J. Borges

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J. Borges
Nome nativo José Francisco Borges
Nascimento 1935 (83 anos)
Bezerros
Cidadania Brasil
Ocupação pintor, cordelista, poeta
Prêmios Ordem do Mérito Cultural

José Francisco Borges, conhecido artisticamente como J. Borges, é um artista e cordelista brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aos 2 anos, o menino já trabalhava na terra com o pai. Aos dez, já fabricava e vendia na feira colheres de pau. Foi oleiro, confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel.

Aos vinte e um anos, José resolveu que iria escrever cordel. Foi quando fez O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, que foi xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses.[1]

Como não tinha dinheiro para pagar um ilustrador, J. Borges resolveu fazer ele mesmo: começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, que usou em O Verdadeiro Aviso de Frei Damião.[1] Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida.

Descoberto por colecionadores e marchands, viu seu trabalho ser levado aos meios acadêmicos do país. Na década de 1970, J. Borges desenhou a capa de As Palavras Andantes, de Eduardo Galeano.[1] e gravuras suas foram usadas na abertura da telenovela Roque Santeiro,[2] da Rede Globo. Nessa época, começou a gravar matrizes dissociadas dos cordéis, de maior tamanho. Isso permitiu expor no exterior: em 1992, na Galeria Stähli, em Zurique, e no Museu de Arte Popular de Santa Fé, Novo México. Depois, novas exposições, na Europa e nos Estados Unidos.

Foi convidado e deu aulas na Europa e Estados Unidos de Xilogravura e entalhamento em madeira.

J. Borges foi condecorado com a comenda da Ordem do Mérito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, recebeu o prêmio UNESCO na categoria Ação Educativa/Cultural. Em 2002, foi um dos treze artistas escolhidos para ilustrar o calendário anual das Nações Unidas. Sua xilogravura A Vida na Floresta abre o ano no calendário. Em 2006, foi tema de reportagem no The New York Times.[1] O escritor Ariano Suassuna o considerava o melhor gravador popular do Nordeste.[2]

Suas xilogravuras são impressas em grande quantidade, em diversos tamanhos, e vendidas a intelectuais, artistas e colecionadores de arte. Dono de uma técnica própria de colorir as imagens, atende pedidos para representar cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino.

Em sua cidade natal, foi inaugurado o Memorial J. Borges, com exposição de parte de sua obra e objetos pessoais.[2]

É um dos Patrimônios Vivos de Pernambuco.[3]

Referências

  1. a b c d «ARTE POPULAR - O artista do sertão». Revista Época. Agosto de 2006. Consultado em 28 de fevereiro de 2013 
  2. a b c Inauguração do Memorial J. Borges Prefeitura de Bezerros
  3. Amorim, Maria Alice (9999). Patrimônios Vivos de Pernambuco. Recife: FUNDARPE. Consultado em 1 de janeiro de 9999  Verifique data em: |ano=, |acessodata= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]