Pimenta dioica

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pimenta-da-jamaica
Folhas e frutos da pimenta-da-jamaica.
Folhas e frutos da pimenta-da-jamaica.
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Subclasse: Rosidae
Ordem: Myrtales
Família: Myrtaceae
Subfamília: Myrtoideae
Tribo: Myrteae
Género: Pimenta
Espécie: P. dioica
Nome binomial
Pimenta dioica
(L.) Merr.
Sinónimos

Pimenta dioica[1], comummente conhecida como pimenta-da-jamaica[2] ou pimenta-de-coroa[3], é uma espécie de árvore,da família das mirtáceas, que chega a medir 10 metros. Os seus frutos secos são utilizados como condimento, combinando facilmente com outras especiarias e conferido um odor semelhante a um misto de canela, pimenta negra e noz moscada.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Tal espécie de árvore possui casca lisa e acinzentada, folhas coriáceas, flores em cimeiras axilares e frutos bacáceos. Nativa da América Central e Caribe, sua madeira é própria para o fabrico de bengalas, e a casca, os frutos e as sementes são estimulantes, carminativos, aromáticos e sucedâneos da pimenta-do-reino. Também é conhecida, no Brasil, pelos nomes de murta-pimenta[4] e pimenta.

As folhas desta árvore têm aplicações medicinais (ex.: em males ginecológicos ou como analgésico) e no fabrico de cosméticos e perfumes. A madeira utiliza-se para construção de móveis e de edifícios rurais. As flores são úteis para a produção de mel e as árvores para o ensombramento de cafezais, como cercas vivas ou como ornamentais. É nativa dos neotrópicos aos quais se restringe a sua distribuição actual (México, Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Cuba e Jamaica).

Culinária[editar | editar código-fonte]

O seu sabor é bastante apreciado e lembra a combinação de canela, noz-moscada e cravo-da-índia. O interior dos frutos contém duas sementes que depois de beneficiadas dão um sabor especial às conservas, e servem para condimentação de carnes e mariscos. A pimenta-da-jamaica branca é ideal para carnes brancas, maioneses e molhos brancos, por ser mais suave. A preta é indicada para carnes vermelhas. A pimenta moída serve para aromatizar bolos, biscoitos, pudins, carnes, sopas e molhos. A Jamaica é o maior produtor com cerca de 70% da produção mundial.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

No que toca ao nome científico:

  • O nome genérico, Pimenta, provém do castelhano "pimienta", por alusão às semelhanças que as plantas deste género têm com as do género Piper, onde se inclui a pimenta-preta.[1]

Propriedades nutricionais[editar | editar código-fonte]

A Pimenta Dioica é utilizada principalmente na América Latina como fitoterápica. Na Jamaica, chás com ela são comuns para remediação de resfriados, cólicas e dores estomacais. Já na Costa Rica, utiliza-se como medida para dores na região abdominal e diabetes. Na Guatemala, utilizam tal planta em contusões, dores articulares e dores musculares. Em Cuba, costumam usar a Pimenta Dioica associada a outras ervas, comumente na  bebida típica denominada “Pru”, para alívio da indigestão, pois possui  capacidade de  favorecer a ação das enzimas responsáveis pela digestão. [7][8]

A pimenta dioica apresenta propriedades fitoterápicas através dos compostos: eugenol [9][10], quercetina[11][7], ácido gálico[8] e ericifolina[8] obtidos de seu óleo essencial[7]. Em testes com animais, a pimenta apresentou propriedades antiproliferativas e antitumorais seletivas em células cancerígenas [7]

Especificamente, o eugenol [9][11] possui forte poder antioxidante, antibacteriano [9][7] e antifúngico contra a Candida albicans, tendo capacidade de combate a candidíase, também tem efeito anti-inflamatório, agindo sobre macrófagos. É eficaz no controle do crescimento da Yersinia enterocolitica (4), E.coli, Salmonella typhimurium, Staphylococcus aureus, Listeria monocytogenes e Pseudomonas e S. aureus, microrganismos patogênicos comuns em alimentos, tendo assim capacidade de promover segurança microbiológica [9][10]

Demonstra capacidade de inibir a enzima histona acetiltransferase (HAT) que tem influência sobre a progressão de certos tipos de câncer, com isso, também é estudada como um antineoplásico.[7]

Já, a quercetina é encontrada em porções limitadas da pimenta, é um polifenol com atividade anti-inflamatória, anticancerígena e efeito antiviral inibindo a expressão de genes inflamatórios, com capacidade de reparo do DNA em doses mais baixas. Contudo, vale cautela, uma vez que em doses mais elevadas demonstram efeitos pró-oxidantes e citotóxicos.[11][8]

O ácido gálico, pertencente à família dos ácidos fenólicos, expressou potencial antiviral, anti-inflamatório, que, em modelos animais, mostrou-se como benéfica contra a doença de Parkinson, com indicativos de possuir capacidade anticancerígena, induzindo a morte de células que se multiplicaram de maneira defeituosa.[8]

Por último, a ericifolina ainda carece de estudos, porém, já provou possuir capacidade antimicrobiana e anti-inflamatória principalmente ligada a seu óleo essencial.[8]

Outras propriedades da pimenta dioica são efeitos antipiréticos, analgésicos, repelente de insetos, anti-radicais livres, anti-hipertensivos e depressores do sistema nervoso central[7], derivados de outros componentes, como cariofileno, ox-felandreno, cineol, ácido palmítico, ácidos graxos, resina, açúcares, amido, ácido málico, oxalato de cálcio e taninos [7][8]

Referências

  1. a b c «Pimenta dioica - Plant Finder». www.missouribotanicalgarden.org. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  2. Infopédia. «pimenta-da-jamaica | Definição ou significado de pimenta-da-jamaica no Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa». Infopédia - Dicionários Porto Editora. Consultado em 17 de março de 2021 
  3. S.A, Priberam Informática. «pimenta-de-coroa». Dicionário Priberam. Consultado em 17 de março de 2021 
  4. «Murta-pimenta». Michaelis On-Line. Consultado em 17 de março de 2021 
  5. «Dioecious plant - Digital Flowers». www.life.illinois.edu. Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  6. «Definition of DIOECIOUS». www.merriam-webster.com (em inglês). Consultado em 17 de fevereiro de 2022 
  7. a b c d e f g h Paula, J.A.M; Reis, J.B.; Ferreira, L.H.M.; Menezes, A.C.S.; Paula, J.R. (setembro de 2010). «Gênero Pimenta: aspectos botânicos, composição química e potencial farmacológico». Revista Brasileira de Plantas Medicinais (3): 363–379. ISSN 1516-0572. doi:10.1590/S1516-05722010000300015. Consultado em 19 de julho de 2022 
  8. a b c d e f g Zhang, Lei; Lokeshwar, Bal L. «Medicinal Properties of the Jamaican Pepper Plant Pimenta dioica and Allspice». Current Drug Targets (em inglês) (14): 1900–1906. PMC PMC3891794Acessível livremente Verifique |pmc= (ajuda). PMID 23140298. doi:10.2174/138945012804545641. Consultado em 19 de julho de 2022 
  9. a b c d Oliveira Everton, Gustavo; Pereira Araújo, Rebecca Jemima; da Silva dos Santos, Ana Beatriz; Serra Rosa, Paulo Victor; de Oliveira Carvalho Junior, Rafael Gustavo; Teles, Amanda Mara; Barros Gomes, Paulo Roberto; Mouchrek Filho, Victor Elias (dezembro de 2020). «Caracterização química, atividade antimicrobiana e toxicidade dos óleos essenciais da Pimenta dioica L. (pimenta da Jamaica) e Citrus sinensis L. Osbeck (laranja doce)». Revista Colombiana de Ciencias Químico - Farmacéuticas (3): 641–655. ISSN 0034-7418. doi:10.15446/rcciquifa.v49n3.91253. Consultado em 19 de julho de 2022 
  10. a b Padmakumari, K.P.; Sasidharan, Indu; Sreekumar, M.M. (janeiro de 2011). «Composition and antioxidant activity of essential oil of pimento ( Pimenta dioica (L) Merr.) from Jamaica». Natural Product Research (em inglês) (2): 152–160. ISSN 1478-6419. doi:10.1080/14786419.2010.526606. Consultado em 19 de julho de 2022 
  11. a b c Kikuzaki, Hiroe; Miyajima, Yoshiko; Nakatani, Nobuji (1 de maio de 2008). «Phenolic Glycosides from Berries of Pimenta dioica». Journal of Natural Products (em inglês) (5): 861–865. ISSN 0163-3864. doi:10.1021/np0705615. Consultado em 19 de julho de 2022 

7. PAULA, J.A.M et al. Gênero Pimenta: aspectos botânicos, composição química e potencial farmacológico. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v. 12, n. 3, pp. 363-379, 2010, DOI: 10.1590/S1516-05722010000300015.

8. ZHANG, L., e BAl L. L.. Medicinal properties of the Jamaican pepper plant Pimenta dioica and Allspice. Current Drug Targets, South Bend, v. 13,14, 1900-6, 2012, DOI: 10.2174/138945012804545641.

9. OLIVEIRA E. G. et al . Caracterização química, atividade antimicrobiana e toxicidade dos óleos essenciais da Pimenta dioica L. (pimenta da Jamaica) e Citrus sinensis L. Osbeck (laranja doce). Rev. Colomb. Cienc. Quim. Farm.,  Bogotá ,  v. 49, n. 3, p. 641-655, 2020, DOI: 10.15446/rcciquifa.v49n3.91253.

10. PADMAKUMARI K. P. et al. Composition and antioxidant activity of essential oil of pimento (Pimenta dioica (L) Merr.) from Jamaica. Natural Product Research: Formerly Natural Product Letters, Londres, v. 25,2, 152-160, 2011 DOI: 10.1080/14786419.2010.526606.

11. KIKUZAKI, H. et al. Phenolic glycosides from berries of Pimenta dioica. Journal of Natural Products, Washington, v. 71,5, 861-5, 2008, DOI: 10.1021/np0705615.