Aeroporto Internacional do Galeão visto da Igreja da Penha
Zona da Leopoldina é uma região histórica na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi a primeira parte dessa região da cidade a ser loteada ordenadamente em meados de 1850 e também a primeira área a ganhar iluminação elétrica nos anos 10.
Os bairros Vila Kosmos, Vista Alegre, Argentino, e Jardim América, desmembramentos da lista original histórica também costumam ser descritos politicamente como parte da Zona da Leopoldina.
A relação das 11 regiões originais da Zona da Leopoldina pode ser observada na tradicional bandeira da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense que mantém até hoje 11 estrelas, uma para cada região.
Correspondente as atuais X e XI Regiões Administrativas do Rio de Janeiro, possui ainda o Fórum Regional da Leopoldina no bairro de Olaria. A região comemora seu aniversário na semana do dia 23 de outubro. [1]
O nome da região é uma referência a Leopolina Railway[2] cuja a estação de partida era a Estação Barão de Mauá. Por centralizar a partida para os bairros da Zona da Leopoldina, o termo "vou para Leopoldina" acabou sendo atrelado a Estação, criando o populesco "Estação Leopoldina", ou "Estação do Ramal Leopoldina"Igreja da Penha, símbolo máximo da Zona da LeopoldinaPlaca de comemoração de 130 anos da Zona da Leopoldina, afixada em Outubro de 2016 na Estação de Trens de Bonsucesso.Olaria.Vila da Penha.Polo de Vista Alegre na Avenida Brás de Pina.Fiocruz ManguinhosA Estação Barão de Mauá, mais conhecida como Leopoldina é um terminal ferroviário, inaugurado em 6 de novembro de 1926 no Rio de Janeiro.
Ramal Ferroviário Gramacho / Saracuruna, atualmente substitui da Estrada de Ferro Leopoldina que corta maioria dos bairros da Zona da Leopoldina.Estação BRT Cardoso de Moraes em Ramos.
Construída no ainda no império, a ferrovia foi nomeada em homenagem a Maria Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil. Próxima ao Centro do Rio e margeada pela Baía de Guanabara, a região permaneceu até a década de 1960 como um próspero reduto de classe média e média alta.
No final dos anos 60, mudanças na comemoração do Quarto Centenário da Cidade do Rio de Janeiro começaram a reescrever a história desta região. A margem norte da Av Brasil, que contava com um grande aterro na Baia da Guanabara estava prestes a receber um majestoso presente do Governo Federal, o chamado Parque Uruçumirim [3], porém mudanças de última hora destinaram os recursos financeiros e a festa dos 400 anos da cidade para o Aterro do Flamengo
A partir de 1961, a mudança do Distrito Federal para Brasília ocasionou um declínio socioeconômico na cidade do Rio de Janeiro com reflexos no pátio industrial que havia predominantemente se instalado na Zona da Leopoldina. Bairros inteiros começaram a perder suas motrizes econômicas, como foram os casos dos bairros de Parada de Lucas e Vigário Geral, que como vilas operárias sem suas respectivas industrias, começaram a empobrecer uma população inteira.
A partir de 1964, a Ditadura Militar adotou uma política de "higienização" da Zona Sul do Rio de Janeiro para liberação de terrenos para construtoras, como por exemplo a favela da Praia do Pinto, que sofreu um misterioso incendio e depois virou o condominio conhecido como Selva de Pedra[4], Favela da Catacumba, que também sofreu um misterioso incendio e virou um Parque[5], ambos na Lagoa, e a Favela do Pasmado, que também sofreu um incendio, e que posteriormente virou um parque com o Mirante do Pasmado em Botafogo. Esta politica de expulsão dos mais pobres da Zona Sul da cidade criou uma vertiginosa expansão urbana na região da Zona da Leopoldina, especialmente nas favelas ,criando e aumentando o que hoje compõem as favelas da Maré, Vigário Geral, Cidade Alta, Manguinhos e Morro do Alemão. A migração forçada em massa dos mais pobres da Zona Sul para a Zona da Leopoldina gerou temor da classe média e classe média-alta destes bairros, gerando a migração famílias mais abastadas da região para outros bairros.[6] . Esse fenômeno é também o estopim do rápido crescimento urbano e econômico que a Baixada de Jacarepaguá começou a vivenciar a partir da década de 1970 e também da supervalorização imobiliária da Grande Tijuca.
O esvaziamento da região que começou no final dos anos 70 se manteve por mais meio século, até que em 2025 a Prefeitura do Rio tentou reagir lançando planos para a recoupação dos inúmeros imóveis abandonados há décadas.[7][8][9]
A história da cultura cinematográfica da região se confunde com a do Rio, rivalizando com outros espaços da cidade que também tiveram uma forte presença de salas de cinema em suas dinâmicas socioculturais[10] e na paisagem construída dos bairros, tal como a Cinelândia, no Centro do Rio, e a Tijuca. Fizeram parte desta enorme história[11]:
Cine Oriente: Inaugurado em setembro de 1920, foi um dos primeiros cinemas da região.[12] Também funcionava como teatro e eventos musicais a partir de 1923.[13] No Início dos anos 1960 o Cine Oriente encerrou suas atividades, poucos anos após a morte de seu dono D. V. Caruso.[14]
Cine Rosário: Inaugurado em 1938 com 1442 lugares. Mudou o nome em 1981 para Cine Ramos, reduzindo o número de lugares para 701. Em 1992 teve as atividades encerradas como cinema, passando a ter uso como boate (Trigonometria), Bingo e depois foi tombado pelo município do Rio em 1997.Aeroporto do Galeão visto da Igreja da Penha.jpg
Cinema Santa Helena: inaugurado em 1942 com 1327 assentos e em 1974, mudou de nome para Cinema Olaria, fechado em 1997.
Cinema São Geraldo: Inaugurado em 1949 com 328 lugares, fechado em 1991.
Cinema Aleluia: inaugurado em 1943 e fechado em 1946, sem registro do número de lugares.
Cinema São Pedro: Inaugurado em 1949 com 2531 lugares, reduzido para 2150 lugares em 1969 e fechado em 1974.
Cinema Bim-Bam-Bum: Inaugurado em 1947, com 500 lugares e fechado em 1954.
Cineminha São Joaquim: Inaugurado entre 1948 e 1950, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
Cine Boy: Inaugurado em 1953, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
Cine Nice Inaugurado em 1953, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
Cinema Carmoly: Inaugurado em 1952, com 276 lugares, fechado em 1978
Cinema Mauá: Inaugurado em 1952 com uma inovação na região, o ar refrigerado. Fechado em 1974
Cinema Bonsucesso: Inaugurado em 1952, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
Cinema Leopoldina: Inaugurado em 1954 com 1901 lugares, fechado em 1975.
Cine Mello Penha: Inaugurado em 1956 com 1544 lugares, fechado em 1972
Cinema Mello Bonsucesso: Inaugurado em 1960, fechado em 1972, sem registro do número de lugares.
Estrutura abandonada do Cine Rio Palace, em RamosCine Rio Palace: Inaugurado em 1962 com 3000 lugares, foi o primeiro do Rio de Janeiro a juntar atividades comerciais ao lazer do cinema. Com uma galeria de lojas junto de suas portas, antecipava em décadas o conceito de Galerias Comerciais com atrativos culturais e os Shoppings Centers. Foi avaliado como um dos cinemas com a maior tela de projeção do Brasil.[15]
Cinema Aymore: Inaugurado em 1967 e fechado em 1968
Top Cine Leopoldina, inaugurado em 1992 junto com um dos primeiros Shoppings Centers da região na Penha (Shopping Leopoldina), com 3 salas de exibição, fechadas em 2005.
Também fazem parte da cultura Leopoldinense, tradicionais nomes vinculados ao Samba:
Cacique de Ramos: Inaugurado em 1961 por um grupo de carnavalescos da região, se notabilizou pelas rodas de samba realizadas em sua quadra, onde ajudou e segue revelando ao Brasil grandes talentos do samba residentes da Leopoldina[16]
Além do samba, outro ritmo se destacou predominantemente na Zona da Leopoldina, o Chorinho
Pixinguinha morou grande parte de sua vida no bairro de Ramos, onde recebeu até uma estátua com sua tradicional vestimenta de bar: o pijama, de tão à vontade que se sentia na vizinhança.[17]
O Sovaco de Cobra funcionava na Penha Circular, originalmente como um bar chamado Bar Santa Terezinha, ponto de encontro mais importante para a cultura do Choro brasileiro[18][19].
Até hoje Olaria é o ponto de encontro do mais tradicional grupo de chorinho do Brasil, o 100% Suburbano[20]. Olaria é também o destino do Trem do Choro, em sua viagem anual saindo do Centro do Rio ao som de grupos de Chorinho em cada um dos seus vagões.[21][22]