Zona da Leopoldina

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Placa de comemoração de 130 anos da Zona da Leopoldina, afixada em Outubro de 2016 na Estação de Trens de Bonsucesso.
Igreja da Penha, simbolo máximo da Zona da Leopoldina
Olaria, ao fundo a baía de Guanabara .

Zona da Leopoldina é uma região da Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi a primeira parte dessa região da cidade a ser loteada ordenadamente em meados de 1850 e também a primeira área a ganhar iluminação elétrica nos anos 10. Tradicional, a região dos atuais bairros de Bonsucesso, Manguinhos, Olaria, Penha, Penha Circular, Vila da Penha, Parada de Lucas, Brás de Pina e Ramos era o caminho da estrada de ferro Leopodina Railway[1] que escoava produtos oriundos de Magé, Porto da Estrela e Petrópolis.

É a região mais antiga da Zona Norte carioca. Outros bairros tradicionais da Zona Norte, como Vila Isabel e Tijuca só começariam o mesmo processo a partir de 1875 enquanto Riachuelo, Engenho Novo e Marechal Hermes, a partir de 1901.

Ramal Ferroviário Gramacho / Saracuruna, atualmente substitui da Estrada de Ferro Leopoldina e corta os bairros da Zona da Leopoldina
Prédio antigo que mostra o público original da Zona da Leopoldina no início do século 20, hoje abandonado em Olaria.

Construída no ainda no império, a ferrovia foi nomeada em homenagem a Maria Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil. Próxima ao Centro do Rio e margeada pela baía de Guanabara, a região permaneceu até a década de 1960 como um próspero reduto de classe média e média alta, ainda que de fato nunca tenham sido bairros nobres tal como Flamengo, Rio Comprido e Glória eram nas décadas de 1930, 1940 e 1950. A partir de 1961, a mudança de Distrito Federal ocasionou um declínio socioeconômico na gestão da cidade e a consequentemente, uma vertiginosa expansão urbana na região, especialmente nas favelas, motivados pelas políticas "higienizadoras" do governo militar para livrar as favelas da Zona Sul e coloca-las na Zona da Leopoldina[2], criando o que hoje compõem os complexos da Maré, Vigário Geral e Morro do Alemão. Isto deteriorou a heterogeneidade desses bairros, ocasionando a mudança das famílias mais abastadas.[3] Assim reforçou-se a denominação de Subúrbio da Zona Norte, diferenciando a região das grandes favelas que surgiram e reduziu os diversos aspectos culturais e sociológicos da região. Esse fenômeno é também o estopim do rápido crescimento urbano e econômico que a Baixada de Jacarepaguá começou a vivenciar a partir da década de 1970 e também da supervalorização imobiliária da Grande Tijuca.

Correspondente a X e XI Regiões Administrativas do Rio de Janeiro, possui ainda o Fórum Regional da Leopoldina no bairro de Olaria.

Cultura[editar | editar código-fonte]

A história da cultura cinematográfica da região se confunde com a do Rio, rivalizando com a Cinelândia como região de maior disponibilidade desta arte na cidade. Fizeram parte desta enorme história[4]:

  • Cine Rosário: Inaugurado em 1938 com 1442 lugares. Mudou o nome em 1981 para Cine Ramos, reduzindo o número de lugares para 701. Em 1992 teve as atividades encerradas como cinema, passando a ter uso como boate (Trigonometria), Bingo e depois foi tombado pelo município do Rio em 1997.
    Cine Rosário em Ramos
  • Cinema Santa Helena: inaugurado em 1942 com 1327 assentos e em 1974, mudou de nome para Cinema Olaria, fechado em 1997.
  • Cinema São Geraldo: Inaugurado em 1949 com 328 lugares, fechado em 1991.
  • Cinema Aleluia: inaugurado em 1943 e fechado em 1946, sem registro do número de lugares.
  • Cinema São Pedro: Inaugurado em 1949 com 2531 lugares, reduzido para 2150 lugares em 1969 e fechado em 1974.
  • Cinema Bim-Bam-Bum: Inaugurado em 1947, com 500 lugares e fechado em 1954.
  • Cineminha São Joaquim: Inaugurado entre 1948 e 1950, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
  • Cine Boy: Inaugurado em 1953, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
  • Cine Nice Inaugurado em 1953, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
  • Cinema Carmoly: Inaugurado em 1952, com 276 lugares, fechado em 1978
  • Cinema Mauá: Inaugurado em 1952 com uma inovação na região, o ar refrigerado. Fechado em 1974
  • Cinema Bonsucesso: Inaugurado em 1952, sem registro do número de lugares e ano de fechamento.
  • Cinema Leopoldina: Inaugurado em 1954 com 1901 lugares, fechado em 1975.
  • Cine Mello Penha: Inaugurado em 1956 com 1544 lugares, fechado em 1972
  • Cinema Mello Bonsucesso: Inaugurado em 1960, fechado em 1972, sem registro do número de lugares.
  • Estrutura abandonada do Cine Rio Palace, em Ramos
    Cine Rio Palace: Inaugurado em 1962 com 2100 lugares, foi o primeiro do Rio de Janeiro a juntar atividades comerciais ao lazer do cinema. Com uma galeria de lojas junto de suas portas, antecipava em décadas o conceito de Galerias Comerciais com atrativos culturais e os Shoppings Centers. Foi avaliado como um dos cinemas com a maior tela de projeção do Brasil.[5]
  • Cinema Aymore: Inaugurado em 1967 e fechado em 1968
  • Top Cine Leopoldina, inaugurado em 1992 junto com um dos primeiros Shoppings Centers da região na Penha (Shopping Leopoldina), com 3 salas de exibição, fechadas em 2005.

Também fazem parte da cultura Leopoldinense, tradicionais nomes vinculados ao Samba:

Bairros[6][editar | editar código-fonte]

Grande Zona da Leopoldina:

* - Vila da Penha

* - Penha Circular

* - Brás de Pina

* - Cordovil

* - Parada de Lucas

*- Vigário Geral

*-Manguinhos (bairro do Rio de Janeiro)


Zona da Leopoldina:

* - Bonsucesso

* - Olaria

* - Penha

* - Ramos

Desmembramentos (bairros criados com área dos bairros originais da Leopoldina):

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://postoseis.com.br/default.aspx?pagegrid=pages&pagecode=207
  2. «História viva dos morros do Rio». O Globo. 9 de janeiro de 2014 
  3. http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-03-14/jovem-e-morto-e-cinco-pessoas-sao-baleadas-na-zona-da-leopoldina.html
  4. Gomes Ferraz, Talitha (10 de outubro 2014). “Era como entrar numa catedral”: os cinemas de estação e a memória do consumo cinematográfico no subúrbio carioca da Leopoldina (1940-1980)1 (PDF). Congresso Internacional Comunicação e Consumo http://www.espm.br/download/Anais_Comunicon_2014/gts/gt_sete/GT07_talitha_FERRAZ.pdf. Consultado em 9 de setembro de 2016  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  5. «[Cinemas Antigos] Cine Rosário (Ramos, RJ)». Cinema é Magia. 13 de junho de 2013. Consultado em 9 de setembro de 2016 
  6. «Vi de Errado». Consultado em 23 de novembro de 2016