Sé de Silves

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Sé de Silves
Fachada principal da antiga Sé de Silves
Estilo dominante Gótico (portal principal, cabeceira, naves), barroco (parte superior da fachada principal, torre sineira, portais)
Início da construção Fundada na segunda metade do século XIII, majoritariamente erguida a partir de meados do século XV
Fim da construção Século XVIII
Religião Igreja Católica Romana
Diocese Diocese do Algarve
Geografia
País Portugal Portugal
Região Distrito de Faro
Local Concelho de Silves

A Sé de Silves é uma antiga catedral situada na cidade e freguesia do mesmo nome (mais precisamente no Largo da Sé), no distrito de Faro, Portugal. Erguida maioritariamente no século XV, a antiga Sé de Silves apresenta hoje um cunho principalmente gótico, mas também elementos de outras épocas, visto ter vindo a sofrer alterações ao longo dos séculos. É a mais importante construção gótica no Algarve e um dos principais monumentos do sul do país. Foi classificado como monumento nacional a 29 de Junho de 1922.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Vista exterior da Sé de Silves, vendo-se o transepto e a cabeceira góticas.

Os detalhes da fundação e construção da Sé de Silves são pouco claros. Em 1189, durante a Reconquista, Silves foi tomada por D. Sancho I aos mouros, e há notícia de que uma catedral foi instituída no lugar da mesquita da cidade.[2] Ainda não foi encontrada, porém, evidência material que comprove inequivocamente a existência de um templo muçulmano no sítio da Sé.[2]

Vista da Sé desde o centro histórico.

A construção da catedral teve impulso a partir de 1268, ano em que o Algarve passa definitivamente à posse do reino português, durante o reinado de D. Afonso III. Da segunda metade do século XIII data a organização geral da cabeceira e demais partes da igreja.[2] As obras, porém, foram lentas, e no século XIV ainda estavam longe de serem concluídas. Em 1352-53, um grande sismo terá afetado a Sé em construção.[1]

A partir da década de 1440 o estaleiro da Sé tomou impulso definitivo, com a simplificação do programa construtivo.[2] Devido a isso, como observado por Mário Chicó, a nave tem um caráter mais austero que a cabeceira e o transepto.[2] O portal principal da catedral, inserido num alfiz (elemento rectangular em pedra onde se insere todo o portal), é formado por um arco quebrado composto por arquivoltas dispostas em degraus. Os capitéis são estilisticamente emparentados aos do Mosteiro da Batalha, edifício que muito influenciou a catedral.[2]

Em 1495, D. João II morreu inesperadamente em Alvor, próximo a Silves, e seu corpo foi provisoriamente sepultado na capela-mor da Sé. Em 1499, com a presença de D. Manuel em Silves, os restos de D. João II foram exhumados e transladados ao Mosteiro da Batalha, onde foram sepultados definitivamente.[1] Esse evento é recordado por uma lápide com inscrições góticas localizada na capela-mor da Sé[1] e possivelmente pela construção da Cruz de Portugal, situada já fora do centro da cidade.

Quando ainda no Algarve, D. Manuel I ordenou obras na Sé de Silves.[1] O século XVI, porém, viu uma decadência progressiva de Silves, causada em parte pelo assoreamento do rio Arade e pela importância crescente da zona litorânea algarvia.[1][3][4] Assim, em 1538, o bispo D. Manuel de Sousa pediu a transferência da sede da Diocese do Algarve de Silves a Faro, o que concretou-se apenas em 1577, durante a gestão do bispo Jerónimo Osório, um dos grandes humanistas e teólogos portugueses.[1][3][4]

A antiga Sé foi muito afetada pelo Terramoto de 1755 e passou por várias campanhas de restauro.[1][2] Essas obras estavam terminadas por volta de 1758, quando foi concluída a parte superior da fachada principal, como seu frontão barroco com volutas, e a fachada sul, com a torre sineira.[2] A partir de 1931, o edifício passou por um extenso programa de restauro patrocinado pelo DGEMN em que foram retirados muitos retábulos, o órgão e outros elementos dos séculos XVII e XVIII.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Vista do interior da Sé de Silves em direção ao coro.

A Sé de Silves é um templo de planta de cruz latina de três naves e transepto saliente. A cabeceira é tripartida, com uma abside poligonal flanqueada por dois absidiolos de planta rectangular.[1] No interior as naves escalonadas tem cobertura de madeira e estão separadas por arcos quebrados com pilares de secção oitavada, dotados de capitéis. As abóbadas de pedra do cruzeiro e das capelas da cabeceira são de cruzaria de ogivas. O arco triunfal que separa a capela-mor do transepto tem o intradorso rendilhado.[1] Tanto o transepto como a cabeceira são iluminados por janelões de feição gótica.[1]

O seu interior alberga no pavimento diversos túmulos de bispos e de famílias nobres de Silves datados dos séculos XV e XVI, que correspondem à época áurea da Sé e da cidade.[1] Na capela-mor encontra-se a pedra tumular de D. João II, sepultado aqui em 1495 e posteriormente transladado para o Mosteiro da Batalha. A lápide em letra gótica diz (em grafia modernizada): "Aqui foi sepultado o corpo do muito alto E muito excelente príncipe E muito poderoso El rei dom João o segundo Rei de Portugal E dos algarves D'aquém E d'além mar em África senhor de Guiné o qual se finou em alvor aos xxb dias d'outubro de M iiiic lRb E foram Daqui transladados os seus ossos Para o mosteiro Da batalha No Ano de Mil Quatrocentos E Noventa E Nove Anos".[1]

A fachada principal da Sé possui um alfiz com um portal de arco quebrado. Sobre o portal há um pequeno balcão assente em cachorrada historiada com figuras animais e humanas.[1] O portal gótico é composto por quatro arquivoltas com capitéis decorados por motivos vegetalistas e antropomórficos relacionados estilisticamente ao estaleiro batalhino.[1][2] A arquivolta mais exterior possui um friso decorado com folhagem, bagas e figuras animais e humanas. As características do portal e do friso se repetem no portal principal da Igreja Matriz de Portimão, onde provavelmente trabalharam artistas que antes haviam participado da construção da Sé de Silves na última metade do século XV.[5]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p Sé de Silves no sítio do DGPC
  2. a b c d e f g h i Sé de Silves no sítio do IGESPAR
  3. a b História no sítio da Diocese do Algarve
  4. a b História no sítio da Câmara Municipal de Silves
  5. Igreja Matriz de Portimão no sítio do IGESPAR

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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