Trem de pouso

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Trem de pouso ou trem de aterragem, ou trem de aterrissagem,[1][2][3] é um dos principais equipamentos do avião, utilizado na decolagem e na aterrissagem, sendo o trem de pouso dianteiro responsável pela direção durante o deslocamento da aeronave no solo.

O trem de pouso deve suportar todo o peso de uma aeronave durante as operações de pouso e decolagem, sendo fixado rigidamente aos componentes estruturais primários da aeronave.[4]

Principais componentes[editar | editar código-fonte]

Trem de pouso travado na posição estendida em um A380.

Os principais componentes do trem de pouso são: estrutura principal, atuador (normalmente hidráulico), amortecedor (normalmente hidro-pneumático), sistema direcional (nos trens de pouso dianteiros), sistema de travamento estendido e retraído, rodas e freios. Há também um sistema hidráulico, composto de reservatório de óleo, bomba hidráulica, válvulas e tubulações, para a operação do equipamento. Em algumas aplicações específicas, como operações na neve ou na água, as aeronaves possuem trens de pouso fixos, equipados com esquis e flutuadores.[4]

Operação[editar | editar código-fonte]

Trem de pouso do tipo retrátil, com o atuador em primeiro plano e atrás deste, o amortecedor.

O comando de acionamento é feito normalmente por uma alavanca no console da aeronave, tendo luzes indicadoras de curso e posição para informar à tripulação se o acionamento foi bem sucedido e se o equipamento foi travado, tanto na retração quanto na extensão. Ao se comandar o acionamento, o atuador se estende ou retrai, dependendo da ação que se deseja, levando o conjunto a fazer um movimento de rotação em torno de um eixo fixo na estrutura da aeronave. Para permitir o movimento livre do trem de pouso, seja na retração ou na extensão, as portas do compartimento se abrem. O acionamento das portas pode ser independente, por atuadores eletro-hidráulicos, ou pelo próprio conjunto do trem de pouso, que as arrasta ao ser movido. Nas aeronaves mais modernas, um dispositivo de segurança impede que o acionamento seja feito durante o voo, acima de uma determinada velocidade. No A330, este limite é 280 kn (519 km/h).[5] Há também, em algumas aeronaves, um sistema mecânico free fall (queda livre) que, ao ser acionado, permite ao trem de pouso ser estendido e travado pela ação da gravidade, em caso de uma pane que impeça o acionamento normal.[4] Em alguns casos extremos de pane na operação do trem de pouso, a aeronave pode aterrissar sem este equipamento, manobra conhecida como "pouso de barriga", uma operação de emergência que exige treinamento e habilidade técnica do piloto.[6]

Trem de pouso dianteiro, com o sistema direcional.

O principal objetivo de se recolher o trem de pouso durante o voo é para que este não ofereça uma resistência aerodinâmica, principalmente em altas velocidades, reduzindo a eficiência da aeronave. Estando o trem de pouso completamente recolhido no interior do seu compartimento, as portas se fecham, fazendo com que não haja nenhum arrasto parasita na fuselagem. Quando o trem de pouso está estendido para o pouso, este arrasto parasita é útil para diminuir a velocidade da aeronave. Em alguns casos, onde a velocidade operacional é menor e as aeronaves são de menor porte, o trem de pouso é do tipo fixo, ou seja, não possui sistema de retração, permanecendo estendido durante o voo, o que reduz o custo de produção.[4]

As forças do impacto no solo durante o pouso são controladas pelo amortecedor, que absorve a maior parte desta energia mecânica e a converte em energia térmica. Outra parte da energia é transferida para a estrutura da aeronave e para os pneus. O amortecedor típico utiliza uma combinação de fluído hidráulico e nitrogênio pressurizado, permitindo que ele absorva e dissipe as cargas no impacto contra o solo.[4]

Estolagem inclinada[editar | editar código-fonte]

Quando há um problema no trem de pouso de ordem hidráulica ou mesmo perda de uma das rodas ou outro componente do sistema é possível pousar o avião só com um trem de pouso, chamado de estolagem inclinada. Técnica essa que exige conhecimentos técnicos e perícia extrema do comandante do voo.

Tipos de trem[editar | editar código-fonte]

Quanto à construção[editar | editar código-fonte]

Convencional[editar | editar código-fonte]

O chamado trem convencional (designado em inglês por taildragger), é o oposto do trem triciclo; é um trem que possui dois pneus frontais, e um traseiro, sob a empenagem.

Triciclo[editar | editar código-fonte]

Uma aeronave com um trem "triciclo", possui um pneu frontal, sob a parte da frente, e dois traseiros, dispostos sob as asas. A vantagem desta configuração, relativamente à anterior, é o fato de ser mais seguro em frenagens mais acentuadas, impedindo que o avião entre em capotamento frontal.

Quanto à operação[editar | editar código-fonte]

Fixo[editar | editar código-fonte]

Não possui sistema de retração, permanecendo estendido durante o voo.

Retrátil[editar | editar código-fonte]

Possui sistema de retração, que faz com que seja recolhido parcialmente.

Escamoteavel[editar | editar código-fonte]

Possui sistema de retração, que faz com que seja recolhido totalmente para o interior de um compartimento na aeronave durante o voo.

Principais fabricantes[editar | editar código-fonte]

  • Safran Landing Systems (França)[7]
  • UTC Aerospace Systems (EUA)[8]
  • Liebherr-Aerospace (Suiça)[9]
  • Eleb (Brasil)[10]

Referências

  1. Thiago Vinholes (24 de maio de 2016). «A difícil vida do trem de pouso». Airway 
  2. «O trem de aterragem». CDN 
  3. Thomas Floyd. Sistemas Digitais: Fundamentos e Aplicações. [S.l.: s.n.]. ISBN 0131946099
  4. a b c d e «Aircraft Landing gear systems» (PDF) (em inglês). FAA 
  5. «Landing gear - A330» (PDF) (em inglês). Airbus 
  6. «Turboélice faz pouso 'de barriga' em aeroporto dos Estados Unidos». Portal G1. 18 de maio de 2013 
  7. «Airbus A380 Landing Gear» (em inglês). Safran 
  8. «Landing Gear» (em inglês). UTC 
  9. «Liebherr Aerospace» (em inglês). Liebherr 
  10. «ELEB». ELEB Equipamentos