Sé apostólica

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Sé apostólica é, no cristianismo, qualquer sé episcopal cuja fundação seja atribuída a um ou mais dos doze apóstolos de Jesus.

Histórico[editar | editar código-fonte]

O quarto cânon do Primeiro Concílio de Niceia, em 325, atribuiu ao bispo da capital (em latim: metropolis) de cada província romana (o "bispo metropolitano") uma posição de autoridade perante os demais bispos da província, sem dedicar importância especial ao fundador de cada sé.[1] O sexto cânon reconheceu a autoridade mais ampla, para além de uma província em particular, tradicionalmente detida pelos bispos de Roma e de Alexandria, além das prerrogativas específicas de algumas sés, incluindo a de Antioquia.[1] Sobre Élia Capitolina, a cidade romana construída sobre as ruínas de Jerusalém, lê-se no sétimo cânon: "Como o costume e as antigas tradições ditam que o bispo de Élia deve ser homenageado, deixe-o, com o devido respeito à Metrópole, ter o próximo lugar de honra".[1] Geralmente acredita-se que a metrópole citada é Cesareia Marítima,[2][3][4][5] embora, no final do século XIX, Philip Schaff tenha apresentado outros pontos de vista.[6]

Este concílio, tendo sido realizado em 325, não mencionou Constantinopla, uma cidade que só seria fundada oficialmente cinco anos depois, quando se tornou a capital do Império Romano do Oriente.[7][8][9] Mas o Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381, decretou, num cânon de validade disputada, que "o bispo de Constantinopla, porém, deve ter a prerrogativa de honra depois do bispo de Roma; pois Constantinopla é a Nova Roma".[10]

Pentarquia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Pentarquia

Um século depois do Concílio de Calcedônia (451) e do cisma que o sucedeu entre os que o aceitaram e os que não, o cristianismo ortodoxo uniu as duas fontes para desenvolver a teoria da "Pentarquia". Segundo a Enciclopédia Britânica, "formulada na legislação do imperador Justiniano I (r. 527–565), especialmente em sua "Novella" 131, a teoria recebeu sanção eclesiástica formal no Concílio in Trullo (692), que ordenou as cinco sés por importância: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém".[11]

Os bispos destas cinco sés se consideram sucessores dos seguintes apóstolos segundo os citados cânones:

Mas há outras sés que alegam ter sido fundadas por um apóstolo e que poderiam, portanto, ser chamadas de "sé apostólica":

Uso na Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Primazia papal

No uso da Igreja Católica,[22] Sé Apostólica é um termo sempre singular e em maiúsculas utilizado especificamente para fazer referência à Sé de Roma e utilizado para destacar o papel do papa como sucessor de São Pedro.[23] Esta utilização já existia na época do Primeiro Concílio de Éfeso, em 431, em cujos registros se lê a frase "nosso mais santo e abençoado papa Celestino, bispo da Sé Apostólica".[24]

No direito canônico católico, o termo é aplicado aos vários departamentos da Cúria Romana. Tanto o Código de Direito Canônico quanto o Código do Cânones das Igrejas Orientais afirmam: Neste código, os termos "Sé Apostólica" ou "Santa Sé" não representam apenas o pontífice romano, mas também, exceto onde o contrário esteja claro pela natureza das coisas ou pelo contexto, a Secretaria de Estado, o Concílio para assuntos públicos da Igreja e outras instituições da Cúria Romana".[25] É claro que as instituições mencionadas são vistas como falando em nome da Santa Sé.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. São Marcos não é chamado de apóstolo no Novo Testamento, mas acredita-se que ele tenha sido um dos Setenta Discípulos e que teria sido nomeado apóstolo depois de acompanhar São Paulo e São Barnabé em suas viagens apostólicas[12][13]

Referências

  1. a b c Canons of the First Council of Nicaea
  2. Brian E. Daley, "Position and Patronage in the Early Church" in Everett Ferguson, Norms of Faith and Life (Taylor & Francis 1999 ISBN 978-0-81533070-7), p. 207
  3. Jonathan Z. Smith, To Take Place ((University of Chicago Press 1992 ISBN 978-0-22676361-3), p. 78
  4. Ian Gilman, Hans-Joachim Klimkeit, Christians in Asia before 1500 (Routledge 2013 ISBN 978-1-13610978-2), p. 28
  5. Lucy Grig, Gavin Kelly, Two Romes (Oxford University Press 2012 ISBN 978-0-19973940-0), p. 354
  6. Schaff's Seven Ecumenical Councils: First Nicaea: Canon VII
  7. Robin W. Winks, World Civilization: A Brief History (Rowman & Littlefield Publishers 1993 ISBN 978-0-939693-28-3), p. 120
  8. Timelines: Southeast Europe
  9. Wikisource-logo.svg "Constantinople" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  10. Canon 3
  11. Encyclopædia Britannica: Pentarchy
  12. «Greek Orthodox Church of Alexandria Official Website». Greekorthodox-alexandria.org. Consultado em 26 de julho de 2011.. Cópia arquivada em 26 de julho de 2011 
  13. «website of the Coptic Orthodox Church Network». Copticchurch.net. Consultado em 26 de julho de 2011.. Cópia arquivada em 10 de junho de 2011 
  14. «Syriac Orthodox Resources». sor.cua.edu. Consultado em 18 de agosto de 2011. 
  15. «"Eusebius Pamphilius: Church History, Life of Constantine, Oration in Praise of Constantine" at the Christian Classics Ethereal Library». Ccel.org. 13 de julho de 2005. Consultado em 26 de julho de 2011. 
  16. Craig A. Evans,The Bible Knowledge Background Commentary: Acts-Philemon (David C. Cook, 2004), p. 610)
  17. A.T. Robertson, Word Pictures in the New Testament - 2 Corinthians
  18. «Cyprian Orthodox Church Official Website». Churchofcyprus.org.cy. Consultado em 26 de julho de 2011.. Cópia arquivada em 23 de julho de 2011 
  19. «History of the Russian Church». Russian-crafts.com. Consultado em 26 de julho de 2011.. Cópia arquivada em 15 de julho de 2011 
  20. «Official Website of the Armenian Church». 66.208.37.78. Consultado em 26 de julho de 2011.. Cópia arquivada em 5 de julho de 2011 
  21. «Ethiopian Orthodox Official website». Ethiopianorthodox.org. Consultado em 26 de julho de 2011.. Cópia arquivada em 11 de junho de 2011 
  22. Bishop Kallistos Ware, Orthodox Church).
  23. Wikisource-logo.svg "The Apostolic See" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  24. Trecho dos Atos do Concílio de Éfeso
  25. Código de Direito Canônico, cânon 361; Código dos Cânones das Igrejas Orientais, cânon 48