Fernando Rosas

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Fernando Rosas
Nascimento 18 de abril de 1946 (72 anos)
Lisboa, Portugal Portugal
Alma mater Universidade de Lisboa
Ocupação Historiador, político
Prémios Prémio P.E.N. Clube Português de Ensaio (2012)

Fernando José Mendes Rosas ComL (Lisboa, 18 de abril de 1946) é um historiador e político português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Fernando Rosas frequentou o Liceu Normal de Pedro Nunes e licenciou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Terminada a licenciatura, tornou-se jurista no Gabinete de Estudos e Planeamento dos Transportes Terrestres, em 1969. Em 1972 porém, depois de cumprir uma pena de prisão em virtude da sua atividade política, é impedido de regressar à função pública.

Filho e neto de republicanos, desde jovem Fernando Rosas envolveu-se na atividade política e, nomeadamente, no ativismo contra a ditadura salazarista. Em 1960, no Pedro Nunes, participou na fundação da Comissão Pró-Associação dos Liceus (CPA-L). Um ano depois, em 1961, aderiu ao Partido Comunista Português. Em 1962, já estudante de Direito envolve-se nas lutas académicas que espoletaram esse ano, e é eleito vice-presidente da CPA-L. Por causa destas atividades acabaria por ser detido em janeiro de 1965 e condenado a um ano e três meses de prisão correccional. Em 1968 afasta-se do PCP, continuando, no entanto, empenhado na contestação à ditadura e no ativismo de esquerda; participa na primeira manifestação em Portugal contra a guerra do Vietname, dinamizada por setores que se irão ligar à Esquerda Democrática Estudantil; em 1969 apoia a Comissão Democrática Eleitoral, que, com a CEUD de Mário Soares formava a Oposição Democrática às eleições legislativas desse ano; em 1970 fundava o MRPP. Em agosto de 1971, é detido pela segunda vez e submetido à tortura do sono, seguindo-se uma condenação de 14 meses de prisão correccional.

Em 1973 dinamiza a campanha de denúncia pública do assassinato de Amílcar Cabral, conseguindo escapar-se a uma nova tentativa de detenção. Desde esse momento até ao 25 de abril de 1974 viveu na clandestinidade.

Após a revolução passa a dirigir o jornal oficial do MRPP, Luta Popular, até 1979. Apoia as candidaturas presidenciais de Ramalho Eanes, em 1976 e 1980. Afastado do MRPP no último desses anos, será várias vezes candidato independente a deputado, nas listas do Partido Socialista Revolucionário (PSR), a partir de 1985.

Em 1982 passou a dedicar-se ao jornalismo, coordenando a página de História do Diário de Notícias e participando na redacção do seu suplemento cultural, até 1992. É, desde esse ano, colunista quinzenal do jornal Público.

Em 1986 conclui o mestrado em História dos Séculos XIX e XX, pela Universidade Nova de Lisboa. É convidado para assistente do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Doutorado em História Contemporânea, em 1990, ascendeu a professor catedrático da FCSH-UNL em 2003.

Presidiu ao Instituto de História Contemporânea (1990-2013), é consultor da Fundação Mário Soares e foi director da revista História. A sua investigação centra-se na história do Estado Novo, tendo mais de uma centena de textos publicados nesse domínio.

Fernando Rosas participou na fundação do Bloco de Esquerda em 1999, cuja Comissão Permanente integrou. Foi eleito deputado à Assembleia da República, em 1999 e 2005, pelo Círculo de Setúbal, e em 2009, pelo Círculo de Lisboa[1]. Foi candidato à Presidência da República em 2001, com o apoio do BE.

A 30 de Janeiro de 2006 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade.[2]

É comentador no programa Prova dos Nove da TVI24.

Obras publicadas (selecção)[editar | editar código-fonte]

  • As primeiras eleições legislativas sob o Estado Novo : as eleições de 16 de Dezembro de 1934, (1985)
  • O Estado Novo nos Anos 30, (1986)
  • O salazarismo e a Aliança Luso-Britânica : estudos sobre a política externa do Estado Novo nos anos 30 a 40, (1988)
  • Salazar e o Salazarismo (co-autor), (1989)
  • Portugal Entre a Paz e a Guerra (1939/45), (1990)
  • Portugal e o Estado Novo (1930/60), (co-autor), (1992)
  • O Estado Novo (1926/74), (co-autor), (1994)
  • Dicionário de História do Estado Novo, (dir.), (1995)
  • Portugal e a Guerra Civil de Espanha, (coord.), (1996)
  • Armindo Monteiro e Oliveira Salazar : correspondência política, 1926-1955, (coord.), (1996)
  • Salazarismo e Fomento Económico, (2000)
  • Portugal Século XX : Pensamento e Acção Política, (2004)
  • Lisboa Revolucionária, (2007)
  • História da Primeira República Portuguesa, (coord.), (2009)
  • Salazar e o Poder. A Arte de Saber Durar (2012)[3]

Eleições presidenciais de 2001[editar | editar código-fonte]

Única volta a 14 de Janeiro de 2001
Candidato Votos %
Jorge Sampaio 2 401 015

55,55 %

Joaquim Ferreira do Amaral 1 498 948

34,68 %

António Simões de Abreu
223 196

5,16 %

Fernando Rosas
129 840

3,00 %

António Garcia Pereira
68 900

1,59 %

Referências

  1. «Fernando Rosas». Assembleia da República. Consultado em 23 de junho de 2010. 
  2. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Fernando Rosas". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 20 de maio de 2014. 
  3. «Rosas, Fernando, 1946-». PORBASE. Consultado em 23 de junho de 2010. 
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