Declaração de Bolonha

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Países Signatários da Declaração de Bolonha.

A Declaração de Bolonha (19 de junho de 1999) — que desencadeou o denominado Processo de Bolonha — é um documento conjunto assinado pelos Ministros da Educação de 29 países europeus, reunidos na cidade italiana de Bolonha.

A declaração marca uma mudança em relação às políticas ligadas ao ensino superior dos países envolvidos e estabeleceu em comum um Espaço Europeu de Ensino Superior a partir do comprometimento dos países signatários em promover reformas de seus sistemas de ensino.

A declaração reconhece a importância da educação para o desenvolvimento sustentável de sociedades tolerantes e democráticas.

Embora a Declaração de Bolonha não seja um tratado, os governos dos países signatários comprometem-se a reorganizar os sistemas de ensino superior dos seus países de acordo com os princípios dela constantes.

Objetivos[editar | editar código-fonte]

A declaração visa a tomada de ações conjuntas para com o ensino superior dos países pertencentes à União Europeia, com o objetivo principal de elevar a competitividade internacional do sistema europeu do ensino superior. Para assegurar que o sistema europeu do ensino superior consiga adquirir um grau de atracção mundial semelhante ao das suas extraordinárias tradições cultural e científica, delinearam-se os seguintes objetivos a serem atingidos na primeira década do terceiro milénio :[1]

  • Promover entre os cidadãos europeus a empregabilidade e a competitividade internacional do sistema europeu do Ensino Superior.
  • Estabeler um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS), comum aos países europeus, para promover a mobilidade mais alargada dos estudantes. Os créditos podem também ser adquiridos em contextos de ensino não superior, incluindo a aprendizagem ao longo da vida, desde que sejam reconhecidos pelos estabelecimentos de ensino superior de acolhimento;
  • Adoptar um sistema baseado em três ciclos de estudos:
    • 1.º ciclo, com a duração mínima de três anos - grau de licença, Licenciado.[2] - de 180 a 240 ECTS;
    • 2.º ciclo, com a duração de um ano e meio a dois (excepcionalmente um ano) - grau de mestre, Mestrado[2] , - de 90 a 120 ECTS (mínimo de 60 no 2.º ciclo) ;
    • 3.º ciclo - grau de doutor, Doutorado[2] - Sem requerimentos de ECTS.
  • Implementar o suplemento ao diploma;
  • Promover a mobilidade dos estudantes (no acesso às oportunidades de estudo e formação, bem como a serviços correlatos),professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários);
  • Promover a cooperação europeia na avaliação da qualidade, com vista a desenvolver critérios e metodologias comparáveis;
  • Promover as dimensões europeias do ensino superior, em particular:
    • Desenvolvimento curricular;
    • Cooperação interinstitucional;
    • Mobilidade de estudantes, docentes e investigadores;
    • Programas integrados de estudo, de formação e de investigação.

Países que aderiram[editar | editar código-fonte]

Para além dos 29 signatários iniciais, aderiram à Declaração de Bolonha até à reunião de ministros de Lovaina (2009) mais 18 países Albânia, Alemanha, Andorra, Arménia, Azerbaijão, Áustria, Bélgica (comunidades flamenga e francófona), Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Cazaquistão, Chipre, Croácia ,Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Geórgia, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Liechtenstein, Luxemburgo, Macedónia, Malta, Moldávia, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Santa Sé, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido, República Checa e Ucrânia.

Reuniões de ministros[editar | editar código-fonte]

O acompanhamento do processo e o seu desenvolvimento é objeto de reuniões periódicas dos ministros responsáveis pelo ensino superior nos países aderentes.

Tiveram lugar reuniões em Praga (2001), Berlim (2003), Bergen (2005), Londres (2007), Lovaina (2009), Budapeste, Viena (2010) e Bucareste (2012).

A próxima reunião de ministros será realizada em Yerevan, na Arménia em 2015.

Os comunicados[editar | editar código-fonte]

Protestos[editar | editar código-fonte]

Nos últimos meses de 2007, houve uma onda de insatisfação e protestos de estudantes na Espanha, contra a Declaração de Bolonha e a unificação do sistema universitário europeu. Milhares de estudantes se manifestaram em Madrid e centenas em outras cidades espanholas em 14 de novembro, contra uma reforma que, segundo eles, representa aumento das taxas e mercantilização do ensino, isto é, a adequação dos programas educacionais às necessidades das empresas.[3]

Fontes[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The Bologna Process - Towards the European Higher Education Area (em inglês). "European Commission - Education & Training"
  2. a b c Os termos de "master" e "doctorat", traduzidos na respectiva língua, são geralmente aceite nos vários países enquanto o de "licença", se usado em (Pt, Fr) pode ser designado por Bacherel (Be, Al, En, Ch) ou por Grado (Es) (visto na versão Fr : Processus_de_Bologne )
  3. A faísca grega ou um novo Maio de 68. UOL, 28/12/2008

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sítios oficiais[editar | editar código-fonte]

Outros[editar | editar código-fonte]