Comédia stand-up

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George Carlin em 1969, durante uma apresentação.

Comédia stand-up (do inglês stand-up comedy) é um termo que designa um espetáculo de humor executado por apenas um comediante, que se apresenta geralmente em pé (daí o termo ¨stand-up¨), sem acessórios, cenários, caracterização, personagem ou o recurso teatral da quarta parede, diferenciando o stand up de um monólogo tradicional. O próprio material tem uma metodologia própria de organização, em tópicos, não obstante sendo bastante factual. O estilo é também chamado de humor de cara limpa, termo usado por alguns comediantes.

Ainda há confusão na diferenciação do humorista stand up e de outros estilos, como o contador de piadas, o monólogo de humor, o "one man show", gênero semelhante, mas que permite outras abordagens diferentes (interpretação de personagens, músicas, cenas).

O humorista stand up não conta piadas conhecidas do público (anedotas). O texto é sempre original, normalmente construído a partir de observações do dia a dia e do cotidiano. Ainda, as habilidades necessárias para ser um stand-up comedian são diversas. É frequentemente necessário que se assuma de forma solitária os papéis de escritor, editor, artista, promotor, produtor, e técnico simultaneamente. É verdade, não existem muitas regras sobre os assuntos e abordagens, o que permite uma constante evolução.

História[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

O stand-up tem suas raízes em variadas tradições do entretenimento popular americano do final do século XIX, incluindo o vaudeville, (teatro de revista) e monólogos humorísticos. A maioria dos comediantes era meramente vista como contadores de piadas que esquentavam a plateia com um número de abertura, ou mantinham o público entretido durante os intervalos. Os pais da comédia stand-up eram os mestres de cerimônia, como eram chamados na época de ouro do rádio, Jack Benny, Fred Allen e Bob Hope, que vieram do vaudeville e geralmente abriam seus programas com monólogos ou números cômicos. Ser um comediante era considerado um degrau para uma carreira verdadeira no show business.

Os "mestres de cerimônia" começaram a aparecer em clubes noturnos apresentando grandes bandas e abrindo shows de outros artistas.

Os tópicos se caracterizavam por improvisações e discussões sobre qualquer coisa, desde os últimos filmes até um aniversário esquecido. Era comum que os programas de televisão de variedades se dividissem entre esses monólogos de abertura, números musicais seguido de quadros e esquetes. Os convidados eram variados e incluíam outros comediantes do rádio da época, como George Burns e Grace Allen. Com a fama e o sucesso desses humoristas, o público começa a frequentar os clubes apenas pelas aberturas cômicas e logo os apresentadores se tornam o próprio show.

O surgimento dos clubes[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 1950 e no decorrer da década de 1960, stand-up se tornou uma moda entre boêmios e intelectuais. Alguns clubes noturnos eliminaram os números musicais e começaram a se chamar de "clubes de comédia". Uma nova geração de comediantes começou a explorar tópicos políticos, relações raciais e humor sexual. O ambiente, tido como culto e evoluído, acabou permitindo a entrada de comediantes negros e mulheres. Foram quando surgiram nomes como Woody Allen, Shelley Berman, Redd Foxx e Bill Cosby.

A stand-up comedy explodiu durante os anos 1970, com muitos artistas se tornando conhecidos nacionalmente. O estilo nascido nos clubes noturnos alcança teatros e até grandes concertos em estádios esportivos.

Projeção na televisão e no cinema[editar | editar código-fonte]

Programas como Saturday Night Live e The Tonight Show lançaram carreiras de outras tantas estrelas de stand-up. Richard Pryor, George Carlin e Lenny Bruce se transformaram em ícones da contracultura. Steve Martin e Bill Cosby tiveram nível similar de sucessos com números mais suaves. Muitas estrelas do stand-up obtiveram grandes contratos com a televisão e também com estúdios de cinema, como Chris Rock, Robin Williams, Eddie Murphy e Billy Crystal. Há uma nova explosão de locais para comédia, espaços para artistas locais e até para comediantes em turnê por várias cidades.

Nos anos 1980 com o advento da HBO (que pode apresentar os comediantes sem censura) e outros canais a cabo como o Comedy Central contribuíram para o boom do stand-up comedy.

Ressurgimento[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1990 a comédia stand-up parece entrar em declínio. O mercado é inundado por comediantes considerados medíocres, muitos trabalhando em função do conceito de que o sucesso no stand-up pode abrir as portas para outras áreas como música, atuação em televisão e filmes de cinema. Mas alguns humoristas conseguem reerguer o gênero, trazendo seus temas particulares para programas de televisão de incrível sucesso popular e reconhecimento normalmente inacessível em circuitos de clubes de comédia. Exemplos disto incluem Jerry Seinfeld, Ellen DeGeneres, Roseanne, Tim Allen, Chris Rock e Ray Romano.

Com o novo século, a comédia stand-up é oxigenada, graças ao surgimento de novas mídias como a internet e canais de tv a cabo como o Comedy Central. Por todo o mundo houve um interesse no stand-up comedy e fazendo com que ocorresse crescimento na cena cômica no Canadá, Reino Unido, Portugal, Irlanda, Países Baixos e agora no Brasil.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O gênero do "one man show" que é semelhante, mas permite outras abordagens (interpretação de personagens, músicas, cenas) foi introduzido no Brasil por José Vasconcellos, na década de 60. Aproximando-se mais ainda do estilo americano, Chico Anysio e Jô Soares mantiveram o gênero - principalmente em seus shows ao vivo, e geralmente, na abertura de seus programas - se aproximando da comédia stand up como vemos hoje.

O stand-up começou a ser notícia em 2005 em São Paulo, com Clube da Comédia Stand-up (formado por Marcelo Mansfield, Rafinha Bastos, Oscar Filho, Marcela Leal e Márcio Ribeiro), e no Rio de Janeiro com o Comédia em Pé (formado por Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat, Fernando Caruso e Paulo Carvalho). Em São Paulo, o Clube da Comédia se apresentava no Beverly Hills, casa tradicional de comédia em Moema. Logo após migrando para o Mr. Blues e Bleeker Street, na Vila Madalena. No Rio, o Comédia em Pé estreou no Rio Design Leblon e foi o primeiro grupo de stand-up do Brasil, seguido pelo Clube da Comédia se apresentando uma semana depois.[1][2]

Em 2006, o humorista Jô Soares assiste ao Clube da Comédia em São Paulo e convida o humorista curitibano Diogo Portugal, para uma entrevista no Programa Jô. Ela foi definitiva para chamar a atenção para o gênero.[3] Ele menciona os diversos shows de que participa e atrai público e mídia para os bares em que se apresenta. No Rio, o Comédia em Pé passa a se apresentar em teatros, ficando em cartaz nos dois extremos da cidade simultaneamente. Em Curitiba, alavancadas por Diogo Portugal, surgem outras noites de humor stand up. Em São Paulo, Danilo Gentili, que acabara de entrar no Clube da Comedia, convida Márcio Ribeiro e reúne jovens humoristas que frequentavam o Clube para criar o Comédia Ao Vivo: Dani Calabresa, Luiz França e Fábio Rabin.

Com a estreia do programa CQC - Custe o Que Custar, na Band, em 2008, o gênero ganhou o Brasil. Com a presença dos humoristas Rafinha Bastos, Oscar Filho e Danilo Gentili como elenco do programa, o interesse na linguagem cresceu de imediato.[4]

A exemplo do CQC[5], a televisão brasileira procurou no stand-up comedy humoristas para compor suas atrações. Serginho Groisman, apresentador do programa Altas Horas, na Rede Globo, trouxe comediantes como Fábio Porchat, Marcelo Mansfield, Cláudio Torres Gonzaga e Diogo Portugal. O Domingão do Faustão também abriu as portas para o gênero, no quadro Quem Chega Lá. Na primeira edição, Léo Lins e Marcos Castro chegaram à fase final da competição original. O Programa do Jô iniciou em 2009 o o quadro Humor na Caneca, que durante 2 anos trouxe comediantes stand up para encerrar a atração. A partir de então, vários outros grupos ganharam destaque nas noites paulistanas.[6]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, a stand-up comedy tornou-se mais popular a partir do início do programa Levanta-te e Ri da SIC, embora já alguns humoristas praticassem profissionalmente este registo de comédia.

Existem neste momento vários comediantes em Portugal a fazer Stand up Comedy, em vários bares, anfiteatros e casas de espectáculo, como por exemplo João Seabra, Bruno Nogueira, Hugo Sousa, Marco Horácio, Ricardo Araújo Pereira, entre dezenas de outros.

Alguns dos melhores comediantes de stand-up[editar | editar código-fonte]

Segundo lista do Comedy Central, estes seriam alguns dos melhores comediantes de stand-up da história até ao presente[7][8]:

Referências

  1. «O teatro ao longo de 90 anos». O Globo. 28 de julho de 2015. Consultado em 1 de abril de 2019 
  2. «Comédia em Pé, primeiro grupo de stand up do Brasil, se apresenta em Aracaju» 
  3. «Título ainda não informado (favor adicionar)» 
  4. «Humoristas do 'CQC' renovam gênero na atração da Band». O Globo. 14 de abril de 2008. Consultado em 1 de abril de 2019 
  5. «O Estado de S. Paulo». Observatório da Imprensa. 21 de abril de 2009. Consultado em 13 de maio de 2019 
  6. «Comédia stand-up lota bares e teatros». Veja São Paulo 
  7. «Comedy Central top 100 comedians of all time». IMDb. Consultado em 23 de abril de 2019 
  8. «Comedy Central's 100 Greatest Standups of All Time». Ranker (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]