Continência

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Uma militar da marinha de guerra dos Estados Unidos prestando continência.

Continência é a saudação militar e uma das maneiras de manifestar respeito e apreço aos seus superiores, pares, subordinados e símbolos, como a bandeira nacional, por exemplo. Ela deve ser feita em pé, com a movimentação da mão direita até a cabeça, com a palma da mão para baixo,[1] e pode ser individual ou da tropa.[2] Apenas em raríssimas situação permite-se fazer o sinal de continência com a mão esquerda: quando a mão direita está sobrecarregada de alguma forma (embora seja rara), por exemplo, um soldado segurando um rifle na mão direita e o apoiando sobre o ombro; se o desempenho do dever exigir a mão direita para uso ou operação de equipamentos, como andar de moto; se não for possível usar a mão devido a lesão ou amputação; quando escoltando uma mulher e não é possível andar em seu lado direito.

Como o presidente da República é o chefe das Forças Armadas, em alguns países, ele também costuma prestar continência a militares.

Fernando Montenegro, coronel da reserva do Exército Brasileiro e consultor em assuntos de segurança e militar, explica o que é a continência[3]:

A continência, para o militar, está muito longe de ser um sinal de subserviência. Ela é um sinal de respeito tipicamente militar, um cumprimento. O cumprimento de aperto de mão começou para mostrar a mão desarmada; a continência é um ponto diferente, mostra respeito a quem admiramos, respeitamos. É um respeito que temos entre nós, além de realizarmos às vezes em relação a pessoa que a gente tem uma certa admiração e respeito pelo tipo de atividade que desenvolve. Assim, cumprimentar um civil também é perfeitamente cabível.
Fernando Montenegro, coronel da reserva do Exército Brasileiro e consultor em assuntos de segurança e militar

Origem[editar | editar código-fonte]

Algumas pesquisas indicam que a continência foi criada na época medieval, onde os cavaleiros, para identificarem-se aos seus superiores abriam a parte frontal de seu elmo, com um movimento similar ao de prestar continência. O filme The Last Castle (2001) (com Robert Redford como protagonista geral) utiliza-se dessa explicação para apresentá-la durante o filme.

O gesto também indicava paz nestes tempos mais antigos, pois a mão no elmo sinalizava que o cavaleiro não possuía a intenção de sacar sua arma.[4]

Prática no Brasil[editar | editar código-fonte]

Segundo o Regulamento de Continências, Honras, Sinais de Respeito e Cerimonial Militar das Forças Armadas Brasileiras, decreto No 2.243, de 3 de junho de 1997, em seu artigo 15º normatiza quem tem direito à continência, conforme a seguir:

I - a Bandeira Nacional;

II - o Hino Nacional, quando executado em solenidade militar ou cívica;

III - o Presidente da República;

IV - o Vice-Presidente da República;

V - o Presidente do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal;

VI - os Ministros de Estado;

VII - os Governadores de Estado, de Territórios Federais, e do Distrito Federal, nos respectivos territórios, ou em qualquer parte do País em visita de caráter oficial;

VIII - os Ministros do Superior Tribunal Militar;

IX - os militares da ativa das Forças Armadas;

X - os militares da reserva ou reformados;

XI - a tropa quando formada;

XII - as Bandeiras e os Hinos das Nações Estrangeiras;

XIII - as autoridades e cidadãos civis e estrangeiras;

XIV - os militares das Forças Armadas estrangeiras;

XV - os integrantes das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares;

O decreto regulamenta ainda que “a continência parte sempre do militar de menor precedência hierárquica” e, quando “ocorrer dúvida sobre qual seja o de menor precedência, deve ser executada simultaneamente”. “Todo militar deve, obrigatoriamente, retribuir a continência que lhe é prestada”.

Na Cultura Popular[editar | editar código-fonte]

Muitos artefatos da cultura popular criaram saudações militares para fins ficcionais, na maioria das vezes com um propósito cínico ou sarcástico.

  • Em seu comic book Le Dictateur et le Champignon, de 1953, o artista belga André Franquin criou uma saudação boba, usada em um país fictício da América Latina chamado Palombia. Ao saudar, os subordinados do general Zantas devem levantar as mãos sobre a cabeça, com a palma virada para a frente e, em seguida, apontar para o alto da cabeça com os polegares. Franquin repete essa ideia em seu álbum de 1957 em quadrinhos Z comme Zorglub. Aqui, os soldados conspirados do bruxo todo-poderoso da ciência Zorglub saúdam seu líder apontando suas cabeças com os dedos indicadores para cinicamente sublinhar quanto de gênio eles consideram ser.
  • No universo da Marvel Comics, os membros da organização Hydra saúdam de maneira semelhante a uma saudação fascista, mas levantam as duas mãos com os punhos cerrados. Isto também é acompanhado pelo canto "Hail Hydra".
  • No filme de ficção científica paródica de 1987, S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço, dirigido por Mel Brooks, todos os subordinados do presidente Supremo, Skroob, saúdam-no dobrando os antebraços sobre as mãos opostas, como se estivessem prestes a lhe dar a saudação de honra, mas no último momento, eles usam as mãos levantadas para acenar-lhe adeus, em vez de mostrar-lhe o dedo do meio.
  • No mangá Shingeki no Kyojin, os membros das forças armadas (e às vezes os civis em uma demonstração de respeito para com as forças armadas) saúdam dobrando os braços e colocando o punho cerrado sobre seus corações[5]. O gesto, conhecido como "oferecer corações", pretende demonstrar que os soldados estão dispostos a dar seus corpos e vidas para proteger a humanidade e garantir sua sobrevivência.
  • Na comédia de ficção científica da BBC TV Red Dwarf, Arnold J. Rimmer realiza continuamente uma elaborada saudação especial que ele inventou para o Space Corps, apesar de não ser membro do Corpo. Consiste em estender a mão para fora na frente do corpo, com a palma para baixo e girá-lo cinco vezes sobre o punho (para representar os cinco anéis do Space Corps), levando a mão para perto da cabeça com a palma voltada para fora.

Referências

  1. globoesporte.globo.com/ Entenda o motivo de atletas brasileiros baterem continência no pódio olímpico
  2. globoesporte.globo.com/ Continência de brasileiros no pódio no Pan chama atenção, e COB defende
  3. g1.globo.com/ Bolsonaro presta continência a civis; entenda o que gesto significa
  4. «The Origins of Saluting». Department of Defence. Consultado em 9 de junho de 2011 
  5. Robinson, Melia (October 12, 2013). «This Is The Costume Every Teen Is Wearing To New York Comic Con». Business Insider. Consultado em January 19, 2016. As they pass each other they stop, crumpling their right hands into fists over their hearts and placing the other hand behind their backs—a salute.  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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