José Graziano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
José Graziano
Agronomia
José Graziano no Itamaraty em 2011
Nacionalidade norte-americano
brasileiro
Itália italiano
Nascimento 17 de novembro de 1949 (67 anos)
Local Urbana,  Illinois
 Estados Unidos
Atividade
Campo(s) Agronomia
Instituições Universidade Estadual de Campinas
Alma mater Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade Estadual de Campinas

José Francisco Graziano da Silva (Urbana, 17 de novembro de 1949) é um agrônomo, professor e escritor brasileiro nascido nos Estados Unidos. Como acadêmico, escreveu diversas obras sobre a questão agrária no Brasil.[1] Entre 2003 e 2004, atuou no gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, sendo o responsável pela implementação do Programa Fome Zero.[2] Em 26 de junho de 2011, foi eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), para um mandato de três anos e meio (1º de janeiro de 2012 a 31 de julho de 2015). Em junho de 2015, Graziano da Silva, candidato único, foi reeleito a um segundo e último mandato de quatro anos (1 de agosto de 2015 a 31 de julho de 2019).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Graziano nasceu em 17 de novembro de 1949 na cidade de Urbana, no estado norte-americano de Illinois.[1] Seus pais são brasileiros de origem italiana (da região da Calábria).[3] Assim sendo, Graziano possui cidadania tripla, sendo norte-americano (de nascença), italiano e brasileiro.

Educação e carreira acadêmica[editar | editar código-fonte]

Graduou-se como engenheiro agrônomo em 1972 pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, onde também fez mestrado em 1974, com dissertação versando sobre a distribuição de renda no país.[1] Doutorou-se pela Universidade Estadual de Campinas em 1980,[1] tornando-se nesta instituição professor titular de Economia Agrícola. Possui, ainda, pós-doutorado na Universidade da Califórnia e no Instituto de Estudos Latino-Americanos do University College London.[4]

Ministro e carreira na FAO[editar | editar código-fonte]

Em 2001, Graziano coordenou a formulação do Programa Fome Zero, um dos principais pontos da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, após a eleição de Lula, Graziano foi nomeado por ele para chefiar o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome por ele. Permaneceu no órgão por um pouco mais de um ano, de 1° de janeiro de 2003 a 23 de janeiro de 2004, tendo sido o encarregado pela implementação do Fome Zero, iniciativa apontada como responsável pela retirada de 28 milhões de pessoas da linha da pobreza durante o governo Lula.[2] Em 2004, Lula criou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para absorver as funções do Ministério Extraordinário, nomeando Patrus Ananias como responsável pelo novo ministério. Assim sendo, Graziano virou assessor especial da Presidência da República.[5]

Em março de 2006, Graziano se tornou representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para a América Latina e o Caribe.[4] Durante sua permanência o cargo, Graziano conseguiu que os países de América Latina fossem os primeiros em nível mundial a assumir o compromisso de erradicar a fome até 2025.[5] Promoveu, também, um programa vinculado à problemática rural, defendendo o fortalecimento das instituições do setor e políticas públicas voltadas para alcançar um desenvolvimento integral e inclusivo no campo.[6]

Em 2011, candidatou-se ao cargo de diretor-geral da FAO, recebendo o apoio de Lula em artigo publicado no site do jornal britânico The Guardian.[7] Foi eleito em 26 de junho, durante a 37ª Conferência da organização em Roma após receber 92 dos 180 votos possíveis num segundo turno.[8] Derrotou o ex-ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, na disputa para substituir Jacques Diouf, cuja administração de 18 anos fez com que o órgão impusesse limites de mandato. Outros quatro candidatos disputaram o primeiro turno: Franz Fischler (Áustria), Indroyono Soesilo (Indonésia), Mohammad Saeid Noori Naeini (Irã) e Latif Rashid (Iraque). O primeiro mandato de Graziano começou em 1º de janeiro de 2012 e encerrou em 31 de julho de 2015.[5]

A Oxfam recebeu bem a vitória de Graziano, dizendo que ele tem experiência e compromisso para "transformar o nosso sistema alimentar falido e conduzir à mudança para um novo futuro agrícola". O governo dos Estados Unidos também acolheu a eleição dele, salientando a necessidade de incentivo para o desenvolvimento agrícola sustentável, de um maior acesso às culturas alimentares e mais oportunidades para as mulheres e pequenos agricultores.

Obras[editar | editar código-fonte]

Graziano é autor, coordenador e diretor de diversos estudos importantes sobre economia agrária, desenvolvimento rural e segurança alimentar. Possui 30 livros publicados, dentre eles O que é Questão Agrária, sua obra mais divulgada, originalmente publicada pela Brasiliense em 1980.[9]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Graziano é casado com a jornalista Paola Ligasacchi. Tem dois filhos e cinco netos.

Prêmios e honrarias[editar | editar código-fonte]

Graziano recebeu diversos prêmios e honrarias, como a Ordem do Rio Branco, concedida pelo presidente do Brasil; a Medalha Paulista de Mérito Científico e Tecnológico, conferida pelo governo do estado de São Paulo; e o Prêmio da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Prêmio SOBER).

A Câmara Municipal de São Paulo, por indicação do político Chico Macena lhe concederá as seguintes honrarias em reconhecimento aos seus feitos pelo país: Título de Cidadão Paulistano, Medalha Anchieta e Diploma de Gradidão.[10]

Referências

  1. a b c d José Graziano da Silva (1980 (1ª ed)). Biografia in: O que é Questão Agrária. 18 (Coleção Primeiros Passos) 13ª ed. São Paulo: Brasiliense  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  2. a b "Agrónomo brasileiro José Graziano poderá ser director-geral da FAO". O País. 20 de junho de 2011.
  3. "Decisão do STF sobre Battisti é indiscutível, diz Graziano". Diário Comércio, Indústria & Serviços. 27 de junho de 2011.
  4. a b «FAO: Representante Regional para América Latina e o Caribe - José Graziano da Silva». Consultado em 13 de dezembro de 2009 
  5. a b c Velásquez, Kelly (AFP). "José Graziano da Silva é o novo diretor geral da FAO". Yahoo! Notícias. 26 de junho de 2011.
  6. EFE (26 de junho de 2011). «Responsável pelo Fome Zero assume direção da FAO». UOL Notícias. Consultado em 3 de agosto de 2015 
  7. "Em artigo, Lula defende candidatura de Graziano à FAO". Vermelho. 21 de junho de 2011.
  8. CASCIONE, Silvio (2011). Brasileiro José Graziano é eleito para chefiar FAO. Sítio Reuters Brasil <http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE75P01O20110626>. Acessado em 26 de junho de 2011.
  9. «Currículo Lattes». Consultado em 3 de agosto de 2015 
  10. PDL que concede honrarias a José Graziano

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: José Graziano
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.