Especulação financeira

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Especulação financeira permanece um conceito complexo de ser definido, apesar de relatos detalhados da prática que remontam à Antiguidade,[1][2][3] só em fins do século XVIII adquiriu um conceito econômico e mesmo assim, impreciso.[4] Um dos conceitos popularmente aceitos afirma ser qualquer aposta baseada nas previsões acerca dos desdobramentos econômicos do futuro de um país, um evento, um setor de atividade ou de uma empresa.[5] É uma atividade que pode assumir várias facetas, inclusive de aquisições fora do setor financeiro por parte de bancos. A especulação pode causar graves efeitos na economia popular, inclusive inflação.[6] A especulação financeira é condenado no campo moral religiosa.[7]

O princípio do comércio de ações[editar | editar código-fonte]

A princípio, o interesse de um investidor em adquirir partes de uma empresa ("ações" e "títulos") seria ampliar sua influência política dentro da corporação, galgar cargos mais altos, ganhar mais espaço, receber mais atenções para a elaboração e exposição de planos para o crescimento da entidade. Seus lucros seriam provenientes dos dividendos. As transações de compra/venda de ações seriam muito menos volumosas e ocorreriam basicamente entre pessoas que se julgam ligadas ao setor onde a referida companhia opera. Assim como em outra empresa qualquer não-participante de bolsa de valores.

A mudança de concepção[editar | editar código-fonte]

Porém, com o passar do tempo, algumas empresas tornaram-se mais visadas para composição societária, o preço de suas partes passou a subir de forma desproporcional em relação a seu desempenho empresarial. Foi-se percebendo que simplesmente adquirir ações sem qualquer interesse de participação nas decisões e/ou sem qualquer ligação com o respectivo setor de exploração da empresa, para simplesmente revender posteriormente era um bom negócio: a especulação mobiliária.

A partir daí, em quase a totalidade dos casos, as cotações das ações de empresas participantes da bolsa passaram a subir em uma velocidade incompatível com os lucros e crescimento de suas respectivas organizações: tornara-se mais seguro e principalmente mais fácil lucrar especulando em ações que abrir um negócio próprio, geralmente. Desde então, a lógica foi invertida: poucos são os compradores de ações interessados em influenciar nas decisões políticas das empresas e que almejam retirar seus lucros de dividendos, o principal alvo dos investidores em bolsas é simplesmente vender seus títulos a um preço mais alto que o de compra, esperando-se ser maior proporcionalmente ao tempo possuído, sem qualquer participação nas assembleias de acionistas.

Causas & Consequências Macroeconômicas[editar | editar código-fonte]

Os movimentos das bolsas de valores, por exemplo, resultam em parte de manobras especulativas. Um grande número de agentes (pessoas físicas ou instituições financeiras), a todo momento lançam as suas expectativas uns contra os outros em busca de ganhos futuros ou preservação do capital. As expectativas baseadas em tais ações são portanto diversas e, devido a tal divergência, se concretizam ou não a todo instante.[8]
Devido à falta de conhecimento, condições, preparo e educação político-financeira, a grande maioria das pessoas acaba não atuando de forma ativa nos mercados,[9] apenas reagindo ou sofrendo passivamente as consequências dos movimentos que neles ocorrem.[10]

A partir da década de 1990, com a popularização da Internet e de algumas ferramentas mais acessíveis à população para atuação nos mercados que esta propicia, como os home brokers, tornaram possível, ainda que de forma lenta e assimétrica, uma maior participação do cidadão comum nos mercados de capitais.[11]

Movimentos especulativos de porte costumam ser precedidos em geral por grandes mudanças tecnológicas e/ou político-comportamentais que induzem o sistema financeiro a se adaptar criando para isso novas ferramentas financeiras, tanto para captação de poupança, como para expansão de capital. Isto se dá pelo fato de se saber que os novos paradigmas serão dominantes, mas não ao ponto de se avaliar com precisão quais deles serão vitoriosos e qual o prazo de consolidação dos mesmos.[12][13] Entre outras coisas, a incerteza inerente aos processos de mudança, abre espaço para esses grandes movimentos especulativos.[14]

Historicamente, quando os ciclos tecnológicos/político-comportamentais amadurecem nos países de origem, o grande capital volta suas forças para os países que estavam à margem, procurando interferir no próprio processo político-cultural dos mesmos, em busca do melhor ambiente para sua expansão.[15]

Referências

  1. Nassim Taleb; "Dynamic Hedging" J.Wiley Trade 1997 ISBN 0471152803 pág.13
  2. Edward Chancellor; "Salve-se quem puder: Uma História da especulação financeira"; Cia das Letras 2001 ISBN 8535901388 Pág.18
  3. Palast, Greg. "Picnic de Abutres" Alta Books Editora, 2013 ISBN 9788576088202 Págs. 299 (do 4º parágrafo em diante) - 300.
  4. Edward Chancellor 2001 Ibidem Pág.10
  5. Max Gunther; Os Axiomas de Zurique, Editora RECORD, 2006 ISBN 8501033502
  6. WALL STREET BANK INVOLVEMENT WITH PHYSICAL COMMODITIES
  7. https://sites.google.com/site/tradingonlineamoralproblem/
  8. Alexander Elder; "Trading for a Living" John Wiley & Sons 1993 ISBN 0471592242
  9. Robert Kiyosaki; "O segredo dos ricos" Campus Elsevier 2010 ISBN 8535238476
  10. George Soros; "Open Society; the crisis of global capitalism" Public Affair 2000 ISBN 1586480197
  11. J.Downes & J.E.Goodman; "Barron's Finance and Investment Handbook" (em inglês) Barron's Educational 6ª edição 2003, page 233 ISBN 0764155547
  12. Nassif, Luís; "Os cabeças-de-planilha" Ediouro 2007 ISBN 9788500020940 Pág.21
  13. Kelly, Kevin; "Para onde nos leva a tecnologia" bookman 2012 ISBN 9788577809707 Págs 155 (último parágrafo), 159 (penúltimo parágrafo) e 167 (antepenúltimo parágrafo)
  14. Ibidem Nassif 2007
  15. Ibidem Nassif 2007

Ver também[editar | editar código-fonte]

No Cinema[editar | editar código-fonte]

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