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Gabriel Mascaro

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Gabriel Mascaro

Mascaro no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2025.
Nascimento 24 de setembro de 1983 (42 anos)
Recife, Pernambuco
Ocupação
Cônjuge Rachel Ellis (divorciado) [1]
Festival de Berlim
Grand Prix do Júri
Melhor Filme (júri ecumênico)
Prêmio do Júri (Leitores do Berliner Morgenpost)
2025 – O Último Azul
Festival de Veneza
Prêmio Especial do Júri (Mostra Orizzonti)
2015 - Boi Neon
Grande Otelo
Melhor Roteiro Original
Melhor Filme (Voto popular)
2017 - Boi Neon
Página oficial gabrielmascaro.com

Gabriel Mascaro (Recife, 24 de setembro de 1983) é um roteirista, artista visual e diretor de cinema brasileiro.[2][3][4] Consolidado como um dos mais aclamados e importantes diretores brasileiros de sua geração, seus filmes são marcados pela aclamação internacional e passagens por grandes festivais de cinema. Seus filmes já ganharam prêmios no Festival de Cinema de Berlim e Festival de Cinema de Veneza, além de estatuetas no Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro e Prêmio Guarani.

Biografia

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Juventude

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Gabriel Mascaro nasceu em Recife, capital do Estado de Pernambuco, em 24 de setembro de 1983. É graduado em Comunicação Social na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Iniciou sua carreira em 2008 com o documentário KFZ-1348, dividindo a direção com o cineasta Marcelo Pedroso. O filme parte em busca dos ex-donos do fusca de placa KFZ-1348, tendo o carro como fio condutor e a vida de seus proprietários como janela privilegiada para observação da sociedade brasileira. O documentário recebeu o Prêmio Especial do Júri[5] na 32 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

2009-2012: Carreira como documentarista

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O filme lançado em seguida, Um Lugar ao Sol (2009), faria sua trajetória avançar para mais festivais internacionais como o BAFICI,[6] Visions du Rèel,[7] e selecionado em mais de 30 festivais internacionais. O documentário aborda o universo dos moradores de coberturas de prédio das cidades de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Através dos depoimentos desses moradores, o filme traz um rico debate sobre desejo, visibilidade, insegurança, status e poder, e constrói um discurso sensorial sobre o paradigma arquitetônico e social brasileiro. A coluna de crítica do Los Angeles Weekly[8] defende: "Sem forçar, nos provoca a pensar sobre desigualdade, satisfação e esquecimento”. No Brasil, o filme virou polêmica e foi questionado por suas atitudes éticas para com os personagens entrevistados.

Em 2010, Mascaro lançou mais um documentário, Avenida Brasília Formosa. "É um filme sobre políticas públicas de planejamento urbano e o seu desencontro com os sonhos e desejos dos moradores”, critica Carlos Minuano.[9] O filme teve estreia no Festival de Rotterdam na mostra Bright Future, festival que em seguida apoiou o desenvolvimento do seu novo roteiro, o Boi Neon (2015), através do Hubert Bals Fund[10] Em 2012 lançou o seu documentário mais conhecido, Doméstica. Mascaro entrega a sete adolescentes a missão de registrar por uma semana a sua empregada doméstica e entregar o material bruto para o diretor realizar um filme com essas imagens. O resultado final foi um filme que causou grandes debates entre críticos e pesquisadores. Estrategicamente lançado nos cinemas comerciais no dia do trabalhador, Doméstica foi considerado pela crítica especializada “um documentário histórico”.[11] O filme teve sua première internacional no International Documentary Film Festival Amsterdam[12] na edição de 2012, e recebeu prêmios em festivais nacionais como o de Brasília,[13] Panorama de Cinema[14] e Cachoeiradoc.[15] O crítico do jornal Estado de São Paulo, Luis Carlos Merten, comenta que “Nenhum filme fez tanto como Doméstica para retratar o que já está enraizado no inconsciente dos brasileiros”.[16]

Paralelamente ao longa-metragem, Mascaro lançou o curta A onda traz, o vento leva (2012), documentário que retrata o cotidiano de Rodrigo, um rapaz surdo que trabalha numa equipadora instalando som em carros. O projeto do documentário foi premiado em 2011 pela Fundação ArtAids[17] quando finalizado, o filme foi exibido no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona[18] e em vários outros festivais como o IDFA[19] e o Festival de Brasília,[20] de onde saiu com prêmio de melhor montagem.[21]

2014-2017: Consolidação no cenário cinematográfico nacional

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Seu primeiro longa de ficção foi lançado em 2014. Ventos de Agosto teve sua estreia internacional no Festival de Locarno, recebeu prêmio de melhor filme no Festival Internacional du Film d'Amiens[22] e melhor fotografia e atriz no 47 Festival de Brasília.[23] O filme acompanha Shirley, que deixou a cidade grande para viver em uma pequena e pacata vila litorânea cuidando de sua avó. Ela trabalha numa plantação de coco dirigindo trator e, mesmo isolada, cultiva o gosto pelo punk rock e o sonho de ser tatuadora.

No ano seguinte estreou seu segundo longa de ficção, o Boi Neon (2015), filme coproduzido por produtoras do Uruguai e da Holanda. Boi Neon teve sua estreia internacional no Festival de Veneza, na Mostra Orizzonti,[24] seguiu para o Festival de Toronto[25] e estreou no Brasil no Festival do Rio, de onde saiu com quatro prêmios.[26] No Festival de Marrakech Mascaro recebeu o prêmio de melhor diretor entregue pelas mãos do diretor Francis Ford Coppola, um dos júris do festival[27]

O filme tornou o nome de Gabriel Mascaro mais conhecido entre a crítica internacional e cinéfilos. Declaradamente um fã do filme, o cantor Caetano Veloso escreveu um texto sobre o Boi Neon para publicação na imprensa americana que foi replicado pela Folha de S.Paulo.[28] No texto, Caetano declara que o filme se trata de “uma obra cinematográfica peculiar” e que “se vê o poema dos gêneros e da proximidade entre a vida animal e os humanos que (…) buscam a ascensão social mas também o sublime". O crítico chefe da revista Indiewire, Eric Kohn, descreve o longa como “poético, envolvente e profundamente sensual”, elegendo o filme como “a grande descoberta do Festival de Toronto”,[29] e num segundo artigo provoca sobre a originalidade da obra, intitulando a manchete em: “Como Gabriel Mascaro inventou um novo tipo de cinema”.[30]

Jean-Claude Bernardet, crítico e ator de cinema, cita em uma entrevista Boi Neon como um contraponto a um tipo de filme, cada vez mais frequente, que dá todas as respostas ao público. “Hoje há muitos roteiristas que querem explicar tudo, porque o personagem fez isso ou aquilo, porque ele virou a esquina. Não se trabalha suficientemente a elipse e a justaposição, criando rela­ções explí­citas entre as cenas”,[31] pontua. A repercussão gerada pela crítica fez com que aumentasse a curiosidade a cerca da filmografia do diretor. Em abril de 2016, o curador Dennis Lim organizou no Lincoln Center (Nova Iorque) uma retrospectiva[32] chamada “Ebbs and Flows” com todos os longas de Mascaro feitos a partir de Um Lugar ao Sol. O Boi Neon foi exibido durante o festival New Directors/New Films,[33] também no Lincoln Center.

2019-atualmente: Aclamação internacional

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Mascaro segurando o Urso de Prata.

Em janeiro de 2019 Mascaro lançou nos festvais de Sundance e Berlinale o filme Divino Amor, que foi destaque na revista The Hollywood Reporter como um dos melhores filmes de Sundance. A publicação afirmou que Divino Amor é “uma parábola sobre nosso tempo”[34]. A revista Variety sugeriu que o filme é “espiritual e sexy”[35]. A revista IndieWire afirmou que o filme é um "comentário sociopolítico exuberante”[36]. Lançado no mesmo mês da posse do presidente brasileiro conservador Jair Bolsonaro, o filme chamou a atenção da crítica internacional pela sua precisão de tempo e reflexão sobre a política brasileira.

Em 2025, seu longa O Último Azul venceu Grande Prêmio do Júri do Festival Internacional de Cinema de Berlim. [37] Definida pelo diretor como uma obra focada na "natureza do desejar" e nas tensões entre o corpo e o espaço urbano, a produção explora uma narrativa sensorial característica de sua filmografia anterior. [38] Nesse mesmo ano, Mascaro foi convidado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográfica (AMPAS) para intregar o comitê de direção, tornando-se membro votante da organização.[39]

Filmografia

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Ano Título Função Notas
2008 KFZ-1348 Diretor Documentário
2009 Um Lugar ao Sol Diretor Documentário

Menção Especial no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires
Prêmio do Júri de melhor documentário no Festival Internacional de Documentários de Santiago, no Chile
Prêmio do Júri na Mostra Internacional do Filme Etnográfico, no Rio de Janeiro

2010 As Aventuras de Paulo Bruscky Diretor Curta-metragem
2010 Av. Brasília Teimosa Diretor Documentário
2012 A Onda Traz o Vento Leva Diretor Documentário
2012 Doméstica Diretor Documentário
2014 Ventos de Agosto Diretor Menção honrosa no Festival Internacional de Locarno

Melhor diretor no VII Janela Internacional de Cinema do Recife
Prêmio FIESEL no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata
Licorno D'Or no Festival Internacional du Film d'Amiens
Prêmio Especial do Juri no Starz Denver Film Festival
Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema Independente de Istambul

2015 Boi Neon Diretor Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza

Menção Honrosa no Festival Internacional de Toronto
Festival do Rio - Melhor Filme
Festival do Rio - Melhor Roteiro
Hamburg Film Festival- FIPRESCI Award
Warsaw Grand Prix no 31º Festival Internacional de Cinema de Varsóvia

2019 Divino Amor Diretor Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira - Melhor Filme e Melhor Atriz

[40]

2025 O Último Azul Diretor Urso de Prata no Festival de Berlim

Festival Internacional de Cinema de Guadalajara - Melhor Filme Ibero-americano

Referências

  1. «Emilie Lesclaux e Rachel Ellis: as gringas do cinema pernambucano». Jornal do Commercio. Consultado em 19 de maio de 2016. Cópia arquivada em 19 de setembro de 2016
  2. Gabriel mascaro. FilmeB - Quem é Quem
  3. Gabriel Mascaro. African Film Festival (em inglês)
  4. Gabriel Mascaro. Videobrasil
  5. «KFZ na Mostra de São Paulo». Cópia arquivada em 14 de junho de 2023
  6. «BAFICI». Cópia arquivada em 14 de junho de 2023
  7. «Visions du Rèel» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 17 de agosto de 2022
  8. «LA Weekly». Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2017
  9. «Carlos Minuano». Cópia arquivada em 8 de setembro de 2017
  10. «IFFR Hubert Bals»
  11. «Folha de S.Paulo - Doméstica». Cópia arquivada em 15 de abril de 2024
  12. «IDFA Doméstica». Arquivado do original em 22 de agosto de 2016
  13. «Festival de Brasília - Doméstica». Cópia arquivada em 21 de agosto de 2019
  14. «Panorama Coisa de Cinema». Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2021
  15. «Cachoeira Doc». Cópia arquivada em 15 de novembro de 2025
  16. «Estadão - Luis Carlos Merten»
  17. «ArtAIDS». Cópia arquivada em 15 de maio de 2021
  18. «MACBA». Cópia arquivada em 8 de setembro de 2017
  19. «IDFA - A Onda Traz, o Vento Leva». Arquivado do original em 22 de agosto de 2016
  20. «Festival de Brasília - A Onda Traz, o Vento Leva». Cópia arquivada em 20 de setembro de 2019
  21. «Prêmio de Melhor Montagem». Cópia arquivada em 21 de agosto de 2019
  22. «Festival de Amiens»
  23. «Melhor Atriz - Festival de Brasília»
  24. «Mostra Orizzonti - Boi Neon». Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2017
  25. «TIFF». Arquivado do original em 15 de julho de 2016
  26. «Festival do Rio - Boi Neon»
  27. «Coppola e Festival de Marrakech». Cópia arquivada em 2 de agosto de 2017
  28. «Caetano Veloso - Boi Neon». Cópia arquivada em 17 de julho de 2024
  29. «Indiewire - Eric Kohn». Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2022
  30. «Indiewire - Novo tipo de Cinema». Cópia arquivada em 27 de março de 2023
  31. «Jean-Claude Bernardet: a desconstrução de um mito». Brasileiros. 20 de abril de 2017. Consultado em 17 de maio de 2017. Arquivado do original em 11 de agosto de 2017
  32. «Retrospectiva Lincoln Center». Cópia arquivada em 29 de setembro de 2023
  33. «New Directors/New Films». Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025
  34. «'Divine Love' ('Divino amor'): Film Review | Sundance 2019». The Hollywood Reporter (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2019. Cópia arquivada em 15 de abril de 2021
  35. Lodge, Guy; Lodge, Guy (26 de janeiro de 2019). «Sundance Film Review: 'Divine Love'». Variety (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2019. Cópia arquivada em 14 de novembro de 2025
  36. Kohn, Eric; Kohn, Eric (26 de janeiro de 2019). «'Divine Love' Review: Futuristic Brazilian Drama Is More Sex Therapy Than Sci-Fi». IndieWire (em inglês). Consultado em 6 de maio de 2019. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2022
  37. «Filme brasileiro 'O Último Azul' ganha Urso de Prata no Festival de Berlim». Brasil de Fato. 24 de maio de 2025. Consultado em 25 de maio de 2025. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2025
  38. «'É um filme sobre o desejar', diz Gabriel Mascaro sobre novo longa 'O Último Azul'». Brasil de Fato. 23 de julho de 2025. Consultado em 25 de março de 2026
  39. «THE ACADEMY INVITES 534 TO MEMBERSHIP». press.oscars.org (em inglês). Consultado em 26 de junho de 2025
  40. «Guadalajara International Film Festival (2019)». IMDb. Consultado em 18 de abril de 2019. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2026

Ligações externas

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