Embraer KC-390

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Embraer KC-390
Avião
Apresentação da aeronave
Descrição
Tipo / Missão Transporte militar e reabastecedor em voo
País de origem  Brasil
Fabricante Brasil Embraer
Período de produção em desenvolvimento
Quantidade produzida 2 unidade(s)
Custo unitário US$: 85 milhões
Primeiro voo em 3 de fevereiro de 2015 (2 anos)
Introduzido em 2018 (previsto)
Tripulação 3
Soldados 80
Especificações
Dimensões
Comprimento 35,2 m (115 ft)
Envergadura 35 m (115 ft)
Altura 11,8 m (38,7 ft)
Notas
Para outras informações, acesse a seção Ficha técnica.

O Embraer KC-390 é uma aeronave para transporte tático/logístico e reabastecimento em voo desenvolvido e fabricado pela Embraer Defesa e Segurança, subsidiária do grupo brasileiro Embraer.[1]

A aeronave estabelece um novo padrão para o transporte militar médio, visando atender os requisitos operacionais da Força Aérea Brasileira, em substituição ao C-130 Hercules.[2]

A fabricante pretende ainda alçá-lo como substituto para as demais Forças Aéreas que possuem em sua frota essa classe de cargueiro militar. É também o maior avião produzido na América Latina.[3]

Histórico de desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Apresentação do KC-390 (protótipo PT-ZNF) em 21 de outubro de 2014

O KC-390 é um projeto desenvolvido para a produção de um jato militar de transporte, anunciado pela primeira vez na feira de materiais de defesa Latin America Aero & Defence (LAAD), no Rio de Janeiro no ano de 2007. Na edição de 2009 do mesmo evento foi anunciado formalmente o lançamento do programa.[4]

É equipado com dois motores turbofan Pratt & Whitney, modelo IAE V2500-E5, com empuxo de 31 330 lbf (139 400 N) cada.[5][6] Utiliza a tecnologia fly-by-wire em sua aviônica e tem capacidade para transportar 23 toneladas de carga, inclusive veículos.[7]

Em outubro de 2008, o Congresso Brasileiro aprovou o uso de cerca de R$ 800 milhões pela então EMBRAER para o desenvolvimento da aeronave. Essa verba seria liberada pela FAB via aval do Executivo.

No início de março de 2009, o Executivo Brasileiro anunciou um investimento inicial entre R$ 50 e R$ 60 milhões. Esse montante representava cerca de 5% do custo de desenvolvimento. Enquanto a empresa não fechava outras parcerias, a FAB preparou a proposta de compra de um lote de 30 unidades (incluindo os dois protótipos).[8] O valor deste primeiro contrato deveria chegar a US$ 1,3 bilhão, em um mercado estimado pela fabricante em no mínimo US$ 20 bilhões.[9]

Ainda em março de 2009 o Governo brasileiro, durante as turbulências da economia mundial, reiterou investimentos no projeto, a fim de garantir empregos na fabricante brasileira e dotar a Força Aérea Brasileira com o novo equipamento.[2] Até novembro de 2012 o projeto da nova aeronave já havia criado mil oportunidades de trabalho dentro da própria Embraer, com a recém criada Embraer Defesa e Segurança.[10]

Em março de 2013, a Força Aérea Brasileira e a Embraer Defesa e Segurança concluíram a Revisão Crítica de Projeto (CDR) da aeronave.[11] [nota 1]

Após cinco anos de desenvolvimento, foram concluídos os modelos para integração de todos os sistemas da aeronave e simulações de voo, realizadas em mock-up (simuladores em tamanho real da cabine de comando).[12]

O desenvolvimento do projeto e a produção, envolvendo a integração de tecnologias, sistemas eletrônicos e aviônica foram de responsabilidade da Embraer Defesa e Segurança, unidade da Embraer criada no início de 2011, sediada na cidade de Gavião Peixoto.[13]

O desenvolvimento do KC-390 contou com R$ 4,5 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além do apoio ao programa, o PAC também investiu entre 2011 e 2014, R$ 5,5 bilhões em programas militares da Marinha e Aeronáutica.[14]

A Embraer assinou com o governo brasileiro em 20 de maio de 2014 o primeiro contrato para produção em série do cargueiro KC-390, em um negócio estimado em R$ 7,2 bilhões, que incluía suporte logístico, peças sobressalentes e manutenção.[15]

Parcerias[editar | editar código-fonte]

Para o desenvolvimento e produção da aeronave, a Embraer firmou parcerias com a Argentina, Portugal e República Tcheca. A empresa brasileira fornece a seção dianteira da fuselagem com a cabine de pilotagem, asas, seção intermediária da fuselagem e estabilizadores vertical e horizontal. Executa também a integração dos comandos de voo, softwares, aviônica e equipamentos como os trens de pouso, que também produz, através de sua subsidiária Eleb.[16] A Argentina fornece as portas do trem de pouso dianteiro, porta dianteira direita, parte da rampa de acesso traseira, flaps e cone de cauda. Portugal fornece a seção central da fuselagem, sponson e portas do trem de pouso principal e leme de profundidade. A República Tcheca fornece a porta dianteira esquerda, portas traseiras, parte da rampa de acesso traseira e seção traseira da fuselagem.[17]

Protótipos e início da produção[editar | editar código-fonte]

Protótipo PT-ZNJ em São José dos Campos

Dois protótipos foram previstos no programa de desenvolvimento, montados na unidade Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto, no interior do estado de São Paulo. O primeiro protótipo (PT-ZNF) foi apresentado em 21 de outubro de 2014 e voou pela primeira vez em 3 de fevereiro de 2015.[18][19][20] Em fevereiro de 2016, o primeiro protótipo havia cumprido mais de cem horas de voo.[21]

A montagem do segundo protótipo (PT-ZNJ) foi concluída em março de 2016 e voou no dia 28 de abril.[22][23]

Em 21 de junho de 2016, a FAB e a Embraer realizaram com sucesso o primeiro lançamento de paraquedistas.[24]

O cronograma de desenvolvimento do KC-390 sofreu atraso de dois anos, por conta de restrições orçamentárias governamentais.[21]. A certificação e as primeiras entregas para a FAB foram previstas para 2018.[25][26]. O segundo país a receber a aeronave será Portugal.[27]

Em fevereiro de 2017, foi iniciada a produção em série na unidade da EDS em Gavião Peixoto.[28]

Missões[editar | editar código-fonte]

  • Transporte e lançamento de cargas e tropas;
  • Reabastecimento em voo - caças, transporte ou (ISR) e no solo;
  • Evacuação Aeromédica (UTI móvel, remoção de feridos);
  • Transporte de cargas paletizadas;
  • Transporte de veículos leves e médios;
  • Ajuda humanitária;
  • Lançamento a baixa altura (LAPES - Low Altitude Parachute Extracting System);
  • Lançamento de cargas e paraquedistas em todas as altitudes;
  • Operação em pistas não pavimentadas e curtas;
  • Combate a incêndios florestais.

Existe a possibilidade de serem desenvolvidas versões para fins não militares, que seriam utilizadas na indústria petrolífera, de mineração e transporte de cargas civis.[18]

Ficha técnica (Embraer KC-390)[editar | editar código-fonte]

Embraer-KC-390-3-Side-View.svg

Especificações.[13][29]

Dimensões externas[editar | editar código-fonte]

  • Envergadura: 35,05 m
  • Comprimento: 35,20 m
  • Altura: 11,84 m

Dimensões internas do compartimento de carga[editar | editar código-fonte]

  • Comprimento máximo: 18,54 m
  • Altura máxima: 3,20 m
  • Largura máxima: 3.45 m

Pesos e capacidades[editar | editar código-fonte]

  • Vazio: 51 000 kg (112 000 lb)
  • Máximo de decolagem (MTOW) 67 000 kg (148 000 lb) (missões táticas); 74 400 kg (164 000 lb) (normal) e 81 000 kg (179 000 lb) (transporte logístico)
  • Carga útil máxima: 26 000 kg (57 300 lb)
  • Combustível nas asas: 23 200 litros (6 130 galões)
  • Tripulação: Três (um piloto, um co-piloto e um engenheiro de voo) e oitenta soldados equipados ou 64 paraquedistas (configuração típica)

Desempenho[editar | editar código-fonte]

  • Velocidade máxima: Mach 0,8
  • Velocidade máxima de cruzeiro: 470 kn (870 km/h)
  • Alcance com carga útil máxima: 1 520 m.n. (2 820 km)
  • Alcance de traslado: 3 310 m.n. (6 130 km)
  • Transferência de combustível: 2 495 km (raio de missão REVO)
  • Altitude máxima da operação: 36 000 ft (11 000 m)
  • Distância de decolagem: 1 100 m (missões táticas); 1 300 m (normal) e 1 630 m (transporte logístico)

Estrutura[editar | editar código-fonte]

  • Fator de carga: 3,0 g (missões táticas em pista semipreparada); 2,5 g (normal) e 2,25 g (transporte logístico)
  • Pressurização: 7,6 psi (52 400 Pa)

Propulsão[editar | editar código-fonte]

Sistemas e equipamentos[editar | editar código-fonte]

Sistema de emergência de geração elétrica, fabricado pela Safran Hispano-Suiza
  • RWR / chaff & flare (sistemas de autodefesa)
  • DIRCM - Directional Infrared Countermeasures (sistemas de autodefesa)
  • Sistema de reabastecimento em voo
  • Sistema HUD duplo
  • Iluminação da cabina compatível com sistemas de visão noturna
  • Sistema de cálculo preciso do ponto de lançamento de carga
  • EEPGS – Emergency Electric Power Generator System (Sistema de emergência de geração de energia elétrica) do tipo RAT (Ram Air Turbine)

Operadores[editar | editar código-fonte]

Confirmados[editar | editar código-fonte]

Países que assinaram contratos de compra da aeronave. Fonte: DefesaNet [17]

  •  Brasil - Trinta aeronaves (incluindo os dois protótipos).[8]
  •  Portugal - Cinco aeronaves, com opção para mais uma.[31][32]

Potenciais[editar | editar código-fonte]

Países que assinaram cartas de intenções de compra, mas não formalizaram os acordos. Total de 32 unidades anunciadas.

Em negociação[editar | editar código-fonte]

Vários países fizeram contatos para avaliar o KC-390 como possível substituição da atual frota de aviões cargueiros, porém, não manifestaram intenção de compras do KC-390.

  •  Nova Zelândia - cinco aeronaves. O governo da Nova Zelândia fez um pedido de informações (RFI) em 18 de novembro de 2016.[35]
  •  Alemanha - quatro a seis aeronaves, que serão operadas em conjunto com a França e outros países europeus, membros da OTAN.[36]
  •  Bolívia - seis aeronaves. Interesse não confirmado pela Embraer nem pelo governo da Bolívia, mas confirmado por autoridades brasileiras.[37]
  •  Itália - Quantidade não divulgada. Interesse no KC-390 manifestado pelo governo italiano. [38]
  •  Emirados Árabes Unidos - Quantidade não divulgada. Interesse no KC-390 manifestado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos. [39]

Notas

  1. O CDR avalia se o projeto é adequado para o processo de fabricação em larga escala, montagem, integração e testes. Analisa também se todo o desenvolvimento técnico está compatível para cumprir as especificações do projeto (voo, desenvolvimento de sistemas de solo e operações), atendendo aos requisitos de desempenho da missão, dentro do custo pré-definido, analisando as possíveis restrições no cronograma. Fonte: Critical Design Review na Wikipedia (em inglês)

Referências

  1. «The KC-390» (em inglês). EDS. Consultado em 13 de julho de 2016 
  2. a b Folha Online (14 de abril de 2009). «Governo e EMBRAER firmam contrato para produção de aviões para Aeronáutica e Marinha». Consultado em 29 de outubro de 2009 
  3. «Embraer quer cargueiro a jato KC-390 competindo com maiores do mundo». FIESP. Consultado em 10 de abril de 2015 
  4. EMBRAER Press Release (14 de abril de 2009). «EMBRAER lança programa do jato de transponte militar KC-390» (PDF). Consultado em 29 de outubro de 2009 
  5. a b IAE Statement on KC-390 Rollout (em inglês)
  6. V2500 engine (em inglês)
  7. «KC-390». Embraer Defesa e Segurança. 2012. Consultado em 8 de fevereiro de 2014 
  8. a b Protótipos se somarão aos KC-390 encomendados pela FAB, para uma frota total de 30 aviões
  9. Embraer diz que preço de KC-390 irá incomodar a concorrência
  10. Companhia nacional perde espaço no KC-390
  11. «Força Aérea Brasileira e Embraer Defesa & Segurança concluem Revisão Crítica de Projeto do KC-390». Embraer Notícias. 25 de março de 2013. Consultado em 12 de outubro de 2103  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  12. «Projeto KC-390 recebe sinal verde para construção de protótipos». FAB_Agência Força Aérea. 25 de março de 2013. Consultado em 12 de outubro de 2013 
  13. a b EDS (2017). «Embraer Defesa & Segurança KC-390» (em inglês). Consultado em 5 de julho de 2017 
  14. «Novo avião da Embraer reforça a FAB e também a indústria brasileira». Site do PAC 2. 2014. Consultado em 20 de novembro de 2014 
  15. Reuters (25 de maio de 2014). «Embraer vende 28 cargueiros ao Brasil em negócio de R$7,2 bi». Portal Exame. Consultado em 12 de julho de 2014 
  16. «Fornecedores selecionados» (jpg). DefesaNet. Consultado em 4 de janeiro de 2015  Disponível em Exclusivo - Entrevista com Paulo Gastão, Diretor do Programa KC-390, 18 de dezembro de 2013
  17. a b «Parcerias e intenções de compra» (jpeg). DefesaNet. 18 de dezembro de 2013. Consultado em 4 de janeiro de 2015  Disponível em Exclusivo - Entrevista com Paulo Gastão, Diretor do Programa KC-390, 18 de dezembro de 2013
  18. a b Reuters (21 de outubro de 2014). «Embraer apresenta 1º protótipo do KC-390, maior avião já fabricado no Brasil». Uol. Consultado em 21 de outubro de 2014 
  19. Roberto Maltchik (3 de fevereiro de 2015). «Primeiro avião de transporte militar do Brasil faz voo inaugural». Agência O Globo. Consultado em 3 de fevereiro de 2015 
  20. «Embraer KC-390 takes maiden flight» (em inglês). FlightGlobal. 3 de fevereiro de 2015. Consultado em 5 de agosto de 2017 
  21. a b «KC-390 já ultrapassou a marca de 100 horas de voo». Defesanet. 18 de fevereiro de 2016. Consultado em 5 de agosto de 2017 
  22. «Decolagem do segundo protótipo do KC-390». 15 de maio de 2016 
  23. «KC-390 Flight Test Journal» (em inglês). Embraer Defesa e Segurança. Consultado em 5 de agosto de 2017 
  24. «KC-390 realiza primeiro lançamento de paraquedistas». Airway. 23 de junho de 2016. Consultado em 28 de junho de 2016 
  25. «Primeiros KC-390 serão entregues em 2018 - Airway». airway.uol.com.br. Consultado em 9 de abril de 2017 
  26. «DefesaNet - KC-390 - Aeronave brasileira KC-390 em fase final de certificação». DefesaNet 
  27. «Defesa - Portugal é o primeiro país a receber aeronave militar KC-390». Consultado em 28 de junho de 2016 
  28. «First of a series» (PDF) (em inglês). Embraer Defesa e Segurança. Fevereiro de 2017. Consultado em 5 de agosto de 2017 
  29. Defesanet (30 de março de 2016). «KC-390 - EMBRAER otimista na perspectiva de mercado». Consultado em 3 de abril de 2016 
  30. Engine Facts (em inglês)
  31. «Governo português da luz verde para encomendar o KC-390». Airway. 28 de julho de 2017 
  32. «Governo autoriza compra de 5 aeronaves militares KC-390». Diário de Notícias. 27 de julho de 2017 
  33. «Embraer Negocia a exportação de 32 aeronaves KC 390». InfoDefensa. 9 de fevereiro de 2015 
  34. «Suécia se oferece para comprar avião cargueiro militar brasileiro». Defesanet. 28 de fevereiro de 2014 
  35. «Nova Zelândia demonstra interesse no KC-390». Airway. 18 de novembro de 2016 
  36. «Ministério de finanças alemão questiona aquisição de aeronaves americanas ao invés do KC-390 brasileiro». Cavok. 29 de novembro de 2016 
  37. «Bolivia pode estar negociando a compra de ate seis aeronaves de transporte KC-390». Cavok. 7 de novembro de 2011 
  38. «Itália pode comprar avião cargueiro produzido no Brasil». Jornal do Brasil. 13 de julho de 2015 
  39. «Árabes avaliam KC-390». Poder Aéreo. 20 de julho de 2016 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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