Federação Nacional dos Jornalistas
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) é uma entidade brasileira criada em 20 de setembro de 1946 para representar a categoria dos jornalistas no país. A FENAJ conta com mais de 40 mil profissionais associados em seus 27 sindicatos estaduais e 4 municipais.[1] Para a gestão 2025-2028, a entidade é presidida por Samira de Castro (CE) e tem como primeiro vice-presidente Moacy Neves (BA).
História
[editar | editar código]1969–1999
[editar | editar código]Em 1969, com a regulamentação profissional dos jornalistas, previsto no AI-5, a ditadura, com a intenção de atrelar a categoria ao regime, acabou acatando uma exigência antiga em vários congressos da FENAJ.[1]
Durante a Assembleia Nacional Constituinte, no processo de redemocratização do país, a FENAJ coordenou a Frente Nacional por Políticas Democráticas de Comunicação formada para garantir dispositivos legais que perpetuassem estímulos à democratização da informação. A Assembleia, entretanto, sofreu constantes pressões do lobby dos oligopólios da comunicação – a chamada "bancada da mídia". Uma das poucas vitórias da FENAJ no enfrentamento dos grandes grupos de mídia na Constituição de 1988 foi o Conselho de Comunicação Social (CCS), órgão auxiliar do Congresso composto por representações dos trabalhadores, empresários de comunicação e da sociedade civil, que levou mais de uma década para ser efetivamente implementado.[1]
A partir da experiência na Assembleia Constituinte, a FENAJ criou em 1991 o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), articulação de mais de 80 entidades da sociedade civil coordenada pela FENAJ com o objetivo de constituir políticas públicas e ações práticas para a área das comunicações, bem como reconstituir nacionalmente uma cultura brasileira alicerçada na diversidade de identidades e produções regionais. No ambiente do FNDC, a FENAJ propôs pela primeira vez, em 1994, o estímulo à criação de um Código de Ética Conjunto das Comunicações, englobando todos os setores empresariais e profissionais da área da comunicação, atribuindo condições de fiscalização e julgamento de questões com a participação da sociedade civil.[1]
A FENAJ tem mantido ao longo desses anos uma permanente tensão para que a sociedade tenha à sua disposição uma Lei de Imprensa democrática que a defenda sem ferir, ao mesmo tempo, os preceitos constitucionais de liberdade de imprensa. Ajudou a elaborar o substitutivo apresentado pelo deputado Vilmar Rocha (PFL-GO).[1]
Em 1994, a FENAJ participou das negociações com a sociedade civil para a elaboração da chamada Lei do Cabo. Deste esforço resultou, entre outras conquistas, a criação de seis canais básicos nas operadoras de televisão por assinatura, que abriram mercado de trabalho para milhares de profissionais. Desde 2003 a FENAJ participa no esforço de descriminalização e regulamentação das rádios comunitárias no Ministério das Comunicações. Apoiou também a proposta de criação de um Conselho Federal dos Jornalistas que, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou o Conselho Federal de Medicina, regularia a atuação dos profissionais da área.[1]
2000–presente
[editar | editar código]Em 2009 a FENAJ fez campanha pela manutenção da regulamentação profissional dos jornalistas junto ao Ministério do Trabalho. A medida acabou revogada pelo Supremo Tribunal Federal, mas a FENAJ recebeu o apoio, entre outros, do atual Ministro das Comunicações Hélio Costa[2] e do anterior, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ),[3] além do senador João Pedro (PT-AM)[4] e da OAB[5] e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).[3] Dentre os opositores da FENAJ nesta campanha estão as Organizações Globo e a Associação Nacional de Jornais (ANJ).[6] Em novembro de 2019, a FENAJ divulgou que o presidente Jair Bolsonaro já acumulava 99 ataques à imprensa do Brasil (ver Controvérsias envolvendo Jair Bolsonaro).[7]
Em março de 2022, a FENAJ divulgou uma nota oficial na qual dizia que a "Wikipédia não tem legitimidade para tachar veículos de mídia", após essa enciclopédia ter categorizado certos conteúdos jornalísticos como fontes não confiáveis.[8]
Violência contra Jornalistas
[editar | editar código]Desde 1998, a FENAJ publicada anualmente o "Relatório de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil". A partir de dados coletados pela Federação e seus Sindicatos filiados, compila denúncias encaminhadas às entidades e notícias veiculadas das agressões.
O documento agrupa tipos de violência bem como situações que envolvam gênero, região do país e o tipo de veículo de imprensa impactado. O relatório de 2024 traz 144 registros, menor número em seis anos, o que foi atribuído aos ataques ocorridos durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro. Neste levantamento, não foi mapeada nenhuma morte de jornalista no exercício da profissão[9].
Sindicatos de Jornalistas Filiados à FENAJ[10]
[editar | editar código]- Sindicato dos Jornalistas do Acre
- Sindicato dos Jornalistas de Alagoas
- Sindicato dos Jornalistas do Amapá
- Sindicato dos Jornalistas do Amazonas
- Sindicato dos Jornalistas da Bahia
- Sindicato dos Jornalistas do Ceará
- Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal
- Sindicato dos Jornalistas de Dourados
- Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo
- Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro
- Sindicato dos Jornalistas de Goiás
- Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora
- Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná
- Sindicato dos Jornalistas do Maranhão
- Sindicato dos Jornalistas de Mato Gross
- Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso do Sul
- Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais
- Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
- Sindicato dos Jornalistas do Pará
- Sindicato dos Jornalistas da Paraíba
- Sindicato dos Jornalistas do Paraná
- Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco
- Sindicato dos Jornalistas do Piauí
- Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte
- Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul
- Sindicato dos Jornalistas de Rondônia
- Sindicato dos Jornalistas de Roraima
- Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
- Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
- Sindicato dos Jornalistas de Sergipe
- Sindicato dos Jornalistas de Tocantins
Referências
- ↑ a b c d e f Diretoria da FENAJ. "A FENAJ na luta pela liberdade e pela ética no jornalismo" Arquivado em 27 de julho de 2008, no Wayback Machine., setembro de 2004. Acessado em 21 de junho de 2009.
- ↑ O Globo. "Hélio Costa defende PL para tornar obrigatório o diploma de jornalista", Valor Online, 18 de junho de 2009. Acessado em 21 de junho de 2009.
- ↑ a b O Globo. "Miro Teixeira deve propor projeto para regulamentar a profissão de jornalista", Agência Brasil, 18 de junho de 2009. Acessado em 21 de junho de 2009.
- ↑ Agência Senado. "Para João Pedro, fim da exigência de diploma para jornalista 'é retrocesso'", Redação, 18 de junho de 2009. Acessado em 21 de junho de 2009.
- ↑ O Globo. "OAB critica decisão do Supremo de acabar com exigência do diploma de jornalista", 18 de junho de 2009. Acessado em 21 de junho de 2009.
- ↑ Motta, Sérgio Barreto. "Brasil deixou de exigir curso para se exercer jornalismo"[ligação inativa]. Diário de Notícias, 21 de junho de 2009. Acessado em 21 de junho de 2009.
- ↑ «Bolsonaro soma 99 ataques à imprensa em 2019, diz Fenaj». Jornal O Dia. IG. 1 de novembro de 2019. Consultado em 4 de novembro de 2019
- ↑ FENAJ (30 de março de 2022). «Wikipédia não tem legitimidade para tachar veículos de mídia». FENAJ. Consultado em 4 de janeiro de 2023
- ↑ «Relatórios de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil». FENAJ. Consultado em 14 de outubro de 2025
- ↑ «Sindicatos». FENAJ. Consultado em 14 de outubro de 2025