Maomé ibne Tugeje

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Maomé ibne Tugeje al-ikchída
Governante hereditário do Egito, Síria e Hejaz
Dinar de ouro de Maomé cunhado na Palestina em 944. De 942 em diante, ibne Tugeje incluiu seu nome e título ("Maomé al-ikchída") ao lado ao do califa em sua cunhagem.[1]
25 de agosto de 935-24 de julho de 946
Sucessor Unujur
Descendência
Unujur
Casa Ikchídida
Pai Tugeje ibne Jufe
Nascimento 8 de fevereiro de 882
Bagdá
Morte 24 de julho de 946 (64 anos)
Damasco

Abu Baquir ou Abu Becre Maomé ibne Tugeje ibne Jufe ibne Iltaquim ibne Furane ibne Furi ibne Cagã (Abū Bakr Muḥammad ibn Ṭughj ibn Juff ibn Yiltakīn ibn Fūrān ibn Fūrī ibn Khāqān; Bagdá, 8 de fevereiro de 882Damasco, 24 de julho de 946), melhor conhecido pelo título de al-ikchída (em árabe: الإخشيد), foi um comandante abássida e governador que tornou-se o governante autônomo do Egito e partes da Síria (ou Levante) de 935 até sua morte em 946. Foi o fundador do Reino Ikchídida, que controlou a região até a conquista fatímida de 969. O filho de Tugeje ibne Jufe, um general originário da Transoxiana que serviu o Califado Abássida e os governantes tulúnidas autônomos do Egito e Síria, Maomé ibne Tugeje nasceu em Bagdá mas cresceu na Síria e adquiriu suas primeiras experiências militares e administrativas ao lado de seu pai.

Ele teve uma carreira inicial turbulenta: foi preso junto com seu pai pelos abássidas em 905, foi libertado e 906, participou no assassinato do vizir Alabas ibne Haçane de Jarjaraia em 908, e fugiu do Iraque para entrar em serviço do governador do Egito, Taquim, o Cazar. Posteriormente adquiriu o patrocínio de vários magnatas abássidas influentes, principalmente o poderoso comandante-em-chefe Munis Almuzafar. Estes laços levaram-o a ser nomeado governador primeiro da Palestina e então de Damasco. Em 933, foi brevemente nomeado governador do Egito, mas esta ordem foi revogada após a morte de Munis, e ibne Tugeje teve de fugir para preservar seu governo de Damasco. Em 935, foi renomeado para o Egito, onde rapidamente derrotou uma invasão fatímida e estabilizou o país turbulento. Seu reinado marca um período raro de paz doméstica, estabilidade e bom governo nos anais do começo do Egito islâmico.

Em 938, o califa al-Radi (r. 934–940) conferiu seu pedido para o título de al-ikchída, que foi utilizado pelos governantes de seu ancestral Vale de Fergana. É por este título que ele foi conhecido depois disso. Ao longo de seu governo, al-ikchída esteve envolvido em conflito com outros poderosos regionais pelo controle da Síria, sem o qual o Egito era vulnerável a invasões no Oriente, mas diferente de muitos outros líderes egípcios, notadamente os tulúnidas, estava preparado para esperar pelo tempo certo e comprometer-se com seus rivais. Embora estivesse inicialmente em controle da Síria inteira, foi forçado a ceder a metade norte para ibne Raique entre 939 e 942.

Após a morte de ibne Raique, al-ikchída reimpôs seu controle sobre a região, apenas para tê-la ameaçada pelos hamdanidas. Em 944, al-ikchída encontrou o califa al-Muttaqi em Raca; o califa havia fugido para lá dos vários homens fortes que estavam competindo para sequestrá-lo e para tomar o controle do governo califal em Bagdá. Embora sem sucesso em persuadir o califa a ir para o Egito, recebeu reconhecido como governador hereditário do Egito, Síria e Hejaz por 30 anos. Após sua partida, o ambicioso príncipe hamdanida Saife Aldaulá tomou Alepo e o norte da Síria no outono de 944, e embora derrotado e removido da Síria por ibne Tugeje no ano seguinte, uma trégua dividindo a região entre as linhas do acordo com ibne Raique foi concluído em outubro. Ibne Tugeje morreu nove meses depois, deixando seu filho Unujur como governante de seus domínios, sob a tutela do poderoso eunuco negro Abul Misque Cafur.

Origem e infância[editar | editar código-fonte]

Domínios tulúnidas em 893
Dinar de ouro de Khumarawayh (r. 884–896)

Segundo o dicionário biográfico compilado por Ibne Chalicane, Maomé ibne Tugeje nasceu em Bagdá em 8 de fevereiro de 882, na rua que dirigia-se para a Porta de Cufa.[2] [3] Sua família originou-se no Vale de Fergana em Transoxiana e reclamou descendência real; o nome de seu ancestral, "Cagã" (Khaqan) é um título real túrquico.[4] Seu avô Jufe deixou Fergana e entrou em serviço na corte abássida em Samarra como fez o pai de ibne Tulune, o fundador da dinastia tulúnida. Jufe e seu filho, Tugeje, o pai de Maomé, serviu os abássidas, mas Tugeje mais tarde entrou em serviço dos tulúnidas, que desde 868 tornaram-se governantes autônomos do Egito e Síria. Tugeje serviu os tulúnidas como governador de Tiberíades, Alepo (capital do distrito de Quinaxirim) e Damasco.[5] [6] Ele desempenhou um grande papel em repelir o ataque carmata contra Damasco em 903; embora derrotado em batalha, ele reteve a cidade contra os carmatas por sete meses até, com a chegada de reforços do Egito, os carmatas foram expulsos.[7] [8] Assim, Maomé ibne Tugeje gastou grande parte de sua infância no Levante tulúnida ao lado de seu pai, adquirindo suas primeiras experiências na administração — ele serviu como subgovernador de seu pai em Tiberíades — e guerra.[6]

Após a morte do filho de ibne Tulune, Khumarawayh, em 896, o Estado Tulúnida rapidamente começou a colapsar internamente, e falhou em criar séria resistência quando os abássidas moveram-se para restabelecer controle direto sobre a Síria e Egito em 905.[9] Tugeje derrotou os abássidas invasores sob Maomé ibne Solimão Alcatibe e foi nomeado governador de Alepo em troca; Maomé Alcatibe caiu vítimas das intrigas cortesãs logo depois, e Tugeje junto com seus filhos Maomé e Ubaide Alá foram presos em Bagdá. Tugeje morreu na prisão em 906, e os irmãos foram libertados logo depois.[6] Os filhos de Tugeje participaram no golpe palaciano que tentou depor o novo califa, al-Muqtadir (r. 908–932), em favor do mais velho Abdalá ibne Almutaze em dezembro de 908. Embora a tentativa falhou, Maomé ibne Tugeje e seu irmão foram capazes de vingar-se por sua prisão no vizir Alabas ibne Haçane de Jarjaraia, que eles derrubaram com ajuda de Huceine ibne Hamdane.[10] Após o fracasso do golpe, os três fugiram: ibne Hamdane retornaram para sua nativa Mesopotâmia Superior e Ubaide Alá fugiu para oeste para Iúçufe ibne Abul Saje, enquanto Maomé fugiu para a Síria.[11]

Dinar de ouro de al-Muqtadir (r. 908–932)

Na Síria, Maomé ibne Tugeje entrou em serviço do supervisor dos impostos das províncias locais, Abul Abas al-Bistam. Ele logo seguiu seu novo mestre para o Egito, e após a morte de al-Bistam em junho de 910, ele continuou a servir o filho do último. Posteriormente, ganhou a atenção do governador local, Taquim, o Cazar, que enviou-o para governar as terras além do rio Jordão, com sua sede em Amã.[5] Em 918, ele resgatou uma caravana haje, na qual estava uma das damas-de-espera da mãe de al-Muqtadir, de invasores beduínos, melhorando assim sua posição na corte abássida.[11] Dois anos depois, ibne Tugeje ganhou um patrão influente quando brevemente serviu sob o poderoso comandante-em-chefe abássida, Munis Almuzafar, quando ele veio a ajudar a defender o Egito duma invasão fatímida. Durante a campanha, ibne Tugeje comandou as melhores tropas do exército egípcio. Os dois homens evidentemente estabeleceram um relacionamento e permaneceram em contato depois disso.[5] [12] [13]

Quando Taquim retornou para o Egito como governador em 923, ibne Tugeje juntou-se com ele lá, mas os dois se confrontaram com a recusa de Taquim para dar a ibne Tugeje o posto de governador de Alexandria. Ibne Tugeje escapou da capital Fustat por um ardil, e conseguiu obter para si uma nomeação como governador da Palestina em Bagdá; o incumbente, al-Raxidi, abandonou a sede do governador em Ramla para Damasco, cujo governo ele assumiu. Sua fuga, segundo o historiador Jere L. Bacharach, pode indicar que ibne Tugeje comandou uma significativa força militar. Três anos depois, em julho de 931, Maomé ibne Tugeje foi promovido a governador de Damasco, enquanto al-Raxidi retornou para Ramla. Estas nomeações foram provavelmente o resultado da relação de ibne Tugeje com Munis Almuzafar, que neste tempo estava no auge de seu poder e influência.[14] [15]

Tomada do Egito[editar | editar código-fonte]

Dinar de ouro de al-Qahir (r. 932–934)
Dinar de ouro de Alcaim Biamir Alá (r. 934–946)

Taquim morreu em março de 933, e seu filho e sucessor nomeado, Maomé, falhou em estabelecer sua autoridade no Egito. Ibne Tugeje foi nomeado como o novo governador em agosto, mas a nomeação foi revogada um mês depois, antes que pudesse alcançar o Egito, e Amade ibne Kayghalagh foi nomeado em seu lugar. O tempo da reconvocação de ibne Tugeje coincide com a prisão (e subsequente assassinato) de Munis pelo califa al-Qahir (r. 932–934) em 22 de setembro, sugerindo que a nomeação de ibne Tugeje foi com toda probabilidade também devido a Munis.[16] [5] O fato de que al-Qahir enviou um eunuco chamado Buxiri para substituir ibne Tugeje em Damasco após a queda de Munis reforça esta visão. Buxiri foi capaz de tomar o governo de Alepo (para o qual também havia sido nomeado), mas ibne Tugeje resistiu a sua substituição, e derrotou e tomou-o prisioneiro. O califa então incumbiu Amade ibne Kayghalagh com a missão de forçar o acordo de apoio mútuo, confirmando o status quo.[17]

Amade ibne Kayghalagh logo provou-se incapaz de restaurar a ordem da província cada vez mais turbulenta. Por 935, as tropas estavam rebelando-se pela falta de pagamento, e raides beduínos recomeçaram. Ao mesmo tempo, o filho de Taquim, Maomé, e o administrador fiscal Abu Baquir Maomé ibne Ali al-Madara'i — o herdeiro duma dinastia de burocratas que lidaram com as finanças da província desde o tempo de ibne Tulune e acumularam enorme riqueza —[18] [19] minaram Amade ibne Kayghalagh e cobiçaram sua posição.[20] Os combates das tropas eclodiram entre os orientais (Maxarica), principalmente soldados turcos, que apoiaram Maomé ibne Taquim, e os ocidentais (Magariba), provavelmente berberes e africanos negros, que apoiaram Amade ibne Kayghalagh.[21] Com o apoio desta vez do antigo vizir e inspetor-geral das províncias ocidentais al-Fadal ibne Jafar ibne Alfurate, cujo filho foi casado com uma das filhas de ibne Tugeje, ibne Tugeje foi novamente nomeado governador do Egito. Não se arriscando, ibne Tugeje organizou uma invasão do país por terra e mar. Embora Amade ibne Kayghalagh foi capaz de atrasar o avanço do exército, a frota de ibne Tugeje tomou Tênis e o Delta do Nilo e moveu-se para a capital Fustat. Manobrado e derrotado em batalha, Amade ibne Kayghalagh fugiu para os fatímidas. O vitorioso Maomé ibne Tugeje entrou em Fustat em 26 de agosto de 935.[22] [23]

Com a capital sob seu controle, ibne Tugeje agora confrontou-se com os fatímidas. Os Magariba que recusaram-se a se submeterem a ibne Tugeje fugiram para Alexandria e então para Barca sob a liderança de Habaxi ibne Amade, e convidaram o governante fatímida Alcaim Biamir Alá (r. 934–946) para invadir o Egito com assistência deles.[24] A invasão fatímida conseguiu um sucesso inicial: o exército fatímida sob os berberes Cutama capturou a ilha de al-Rauda no Nilo e queimou seu arsenal. Os almirantes de ibne Tugeje, Ali ibne Badir e Bajkam, desertaram para os fatímidas, e Alexandria foi capturada em março de 936. No entanto, em 31 de março, o irmão e ibne Tugeje, Haçane, derrotou as forças fatímidas próximo de Alexandria, expulsando-os da cidade e forçando os fatímidas a novamente retiraram-se do Egito para sua base em Barca.[25] [26] [27] Durante a campanha, ibne Tugeje notadamente proibiu suas tropas de saque, que, segundo J. L. Bacharach, foi indicativo de sua "visão a longo prazo em relação à sua estadia no Egito".[28]

Governo do Egito[editar | editar código-fonte]

Dinar de ouro de al-Radi (r. 934–940)

Escrevendo para o califa al-Radi (r. 934–940) em 936, Maomé ibne Tugeje poderia apresentar um registro louvável: a invasão fatímida foi derrotado e as primeiras medidas para melhorar a situação financeira na província foram tomadas. O califa confirmou-o em seu posto e enviou roupões de honra.[29] Como Hugh N. Kennedy escreve, "de alguma forma a ameaça fatímida na verdade ajudou ibne Tugeje", uma vez que, desde que ele apoiou os abássidas, "os califas estavam preparados a dar sua aprovação para seu governo em troca". Sua posição na corte abássida foi suficiente para ele solicitar em 938 seu título honorífico (laqab) de al-ikchída, originalmente mantido pelos reis de sua ancestral Fergana. O califa al-Radi deferiu o pedido, embora a aprovação formal foi atrasada até julho de 939. Após receber a confirmação oficial, ibne Tugeje requeriu que ele seria doravante endereçado por seu novo título.[27] [30] [31]

Muito pouco se sabe sobre as políticas domésticas de al-ikchída.[3] No entanto, o silêncio das fontes sobre os problemas domésticos durante seu reinado — para além duma revolta xiita menor em 942, que foi rapidamente reprimida — está em contraste gritante com a narrativa habitual de ataques de beduínos, revoltas urbanas sobre os altos preços, ou revoltas militares e dinásticas e intrigas, e indica que ele foi bem-sucedido em restaurar a tranquilidade interna e governo ordeiro do Egito.[28] Segundo o dicionário biográfico de ibne Chalicane, ele foi "um príncipe resoluto, exibindo grande providência na guerra, e uma íntima relação com a prosperidade de seu império; ele tratou a classe militar com honra, e governou com habilidade e justiça".[2] Seus rivais em potencial, Maomé ibne Taquim e al-Madara'i, foram rapidamente vencidos e incorporados na nova administração.[28] [30] O último tentou resistir ao controle de al-ikchída em vão, com suas tropas desertando imediatamente, e foi inicialmente preso por al-ikchída, apenas para ser libertado em 939. Ele logo recuperou seu estatuto e influência, e brevemente serviu como regente do filho e herdeiro de al-ikchída, Unujur, em 946, antes de ser derrubado e preso por um ano. Depois disso, e até sua morte em 957, ele retirou-se para a vida privada.[19] [27] Como os tulúnidas antes dele, al-ikchída também tomou particular cuidado para construir uma considerável força militar própria, incluindo soldados escravos africanos negros e turcos.[28] [30]

Política externa e luta na Síria[editar | editar código-fonte]

Como comandante e governador no Egito, al-ikchída foi um homem paciente e cauteloso. Ele alcançou seus objetivos tanto pela diplomacia e laços com personagens poderosos no regime de Bagdá como pela força, e mesmo então tentou evitar o conflito direto sempre que possível. Seu conflito com Amade ibne Kayghalagh foi indicativo de sua abordagem: em vez dum confronto direto, a trégua entre os dois deu a al-ikchída o tempo para reconhecer a situação no Egito antes de agir.[32] Embora seguindo os passos de ibne Tulune, suas ambições foram mais modestas e seus objetivos mais práticos, como tornou-se praticamente evidente em suas políticas para a Síria e o resto do califado.[30] Historicamente, a posse da Síria, e particularmente da Palestina, foi um objetivo da política externa para muitos governantes do Egito, para bloquear a rota de invasão mais provável para o país. Ibne Tulune antes e Saladino depois foram dois exemplos típicos de governantes egípcios que gastaram muito de seus reinados para assegurar o controle da Síria, e de fato utilizaram o Egito principalmente como fonte de renda e recursos para realizar este objetivo.[33] Al-ikchída diferiu deles; Bacharach descreve-o como um "realista cauteloso e conservador".[34] Seus objetivos foram limitados, mas claros: sua principal preocupação era o Egito propriamente e o estabelecimento de sua família como uma dinastia hereditária sobre ele, enquanto a Síria permaneceu um objetivo secundário.[35] Ao contrário de outros fortes militares da época, ele teve nenhuma intenção de entrar no conflito para controlar Bagdá e o governo califal através do ofício todo poderoso de emir de emires; de fato, quando o califa al-Mustakfi (r. 944–946) ofereceu-lhe o posto, ele declinou.[36]

Conflito com ibne Raique[editar | editar código-fonte]

Síria abássida (Bilad al-Sham) no século IX
Soldo de Romano I Lecapeno (r. 920–944) e Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959)

Após a expulsão dos fatímidas do Egito, al-ikchída fez suas tropas ocuparem toda a Síria até Alepo, aliando-se, como ibne Tulune havia feito, com a tribo local de Banu Cilabe para fortalecer seu controle sobre o norte da Síria.[37] Como governador da Síria, seu mandato estendeu-se para as fronteiras (tugur) com o Império Bizantino na Cilícia. Assim, em 936/7 ou 937/8 (mais provavelmente no outono de 937), ele recebeu uma embaixada do imperador bizantino Romano I Lecapeno (r. 920–944) para organizar uma troca de prisioneiros. Embora realizada em nome do califa al-Radi, foi uma honra especial e um reconhecimento explícito da autonomia de al-ikchída, uma vez que a correspondência e negociações para esses eventos foram normalmente dirigidas ao califa ao invés dos governadores provinciais. A troca ocorreu no outono de 938, resultando na libertação de 6 300 muçulmanos para um número equivalente de prisioneiros bizantinos. Como os bizantinos mantinham 800 prisioneiros a mais que os muçulmanos, estes tiveram que ser resgatados e foram gradualmente libertados nos seis meses seguintes.[38] [39]

Enquanto o emir de emires ibne Raique estava em poder em Bagdá (936–938) com o antigo amigo de al-ikchída, Fadal ibne Jafar ibne Alfurate, como vizir, as relações com Bagdá foram boas. Após a substituição de ibne Raique pelo turco Bajkam, contudo, ibne Raique recebeu uma nomeação do califa para o governo da Síria e em 939 marchou para oeste para reclamá-lo das forças de al-ikchída.[37] [40] A nomeação de ibne Raique enfureceu al-ikchída, que enviou um emissário para Bagdá para resolver a situação. Lá, Bajkam informou-o que o califa poderia nomear quem ele escolhesse, mas que em última análise não importaria: foi a força militar que determinou quem era governador da Síria e mesmo do Egito, não apenas a nomeação dum califa marionete. Se ibne Raique ou al-ikchída emergisse vitorioso do conflito, a confirmação califal chegaria logo.[41] Al-ikchída ficou mais enfurecido com a resposta, e relatadamente por algum tempo até ameaçou dar uma de suas filhas para o califa fatímida Alcaim e teria cunhado moedas e lido a oração da sexta-feira em seu nome ao invés do califa abássida, até os abássidas formalmente reconfirmarem sua posição. Os fatímidas estavam por sua vez preocupados com a revolta de Abu Iázide neste momento.[37] [42] [43]

De Raca, as tropas de ibne Raique rapidamente tomaram controle dos distritos ao norte da Síria, onde o irmão de al-ikchída, Ubaide Alá, foi governador, enquanto as forças egípcias retiraram-se para o sul. Cerca de outubro ou novembro, os homens de ibne Raique alcançaram Ramla e moveram-se para o Sinai. Al-ikchída liderou seu exército contra ibne Raique, mas após um curto combate em al-Farama, os dois chegaram a um acordo, dividindo a Síria entre eles: as áreas de Ramla ao sul estariam sob al-ikchída, e as áreas ao norte sob ibne Raique.[41] Em maio ou junho de 940, contudo, al-ikchída soube que ibne Raique novamente moveu-se contra Ramla. Mais uma vez, o governante egípcio liderou seu exército em batalha. Embora derrotado em Alarixe, al-ikchída foi capaz de reagrupar suas tropas e emboscar ibne Raique, evitando que ele entrasse no Egito e forçou-o a retirar-se para Damasco. Al-ikchída enviou seu irmão, Abu Nácer Huceine, com outro exército contra ibne Raique, mas ele foi derrotado e morto em Lajjun. Apesar da vitória, ibne Raique optou pela paz: deu a Abu Nácer um enterro honorável e enviou seu filho, Muzaim, como emissário para o Egito. Fiel à sua estratégia política, al-ikchída aceitou O acordo viu a restauração do status quo territorial do ano anterior, mas com al-ikchída pagando um tributo anual de 140 000 dinares de ouro. O acordo foi cimentado pelo casamento de Muzaim com Fátima, filha de al-ikchída.[34]

Conflito com os hamdanidas[editar | editar código-fonte]

Dirrã de prata de 329 A.H. (940/941), com os nomes do califa al-Muttaqi (r. 940–944) e Bajkam

A paz não durou muito, pois o tumulto político em Bagdá continuou. Em setembro de 941, ibne Raique assumiu novamente o posto de emir de emires por convite do califa al-Muttaqi (r. 940–944), mas ele não era tão poderoso quanto antes. Incapaz de parar o avanço de outro poderoso, Abu Huceine al-Baridi de Baçorá, ibne Raique e o califa foram forçados a abandonar Bagdá e procurar ajuda do governante hamdanida de Moçul. O último logo assassinou ibne Raique (abril de 942) e sucedeu-o como emir de emires com o laqab de Nácer Aldaulá. Al-ikchída utilizou a oportunidade para recuperar a Síria, unindo suas forças em pessoas em junho de 942, e aventurando-se tão longe quanto Damasco, antes de retornar para o Egito em janeiro de 943. Os hamdanidas também reivindicação a posse da Síria no mesmo período, mas as fontes não registram detalhes de suas expedições ali.[44] A posição de Nácer Aldaulá como emir de emires também provou ser fraca, e em junho de 943 ele foi deposto pelo general turco Tuzum. Em outubro, o califa al-Muttaqi, temendo que Tuzum pretendia substituí-lo, fugiu da capital e procurou refúgio com os hamdanidas.[45] Embora Nácer Aldaulá e seu irmão Saife Aldaulá protegeram o califa, eles também não confrontaram as tropas de Tuzum, e em maio de 944 eles alcançaram um acordo que cedeu a Mesopotâmia Superior e norte da Síria para os hamdanidas em troca do reconhecimento da posição de Tuzum no Iraque. Nácer Aldaulá enviou seu primo Huceine ibne Saide para assumir as províncias sírias concedidas a ele no acordo. As forças ikchídidas desertaram ou retiraram-se, e Huceine rapidamente tomou os distritos de Quinaxirim e Homs.[37] [46]

No meio tempo, al-Muttaqi e Saife Aldaulá fugiram para Raca diante do avanço de Tuzum, mas o primeiro, ao suspeitar dos hamdanidas, escreveu para al-ikchída (talvez tão cedo quanto o inverno de 943), solicitando ajuda.[46] O último imediatamente respondeu enviando um exército para a Síria. As guarnições hamdanidas retiraram-se diante dele, e em setembro de 944, al-ikchída alcançou Raca. Desconfiando dos hamdanidas dado seu tratamento de ibne Raique, esperou até Saife Aldaulá sair da cidade antes de entrá-la para encontrar-se com o califa. Al-ikchída tentou sem sucesso persuadir al-Muttaqi a ir para o Egito, ou ao menos ficar em Raca, enquanto o califa tentou persuadir al-ikchída a marchar contra Tuzum, o que o último recusou.[47] [48] O encontro não foi inteiramente infrutífero, pois al-ikchída assegurou um acordo que virtualmente repetiu os termos dum acordo similar entre o tulúnida Khumarawayh e o califa Almutâmide em 886. O califa reconheceu a autoridade de al-ikchída no Egito, Síria (com o tugur), e o Hejaz (levando consigo a tutela de prestígio das cidades sagradas de Meca e Medina), por um período de 30 anos, com o direito de sucessão hereditária para os filhos de al-ikchída.[48] [37] [49] Isso desenvolvimento já havia sido antecipado por al-ikchída no ano anterior, quando nomeou seu filho Unujur como seu regente durante suas ausências do Egito, embora Unujur ainda não era adulto, e requiriu um juramente de aliança (baia) ser jurado a ele.[44] No entanto, como Michael Brett comenta, os territórios conferidos foram "bençãos mistas", pois as cidades sagradas estavam expostas aos raides carmatas, enquanto as marcas do tugur estavam consideravelmente ameaçadas pelo Império Bizantino, e Alepo (com o norte da Síria) foi cooptada pelos hamdanidas.[24]

Como aconteceu al-Muttaqi foi persuadido pelos emissários de Tuzum, que protestou sua lealdade, a retornar para o Iraque, apenas para ser capturado, cegado e deposto em 12 de outubro e substituído por al-Mustakfi.[47] [48] Al-Mustakfi reconfirmou o governo de al-ikchída, mas por esta época foi um gesto vazio. Segundo J. L. Bacharach, embora o historiador do século XIII ibne Saide al-Magribi relata que al-ikchída imediatamente tomou o baia e leu a oração da sexta feira em nome do novo califa, com base na evidência numismática disponível, ele parece ter atrasado o reconhecimento de al-Mustakfi e seu sucessor instalado pelos buídas, al-Muti (r. 946–974), por vários meses ao refrear a inclusão deles em sua cunhagem, num ato que foi uma afirmação deliberada e clara de sua independência de facto de Bagdá.[50] Esta independência foi também reconhecida por outros; o contemporâneo Sobre as Cerimônias registra que na correspondência da corte bizantina, ao "emir do Egito" foi concedido uma bula dourada que valia quatro soldos, o mesmo que o califa em Bagdá.[51]

Fragmentação do Califado Abássida nos séculos IX e X
Territórios hamdanidas em 955

Após seu encontro com al-Muttaqi, al-ikchída retornou para o Egito, deixando o campo aberto para o ambicioso Saife Aldaulá. As forças ikchíddas deixadas na Síria eram relativamente fracas, e o líder hamdanida, tendo adquirido apoio dos Banu Cilabe, teve pouca dificuldade em capturar Alepo em 29 de outubro de 944. Ele então começou a estender seu controle sobre as províncias do norte da Síria em direção a Hims.[37] [52] [53] Al-ikchída enviou um exército sob os eunucos Abu al-Misque Cafur e Fatique contra o hamdanida, mas foi derrotado próximo de Hama e retirou-se para o Egito, abandonando Damasco e Palestina para os hamdanidas. Al-ikchída foi então forçado a novamente fazer campanha em pessoa em abril de 945, mas ao mesmo tempo enviou emissários propondo a Saife Aldaulá um acordo na mesma linha daquele com ibne Raique: o príncipe hamdanida reteria o norte da Síria, enquanto al-ikchída pagaria-lhe um tributo anual pela posse da Palestina e Damasco. Saife Aldaulá recusou e relatadamente alardeou que conquistaria o Egito, mas al-ikchída reteve a dianteira: seus agentes conseguiram comprar vários líderes hamdanidas, e ele conseguiu persuadir os damasquinos, que fecharam seus portões diante do hamdanida e abriram-os para al-ikchída. os dois exércitos encontraram-se perto de Quinaxirim em maio, onde os hamdanidas foram derrotados. Saife Aldaulá fugiu para Raca, deixando sua capital Alepo para ser capturada por al-ikchída.[54]

No entanto, em outubro os dois lados chegaram a um acordo, largamente semelhante à proposta ikchídida anterior: al-ikchída reconheceu o controle hamdanida sobre o norte da Síria, e mesmo consentiu o envio dum tributo anual em troca da renúncia de Saife Aldaulá de todas as suas reivindicações sobre Damasco. O governante hamdanida também casou-se com uma das filhas ou sobrinhas de al-ikchída.[54] Para al-ikchída a manutenção de Alepo foi menos importante que o sul da Síria e Damasco, que eram o baluarte oriental do Egito. Desde que estes permaneceram sob seu controle, estava mais que disposta a consentir a existência dum Estado hamdanida no norte. O governante egípcio sabia que ele teria dificuldade em estabelecer e manter controle sobre o norte da Síria e Cilícia, que tradicionalmente haviam sido mais influenciadas pela Mesopotâmia Superior e Iraque. Ao abandonar suas reivindicações por estas províncias distantes, não apenas teria poupado o Egito do custo da manutenção dum grande exército lá, mas o Emirado Hamdanida também desempenharia um importante papel como estado tampão contra incursões do Iraque e um Império Bizantino ressurgente.[55] De fato, por todo o governo de al-ikchídida e seus sucessores, as relações com os bizantinos foram bastante amigáveis, com a falta duma fronteira comum e a hostilidade comum aos fatímidas garantiu que os interesses dos dois estados não colidissem.[56] Apesar da tentativa de Saife Aldaulá de expandir-se para o sul da Síria após a morte de al-ikchída, a fronteira acordada em 945 manteve-se, e mesmo sobreviveu às dinastias, formando a linha divisória entre o norte da Síria influenciado pela Mesopotâmia e a porção sul controlada pelo Egito até os mamelucos tomaram a região inteira em 1260.[53] [57]

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

Soldo de Romano II (r. 959–963) e Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959)

Em meados da primavera de 946, al-ikchída enviou emissários para os bizantinos para combinar outra troca de prisioneiros (que posteriormente ocorreria sob auspícios de Saife Aldaulá em outubro). O imperador Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959) enviou uma embaixada sob João Místico em resposta, que chegou em Damasco em 11 de julho.[38] Em 24 de julho de 946, al-ikchída morreu em Damasco.[58] A sucessão de seu filho Unujur foi pacífica e indisputada, devido a influência do poderoso e talentoso comandante-em-chefe, Cafur. Um dos muitos escravos negros africanos recrutados por al-ikchída, ele permaneceu o ministro primordial e governante virtual do Egito pelos próximos 22 anos, assumindo poder em seu próprio direito em 966 até sua morte dois anos depois. Encorajado por sua morte, em 969 os fatímidas invadiram e conquistaram o Egito, começando uma nova era na história do país.[59] [60]

Historiadores medievais notaram os muitos paralelos entre al-ikchída e seus predecessores tulúnidas, especialmente Khumarawayh. Ibne Saide inclusive relatou que segundo astrólogos egípcios, os dois entraram no Egito no mesmo dia do ano e com a mesma estrela no mesmo ascendente.[61] Houve importantes diferenças, contudo: al-ikchída careceu da "extravagância" (Hugh Kennedy) dos tulúnidas.[30] A precaução e limitação auto-imposta de al-ikchída nos objetivos de sua política externa também permaneceu em claro contraste com seus contemporâneos e outros governantes do Egito que precederam ou seguiram-lhe, o que lhe rendeu uma reputação de extrema cautela, frequentemente mal interpretada como timidez pelos contemporâneos.[62] Ele também foi descrito como menos culto que seu predecessor ibne Tulune, que construiu uma nova capital inteira em al-Cata'i e uma famosa mesquita, al-ikchída não foi patrono de artistas e poetas nem um grande construtor.[61] Segundo o historiador Thierry Bianquis, ele foi descrito pelos cronistas medievais como "um homem colérico e glutão, também perspicaz e inclinado à avareza", mas com uma predileção por riquezas importadas do Oriente, e especialmente perfumes. Seu amor por riquezas do Oriente logo espalhou-se entre as altas classes de Fustat bem como influenciou o estilo e moeda dos produtos egípcios locais, que começaram a imitá-las.[37]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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