Abade Correia da Serra

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Abade Correia da Serra.

O abade José Francisco Correia da Serra (Serpa, 6 de junho de 1750Caldas da Rainha, 11 de setembro de 1823), em 1775 ordenado presbítero, foi um cientista, diplomata, filósofo e polímata português. Investigou designadamente nas áreas da botânica e geologia. O género botânico Correa recebeu o seu nome.

Foi, com o Duque de Lafões, fundador da Academia das Ciências de Lisboa.

De grande prestígio intelectual, conviveu com os grandes cientistas da sua época. Publicou valiosos trabalhos nas mais conceituadas revistas. Tinha também uma grande convivência com o presidente americano da altura Thomas Jefferson, que lhe terá chamado «o homem mais erudito que jamais conheci» (segundo Kenneth Maxwell na sua obra Naked Tropics – Essays On Empire And Other Rogues).

Importância para Portugal[editar | editar código-fonte]

O abade Correia da Serra foi dos primeiros cientistas portugueses a introduzir em Portugal o prestígio necessário para que o aumento da atividade científica dentro do país se acentuasse.

Correia da Serra fez inúmeras investigações no ramo da Botânica e da Paleontologia, tendo na sua bibliografia publicações prestigiadas para a sua época, tais como Philosophical Transactions, da Royal Society, sociedade da qual era membro. O método de anatomia comparada (aplicando termos de classificação da Zoologia para a Botânica) que Abade Serra adotou, permitiu que este agrupasse plantas em famílias (logo foi uma das personagens que introduziu a sistemática nas plantas), trabalho que foi aprofundado mais tarde por Candolle. Para além disso, Abade Serra participou num dos mais relevantes estudos da época, com os seus trabalhos no ramo da Carpologia, auxiliando no conhecimento das características funcionais e estruturais das plantas, e logo na sua classificação.

Não desvalorizando os seus trabalhos nas áreas da Botânica, Zoologia e Geologia, o seu principal contributo para a Biologia (e todas as áreas científicas) em Portugal foi a fundação da Academia das Ciências de Lisboa, em conjunto com João Carlos de Bragança (Lafões).

Abade Correia da Serra ocupou o cargo de Secretário da Academia, e, aplicando todo o conhecimento que possuía do exterior, auxiliou o país a desenvolver a investigação científica. Sem a sua intervenção, Portugal teria ficado um passo atrás da Europa no que diz respeito à estimulação da mentalidade científica e à investigação científica por ela mesma.

Era ainda membro da Academia Real das Ciências da Suécia.

Carreira diplomática[editar | editar código-fonte]

Em 1797, foi nomeado secretário da embaixada portuguesa em Londres, mas uma discussão com o embaixador fê-lo passar para Paris (1802). Permaneceu em Paris durante onze anos.

Em 1813, deixou a Europa e partiu para Nova Iorque. As suas viagens levaram-no várias vezes a Monticello, casa do antigo presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson, onde as suas ideias e posições políticas tiveram grande acolhimento.[1]

Em 1816, foi nomeado como ministro plenipotenciário de Portugal (embaixador) em Washington, D.C., residindo em Filadélfia.[1]

Em 1820 voltou a Portugal, onde foi membro de um conselho financeiro, e eleito para as Cortes (Parlamento), mas morreu três anos depois.[2]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Monticello.org., José Correia da Serra
  2. Encyclopædia Britannica., ed. 1911
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