Mo Farah

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Mo Farah
campeão Olímpico
Mo Farah no pódio da Rio 2016.
Atletismo
Nome completo Mohamed Muktar Jama "Mo" Farah
Modalidade 5000 m, 10000 m
Nascimento 23 de março de 1983 (33 anos)
Mogadíscio, Somália
Nacionalidade Reino Unido britânico
Compleição Peso: 58 kg Altura: 1,75 m
Medalhas
Jogos Olímpicos
Ouro Rio 2016 5000 m
Ouro Rio 2016 10000 m
Ouro Londres 2012 5000 m
Ouro Londres 2012 10000 m
Campeonatos Mundiais
Ouro Pequim 2015 5000 m
Ouro Pequim 2015 10000 m
Ouro Moscou 2013 5000 m
Ouro Moscou 2013 10000 m
Ouro Daegu 2011 5000 m
Prata Daegu 2011 10000 m
Campeonato Europeu
Ouro Helsinque 2012 5000 m
Ouro Barcelona 2010 5000 m
Ouro Barcelona 2010 10000 m
Ouro Gotemburgo 2006 5000 m

Mohamed Muktar Jama "Mo" Farah CBE (Mogadíscio, 23 de março de 1983) é um fundista campeão olímpico e mundial britânico, especialista nos 5000 e 10000 metros.

O mais bem sucedido atleta britânico do atletismo na história dos Jogos Olímpicos, ele é bicampeão olímpico das duas distâncias longas de pista, o que faz dele um tetracampeão olímpico, assim como tem cinco medalhas de ouro nas mesmas distâncias em três campeonatos mundiais. É o segundo fundista na era moderna dos Jogos a defender com êxito suas vitórias nestas provas em duas Olimpíadas consecutivas, depois do finlandês Lasse Viren.

Nascido na Somália, de onde fugiu ainda criança com a família primeiro para o Djibouti e depois para a Inglaterra por causa da guerra civil no país, foi eleito Atleta Europeu do Ano por dois anos consecutivos e pelos serviços prestados ao esporte britânico foi condecorado pela rainha Elizabeth II com o título de Comandante da Ordem do Império Britânico.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Nascido na Somália, passou os primeiros anos de sua infância no Djibouti com seu irmão gêmeo,[1] mudando-se para o Reino Unido aos oito anos de idade, para viver com seu pai, britânico, sem falar uma palavra de inglês.[2] Os pais de Farah se conheceram numa viagem de férias de seu pai à Mogadíscio.[3]

Interessado em ser jogador de futebol, passou a praticar o atletismo por encorajamento de um professor de educação física que notou sua velocidade no campo de jogo, e aos quatorze anos ganhou seu primeiro título escolar em provas de cross-country. Seus primeiros títulos internacionais vieram em 2001 quando foi campeão europeu júnior, aos 18 anos, de cross country e dos 5000 metros.[4]

Conquistas[editar | editar código-fonte]

Em 2006, conquistou a medalha de ouro dos 5000 m no Campeonato Europeu de Atletismo, em Gotemburgo, na Suécia e venceu o Campeonato europeu de Cross-Country em San Giorgio su Legnano, na Itália.[5] Em Osaka 2007, ele estreou num evento global, ficando em sexto lugar nos 5000 m do Mundial.[6] No ano seguinte, em Pequim 2008, não conseguiu se classificar para a final da prova, no evento dominado por etíopes e quenianos.

Sua transformação de atleta continental europeu em atleta global de alto nível começou no Mundial de Berlim 2009, quando chegou em sétimo na final dos 5000 m, a melhor colocação de um não-africano - por cidadania - na prova. Em 2010, depois de um período de treinamento na África, venceu os 5000 e os 10000 m no Campeonato Europeu de Atletismo, realizado em Barcelona, o quinto atleta nos 66 anos de história do campeonato a vencer as duas provas numa mesma edição. Em agosto do mesmo ano, no evento da Diamond League em Zurique, fez o tempo de 12m57s94 para os 5000 m, sendo o primeiro britânico a correr a distância em menos de 13 minutos. No fim do ano foi eleito 'Atleta do Ano' pela Associação Olímpica Britânica.[7]

Em fevereiro de 2011, Farah mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a ser treinado pelo ex-maratonista norte-americano Alberto Salazar em Portland, Oregon. Sob a tutela de Salazar, ele começou a produzir resultados em escala global. Em março, venceu os 3000 m no Campeonato Europeu de Atletismo em Pista Coberta e no mesmo mês venceu a Meia-Maratona de Nova Iorque em 1h00m23, novo recorde britânico. Em junho, em Eugene, venceu os 10000 m em 26m46s, estabelecendo novo recorde britânico e europeu. Em julho, em Mônaco, no evento da Diamond League, marcou 12m52s11 para os 5000 m, derrotando o medalhista de prata em Atenas 2004 Bernard Lagat com novo recorde britânico.[8]

Seu primeiro grande triunfo global veio no Campeonato Mundial de Atletismo de 2011 em Daegu, Coreia do Sul, quando ganhou a medalha de ouro nos 5000 m e a prata nos 10000 m. Depois das vitórias, ele foi chamado por Dave Moorcroft, ex-recordista mundial dos 5000 m, de "o maior corredor de longa distância já surgido na Grã-Bretanha".[9]

Em Londres 2012, consagrou-se definitivamente ao tornar-se bicampeão olímpico em frente a seu público, vencendo os 5000[10] e os 1000 m,[11] a primeira vez que um atleta britânico venceu estas provas em Jogos Olímpicos. Depois destes feitos, Farah foi eleito o melhor atleta europeu do ano 2012.[12]

Em Moscou 2013, ele também conquistou a medalha de ouro nas duas provas de fundo do Campeonato Mundial de Atletismo, derrotando nos 10.000 m o etíope Ibrahim Jeilan, que o havia impedido de fazer o doblete de ouro dos 5000/10000 m no Mundial de Daegu 2011.[13][14]

Em 2014, Mo estreou em maratonas. Seu objetivo principal, quebrar o recorde britânico na Maratona de Londres, foi mal sucedido, chegando em 8º lugar com a marca de 2:08.21, mais de um minuto atrás de recorde, existente desde 1985 e pertencente a Steve Jones.[15]

No ano seguinte, nas provas em que é especialista, tornou-se bicampeão mundial dos 10000 m em Pequim 2015, com o tempo de 27:01, depois de resistir por toda a prova ao esforço de três quenianos de correr num ritmo forte que o impedisse de dar sua arrancada costumeira na última volta, o que conseguiu com facilidade [16] e tricampeão dos 5000 m, uma prova em ritmo lento em que venceu novamente com a arrancada nos últimos 100 metros.[17]

Participando de seus segundos Jogos Olímpicos, na Rio 2016, venceu novamente a prova dos 10000 metros, após sofrer uma queda e se recuper e dias depois venceu também a prova dos 5000 metros tornando-se bicampeão olímpico das duas provas de fundo. [18] Com estas vitórias duplas em cada distância e a queda sofrida, Mo repetiu o feito do finlandês Lasse Viren, o único até então a ter feito o chamado "double" nas provas de fundo, em Munique 1972 e Montreal 1976, e que também caiu na pista antes de vencer os 10000 m em Munique.[19]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Em 2015 seu técnico Alberto Salazar se viu envolvido no meio de uma grande controvérsia sobre doping, numa investigação feita pela televisão britânica BBC, envolvendo a denúncia de vários atletas e pessoas ligadas a ele sobre a injeção de microdoses de testosterona e prednisona em atletas sob sua responsabilidade no Nike Oregon Project, um projeto criado pela Nike, sob a direção de Salazar, para promover as corridas de longa distância entre os americanos.[20]. A fundista Kara Goucher, outra das pupilas de Salazar e medalhista de bronze nos 10000 m no Mundial de Osaka 2007, também declarou que deixou o Nike Project em 2011, quando Farah chegou, por uma alegada "vontade de Salazar de manipular as regras anti-doping".[21]

O caso obrigou Farah, um dos pupilos de Salazar no NOP desde 2011, a deixar uma competição da Diamond League em Birmingham e ir aos Estados Unidos para conversar com o técnico sobre as acusações. Toda a questão levantada pela BBC está sendo investigada pela UK Atlhetics; seu diretor, Ed Warner, declarou que a organização esportiva precisa "ser rápida mas não precipitada em chegar à conclusões diante dos fatos como foram apresentados, mas que tem total confiança em Farah". [21]

Numa entrevista à rede de televisão britânica ITV em setembro de 2015, ele admitiu ter feito uso de substâncias proibidas pela IAAF em 2003, antes de serem incluídas na lista da Agência Mundial Antidoping (WADA). Em agosto de 2003, durante competição na Somália, Farah experimentou um planta chamada khat que continha catina (conhecida também como d-norpseudoefedrina) e catinona (ou benzoiletanamina). As duas drogas têm estruturas químicas semelhantes às anfetaminas e foram banidas no início de 2004. A khat é uma planta presente na região do Chifre da África e na Península Arábica e é rica em substâncias dopantes. A WADA confirmou a posição e alegou que "o khat não constava na lista de substâncias proibidas em 2003".[22]

Melhores marcas[editar | editar código-fonte]

Evento Marca Local País Data Ref.
1500 metros 3:28.81 Mônaco Mónaco 19 de julho de 2013 [23]
5000 metros 12:53.11 Mônaco Mónaco 22 de julho de 2011
10000 metros 26:45.57 Eugene Estados Unidos 3 de junho de 2011
Meia Maratona 59:32 Lisboa Portugal 22 de março de 2015
Maratona 2:08:21 Londres Reino Unido 13 de abril de 2014

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Revealed: We find the twin brother Mo Farah was forced to abandon as a child in war-torn Somalia and he tells the harrowing story of how they were separated aged eight by their parents' agonising decision». DailyMail. Consultado em 20/08/2012. 
  2. «Team GB's Mo Farah's inspirational former PE teacher to cheer him at London 2012». The Independent website [S.l.: s.n.] 2012-08-03. 
  3. Fahy, Dylan. (2008-06-13) Brian Viner interviews Mo Farah. Independent.co.uk. Retrieved on 2012-08-15.
  4. «Mo Farah bio». PaceSportsManagement. Consultado em 20/08/2012. 
  5. «Farah storms to European success». BBC Sport. Consultado em 20/08/2012. 
  6. «5000 Metres - M FINAL». IAAF. Consultado em 20/08/2012. 
  7. «Farah, Adlington and Williams among Olympic awards». BBC Sport. Consultado em 20/08/2012. 
  8. «Monaco Diamond League - Herculis Meeting International d'Ath». FloTrack. Consultado em 20/08/2012. 
  9. «Mo Farah's 5,000m win in Daegu was 'perfection', says Dave Moorcroft». The Guardian. Consultado em 20/08/2012. 
  10. Fordyce, Tom. «Mo Farah wins men's 5,000m to claim second Olympic gold». BBC Sport. Consultado em 20/08/2012. 
  11. Globoesporte.com (04/08/2012). «Mo Farah ganha o primeiro ouro britânico nos 10.000m em Olimpíadas». 18:16. Consultado em 04/08/2012. 
  12. Atleta-Digital (14/10/2012). «Gala anual da EAA sem Farah e Ennis». 
  13. «results». IAAF. Consultado em 11/08/2013. 
  14. «REPORT: MEN'S 5000M FINAL – MOSCOW 2013». IAAF. Consultado em 16/08/2013. 
  15. «KIPSANG AND KIPLAGAT REIGN SUPREME IN LONDON». IAAF. Consultado em 13/04/2014. 
  16. «Mo Farah hits back with 10,000m gold at world championships in Beijing». The Guardian. Consultado em 22 August 2015. 
  17. «5000 METRES MEN». IAAF. Consultado em 30 August 2015. 
  18. «FARAH Mohamed». Rio 2016. Consultado em 2016-08-21. 
  19. «Como Lasse Viren en Múnich, Mo Farah cae y vence». El País. Consultado em 26 August 2016. 
  20. Daly, Mark. «Top athletics coach Alberto Salazar faces doping claims». BBC. Consultado em 23 August 2015. 
  21. a b «Alberto Salazar: Ex-Oregon Project runner backs BBC's doping claims». BBC. Consultado em 23 August 2015. 
  22. «Campeão olímpico de atletismo admite já ter usado substâncias proibidas». UOL. Consultado em 10 September 2015. 
  23. «Personal bests». IAAF. Consultado em 1 de setembro de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]