Incomensurabilidade

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Teorias são incomensuráveis se elas são incorporadas em estruturas conceituais diametralmente opostas cujas linguagems não se sobrepõem o suficiente para permitir aos cientistas comparar diretamente as teorias ou citar evidência empírica[1] favorecendo uma teoria sobre a outra[2].

Por outro lado, comensurabilidade é um conceito, na filosofia da ciência, pelo qual as teorias científicas são comensuráveis se os cientistas podem discuti-las usando uma nomenclatura compartilhada que permite a comparação direta de teorias para determinar qual a teoria é mais válida ou útil. Discutido por Ludwik Fleck[3] na década de 1930 e popularizado por Thomas Kuhn na década de 1960, o problema da incomensurabilidade resulta em cientistas incapazes de entender uns aos outros[4], por assim dizer, enquanto a comparação de teorias se torna incompreensível por confusões sobre termos, contextos e consequências[5]

Incomensurabilidade metodológica[editar | editar código-fonte]

A incommensurabilidade metodológica é a ideia de que não há padrões objetivos e compartilhados de avaliação da teoria científica, de modo que não existam padrões externos ou neutros que determinem unívocamente a avaliação comparativa de teorias concorrentes[6]. Esta ideia foi desenvolvida a partir das rejeições de Kuhn e Feyerabend da visão tradicional de que uma característica distintiva da ciência é um método científico uniforme e invariável, que permanece fixo ao longo de seu desenvolvimento[7][8]. Feyerabend argumentou, em 1975, que todas as regras metodológicas propostas foram fruticamente violadas em algum momento no decurso do avanço científico, e que, somente ao violar tais regras, os cientistas poderiam ter feito progresso. Ele concluiu que a ideia de um método científico fixo, historicamente invariante, é um mito. Para ele não há regras metodológicas universalmente aplicáveis.

Kuhn desafiou a visão tradicional do método científico como um conjunto de regras, alegando que os padrões de avaliação teórica, como simplicidade, precisão, consistência, alcance e fecundidade, dependem e variam de acordo com o paradigma atualmente dominante. Ele argumentou que não há "algoritmo neutro para a escolha da teoria, nenhum procedimento de decisão sistemático que, aplicado corretamente, deve necessariamente levar cada indivíduo no grupo à mesma decisão"[9]. Kuhn desenvolveu a ideia de que tais padrões epistêmicos não funcionam como regras que determinam a escolha da teoria racional, mas como valores que meramente o guiam[10]. Diferentes cientistas aplicam esses valores de forma diferente, e eles podem mesmo puxar direções diferentes, de modo que possa haver desacordo racional entre cientistas de paradigmas incomensuráveis, que apoiam diferentes teorias devido à sua pesagem dos mesmos valores de maneira diferente.

Referências

  1. Pickett, Joseph P., ed. (2011). «Empirical». The American Heritage Dictionary of the English Language 5th ed. Houghton Mifflin. ISBN 978-0-547-04101-8 
  2. Sankey, H., 2009, “Scientific Realism and the Semantic Incommensurability Thesis”, Studies in the History and Philosophy of Science, 40(2): 196–202.
  3. Ludwik Fleck (Stanford Encyclopedia of Philosophy); O termo Fleck para a incomensurabilidade era "niewspółmierność".
  4. The Ashtray: Shifting Paradigms (Part 2) por Errol Morris, em The New York Times (2011)
  5. The Incommensurability of Scientific Theories por Eric Oberheim e Paul Hoyningen-Huene
  6. Incommensurability and Related Matters por Paul Hoyningen-Huene e H. Sankey (2001)
  7. The Structure of Scientific Revolutions por Kuhn, T. pgs. 94, 103; publicado pela University of Chicago Press.
  8. Against Method: Outline of an Anarchistic Theory of Knowledge por Paul Feyerabend Humanities Press (1974), pgs 23–32.
  9. The Structure of Scientific Revolutions por Kuhn, T. pgs. 174–210; publicado pela University of Chicago Press.
  10. The Essential Tension] por Kuhn, Chicago: University of Chicago Press. (1977)
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