A República

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República (em grego: Πολιτεία, transl. Politeía) é um diálogo socrático escrito por Platão, filósofo grego, no século IV a.C.. Todo o diálogo é narrado, em primeira pessoa, por Sócrates. O diálogo parte de uma busca acerca de uma definição pelo que consiste a Justiça (de modo característicos dos seus primeiros diálogos[1]), o que leva Platão a especular tanto acerca do seu antônimo (a injustiça) como entre os mais diversos temas, não só éticos, mas também políticos, epistemológicos, metafísicos, psicológicos, entre outros. Em suma, se destaca no texto as divagações do filósofo quanto a filosofia política (ainda que não seja sua única e mais madura obra dedicada ao tema, como exemplo podemos citar seu diálogo da velhice "Leis"), do diálogo Platão discorre acerca características dos diferentes regimes políticos e a proposta do próprio Platão de uma cidade ideal, cuja é designada como "Kallipólis", que significa "cidade bela". Platão, para avaliar os regimes, desenvolve um paralelo entre o ser humano e a cidade, no primeiro o filósofo elenca três faculdades distintas para alma humana, a saber, apetitiva, irascível e racional, já a segunda o filósofo divide em três classes essenciais, a dos comerciantes, dos guerreiros e dos governantes (os quais Platão elegerá os filósofos), sendo assim Platão argumenta quanto a uma correspondência entre ambas as instâncias (a cidade – pólis, para os gregos – é tomada como uma ampliação do ser humano), e que deve haver uma harmonia entre as diferentes faculdades da alma, como também entre as diferentes classes da cidade. Como consequência dessa harmonia, Platão supõe que existirá tanto saúde no homem, como saúde na cidade.

O diálogo tem uma extensão considerável, articulada pelos tópicos do debate e por elementos dramáticos. Exteriormente, está dividido em dez livros, subdividida em capítulos e com a numeração de páginas do humanista Stéphanus da tradição manuscrita e impressa.

Organização da obra[editar | editar código-fonte]

Prólogo
I.1 327a-328b Descida ao Pireu.
I.2-I.5 328b-331d Céfalo. Justiça segundo os mais velhos.
I.6-I.9 331e-336a Polemarco. Justiça segundo a meia idade.
I.10-I.24 336b-354c Trasímaco. Justiça segundo os Sofistas.
Introdução
II.1 - II.10 357a-369b Questão: a justiça é preferível à corrupção?
Parte I O Paradigma da Cidade-Estado
1.II.11-II.16 369b-376e. Origem da cidade
2.II.7-III.18 376e-412b. Educação dos responsáveis
3.III.19-IV.5 412b-427c. Constituição da Cidade-Estado
4.IV.6-IV.19 427c-445e. Justiça na cidade
Parte II A encarnação do Paradigma
5.V.1-V.16 449a-471c Unidade somática da cidade e dos Gregos
6.V.17-VI.14 471c-502c Governo dos filósofos
7.VI.15-VII.5 502c-521c A ideia do Bem
8.VII.6-VII.18 521c-541b Educação dos filósofos
Parte III O Declínio da Cidade -Estado
9. VIII.1 -VIII.5 543a-550c Timocracia
10. VIII.6 -VIII.9 550c-555b Oligarquia
11. VIII.10-VIII.13 555b-562a Demagogia
12. VIII.14-IX.3 562a-576b Tirania
Conclusão
IX.4-IX.13 576b-592b. Resposta. Justiça melhor que corrupção
Epílogo
X.1-X.8 595a-608b. Rejeição da arte mimética
X.9-X.11 608b-612a Imortalidade da alma
X.12 612a-613e Recompensa dos Justos em vida
X.13-X.16 613e-631d Julgamento dos mortos

A ordem da cidade é uma incorporação na realidade histórica da ideia do bem, o agathon. A incorporação deve ser levada a cabo pela pessoa que contemplou o agathon e deixou que a sua consciência fosse ordenada pela visão, o filósofo. Na parte central do diálogo, Platão trata do governo dos filósofos e da visão do Bem, na famosa Alegoria da Caverna.

A parte central é antecedida e seguida pelo debate dos meios que asseguram a substância fisiológica e anímica adequada a uma cidade bem ordenada. A Parte II trata do casamento, da comunidade de bens mulheres e filhos entre os guardiões e das restrições da guerra entre os Gregos. A Parte II,4 trata da educação filosófica dos governantes que irão preservar a ordem na existência.

A Parte II, a incorporação da Paradigma é precedida pela construção genética da ordem justa para a cidade na Parte I; e é seguida pela análise na Parte III das fases do declínio sofrido pela ordem justa após a sua instauração. As três partes em conjunto formam o corpo principal do diálogo com a discussão da ordem justa, a incorporação, a sua génese e o seu declínio.

O conjunto das três partes é enquadrado por uma Introdução e uma Conclusão. O debate da ordem justa surge a propósito da questão sobre se a justiça é melhor que a injustiça ou se o homem injusto terá uma vida mais regalada que a do justo. Após a questão e o debate prolongado sobre a ordem justa, surge a resposta conclusiva de que a justiça é preferível à corrupção.

O corpo principal do diálogo bem como a introdução e conclusão são enquadrados pelo prólogo que constitui um curto diálogo aporético sobre a justiça em que se debatem as opiniões correntes doxai e o epílogo que levanta questões respondidas com o mito da salvação.

A República usa uma argumentação dialética. O pensamento dialético caracteriza-se por apreender a realidade à luz de posições contraditórias, uma das quais acaba por ser compreendida como verdadeira e a outra falsa. A imagem correspondente é a do confronto entre luz, sol, claridade e trevas, escuridão e caverna. A dialéctica ascendente apresenta a ideia por confronto com os pontos de partida empíricos; a dialéctica descendente verifica a corrupção da ideia devido à sua incorporação numa situação empírica. É particularmente interessante notar como as ideias do livro viriam a influenciar os autores posteriores.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  • ¤ Não é da autoria de Platão segundo a maioria dos estudiosos
  • † Não é geralmente aceito pelos estudiosos
  • ‡ Somente trechos têm a autoria comprovada
  1. HARE, R.M. (2013). Platão. São Paulo: Edições Loyola. pp. 56–57