Gacrux

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Coordenadas: Sky map 12h 31m 09.95961s, −57° 06′ 47.5684″

γ Crucis
Dados observacionais (J2000)
Constelação Crux
Asc. reta 12h 31m 10,0s[1]
Declinação -57° 06′ 47,6″[1]
Magnitude aparente 1,63[2]
Características
Tipo espectral M3.5 III[3]
Cor (U-B) +1,77[2]
Cor (B-V) +1,59[2]
Variabilidade Semirregular[3]
Astrometria
Velocidade radial +21,0 km/s[1]
Mov. próprio (AR) +28,23 mas/a[1]
Mov. próprio (DEC) -265,08 mas/a[1]
Paralaxe 36,83 ± 0,18 mas[1]
Distância 88,6 ± 0,4 anos-luz
27,2 ± 0,1 pc
Magnitude absoluta –0,52[4]
Detalhes
Massa 1,5 ± 0,3[5] M
Raio 84 ± 7[6] R
Gravidade superficial log g = 0,75 ± 0,02 cgs[5]
Luminosidade 820 ± 80[7] L
Temperatura 3630 ± 90[7] K
Outras denominações
Gamma Crucis, Gacrux, Rubídea, CD-56 4504, FK5 468, GJ 470, HR 4763, HD 108903, HIP 61084, SAO 240019.[1]
Gacrux
Crux constellation map.svg

Gamma Crucis (γ Cru, γ Crucis), também conhecida como Gacrux e Rubídea, é a terceira estrela mais brilhante da constelação de Crux (Cruzeiro do Sul) e a 24ª mais brilhante do céu noturno,[8] com uma magnitude aparente de 1,63.[2] De acordo com medições de paralaxe, está a uma distância de aproximadamente 88,6 anos-luz (27,2 parsecs),[1] sendo a gigante vermelha (de tipo M) mais próxima da Terra.[6]

Propriedades físicas[editar | editar código-fonte]

Gacrux tem um tipo espectral de M3.5 III,[3] o que significa que já passou pela sequência principal e se tornou uma gigante vermelha. Seu estágio evolutivo exato é incerto; calcula-se uma probabilidade de 29% de a estrela estar no ramo das gigantes vermelhas, com 71% de chance de estar em uma fase mais avançada.[5] Embora seja apenas 50% mais massiva que o Sol,[5] a esse estágio a estrela se expandiu para 84 vezes o raio solar.[6] Está irradiando 820 vezes a luminosidade do Sol a uma temperatura efetiva de 3 630 K.[7] É uma estrela variável semirregular com múltiplos períodos que variam entre 12,1 e 104,9 dias.[3] A estrela foi alvo de um estudo de asterosismologia, que encontrou variações de brilho de até 5% com um período dominante de 22 dias.[5] As pulsações também provocam pequenas variações na velocidade radial da estrela, também com um período na faixa de dezenas de dias.[9]

Existem evidências de que Gacrux seja uma estrela binária. Sua atmosfera é rica em bário, o que geralmente é explicado pela transferência de material de uma estrela companheira mais evoluída que se tornou uma anã branca.[10] Entretanto, nenhuma estrela companheira foi detectada. Uma estrela de classe A da sequência principal (tipo espectral A3V) e magnitude 6,45, conhecida como Gamma Crucis B,[11] está situada a dois minutos de arco de Gacrux, mas está quatro vezes mais distante e portanto é apenas uma companheira óptica.[8]

Ocultações[editar | editar código-fonte]

A sonda Cassini observou várias ocultações de Gacrux pelos anéis de Saturno durante seus anos orbitando o planeta. Essas ocultações têm sido usadas para estudar as propriedades dos anéis.[12][13]

Na cultura[editar | editar código-fonte]

Como Gacrux está a uma declinação de aproximadamente −60° e não é visível da maior parte do hemisfério norte, não possui um nome tradicional. No entanto, ela era conhecida pelos gregos e romanos antigos, quando era visível a norte da latitude 40° devido à precessão dos equinócios. O astrônomo Ptolomeu a listou como parte da constelação de Centaurus.[14]

Em chinês, 十字架 (Shí Zì Jià), significando Cruz, refere-se a um asterismo consistindo de γ Crucis, α Crucis, β Crucis e δ Crucis.[15] γ Crucis em si é conhecida como 十字架一 (Shí Zì Jià yī, a Primeira Estrela da Cruz).[16]

γ Cru é representada nas bandeiras da Austrália, Nova Zelândia e Papua-Nova Guiné como uma das cinco estrelas que compõem o Cruzeiro do Sul. Também aparece na bandeira do Brasil, onde representa o estado da Bahia.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h «SIMBAD query result - gam Cru». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 21 de abril de 2014 
  2. a b c d Johnson, H. L.; et al. (1966). «UBVRIJKL photometry of the bright stars». Communications of the Lunar and Planetary Laboratory. 4 (99). Bibcode:1966CoLPL...4...99J 
  3. a b c d Tabur, V.; et al. (dezembro de 2009), «Long-term photometry and periods for 261 nearby pulsating M giants», Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 400 (4): 1945–1961, Bibcode:2009MNRAS.400.1945T, doi:10.1111/j.1365-2966.2009.15588.x 
  4. Elgarøy, Øystein; Engvold, Oddbjørn; Lund, Niels (março de 1999), «The Wilson-Bappu effect of the MgII K line - dependence on stellar temperature, activity and metallicity», Astronomy and Astrophysics, 343: 222–228, Bibcode:1999A&A...343..222E 
  5. a b c d e Kallinger, T.; et al. (abril de 2019). «Stellar masses from granulation and oscillations of 23 bright red giants observed by BRITE-Constellation». Astronomy & Astrophysics. 624: A35, 17 pp. Bibcode:2019A&A...624A..35K. doi:10.1051/0004-6361/201834514 
  6. a b c Ireland, M. J.; et al. (maio de 2004), «Multiwavelength diameters of nearby Miras and semiregular variables», Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 350 (1): 365–374, Bibcode:2004MNRAS.350..365I, arXiv:astro-ph/0402326Acessível livremente, doi:10.1111/j.1365-2966.2004.07651.x 
  7. a b c Ohnaka, K. (janeiro de 2014). «High spectral resolution spectroscopy of the SiO fundamental lines in red giants and red supergiants with VLT/VISIR». Astronomy & Astrophysics. 561: A47, 13 pp. Bibcode:2014A&A...561A..47O. doi:10.1051/0004-6361/201321581 
  8. a b Kaler, James B. «GACRUX (Gamma Crucis)». Stars. Consultado em 21 de abril de 2014 
  9. Murdoch, Kaylene; Clark, M.; Hearnshaw, J. B. (janeiro de 1992), «The radial-velocity variability of Gamma Crucis», Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 254: 27–29, Bibcode:1992MNRAS.254...27M 
  10. Gomez, A. E.; et al. (março de 1997), «Absolute magnitudes and kinematics of barium stars», Astronomy and Astrophysics, 319: 881–885, Bibcode:1997A&A...319..881G 
  11. «SIMBAD query result - gam Cru B». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 21 de abril de 2014 
  12. Hedman, M. M.; Nicholson, P. D.; Salo, H. (julho de 2014). «Exploring Overstabilities in Saturn's A Ring Using Two Stellar Occultations». The Astronomical Journal. 148 (1): artigo 15, 9 pp. Bibcode:2014AJ....148...15H. doi:10.1088/0004-6256/148/1/15 
  13. Hedman, M. M.; Nicholson, P. D.; French, R. G. (janeiro de 2019). «Kronoseismology. IV. Six Previously Unidentified Waves in Saturn's Middle C Ring». The Astronomical Journal. 157 (1): artigo 18, 17 pp. Bibcode:2019AJ....157...18H. doi:10.3847/1538-3881/aaf0a6 
  14. Richard Hinckley Allen, "Star Names: Their Lore and Meaning", Dover Press, 1963.
  15. (chinês) 中國星座神話, escrito por 陳久金. Publicado por 台灣書房出版有限公司, 2005, ISBN 978-986-7332-25-7.
  16. (chinês) 香港太空館 - 研究資源 - 亮星中英對照表 Arquivado em 30 de janeiro de 2011, no Wayback Machine., Hong Kong Space Museum. Acessado em 23 de novembro de 2010.
  17. «Astronomy of the Brazilian Flag». FOTW Flags Of The World website. Consultado em 21 de abril de 2014. Arquivado do original em 15 de março de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]