As Tentações de Santo Antão

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As Tentações de Santo Antão
Autor Hieronymus Bosch
Data 1495 - 1500 [1]
Técnica Óleo sobre madeira de carvalho
Dimensões 131.5 cm × 119 / 53 cm
Localização Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Tentações de Santo Antão é um tríptico do pintor holandês Hieronymus Bosch que terá sido pintado entre 1495 e 1500.[1] Está em exposição em Lisboa no Museu Nacional de Arte Antiga, a partir do antigo palácio real das Necessidades, desconhecem-se as circunstâncias da chegada da obra a Portugal, não sendo certo que tenha feito parte da colecção do humanista Damião de Góis, como algumas vezes é referido.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

Pintura a óleo sobre madeira, 141.5 x 119 cm (painel central), 131,5 x 53 cm (cada painel lateral)

O retábulo original encontra-se, presentemente, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, Portugal. Existem várias cópias e versões, nomeadamente na National Gallery of Canada em Ottawa, no Museu do Prado em Madrid e na Barnes Foundation em Filadélfia. Um possível estudo preparatório para o painel central encontra-se conservado no Museu de Arte de São Paulo.

As Tentações de Santo Antão
The left panel: The Flight and Failure of St Anthony
The center panel: The Temptation of St. Anthony
The right panel: St. Anthony in Meditation

Descrição[editar | editar código-fonte]

Painéis exteriores[editar | editar código-fonte]

Nos painéis exteriores são apresentadas duas cenas da Paixão de Cristo: no painel esquerdo, a Prisão de Cristo com Judas e São Pedro em primeiro plano, no painel direito, Cristo a caminho do Calvário com Santa Verónica ajoelhada a seus pés.

Painel esquerdo[editar | editar código-fonte]

Também chamado "ascensão e queda de Santo Antão", este painel corresponde ao primeiro momento das tentações. Assim, na parte superior da imagem o Santo é levado pelos céus por demónios. Num segundo momento Santo Antão é amparado por dois religiosos e por um leigo, vestido de vermelho escuro. Sob a ponte de madeira, três monstros lêem uma carta enquanto outra figura que patina no gelo se prepara para lhes entregar outra. Mais à frente vemos um conjunto de figuras demoníacas, em trajes de religiosos, que caminham para uma construção cuja entrada é feita com o corpo de um homem ajoelhado, simbolizando um prostíbulo.

Painéis exteriores apresentando duas cenas da Paixão de Cristo.

Painel direito[editar | editar código-fonte]

Conhecido como "a meditação de Santo Antão", este painel apresenta uma mulher banhando-se, nua, junto a um tronco de árvore coberto de um manto vermelho, tentando aliciar o Santo. Este desvia o olhar para a esquerda, onde depara com um grupo de estranhos seres que o tentam aliciar com comida e bebida. No topo, repete-se a imagem dos demónios voadores levando estranhos passageiros. Em segundo plano, vemos uma cena de batalha e uma figura com uma espada que enfrenta um dos monstros.

Painel central[editar | editar código-fonte]

O centro da imagem é preenchido por um templo cilíndrico, em ruínas, que é o único espaço do quadro que não é invadido por demónios. As paredes do templo são decoradas com imagens alusivas ao Antigo Testamento. No interior, junto a um altar a figura de Cristo faz um gesto de bênção, repetido pelo próprio Santo que olha na direcção do espectador. Em fundo, ardem aldeias. O restante espaço é preenchido com seres fantásticos, a maioria híbridos, parte homens, parte animais.

Significado[editar | editar código-fonte]

Santo Antão é considerado o fundador do monaquismo cristão, por ter renunciado aos bens materiais para viver no deserto, em pura contemplação, tornando-se um poderoso símbolo de renúncia ao mundo e ao pecado. As Tentações de Santo Antão apresentam-nos um mundo dominado por forças demoníacas, entregue ao pecado e à culpa. Perante esta visão pessimista e angustiada a única esperança está em Cristo - a figura no centro do quadro. Só pela força da renúncia, amparado pela , pode o homem libertar-se dos demónios que o atormentam.

As Tentações de Santo Antão trazem-nos, a par da loucura e do pecado, a visão de Cristo e do Santo firme na sua fé.

Numa época em que se acreditava firmemente na presença do Diabo e nos tormentos do inferno, na vinda iminente do Anticristo e do Juízo Final, a serenidade de Santo Antão olhando-nos do templo arruinado no centro do quadro, deve ser considerada como um símbolo de esperança.

Outras obras[editar | editar código-fonte]

Outros artistas que pintaram "As Tentações de Santo Antão":

Exemplos:

Galeria[editar | editar código-fonte]

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Alguns detalhes:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Obras MNAA. Mnarteantiga-ipmuseus.pt.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]