Problema da demarcação

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Na filosofia da ciência, problema da demarcação (ou, mais raramente ou problema de fronteira ou problema de contorno)[1] refere-se à grande dificuldade outrora existente na distinção entre teorias científicas e teorias não-científicas, à dificuldade em definir as linhas em torno do que seja ciência. Refere-se à natureza e propriedades das fronteiras que promovem a distinção entre ciência e não-ciência, entre ciência e pseudociência, entre ciência e filosofia, entre ciência e religião. Uma forma desse problema, conhecido como o problema generalizado de demarcação engloba todos os três casos simultaneamente.

Depois de mais de um século de diálogo entre filósofos da ciência e cientistas em variados campos, e apesar de um amplo acordo sobre os princípios do método científico,[2] que, se tomado à risca, define precisamente o que vem ou não a ser ciência (teoria científica), as fronteiras limítrofes entre a ciência e a não-ciência continuam a ser debatidas.[3]

A demarcação entre ciência e pseudociência não é um mero problema de debates intelectuais infrutíferos, é de importância social e política.[4]

Karl Popper[editar | editar código-fonte]

O filósofo Karl Popper estabelece uma demarcação entre o que seja ciência e não-ciência através da definição de que qualquer teoria científica propriamente dita será falseável (Falseabilidade).

Aceita de forma geral entre a comunidade científica atual como divisor de águas e resposta ao problema geral da demarcação, a questão relativa a falseabilidade das ideias implica a posição, científica, de que não se pode garantir que nunca haverá uma observação, uma evidência, um fato a ser descoberto, via experimento ou não, com poder de tornar falsos uma afirmação ou mesmo todo o conjunto de afirmações de uma teoria científica. Segundo Popper, em uma posição verdadeiramente científica, ao fazer-se uma afirmação positiva acerca de como o mundo funciona, necessariamente esta deve aceitar o risco de ser falsa, pois, uma vez dada a impossibilidade prática de conhecimento de absolutamente todos os fatos do mundo natural, este pode em verdade não funcionar - mesmo que em detalhe - como a teoria diz ou prediz. As posições não falseáveis não permitem este tipo de asserção pois são compatíveis com qualquer forma de comportamento (funcionamento) do mundo. Por este motivo, tais tipos de afirmações não carecem em verdade de qualquer conteúdo empírico para sustentar suas veracidades, e encontram-se assim desconexas da obrigatoriedade esperada de acordo com realidade natural.

Por exemplo, a afirmação “as esmeraldas são verdes ou não são verdes.” é uma afirmação não falseável. Qualquer que seja a observação que se faça sobre as esmeraldas esta será compatível com a proposição. Portanto, não é uma afirmação genuinamente científica. Popper sugere que este é um critério para se distinguir entre as teorias que são genuinamente científicas e aquelas que são apenas pseudo-científicas. Assim, as teorias genuinamente científicas são necessariamente falseáveis em virtude da falseabilidades de suas idéias. Teorias que dizem ser científicas mas não aceitam-se com falseáveis são falsa ciência.

De acordo com Popper, nem a teoria da história de Marx, nem a teoria do inconsciente de Freud, podem ser sujeitas ao teste da falseabilidade. Popper argumenta que qualquer que seja a contra-evidência que possamos recolher contra as teorias de Marx ou de Freud, há sempre uma maneira de a teoria se acomodar a essa contra-evidência. Tal tipo de consideração tem sido feita recentemente também a respeito da chamada "teoria das cordas", na área da física. As propostas encontrados na "teoria do design inteligente" também encontram-se em situação similar frente à falseabilidade das idéias por fatos. Segundo Popper, estas teorias não são teorias científicas ruins em tratar com seus objetos; na verdade, elas nem mesmo são teorias científicas.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Michael Shermer. The borderlands of science: where sense meets nonsense. Nova York: Oxford University Press, 2001. 10-30,54,216,244-245 p. ISBN 0195143264, 9780195143263
  2. Hugh G. Gauch. Scientific Method in Practice (em inglês). Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2003. 435 p. p. 3-7. ISBN 9780521017084 Página visitada em 30 de Junho de 2015.
  3. Cover, J.A., Curd, Martin (Eds, 1998) Philosophy of Science: The Central Issues, 1-82.
  4. Imre Lakato; A Arte de Pensar; História da Ciência e suas Reconstruções Racionais, Edições 70, 1998, pp. 11-20 Uma tradução de Emília Picado Tavares Marinho Mende - ateus.net
  5. Stephen Law; Philosophy; Dorling Kindersley; 352 pgs; 05 Apr 2007; ISBN 9781405317634

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]