Milovan Đilas

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Milovan Đilas, às vezes transliterado como Djilas (Podbisce, 1911 - Polja, Montenegro 1995) foi um político, revolucionário e escritor. Estudou direito na Universidade de Belgrado, onde adotou o marxismo, posteriormente esteve preso por três anos por suas atividades políticas contra a monarquia e foi torturado. Era então bom amigo de Josip Broz Tito. Desde 1940 foi membro do Politburo do Partido Comunista da Iugoslávia.

Lutou ao lado dos partisans de Tito durante a II Guerra Mundial, desempenhou inúmeros cargos importantes no governo da Iugoslávia do pós-guerra e foi um decidido partidário da ruptura de Tito com Stálin em 1948.

Dissidência[editar | editar código-fonte]

Até 1953, foi vice-presidente da Iugoslávia e presidente da Assembléia Nacional. Foi amplamente considerado como eventual sucessor natural de Tito e estava prestes a se tornar presidente da Iugoslávia em 1954. No entanto, desde outubro de 1953 até janeiro de 1954, escreveu dezenove artigos para o jornal Borba ("A Luta"), no qual exigia mais democracia no partido e no país.

Tito e os outros líderes comunistas viram seus argumentos como uma ameaça para a estabilidade da nação, e, em janeiro de 1954, Đilas foi expulso do governo e despojado de todas as posições do partido por suas críticas. Desligou-se do do Partido Comunista logo depois. Em dezembro de 1954, deu uma entrevista ao New York Times na qual disse que a Iugoslávia era governada por "reacionários". Por isto, foi levado a julgamento e condenado.

Em 1956, Đilas foi preso por seus escritos e pelo seu apoio à Revolução Húngara, acabando condenado a nove anos de prisão. Embora preso, Đilas traduziu a obra de John Milton: Paraíso Perdido para o Servo-croata. Em 1957 Đilas publicou a sua obra mais famosa: A Nova Classe, uma análise profunda do sistema comunista, em que afirmava que o comunismo na Europa do Leste não era igualitário e que estabelecera uma "nova classe" privilegiada do partido da burocracia, que gozava de benefícios materiais a partir de suas posições. Após a publicação desta obra no Ocidente, sua sentença foi aumentada.

Em Terra sem justiça (1959), expôs as condições em que vivia Montenegro antes da revolução, a obra provocou o movimento comunista, e foi Đilas preso novamente. Suas Conversações com Stálin (1962) lhe custaram outros quatro anos de cárcere. Foi anistiado em 1966, continuou escrevendo e publicando. Entre seus livros, destacam-se suas Memórias (1958-1973); A Sociedade Imperfeita (1969); biografia de Tito (1980) e O discípulo e o herege (1989).

Milovan Đilas foi considerado o inspirador de Mikhail Voslenski, que editou em 1970 uma obra sobre a Nomenklatura: "A nomenklatura, os privilegiados na União Soviética".

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

(em inglês)
  • The New Class: An Analysis of the Communist System, 1957
  • Land without Justice, 1958
  • Conversations with Stalin, 1962
  • Montenegro, 1963
  • The Leper and Other Stories, 1964
  • Njegoš: Poet-Prince-Bishop, 1966
  • The Unperfect Society: Beyond the New Class, 1969
  • Lost Battles, 1970
  • The Stone and the Violets, 1970
  • Memoir of a Revolutionary, 1973
  • Wartime, 1977
  • Of Prisons and Ideas, 1984
  • Parts of a Lifetime
  • Rise and Fall
  • Tito: The Story from Inside
  • "Disintegration of Leninist Totalitarianism", in 1984 Revisited: Tolitarianism in Our Century, New York, Harper and Row, 1983, ed. Irving Howe

Ver também[editar | editar código-fonte]

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