Revolta da Armada

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Revolta da Armada
Parte da(o) Revolução Federalista
1894-Juan-Gutierrez-Revolta-da-Armada.jpg
Uma bateria brasileira no Rio de Janeiro em 1894.
Período 1893-1894
Local Rio de Janeiro, Brasil
Resultado Vitória Governamental
  • Revolta reprimida
Participantes do conflito
Brasil Primeira República do Brasil
Estados Unidos Estados Unidos
Império do Brasil Rebeldes monarquistas e marinheiros amotinados
Líderes
Brasil Floriano Peixoto
Brasil Hermes da Fonseca
Brasil Antônio César
Brasil José Jardim
Estados Unidos Andrew E. K. Benham
Estados Unidos Willard H. Brownson [1][2]
Império do Brasil Custódio José de Melo
Império do Brasil Saldanha da Gama
Forças
* Esquadra legalista


2 cruzadores
1 torpedo-boat destroyer
6 torpedeiros
2 monitores
4 cruzadores auxiliares
2 canhoneiras

* Amotinados imperialistas


2 couraçados costeiras
4 cruzadores
1 monitor de
1 canhoneira
7 torpedeiros
9 cruzadores auxiliares

Baixas
~10,000 entre militares e civis

A chamada Revolta da Armada foi um movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra governos da recém proclamada República Brasileira, que havia sido consolidada através da Primeira Ditadura Militar Brasileira.[3] [4][5] Tal revolta contou com a participação de muitos monarquistas,[6] desenvolvendo-se em dois momentos; uma no governo de Deodoro da Fonseca e outra no governo que se seguiu, de Floriano Peixoto.[7]

A primeira Revolta da Armada[editar | editar código-fonte]

O presidente Marechal Deodoro da Fonseca.

Em novembro de 1891, registrou-se como reação à atitude do presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca que, em meio a uma crise institucional, agravada por uma grave crise econômica, e com dificuldades em negociar com a oposição, em flagrante violação da Constituição recém-promulgada em 1891, ordenou o fechamento do Congresso.[6] Unidades da Armada na baía de Guanabara, sob a liderança do almirante Custódio de Melo, sublevaram-se e ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República.[8] Para evitar uma guerra civil, o marechal Deodoro renunciou à Presidência da República (23 de novembro de 1891).[7]

Com a renúncia de Deodoro, que ocorreu apenas nove meses depois do início de seu governo, o vice-presidente Floriano Peixoto assumiu o cargo (1892). A Constituição de 1891, no entanto, garantia que, se a presidência ou a vice-presidência ficassem vagas antes de se completarem dois anos de mandato, deveria ocorrer uma nova eleição, o que fez com que a oposição começasse a acusar Floriano por manter-se ilegalmente à frente da nação.

A segunda Revolta da Armada[editar | editar código-fonte]

O presidente Marechal Floriano Peixoto.

Começou a delinear-se em Março de 1892, quando treze generais enviaram uma Carta-Manifesto ao Presidente da República, Floriano Peixoto.[7] Este documento exigia a convocação de novas eleições presidenciais para que, cumprindo-se o dispositivo constitucional, se estabelecesse a tranquilidade interna na nação.[9] Floriano reprimiu duramente o movimento, determinando a prisão de seus líderes.

"Concidadãos,
Aspecto da Baía de Guanabara no dia 13 de setembro de 1893, durante o bombardeio entre as fortalezas e os navios revoltosos.
Contra a Constituição e contra a integridade da própria Nação, o chefe do Executivo [Floriano Peixoto] mobilizou o Exército discricionariamente, pô-lo em pé de guerra e despejou-o nos infelizes estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Contra quem? Contra o inimigo do exterior, contra estrangeiros? Não. O vice-presidente armou brasileiros contra brasileiros; levantou legiões de supostos patriotas, levando o luto, a desolação e a miséria a todos os ângulos da República (...).
Sentinela do Tesouro Nacional como prometera, o chefe do Executivo perjurou, iludiu a Nação, abrindo com mão sacrílega as arcas do erário público a uma política de suborno e corrupção. (...)
Viva a Nação Brasileira! Viva a República! Viva a Constituição!
Capital da República, 6 de setembro de 1893.
Contra-Almirante Custódio José de Melo" (in: Jornal do Brasil)
O Combate da Armação, em Niterói (9 de fevereiro de 1894).

Em 6 de setembro de 1893, um grupo de altos oficiais da Marinha exigiu a imediata convocação dos eleitores para a escolha dos governantes. Entre os revoltosos estavam os almirantes Saldanha da Gama, Eduardo Wandenkolk e Custódio de Melo,[9] ex-ministro da Marinha e candidato declarado à sucessão de Floriano.[9] Sua adesão refletia o descontentamento da Armada com o pequeno prestígio político da Marinha em comparação ao do Exército. No movimento encontravam-se também jovens oficiais e muitos monarquistas.[6]

Fortificação de campanha (1894). Vê-se um canhão de 280 mm (único no Brasil), posicionado à barbeta, e soldados do 4º Batalhão de Artilharia da Guarda Nacional. Proveniente da série Revolta da Armada, Museu Histórico Nacional.

A revolta teve pouco apoio político e popular na cidade do Rio de Janeiro, onde a partir de 13 de setembro diversas unidades encouraçadas trocaram tiros com a artilharia dos fortes em poder do Exército.[6] Houve sangrenta batalha na Ponta da Armação, em Niterói, área guarnecida por aproximadamente 3.000 governistas, os quais eram compostos entre outros por batalhões da Força Pública e da Guarda Nacional.[10][11] A capital do estado do Rio de Janeiro, então a cidade de Niterói, foi transferida para a cidade de Petrópolis em 1894, de onde só retornou em 1903. Sem chance de vitória na baía da Guanabara, os revoltosos dirigiram-se para sul do país. Alguns efetivos desembarcam na cidade de Desterro (atual Florianópolis) e tentaram, inutilmente, articular-se com os federalistas gaúchos.[7][9]

O presidente da República, apoiado pelo Exército brasileiro e pelo Partido Republicano Paulista conteve o movimento em março de 1894, para o que fez adquirir, às pressas, no exterior, por meio do empresário e banqueiro estadunidense Charles Ranlett Flint, alguns navios de guerra, a chamada "frota de papel".[6] Essa frota, adquirida nos Estados Unidos, foi também denominada pelos governistas como "Esquadra Flint" e viajou do porto de Nova York até a baía de Guanabara tripulada por mercenários estadunidenses. De acordo com Joaquim Nabuco, as tropas contratadas para auxiliar o governo federal eram "a pior escória de filibusteiros americanos".[12]

Em março de 1894 a rebelião estava vencida. O rigor de Floriano Peixoto ante os dois movimentos revolucionários lhe valeu o cognome Marechal de Ferro.[9]

Intervenção americana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Caso do Rio de Janeiro

Os Estados Unidos marcaram presença nos conflitos em dois momentos, a primeira pressionando o marechal Deodoro para renunciar e assim Floriano Peixoto assumir a presidência brasileira, a segunda foi em 1894 após três navios americanos serem supostamente atacados pelos rebeldes, tal episodio ficou conhecido como Caso do Rio de Janeiro, com isto, os norte-americanos enviaram uma frota para ajudar o governo brasileiro, combatendo os revoltosos e destruindo um bloqueio que ocorria no Rio de Janeiro. [13][1][14]

As embarcações rebeldes[editar | editar código-fonte]

Embarcações da Marinha do Brasil[editar | editar código-fonte]

Encouraçado de Esquadra Aquidabã bombardeando os Fortes do Rio de Janeiro (desenho de Fouqueray, baseado em uma fotografia, publicado na Revista Le Monde Illustré, nº 1.916, 16/12/1883.).

Embarcações civis incorporadas pelos rebeldes[editar | editar código-fonte]

Estas embarcações foram confiscadas pelas forças rebeldes, a fim de suprir as suas necessidades de combustível, munições e víveres:

Referências

  1. a b The New York Times (PDF), 15 March 1894  Verifique data em: |data= (ajuda).
  2. Munsey, pp. 496–99.
  3. Martinho, Francisco C. Palomanes "Democracia e ditadura no Brasil" EdUERJ, 2006 ISBN 8575110926 Página 33.
  4. Lima, Laura. "Worlding Brazil", Londres, 2014 ISBN 9780415716895 página 58
  5. Serbin, Kenneth P. "Secret Dialogues", University of Pitsburgh Press, 2000 ISBN 0822957264 página 24.
  6. a b c d e Miriam Ilza Santana (11 de outubro de 2007). «Revolta da Armada». InfoEscola. Consultado em 23 de setembro de 2012 
  7. a b c d Cristine Delphino. «Revolta da Armada». História Brasileira. Consultado em 23 de setembro de 2012 
  8. Rainer Sousa. «Revolta da Armada». Brasil Escola. Consultado em 23 de setembro de 2012 
  9. a b c d e Vitor Amorim de Angelo. «Revolta da Armada». UOL - Educação. Consultado em 23 de setembro de 2012 
  10. DONATO, Hernâni. Dicionário das batalhas brasileiras. 2ª edição. IBRASA, 1996
  11. "(...) os batalhões da Guarda Nacional: 1.° da reserva, 2.° da Capital Federal; 9.° também da Capital; 34.° de Niterói; (...)" (Donato 1996)
  12. CORRÊA DA COSTA, Sérgio. Brasil, Segredo de Estado - Incursão Descontraída pela História do País (5ª ed.). Rio de Janeiro: Record, 2001.
  13. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Brassey_192
  14. Business, Monument City .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • RIBEIRO. Atanagildo Barata. Sonho no cárcere: dramas da revolução de 1893 no Brazil. Rio de Janeiro: Casa Mont'Alverne, 1895.
  • CAMPOS, Pedro Dias de. A Revolta de Seis de Setembro (A ação de São Paulo). Lisboa: Aillaud, Alves & Cia, 1913.
  • NABUCO, Joaquim. A Intervenção estrangeira durante a revolta de 1893. Brasilia: Senado Federal, Conselho Editorial, 2010.
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