Eleb

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Embraer Divisão Equipamentos (ELEB)
Razão social ELEB Equipamentos Ltda
Empresa de capital fechado
Atividade Aeronáutica
Fundação 21 de fevereiro de 1984 (35 anos)
Sede São José dos Campos, SP
 Brasil- 24 mil m²
Proprietário(s) Embraer
Presidente Luis Carlos Marinho da Silva
Empregados 600 (jan/2014)
Produtos Sistemas e Equipamentos
Faturamento US$ 100 milhões (2014) [1]
Antecessora(s) EDE - Embraer Divisão Equipamentos
Website oficial https://embraer.com/global/en/equipment-division

ELEB ou ELEB Equipamentos Ltda é uma empresa brasileira do setor aeronáutico, controlada pela Embraer, que desenvolve e produz equipamentos para aeronaves de médio e grande porte comerciais, executivas, de defesa e helicópteros.

A ELEB participa do ciclo completo dos equipamentos, desde sua concepção e desenvolvimento, passando pelos testes, certificação, manufatura até o suporte pós-venda.

Está localizada na cidade de São José dos Campos, estado de São Paulo.

História[editar | editar código-fonte]

O trem de pouso do AMX foi produzido pela ELEB (então EDE)

No final da década de 1970, Brasil e Itália decidiram desenvolver em conjunto um novo programa militar para a produção de um caça-bombardeiro tático denominado AMX. O governo brasileiro decidiu que o programa deveria também trazer para o país o know-how associado à tecnologia de desenvolvimento e produção dos conjuntos e componentes da aeronave que seriam de fornecimento brasileiro, tais como trens de pouso, válvulas direcionais, atuadores hidráulicos e outros. A responsabilidade de trazer esse tipo de tecnologia para o Brasil foi dada à Embraer, que por sua vez criou a Embraer Divisão Equipamentos (EDE), em 21 de fevereiro de 1984.[2](pg.36) [3](pg.36) [4]

Crescimento internacional[editar | editar código-fonte]

O trem de pouso principal do ERJ-145 foi desenvolvido e produzido pela ELEB

Anos mais tarde, em 1999,[4] a criação de uma joint venture entre a Embraer e a empresa europeia Liebherr Aerospace SAS,[5] transformou a EDE em uma empresa denominada Embraer Liebherr Equipamentos do Brasil S.A., da qual a Embraer detinha 60% do controle acionário e a Liebherr os demais 40%.[4]

Essa parceria surgiu da relação que as duas companhias estabeleceram no desenvolvimento do ERJ-145, jato regional para 50 passageiros. Nesse programa, a EDE encarregou-se do desenvolvimento e fornecimento do trem de pouso principal, enquanto o equipamento auxiliar – trem de "nariz" – seria de responsabilidade da Liebherr. Neste período, a empresa passou por uma fase de grandes investimentos e a entrada em diversos novos negócios no mercado internacional, conquistando importantes clientes nos EUA, Europa e Ásia.[3](pg.104) [nota 1]

O trem de pouso do E-Jet 195 foi desenvolvido e produzido pela ELEB

Já no caso das aeronaves Embraer 170 e Embraer 190, o desenvolvimento e a produção do trem de pouso principal ficaram a cargo da Liebherr, que exportava o equipamento para o Brasil. O desenvolvimento e a fabricação do equipamento auxiliar – trem de "nariz" – seriam da responsabilidade da ELEB. Nesse processo, a tecnologia para desenvolvimento de trens de pouso auxiliares foi transferida para a ELEB, que passou a fornecer os trens auxiliares também para o ERJ 145. A joint venture foi uma solução frutífera em termos de diversificação e abertura de mercados internacionais para a antiga EDE.[3](pg.105) [nota 2]

Em 2008, os 40% de participação da Liebherr foram adquiridos pela Embraer e a empresa passou a ser denominada ELEB Equipamentos Ltda.

O trem de pouso do KC-390 foi desenvolvido e produzido pela ELEB

Em 2014, a ELEB atingiu US$ 100 milhões de faturamento, sendo 40% em exportações e em janeiro de 2016 estava entre as três principais fabricantes mundiais de trens de pouso, junto com a americana Goodrich Corporation e a francesa Messier Dowty (en). Entre 2014 e 2016, a empresa recebeu um investimento de US$ 10 milhões para a capacitação e desenvolvimento dos trens de pouso do KC-390 e da família de E-Jets E-2, que passaram a utilizar em grande parte, titânio e aço, em substituição ao alumínio. Além do KC-390, E-Jets, Legacy e Super Tucano, a ELEB também fornece o sistema completo do trem de pouso do helicóptero S-92 da americana Sikorsky.[7]

Reestruturação societária[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2007, os controladores da ELEB entraram em negociação, tendo como objetivo a aquisição, pela Embraer, dos 40% do capital da empresa pertencentes à Liebherr Aerospace SAS. O negócio foi concluído em julho de 2008, ocasião em que a Embraer passou a deter a totalidade das ações da ELEB. As atividades operacionais da empresa permaneceram inalteradas após a mudança no controle acionário, porém a razão social da empresa foi alterada para ELEB Equipamentos Ltda., de modo a refletir a nova estrutura societária.

Produtos[editar | editar código-fonte]

A ELEB desenvolve e produz uma diversificada gama de produtos para aplicação aeronáutica, como sistemas de trens de pouso, atuadores hidráulicos, válvulas eletro-hidráulicas, reservatórios hidráulicos, pilones, entre outros. Esses equipamentos são utilizados tanto pela linha de aeronaves da Embraer quanto por aeronaves de outros fabricantes do exterior.

Em abril de 2011, a ELEB foi selecionada pela Embraer para o desenvolvimento e produção dos trens de pouso do jato de transporte militar KC 390.[8]

Tecnologia[editar | editar código-fonte]

A empresa participa de programas mundiais na área aeroespacial, fornecendo sistemas integrados para a família de jatos comerciais Embraer 170/190/195, jatos regionais ERJ 135/140/145, jatos executivos Legacy 600 e Phenom 100/300, aviões de treinamento e ataque leve Tucano T-27 e Super Tucano/ALX, caça-bombardeiro AM-X, helicópteros Sikorsky S-92/H-92, Airbus A330 e Airbus A340 entre outros programas. Para o projeto e desenvolvimento de seus produtos, utiliza sistemas de última geração para análise e simulação. Possui também instalações de laboratórios de ensaios mecânicos, químicos, eletro-eletrônicos, hidráulico, ensaios não destrutivos e de testes de desenvolvimento.[9]

Em 2004, com um financiamento do FINEP, foram investidos US$ 17 milhões em modernização tecnológica da ELEB, sendo US$ 2 milhões na implantação de um equipamento de testes de "queda livre" de trens de pouso, que simula as condições mais críticas de aterrissagem da aeronave, ensaio essencial nos processos de certificação.[3] O equipamento, com dezessete metros de altura e cem toneladas de peso, tem capacidade para testar a resistência de trens de pouso de aeronaves com até 150 toneladas.[7]

Para atender a demanda dos trens de pouso para o cargueiro KC-390 e para os E190-E2, que utilizam peças de aço e titânio de maiores dimensões, foi iniciada em 2017 a ampliação da unidade da Eleb em Taubaté, com a implantação de um centro de usinagem de grande porte.[10]

Certificações[editar | editar código-fonte]

Histórico de certificações:

Notas

  1. "O arranjo organizacional e patrimonial que envolve o fornecimento dos sistemas de trem de pouso aos jatos da Embraer é único e aponta para um modelo de localização/adensamento que parece ser um dos mais bem-sucedidos entre os examinados nesta pesquisa. Esse arranjo envolve uma forma singular de parceria de risco entre o grupo alemão Liebherr e a Embraer, que se estrutura na consolidação da joint venture ELEB–Embraer Liebherr Equipamentos do Brasil, em 1999, na qual a Embraer detém o controle de 60% do capital e a Liebherr, o restante." (Montoro,[6] Seção 2.2.2, pág. 103)
  2. "No arranjo definido por meio da formação da joint venture e de uma parceria de risco associada, esses diversos objetivos são alcançados. O desenvolvimento e a produção do trem de pouso principal do Embraer 170/190 ficaram a cargo da Liebherr, que exporta o equipamento para o Brasil. Já o desenvolvimento e a fabricação do equipamento auxiliar – trem de nariz – são da responsabilidade da ELEB. Nesse processo, a tecnologia para desenvolvimento de trens de pouso auxiliares foi transferida para a ELEB, que não a dominava, de acordo com entrevista realizada com a diretoria comercial da empresa, responsável por relações com fornecedores. Assim, a ELEB passou a fornecer os trens auxiliares também para o programa 145." (Montoro,[6] Seção 2.2.2, pág. 104)
  3. A homologação ocorreu nos termos do RBHA 145,[16] mas por força da Resolução ANAC nº 267/13[17] o RBHA 145[18] foi revogado e substituído pelo RBAC 145.[19] Isso, porém, não afeta a homologação da empresa.

Referências

  1. R&D investment pays off for landing gear unit of Embraer, Valor Econômico - 4/1/2016 (em inglês)
  2. «História da Embraer» (PDF). aeitaonline.com.br. Cópia arquivada (PDF) em 21 de fevereiro de 2019 
  3. a b c d «Cadeia produtiva aeronáutica brasileira- oportunidades e desafios» (pdf). USP/UNICAMP. 2009. Consultado em 4 de janeiro de 2015 
  4. a b c «Divisão Equipamentos». 2014. Consultado em 8 de fevereiro de 2014 
  5. «Liebherr Aerospace» 
  6. a b Montoro, Guilherme C. Franco; et al (2009). Cadeia produtiva aeronáutica brasileira. oportunidades e desafios. em PDF. Rio de Janeiro: BNDES. 552 páginas. ISBN 978-85-87545-30-5 
  7. a b «Eleb se torna uma referência mundial em trens de pouso». Defesa Aérea & Naval. 4 de janeiro de 2016. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2017 
  8. Embraer. «Cargueiro KC-390 terá trens de pouso da ELEB». 5/4/2011 
  9. «Certificado de homologação (Ensaios e tratamentos diversos)» (PDF). ANAC. Abril de 2017. Consultado em 22 de abril de 2018 
  10. «Embraer anuncia ampliação das instalações da Eleb em Taubaté, SP». Portal G1. 30 de junho de 2016. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2017 
  11. «Quality Management Systems - Requirements for Aviation, Space and Defense Organizations» (em inglês). SAE International. 15 de janeiro de 2009. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  12. «ABNT NBR 15100-2010 - Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos para organizações de aeronáutica, espaço e defesa». ABNT. 15 de janeiro de 2010 - publicação. Consultado em 9 de fevereiro de 2014  Verifique data em: |data= (ajuda)
  13. «ISO 9001:2008 (Quality management system - Requirements)» (em inglês). ISO. 2008. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  14. «RBHA 21-Procedimentos de homologação para produtos e partes aeronáuticas» (PDF). ANAC. 2005. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  15. «FAR Part 21-Certification procedures for products and parts» (em inglês). FAA. 2007. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  16. «Certificado de Homologação de Empresa nº 0004-03/ANAC» (PDF). Certificado de homologação da ELEB Equipamentos LTDA. Base de homologação RBHA 145. ANAC. 11 de maio de 2010. Consultado em 9 de fevereiro de 2014. Arquivado do original (PDF) em 24 de fevereiro de 2014 
  17. «Resolução ANAC nº 267, de 5 de março de 2013» (PDF). Aprova o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 145. ANAC. 8 de março de 2013. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  18. «Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA) nº 145, de 9 de abril de 1990: Empresas de Manutenção de Aeronaves.» (PDF). ANAC. 25 de abril de 1990. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  19. «Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) nº 145, de 5 de março de 2013: Organizações de Manutenção de Produto Aeronáutico» (PDF). ANAC. 8 de março de 2013. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  20. «FAR 145 Repair Station Certification» (em inglês). FAR - Aviation Safety Bureau. 2010. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]