Legio XII Fulminata

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Legio XI Claudia
Roman Empire 125.png
Mapa do império romano em 125 d.C., sob o imperador Adriano, mostrando a LEGIO XII FULMINATA, aquartelada em Melitene (Malatya, Turquia), na província da Capadócia, de 71 d.C. até o século IV
País República Romana e Império Romano
Corporação Legião romana (Mariana)
Missão Infantaria (com alguma cavalaria de apoio)
Criação 58 a.C. até alguma data no século V d.C.
Patrono Júlio César
Mascote Raio
História
Guerras/batalhas Batalha de Sabis (57 a.C.)
Batalha de Alésia (52 a.C.)
Batalha de Farsalos (48 a.C.)
Campanha parta de Marco Antônio
Guerra romano-parta de 58-63
Primeira guerra judaico-romana (66–73)
Ano dos quatro imperadores (69)
Guerra romano-parta de 161-166
Vexillationes da Legio XI participaram de muitas outras campanhas.
Logística
Efetivo Variado ao longo dos séculos
Comando
Comandantes
notáveis
Júlio César
Augusto
Sétimo Severo
Odenato
Sede
Guarnições Gália (século I a.C.)
Rapana, Síria romana (?–ca. 70)
Melitene, Mesopotâmia (ca. 70–século V)

Legio duodecima Fulminata ou Legio XII Fulminata ("Décima-segunda legião, armada com raios"), também conhecida como "Paterna", "Victrix", "Antiqua", "Certa Constans" e "Galliena", foi uma legião romana, formada por Júlio César em 58 a.C. e que o acompanhou nas Guerras gálicas até 49 a.C. A unidade permanecia guardando um vau do rio Eufrates perto de Melitene no início do século V d.C. O emblema da legião era um raio (fulmen). Nos séculos finais de sua existência passou a ser conhecida corriqueiramente - e incorretamente - como Legio Fulminatrix, a Legião Fulminante.

Sob César[editar | editar código-fonte]

A décima-segunda legião, como é talvez mais conhecida, lutou na batalha de Sabis e, provavelmente, também participou de cerco de Alésia. A décima-segunda lutou também na batalha de Farsalos (48 a.C.), quando César derrotou Pompeu Magno. Após sua vitória na Guerra civil Cesariana, a legião passou a se chamar Victrix. Marco Antônio liderou a décima-segunda, renomeada XII Antiqua ("de qualidade consolidada") durante sua campanha contra o Império Parta. Durante a última parte do governo de Augusto, a XII Fulminata serviu na Síria, acampando em Rapana.

Contra os Partas[editar | editar código-fonte]

Para mais detalhes sobre este tópico, veja: Guerra romano-parta de 58-63

No oriente, o rei Vologases I invadiu a Armênia (58), um reino cliente de Roma. O imperador Nero ordenou Cneu Domício Córbulo, o novo legado imperial propretor da província da Capadócia, que lidasse com o problema, e Córbulo então trouxe a IV Cítica da Mésia e, com a III Gálica e a VI Ferrata, derrotou os partas, restaurando Tigranes VI ao trono armênio. Em 62 d.C., a IV Cítica e a XII Fulminata, comandadas pelo novo legado da Capadócia, Lúcio Cesênio Peto, foram derrotadas pelos partos e pelos armênios na batalha de Randeia e forçadas a se render. As legiões foram humilhadas e foram removidas do teatro da guerra.

A grande revolta judaica[editar | editar código-fonte]

Em 66, após uma revolta zelote ter destruído a guarnição romana em Jerusalém, a XII Fulminata, com vexillationes da IV Cítica e VI Ferrata foram enviadas para retaliar, mas foram impedidas por Caio Céstio Galo, legado da Síria, quando ele percebeu que a revolta era fraca. Em seu caminho de volta, a XII Fulminata foi emboscada e derrotada por Eleazar ben Simon na Batalha de Beth Horon e perdeu a sua Águia. Porém, a XII Fulminata lutou bem na parte final da guerra e apoiou seu comandante, T. Flávio Vespasiano, na bem-sucedida tentativa de tomar o trono imperial. Ao final da guerra, a XII Fulminata e a XVI Flavia Firma foram enviadas para guardar a borda do Eufrates, no vau perto de Melitene.

Defendendo a fronteira oriental[editar | editar código-fonte]

Em 75, a XII Fulminata estava no Cáucaso, para onde o imperador Vespasiano a tinha enviado para apoiar os aliados Reino da Ibéria e da Albânia. De fato, no Azerbaijão, uma inscrição foi encontrada onde se lê IMP DOMITIANO CAESARE AVG GERMANICO LVCIVS IVLIVS MAXIMVS LEGIONIS XII FVL, "Sob o imperador Domiciano, César. Augusto Germânico, Lúcio Júlio Máximo, Legio XII Fulminata"[a].

Historiadores argumentam que o atual povoado de Ramana, próximo à Bacu, foi possivelmente fundado pelas tropas romanas de Lúcio Júlio Máximo da XII Fulminata por volta de 84–96[1] e deriva seu nome do latim Romana[1] [2] . Entre outros fatos que reforçam esta hipótese estão a mapa topográfico-militar do Cáucaso publicado em 1903 pela administração russa e que escreve o nome da cidade como sendo "Romana". Vários artefatos romanos foram encontrados na região da península de Absheron.

A legião estava provavelmente na Armênia durante a campanha de Trajano em 114, que terminou com a anexação do reino.

Em 134, a ameaça dos alanos foi subjugada pelo governador da província da Capadócia, Arriano, que derrotou os invasores com a ajuda da XII Fulminata e também da XV Apollinaris.

Chuva milagrosa[editar | editar código-fonte]

O Milagre da Chuva.
Na coluna de Marco Aurélio, em Roma.

A décima-segunda provavelmente lutou na campanha contra o Império Parta do imperador Lúcio Vero em 162 - 166, se uma unidade com soldados da XII e da XV controlaram por algum tempo a recém conquistada capital da Armênia, Artaxata. O imperador Marco Aurélio comandou a XII Fulminata em sua campanha contra os quados, um povo que habitava a região onde hoje é a Eslováquia. Segundo a História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia (V.5)[3] , um episódio uma chuva milagrosa salvou uma parte da décima-segunda da derrota, evento que foi relatado inclusive por fontes não cristãs[4] . Nesta época, grande parte da décima-segunda era formada por cristãos [5] . Há uma crença que isto teria levado o imperador a emitir um decreto proibindo a perseguição aos cristãos, o que parece ser uma falsificação[6]

Em 175, a legião estava em Melitene quando Caio Avídio Cássio se revoltou. A décima-segunda, permaneceu leal ao imperador e obteve o cognome "Certa Constans" ("de fato constante").

No ano dos cinco imperadores, após a morte do imperador Pertinax (193), a XII Fulminata apoiou o governador da Síria, Pescênio Níger, que terminou por ser derrotado pelo imperador Sétimo Severo. Quando a fronteira oriental do império se moveu do Eufrates para o Tigre, a décima-segunda ficou na reserva, possivelmente como punição pelo apoio ao rival de Severo.

As redondezas de Melitene foram um dos primeiros lugares onde a fé cristã se espalhou. Polieucto de Melitene foi um mártir sob o imperador Valeriano e que era um soldado na XII Fulminata.

O Império Sassânida foi uma grande ameaça para o poder romano no oriente. O rei Sapor II conquistou a base da XV Apollinaris, Satala, em 256 e saqueou Trapezo (258). O imperador Valeriano então se moveu para contê-lo, mas foi derrotado e capturado. A derrota provocou o colapso parcial do império, com o secessão do Império Gálico no ocidente e do Império de Palmira no oriente. Sabe-se que a XII Fulminata estava sob o comando de Odenato, governante de Palmira, mas também que o imperador Galiano condecorou a legião com o cognome Galliena.

Após estes episódios, os registros da Fulminata são escassos. O império palmirense foi reconquistado por Aureliano. O imperador Diocleciano derrotou os sassânidas e moveu a fronteira para o norte da Mesopotâmia. A décima-segunda, que provavelmente tomou parte nestas campanhas, aparece guardando a fronte do Eufrates em Melitene ainda no início do século V (Notitia Dignitatum).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Este foi o ponto mais oriental que um soldado romano já esteve comprovadamente.

Referências

  1. a b Ашурбейли Сара. История города Баку: период средневековья. Баку, Азернешр, 1992; página 31
  2. História da cidade de Baku (em inglês)
  3. «5». História Eclesiástica. God sent Rain from Heavenfor Marcus Aurelius Cæsar in Answer to the Prayers of our People (em inglês) V [S.l.: s.n.]  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (Ajuda)
  4. O episódio narrado por Dião Cássio se refere à presença de um mago egípcio, Harnufis, que teria invocado Mercúrio para obter a chuva. O escrito cristão Tertuliano, por sua vez, alega que o milagre resultou da oração da soldadesca, que seria cristã. Veja Dião Cássio. «lxxii.8-10». Roman History (em inglês) [S.l.: s.n.] 
  5. Rev. Hugo H. Hoever, ed. Lives of the Saints (em inglês) [S.l.: s.n.] p. 25. 
  6. Wikisource-logo.svg "Thundering Legion" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]