Assam

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Assam
Assam in India (disputed hatched).svg
Localização do estado de Assam na Índia
Capital Guwahati
26° 09′ N, 91° 46′ E
Cidade principal Guwahati
Idioma oficial Assamês, Bengali, Bodo, Mishing, Karbi
Governador Janaki Ballabh Patnaik
Ministro Chefe Tarun Gogoi
Poder legislativo:
 • Tipo
 • Membros

Unicameral
126
Formado em 15 de agosto de 1947
Área 78.438 km²
População (março/2001) 26.655.528
Densidade demográfica 340 hab./km²
Total de distritos 25
Fuso horário UTC +5:30
ISO 3166-2 IN-AS
Website assam.gov.in

Assam (em assamês: অসম, transl. Ôxôm, AFI[ɔxɔm]; em hindi: आसाम ou असम) é um dos estados da Índia, localizado no leste do país. Sua capital é Guwahati. Faz fronteira com o Butão a norte, com os Estados indianos de Arunachal Pradesh a nordeste, Nagaland a leste, Manipur a sudeste, Mizoram e Tripura a sul, com Bangladesh (em dois locais) e o Estado de Meghalaya a sudoeste e o Estado de Bengala Ocidental a oeste.

Assam é conhecido pelo chá assamês, petróleo, seda assamesa e pela sua rica biodiversidade. Tem preservado, com sucesso, o rinoceronte-indiano de um chifre da quase-extinção, tigres, inúmeras espécies de aves e serve como um dos últimos habitats para o elefante asiático. É cada vez mais um destino popular para turismo de vida selvagem e notavelmente Kaziranga e Manas são Patrimônios Mundiais.[1] Assam é também conhecido pelas suas florestas de sal. Terra de muita chuva, o estado é dotado de hortaliças deliciosas e o grande rio Brahmaputra, cujos afluentes fornecem à região um ambiente hidrogeomórfico e estético.

Folhas de chá; Assam produz uma porção significativa do chá mundial. Hoje em dia, 'chá' tornou-se quase uma identidade de marca do nome Assam.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Assam era conhecido como Pragjyotisha no Maabárata, e Kamarupa no primeiro milênio. O nome de Assam vem do reino de Ahom (1228-1826), então conhecido como o Reino de Assam.[2] A província britânica após 1838 e o estado indiano após 1947 passaram a ser conhecidos como Assam.

Em 27 de fevereiro de 2006, o governo de Assam iniciou um processo para mudar o nome do estado para Asom, um movimento controverso que teve oposição do povo e das organizações políticas.

História[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

Assam e as regiões adjacentes têm evidências de estabelecimentos humanos de todos os períodos da Idade da Pedra. As colinas na altura de 460 a 615 m eram habitações populares, provavelmente devido à disponibilidade basalto dolerítico, útil para a manufatura de ferramentas.[3]

Segundo o Kalika Purana (século VIII-IX d.C.), escrito em Assam, o governante mais antigo foi Mahiranga, seguido Hatak, Sambar, Ratna e Ghatak; Naraka removeu essa linhagem de governantes e estabeleceu a sua própria dinastia. A escritura menciona que o último dos governantes Naraka-Bhauma, Narak, foi morto por Krishna. O filho de Naraka, Bhagadatta, mencionado no Maabárata, lutou com os Kauravas na batalha de Kurukshetra com um exército de kiratas, chinas e habitantes da costa leste. Governantes posteriores de Kamarupa frequentemente traçavam a sua linhagem dos governantes Naraka.

Antiga e medieval[editar | editar código-fonte]

Um leão feroz, escavado em Madan Kamdev, próximo a Baihata Cariali, em Assam, representando o poderosos Kamarupa-Palas (século IX-X d.C.)
Rang Ghar, pavilhão construído por Pramatta Singha (também Sunenpha; 1744–1751) na capital de Ahom, Rongpur, (atualmente Sibsagar)
Assam até os anos 1950; Os novos estados de Nagaland, Meghalaya e Mizoram se formaram nos anos 1960-70. De Shillong, a capital de Assam foi transferida para Dispur, hoje parte de Guwahati. Após a guerra da Indo-China, em 1962, Arunachal Pradesh também foi separada.

O Assam antigo, conhecido como o reino de Kamarupa, foi governado por poderosas dinastias: os Varmanas (350-650 d.C.), os Salstambhas (Xalostombho, 655-900 d.C.) e os Kamarupa-Palas (900-1100 d.C.). No reinado do rei Varman Bhaskaravarman (600-650 d.C.), o viajante chinês Xuan Zang visitou a região e registrou as suas viagens. Depois, após o enfraquecimento e desintegração (após os Kamarupa-Palas), a tradição de Kamarupa foi de certo modo estendida até 1255 d.C., pelas dinastias Lunar I (1120-1185) e Lunar II (1155-1255).[3]

Duas dinastias posteriores, os Ahoms e os Koch, deixaram impactos maiores. Os Ahoms, originalmente um grupo Tai, governaram Assam por aproximadamente 600 anos (1228-1826), e os Koch estabeleceram soberania em 1510. O reino Koch, ao oeste de Assam e na atual Bengala Setentrional, esteve no seu zênite no antigo reinado de Naranarayana (1540-1587). Em 1581, dividiu-se em dois: a parte ocidental como vassala de Moghul e a parte oriental como um estado satélite de Ahom. Desde o século XIII, o centro nervoso da política de Ahom era Alto Assam; o reino foi gradualmente estendido até o rio Karatoya no século XVII-XVIII. Esteve no seu zênite durante o reinado de Sukhrungpha ou Sworgodeu Rudra Simha (1696-1714). Entre outras dinastias, o reino Chutiya governou o nordeste de Assam e partes da atual Arunachal Pradesh e o reino Kachari governou do rio Dikhow até Assam central e meridional. Com a expansão do reino Ahom, em 1520, as áreas chutiyas foram anexadas e desde 1536 os kacharis permaneceram somente em Cachar e em North Cachar mais como aliadas de Ahom que como competidores. Apesar de inúmeras invasões, principalmente por governantes muçulmanos, nenhuma força ocidental governou Assam até a chegada dos ingleses. O invasor mais bem-sucedido, Mir Jumla, governante de Aurangzeb, ocupou brevemente Garhgaon (1662-63), então a capital, mas achou difícil controlar o povo guerrilhando com as suas forças, forçando-o a sair. A vitória decisiva dos assameses, liderada pelo grande general Lachit Borphukan, sobre os mogóis, então sob comando de Raja Ram Singha em Saraighat (1671) quase acabou com as ambições mogóis. Os mogóis foram finalmente expulsos em 1682 de Baixo Assam.

Assam britânico[editar | editar código-fonte]

A intriga do palácio de Ahom e o turbilhão político causado pela rebelião de Moamoria auxiliou ao governante birmanês expansionista de Ava que invadisse o Assam e instalasse um estado fantoche, em 1821. Quando os birmaneses alcançaram as fronteiras da Companhia Britânica das Índias Orientais, eclodiu a Primeira Guerra Anglo-Birmanesa. A guerra terminou com o Tratado de Yandabo, em 1826, com a companhia tomando controle do Baixo Assam, e instaurando Purander Singh como rei do Alto Assam, em 1833. O acordo, durou até 1838, e a partir de então os britânicos anexaram a região inteira. Inicialmente, Assam tornou-se parte da Presidência de Bengala; em 1906 passou a fazer parte da província da Bengala Oriental e Assam, e em 1912 foi reconstituída como província do Comissariado-Chefe. Em 1913 um Conselho Legislativo, e em 1937 a Assembleia Legislativa de Assam foi formada, em Shillong, antiga capital. Os cultivadores de chá britânicos importaram mão-de-obra da Índia central, o que diversificou ainda mais o panorama demográfico da região. Após algumas tentativas iniciais de liberação do Assam, durante a década de 1850, muitos assameses, desde o início do século XX, se juntaram e apoiaram o Congresso Nacional Indiano contra a ocupação britânica. Em 1947 Assam, juntamente com os atuais Arunachal Pradesh, Nagaland, Mizoram e Meghalaya, tornaram-se um estado na República da Índia (os Estados principescos, Manipur e Tripura tornaram-se províncias do Grupo C) enquanto um distrito de Assam, Sylhet, escolheu juntar-se ao Paquistão.

Pós-britânico[editar | editar código-fonte]

Desde 1947, com problemas econômicos na região, gruops separatistas constituídos por grupos étnicos começaram a se formar, e exigências de autonomia e soberania cresceram, resultando na fragmentação de Assam.

Desde a metade do século XX, habitantes do atual Bangladesh têm migrado a Assam. Em 1961, o Governo de Assam criou uma lei tornando compulsório o uso da língua assamesa; teve que ser posteriormente retirada, devido à pressão de faladores de bengali em Cachar. Nos anos 1980, o vale do Brahmaputra viu uma Agitação Assamesa[4] de seis anos, impulsionada pela descoberta de um aumento súbito no número de eleitores registrados. A população tentou forçar o governo a identificar e deportar estrangeiros migrando ilegalmente de Bangladesh e mudando a demografia. A agitação terminou após um acordo entre os seus líderes e o governo, que ficou mal-resolvido, causando descontentamento.

No período pós-década de 1970 ocorreu o crescimento de grupos separatistas armados, como a Frente Unida de Libertação de Asom (sigla em inglês ULFA).[4] Em novembro de 1990, o Governo da Índia organizou o exército indiano, após o qual conflitos militares e homicídios políticos de baixa intensidade têm continuado por mais de uma década. Nos dias atuais, grupos militantes baseados em etnia (UPDS, DHD, KLO, HPCD etc.) têm também pipocado.

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião maioritária é o hinduísmo com 65%, seguindo-se o islamismo com 31%, cristianismo com 3,1%, budismo com 0,3%, e outros (sikhismo, animismo e budismo, comunidades Khamti, Phake, Aito, etc.) 0,6%[5] .

Distritos[editar | editar código-fonte]

O estado de Assam está dividido em 27 distritos.

Distritos de Assam: 1. Tinsukia, 2. Dibrugarh, 3. Sibsagar, 4. Dhemaji, 5. Jorhat, 6. Lahkimpur, 7. Golaghat, 8. Sonitpur, 9. Karbi Anglong, 10. Nagaon, 11. Marigaon, 12. Darrang, 13. Kamrup Rural, 14. Nalbari, 15. Barpeta, 16. Bongaigaon, 17. Goalpara, 18. Kokrajhar, 19. Dhubri, 20. North Cachar Hills, 21. Cachar, 22. Hailakandi, 23. Karimganj, 24. Kamrup Metropolitan, 25. Baksa, 26. Chirang e 27. Udalguri.

História do chá[editar | editar código-fonte]

Essa gravura de 1850 mostra os diferentes estágios no processo de fazer chá em Assam.

Após a descoberta da Camellia sinensis (1834), em Assam, os britânicos permitiram companhias de alugar terras desde 1839. Desde então, plantações de chá multiplicaram-se no Alto Assam, onde o solo e o clima eram mais apropriados. Problemas com a mão-de-obra importada da China e hostilidades dos assameses nativos resultaram na migração de mão-de-obra compulsória da região centro-leste da Índia. Após uma tentativa e erro iniciais de plantar as variedades híbridas chinesa e assamesa-chinesa, os plantadores aceitaram a Camellia assamica local como a mais apropriada para Assam. Por volta da década de 1850, a indústria começou a ter lucros. A indústria teve crescimento inicial quando, em 1861, foi permitido a investidores de possuírem terras em Assam, e teve processo substancial com a invenção de novas tecnologias e máquinas para processar chá durante os anos 1870. O preço do chá assamês baixou e tornou-se mais competitivo que o variante chinês.

Apesar de ter tido sucesso comercial inicial, a mão-de-obra do chá continuou explorada e trabalhou e viveu sob condições desfavoráveis.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população total de Assam era de 26,66 milhões, com 4,91 milhões de casas em 2001.[6] Maior concentração populacional foi registrada nos distritos de Kamrup, Nagaon, Sonitpur, Barpeta, Dhubri, Darang e Cachar. Estimou-se que a população de Assam era de 28,67 milhões em 2006 e seria de 30,57 milhões em 2011, 34,18 milhões em 2021 e 35,60 milhões em 2026.[7]

Em 2001, o censo registrou alfabetização em Assam de 63,3%, com alfabetização masculina de 71,3% e feminina de 54,6%. A taxa de urbanização foi registrada em 12,9%.[8]

O crescimento da população em Assam tem experienciado uma trajetória bem alta desde meados do século XX. A população cresceu estavelmente de 3,29 milhões em 1901 a 6,7 milhões em 1941, enquanto teve um crescimento sem precedentes de 14,63 milhões em 1971 a 22,41 milhões em 1991, para alcançar o nível presente.[6] O crescimento nos distritos ocidentais e orientais foi extremamente alto, podendo ser atribuído, em sua maioria, ao rápido influxo populacional do então Paquistão Oriental ou Bangladesh.[9] [10]

Assam possui vários grupos étnicos e o People of India project estudou 115 deles. Desses, 79 (69%) se identificam regionalmente, 22 (19%) localmente, e 3 trans-nacionalmente. Os colonizadores mais antigos eram austroasiáticos, seguidos por tibeto-birmaneses, e faladores de línguas indo-arianas e de línguas tai-kadai.[11] Quarenta e cinco línguas são faladas por diferentes comunidades, incluindo três famílias linguísticas principais: Austroasiática (5), Sino-Tibetana (24) e Indo-Europeia (12). Três das línguas faladas não pertencem a essas famílias. Existe um alto grau de bilingualismo.

Evolução cultural[editar | editar código-fonte]

A cultura assamesa é tradicionalmente uma cultura híbrida, desenvolvida devido à assimilação de grupos etno-culturais no passado. Os marcos principais na evolução da cultura assamesa são:

  • Assimilação do reino Kamarupa por quase 700 anos (sob a dinastia Varman por 300 anos, e os Salastambhas e os Palas por 200 anos cada um).[3]
  • Estabelecimento da dinastia Ahom no século XIII d.C. e assimilação pelos próximos 600 anos.[3]
  • Assimilação no reino Koch (sécs. XV-XVI d.C.) de Assam ocidental e no reino Kachari (sécs. XII-XVIII d.C.) de Assam central e meridional.[3]
  • Movimento vaishnava liderado por Srimanta Sankardeva (Xonkordeu) e as suas contribuições e mudanças culturais.

Com ricas tradições, a cultura moderna tem grande influência dos eventos das eras britânica e pós-britânica. A língua foi padronizada pelos Missionários Batistas Americanos, como Nathan Brown, Dr. Miles Branson e pundits locais como Hemchandra Barua. Uma sanscritização renovada foi adotada em larga escala para desenvolver a língua assamesa e a sua gramática. Uma nova onda ocidental e do norte da Índia foi aparente nas artes e na literatura.

Alguns dos traços culturais únicos e comuns na região são o respeito do povo pela noz de bétele e folhas de bétele, pelas roupas simbólicas (Gamosa, Arnai etc.), pelas vestes de seda tradicional e pelos ancestrais e os mais velhos. São também comuns a grande hospitalidade e a cultura de bambu.

Simbolismo[editar | editar código-fonte]

Um par de nozes de bétele, folhas de bétele e 'Gamosa' em um Xorai; isso representa o simbolismo cultural de respeito pela pessoa receptora por parte da pessoa que lhe presenteia.

Simbolismo é uma prática cultural antiga em Assam, e ainda é uma parte muito importante do estilo de vida assamês. Vários elementos são usados para representar crenças, sentimentos, orgulho, identidade, etc. Tamulpan, Xorai e Gamosa são três elementos simbólicos importantes na cultura assamesa. Tamulpan (nozes e folhas de bétele) ou guapan são considerados, juntamente com o Gamosa (roupa tradicional de algodão ou seda), oferendas de devoção, respeito e amizade. A tradição do Tamulpan é antiga e é seguida desde tempos imemoriais, com raízes na cultura aborígine austroasiática. Xorai é um artigo manufaturado de grande respeito e é usado como um recipiente ao realizar oferendas respeitosas. Além disso, simbolicamente, muitos grupos etno-culturais usam roupas específicas para demonstrar respeito e orgulho.

Há muitos outros elementos e estilos simbólicos, mas que são atualmente encontrados somente na literatura, arte, escultura, arquitetura etc. ou em uso para propósitos somente religiosos. Os estilos típicos de leão-assamês, dragão, leão-voador, etc., eram usados para simbolizar vários propósitos e ocasiões. Sítios arqueológicos como Madan Kamdev (sécs IX-X d.C.) exibem uso em massa de leões, dragões-leões e várias outras figuras de demônios para mostrar poder e prosperidade. Os monastérios vaishnavas e muitos outros sítios arquitetônicos do período medieval tardio também mostram o uso de leões e dragões como simbolismo.

Línguas[editar | editar código-fonte]

O assamês e o bodo são as principais línguas indígenas e e as línguas oficiais, enquanto o bengali tem status oficial nos três distritos do Vale Barak.

Traços do assamês são encontrados em muitos poemas por Luipa, Sarahapa, etc. em Charyapada (sécs. VII-VIII d.C.). Os dialetos modernos Kamrupi, Goalpariya, etc., são o que resta dessa língua. Além do mais, o assamês, na sua forma tradicional, foi usada pelos grupos etno-culturais da região como língua-franca, e era requerida para integração econômica.

Página de Charyapada: espécimen da literatura assamesa, sécs. VII-VIII.

O assamês moderno traça as suas origens desde a versão desenvolvida pelos Missionários Americanos, baseada na forma local falada no distrito de Sibsagar (Xiwosagor). O assamês (Oxomiya) é uma língua rica, devido à sua natureza híbrida com características únicas de pronúncia e suavidade. A literatura assamesa é uma das mais ricas.

O bodo é uma língua antiga de Assam. Padrões de distribuição espacial dos grupos etno-culturais, traços culturais e o fenômeno de nomear todos os rios principais da região noroeste com palavras Bodo-Kachari (ex.: Dihing, Dibru, Dihong, Tista, Dikrai etc.) revelam que essa língua era a mais importante dos tempos antigos. O bodo é falado atualmente em Baixo Assam (área do Bodo Territorial Council). Após anos de negligência, a língua está recebendo atenção e a sua literatura está se desenvolvendo. Outras línguas nativas de origem tibeto-birmanesa e relacionadas com o Bodo-Kachari são a língua mishing, karbi, dimaca, rabha, tiwa, etc. Rajbongshi, também conhecido como kamatapuri/goalpariya também é falado pelo povo de Assam ocidental.

Existem grupos menores de faladores de Tai-Phake, Tai-Aiton, Tai-Khamti, etc., relacionados às línguas tai. A língua Tai-Ahom (trazida por Sukaphaa e seus seguidores) é uma língua não mais falada que está recebendo atenção para pesquisas após séculos de cuidado e preservação pelos Bailungs (sacerdotes tradicionais). Há também grupos pequenos de faladores de manipuri, nepalês, khasi, garo, hmar, kuki, etc., em diferentes regiões.

No passado, a migração de bengalis no Vale Barak levou à sua grande população, fazendo com que o governo de Assam inclua o bengali como a língua oficial da região.

Festivais[editar | editar código-fonte]

Rongali Bihu celebration in Bangalore.
Dançarino de Bihu com uma corneta.

Há vários festivais tradicionais importantes em Assam. Bihu é o mais importante e comum celebrado em todo o Assam.

Bihu é uma série de três festivais. É primariamente um festival não-religioso celebrado para marcar as estações e os pontos significativos da vida de um agricultor em um ciclo anual. São três Bihus: rongali ou bohag, celebrados com a chegada da primavera e o começo da época de semeadura; kongali ou kati, o Bihu estéril, quando os campos estão ricos mas os celeiros vazios; e o bhogali ou magh, quando dão graças pela colheita ter sido realizada e os celeiros estarem cheios. As canções e a dança Bihu estão associadas com o rongali. O dia anterior a cada Bihu é conhecido como uruka. O primeiro dia do rongali é conhecido como Goru Bihu (o Bihu das vacas), quando as vacas são levadas para os rios ou lagoas próximas para serem banhadas com cuidado especial. Recentemente, a forma e natureza da celebração têm mudado com o crescimento dos centros urbanos.

Além desse, há outros festivais tradicionais importantes sendo celebrados a cada ano, em diferentes ocasiões e localidades. Muitos desses são celebrados por diferentes grupos etno-culturais (sub-culturas e culturas irmãs). Alguns desses são:

Artes cênicas[editar | editar código-fonte]

Assam tem uma rica tradição de artes cênicas. Ankiya Nat (Onkiya Naat) é uma forma de dança tradicional Vaishnava (bhaona) popular desde o século XV d.C. Faz uso de grandes máscaras de deuses, deusas, demônios e animais e, entre as peças, um Sutradhar (Xutrodhar) conta uma estória. A dança Bihu e Hucory realizada durante o Bohag Bihu, Kushan nritra dos Rajbongshi, as danças Bagurumba e Bordoicikhla dos Bodo, Mishing Bihu e Banjar Kekan são algumas das danças principais. A dança Sattriya (Xotriya), relacionada à tradição Vaishnava, é uma forma clássica de dança. Além disso, há muitas outras formas de dança antigas, como Bhortal Nritya, Deodhoni Nritya, Oja Paali, Beula, Ka Shad Inglong Kardom, Nimso Kerung, etc. Ao mesmo tempo, a tradição musical também é rica. Músicas populares e músicas relacionadas ao Bihu e a outros festivais datam de tempos imemoriais. Borgeet, as músicas populares Vaishnava, foram escritas e compostas no século XV. Assam tem um grande número de instrumentos musicais tradicionais, incluindo vários tipos de tambores, instrumentos de corda, flautas, etc.

A música popular indígena como artistas principais Bhupen Hazarika, Anima Choudhury Nirmalendu Choudhury & Utpalendu Choudhury, Luit Konwar Rudra Baruah, Parvati Prasad Baruva, Jayanta Hazarika, Khagen Mahanta, entre muitos outros. Entre a nova geração, Zubeen Garg e Jitul Sonowal têm muitos fãs.

Artesanato tradicional[editar | editar código-fonte]

Xorai feito de metal e xophura são partes importantes da cultura; oferendas de reverência são feitas usando esses objetos durante os festivais e cerimônias religiosas, e são vistos como itens de respeito.
Prato de latão tradicional de Assam, lindamente feito.
Página colorida de um manuscrito pintado em Assam; os pintores medievais utilizavam materiais de pintura manufaturados localmente, como as cores brilhantes de hangool e haital e papéis feitos com casca de aloés.

Assam possui uma rica tradição de artesanato; atualmente, as tradições principais são: artesanato de cana e bambu; artesanato de metal e latão; tecelagem de seda e algodão; confecção de máscaras e brinquedos; trabalho de cerâmica e terracota; artesanato de madeira; confecção de jóias; confecção de instrumentos musicais.[12] Historicamente, Assam também era excelente na manufatura de barcos, armas e pólvora tradicionais; artesanato de marfim; cores e tintas, artigos de laca, produtos de resina de madeira, utensílios de ferro, etc.

O artesanato de cana e bambu provê os utensílios mais comuns da vida diária, incluindo utensílios domésticos, acessórios de tecelagem, acessórios de pesca, móveis, instrumentos musicais, materiais de construção, etc. Utensílios e artigos simbólicos como Xorai e Bota, feitos de metal e latão, são encontrados em toda casa assamesa.[13] [14] Hajo e Sarthebari (Xorthebaary) são os centros mais importantes de artesanato de metal e latão. Assam é o lar de vários tipos de sedas. As mais prestigiosas são: Muga - a seda dourada natural, Pat - uma seda cor prata e Eri - variedade utilizada na manufatura de roupas quentes para o inverno. Além de Sualkuchi (Xualkuchi), o centro da indústria tradicional de seda, em quase qualquer região do vale do Brahmaputra, casas rurais produzem seda e vestes de seda com bordados excelentes. Além disso, vários grupos etno-culturais em Assam fazem diferentes tipos de vestes de algodão com bordados únicos e belas combinações de cores.

Além do mais, Assam possui um artesanato único de brinquedos e máscaras, concentrado principalmente nos monastérios Vaishnava, trabalho de cerâmica e terracota em distritos do Baixo Assam, artesanato em madeira, artesanato em ferro, jóias, etc., em muitos lugares da região.

Belas artes[editar | editar código-fonte]

Os stupas máurias descobertos dentro e por volta do distrito de Goalpara são os exemplos mais antigos (300 a.C. a 100 d.C.) de arte antiga e obras arquitetônicas. Os restos descobertos no sítio arqueológico de Deparvatiya (Doporbotiya) com um belo alizar de porta em Tezpur são identificados como os melhores exemplos de arte no antigo Assam, com influência da Escola de Arte Sarnath do período Gupta tardio. Muitos outros sítios também apresentam o desenvolvimento de formas de arte locais, com motivos locais e às vezes similaridades com as artes do Sudeste Asiático. Há, atualmente, mais de quarenta sítios arqueológicos antigos descobertos em Assam, com inúmeros resquícios esculturais e arquitetônicos. Além disso, há exemplos de várias obras de arte e obras arquitetônicas da Idade Média tardia, incluindo centenas de esculturas e motivos, juntamente com vários templos, palácios e outras construções. Os motivos apresentados nas paredes de construções como Rang Ghar, Joydoul, etc., são exemplos notáveis de obras de arte.

Pintura é uma antiga tradição de Assam. Xuanzang (século VII d.C.) menciona que entre os presentes do rei de Kamarupa Bhaskaravarma para Harshavardhana havia pinturas e objetos pintados, alguns dos quais estavam sobre seda assamesa. Muitos dos manuscritos como Hastividyarnava (Tratado sobre Elefantes), Chitra Bhagawata e Gita Govinda, da Idade Média, são excelentes exemplos de pintura tradicional. A literatura assamesa medieval também refere-se aos chitrakars e patuas.

Existem vários artistas contemporâneos renomados em Assam. O Guwahati Art College, em Guwahati, é uma instituição governamental para educação terciária. Além disso, existem várias sociedades artísticas e iniciativas não-governamentais no estado. O Guwahati Artists Guild é uma organização importante baseada em Guwahati.

Educação[editar | editar código-fonte]

Cotton College, em Guwahati, deu início à educação e pesquisa terciária em Assam, e continua com padrões educacionais clássicos e altos por mais de cem anos; muitas das construções na faculdade são excelentes exemplos da arquitetura assamesa, com toques coloniais.

Assam tem várias instituições de educação e pesquisa terciária. As principais são:

Lugares[editar | editar código-fonte]

Vista de Guwahati; a cidade antigamente conhecida como Pragjyotishapura (cidade da luz oriental) tem um passado de mais de dois mil anos.

Cidades e vilas[editar | editar código-fonte]

A história do desenvolvimento urbano alcança mais de dois mil anos na região. A existência de áreas urbanas antigas como Pragjyotishapura (Guwahati), Hatapesvara (Tezpur), Durjaya, etc., e vilas medievais como Charaideu, Garhgaon, Rongpur, Jorhat, Khaspur, etc. é bem registrada.[3]

Guwahati é o maior centro urbano em Assam. A cidade experienciou um grande crescimento durante as últimas três décadas. A população da cidade era de aproximadamente 0,9 milhões durante o censo de 2001. As outras áreas urbanas importantes são Dibrugarh, Jorhat, Golaghat, Tinsukia (Tinicukiya), Sibsagar (Xiwoxagor), Silchar (Silcor), Tezpur, Nagaon, Lakhimpur, Bongaigaon, etc. O crescimento populacional na cidade de Silchar, no Vale Barak, também é surpreendente durante as últimas duas décadas. Nalbari, Mangaldoi, Barpeta, Kokrajhar, Goalpara, Dhubri (Dhubury), etc., são outras cidades. Por outro lado, Duliajan, Digboi, Namrup, Moran, Bongaigaon, Numaligarh, Jogighopa, etc., são as principais cidades industriais. Atualmente, há por volta de 125 centros urbanos, no total, no estado.

Dinamismo do crescimento nas principais áreas urbanas.

Destinos[editar | editar código-fonte]

O famoso rinoceronte-indiano de Assam em Kaziranga.
As orquídeas são abundantes em Assam; uma variedade - Bhatou Phul ou Vanda coerulea, a Orquídea Azul.

Assam tem vários destinos atraentes; a maioria deles é de parques nacionais, vida selvagem e santuários de aves,[15] áreas de interesse arqueológico e áreas com herança cultural única. Além do mais, como um todo, a região é coberta de belas paisagens naturais.

Referências

  1. World Heritage Centre 2007
  2. Sarma, Satyendra Nath (1976) Assamese Literature, Harrassowitz, Wiesbaden, p2. “While the Shan invaders called themselves Tai, they came to be referred to as Āsām, Āsam and sometimes as Acam by the indigenous people of the country. The modern Assamese word Āhom by which the Tai people are known is derived from Āsām or Āsam. The epithet applied to the Shan conquerors was subsequently transferred to the country over which they ruled and thus the name Kāmarūpa was replaced by Āsām, which ultimately took the Sanskritized form Asama, meaning ‘unequalled, peerless or uneven’” Tradução: "Enquanto os invasores Shan se denominavam Tai, eles vieram a ser referidos como Āsām, Āsam ou às vezes Acam pelos povos indígenas do país. A palavra assamesa moderna Āhom pela qual o povo Tai é conhecido é derivada de Āsām, Āsam. O epíteto aplicado aos conquistadores Shan foi subsequentemente transferido para o país que governavam e assim o nome Kāmarūpa foi substituído por Āsām, que, por fim, tomou a forma sanscritizada Asama, significando inigualável, sem-par."
  3. a b c d e f Barpujari 1990
  4. a b Hazarika 2003
  5. Indian Census
  6. a b The Government of Assam 2002-03
  7. The National Commission on Population 2006
  8. Director of Census Operations, Census of India 2001
  9. Hussain 2004
  10. The Governor of Assam 1998
  11. Taher 1993
  12. Assam Tourism 2002
  13. Ranjan
  14. Nath
  15. Directorate of Information and Public Relations 2002

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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