Orlando da Costa

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Orlando da Costa
Nascimento 2 de julho de 1929
Lourenço Marques, Portugal
Morte 27 de janeiro de 2006 (76 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Escritor e copywriter
Prémios Prémio Ricardo Malheiros (1961)

Orlando António Fernandes da Costa ComL (Lourenço Marques, 2 de Julho de 1929Lisboa, 27 de Janeiro de 2006) foi um escritor comunista e copywriter português. Foi pai do primeiro-ministro António Costa e do jornalista Ricardo Costa.

Família[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Moçambique, filho de Luís Afonso Maria da Costa, goês católico, descendente directo por varonia de Marada Poi, Brâmane Gaud Saraswat do século XVI, e de sua mulher Amélia Maria Fréchaut Fernandes, nascida em Moçambique de mãe francesa, e irmão mais novo de João José Fernandes da Costa, casado com Sinnika Jussilainen, Finlandesa, com uma filha Anna Karina Jussilainen da Costa e um filho Luís Rohin Jussilainen da Costa. Passou a infância e juventude em Goa, até se mudar para Lisboa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi militante do MUD Juvenil e chegou a ser preso pela PIDE. Aderiu formalmente ao Partido Comunista Português em 1954[1].

Terminado o curso, não conseguiu estabelecer-se como professor, porque a PIDE emitiu parecer negativo. Encontraria na publicidade o seu percurso profissional – atividade a que chamava «poesia por encomenda» – tornando-se um dos primeiros copywriters do país. Integrou durante vários anos a agência Marca, dos irmãos Anahory, onde ascendeu a diretor-geral. Trabalhou, entre outras marcas, com a Ford, a Volkswagen, a Miele, a Nestlé, as Páginas Amarelas e a Mabor. Escrevia os guiões para os anúncios filmados, por exemplo, por José Fonseca e Costa[2]. Foi dele o slogan da TAP «Através do mundo em boa companhia»[3].

Escritor, no ano em que nasceu o seu primeiro filho, António Costa, Orlando publicou o seu primeiro romance, O Signo da Ira. Todos os exemplares foram apreendidos pela PIDE, tal como tinha acontecido com os três livros de poesia anteriores: A Estrada e a Voz, Os Olhos sem fronteira e Sete Odes do Canto Comum. O mesmo viria a acontecer a Podem Charmar-me Eurídice. Posteriormente, dedicou-se sobretudo à escrita de poesia e de teatro. A sua peça A Como Estão os Cravos Hoje (1984) foi levado à cena pela Companhia Seiva Trupe, do Porto.

Orlando da Costa consta como o sétimo autor português com mais livros proibidos pela censura do Estado Novo (cinco no total).[4]

Pelo conjunto da sua obra, a Academia de Ciências de Lisboa atribuiu-lhe o Prémio Ricardo Malheiros. O livro de poemas Os Netos de Norton (1994) valeu-lhe o Prémio Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa.

Poucos dias antes de falecer, a 5 de Janeiro de 2006, recebeu das mãos de Jorge Sampaio o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.[5]

À data da sua morte, desenvolvia no PCP atividade na área da cultura literária.

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou primeira vez com a jornalista Dr.ª Maria Antónia Assis dos Santos (Palla e Carmo) ComL (25 de Abril de 2004)[6] (Seixal, 10 de Janeiro de 1933), conhecida como Maria Antónia Palla, duma família Republicana e laica do Seixal, Membro Vitalício do Conselho Geral da Fundação Mário Soares desde 10 de Março de 1996,[7] filha de Ítalo Ferrer dos Santos e de sua mulher Angelina Painço de Assis e irmã de Jorge Ítalo Assis dos Santos. O casal teve uma filha, Isabel dos Santos da Costa (1957-1960), que morreu num acidente de viação, e um filho, o político António Costa. Nunca recuperaram da morte da filha e divorciaram-se em 1962.[8] Ela casou segunda vez com o arquiteto Victor Palla e terceira vez em 1974 com Manuel Pedroso Marques. Ele casou segunda vez com Inácia Martins Ramalho de Paiva, da qual teve um filho, o jornalista Ricardo Costa. É (era) primo-irmão da mãe de Sérgio Vieira e de José Castelo Branco.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • 1951 - A Estrada e a Voz
  • 1953 - Os Olhos sem Fronteira
  • 1955 - Sete Odes do Canto Comum
  • 1961 - O Signo da Ira
  • 1964 - Podem Chamar-me Eurídice
  • 1971 - Sem Flores nem Coroas
  • 1979 - Canto Civil
  • 1984 - A como estão os cravos hoje?
  • 1994 - Os Netos de Norton
  • 2000 - O Último Olhar de Manú Miranda

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Sábado
  2. Sábado
  3. Sábado
  4. Revista Sábado n.º 612, O Pai Boémio de Babush e Babuló, 21 de Janeiro de 2016.
  5. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Orlando da Costa". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 7 de março de 2015 
  6. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Maria Antónia Assis dos Santos Palla Carmo". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 7 de março de 2015 
  7. http://www.fmsoares.pt/fundacao/lei24/orgaos_final.pdf
  8. Helena Cristina Coelho (2 de Outubro de 2015). «De onde vêm os homens que querem mandar no País». Económico. Consultado em 7 de Dezembro de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]