva da mãe para o filho, que ainda apresenta um sistema imune imaturo e precisa de proteção. A importância das imunoglobulinas, em especial, a IgA, como anticorpo, que favorece a saúde da criança, tem a função de inibir a adesão de vírus e bactérias. Assim, evita inflamações e infecções, tais como: diarreia, problemas respiratórios e otite média.

No decorrer da lactação, mesmo com o declínio da secreção de IgA no leite materno, a atividade biológica de inibição da adesão bacteriana permanece inalterada. Esse dado explica por que as crianças permanecem protegidas contra gastrenterites durante todo o período de aleitamento. Diarreias são mais frequentes após o desmame, independente da idade da criança. Esses dados reforçam a importância do leite materno para recém-nascidos prematuros e pequenos para a idade gestacional.

O colostro é também a única substância capaz de eliminar todos os resíduos de mecônio do trato gastrointestinal do bebê, ajudando o intestino a amadurecer e funcionar de maneira eficiente, além de prevenir o aparecimento de alergias, infecções e diarréia, pelo adequado controle e equilíbrio das bactérias que se desenvolvem no seu intestino. No dia do parto o colostro se apresenta ainda mais rico, daí as primeiras horas de vida serem chamadas por especialistas de "golden hours".

Além de prevenir doenças no início da vida, o leite materno parece reduzir o risco de certas doenças crônicas ligadas ao sistema imunológico, como doenças autoimunes, doença celíaca, doença de Crohn, colite ulcerativa, diabetes mellitus e linfoma.

Como o colostro é rico em células imunologicamente ativas, anticorpos e proteínas protetoras, funciona como uma primeira vacina, protegendo o bebê contra várias infecções.

Colostro ajuda a regular o próprio sistema imunológico em desenvolvimento:

  • É rico em vitamina A que ajuda a proteger os olhos e a reduzir as infecções.
  • Ao estimular os movimentos intestinais para que o mecônio seja rapidamente eliminado, ajuda na prevenção da icterícia.
  • Vem em volumes pequenos, de acordo com a capacidade gástrica de um recém-nascido.

Um estudo piloto com crianças autistas demonstrou benefícios principalmente de melhora no funcionamento gastrointestinal.[2]


Referências

  1. «Walter L. Hurley and Peter K. Theil. Perspectives on immunoglobulins in colostrum and milk. Nutrients. 2011 Apr;3(4):442-74. Epub 2011 Apr 14.» (em inglês). Consultado em 14 de abril de 2012 
  2. Angkustsiri, Kathleen; Smilowitz, Jennifer T.; Mills, David A.; Ashwood, Paul; Slupsky, Carolyn M.; German, J. Bruce; Tancredi, Daniel J.; Yang, Houa T.; Rose, Destanie R. (9 de janeiro de 2019). «Pilot study of probiotic/colostrum supplementation on gut function in children with autism and gastrointestinal symptoms». PLOS ONE (em inglês). 14 (1): e0210064. ISSN 1932-6203. doi:10.1371/journal.pone.0210064 

3. Rev enferm UFPE on line., Recife, 11(Supl. 9):3516-22, set., 2017

4. MONTEIRO, Renata de Araújo. Evolução neonatal e aquisição passiva de anticorpos IgG séricos e IgA no colostro reativos com streptococcus B, anti-LPS de

Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa em gêmeos. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-05042017

161941/publico/RenatadeAraujoMonteiro.pdf. Acesso em: 23 abr. 2020.

5. SOARES, Rita de Cássia Santos et al. IMUNIDADE CONFERIDA PELO LEITE MATERNO. Disponível em:

https://academico.univicosa.com.br/revista/index.php/RevistaSimpac/article/viewFile/219/380. Acesso em: 23 abr. 2020.


Ícone de esboço Este artigo sobre Biologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.