Conflitos Luso-Turcos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Os conflitos Luso-Turcos, foram uma série de combates militares, entre a Armada Portuguesa e tropas do Império Otomano, integradas em outras forças militares ou por conta própria. Alguns desses conflitos foram pontuais, enquanto outros, arrastaram-se por vários anos, a maior parte ocorreram, no Oceano Índico, durante a consolidação do Império Português na Ásia[1] .

A Cruzada Turca[editar | editar código-fonte]

A 8 de Abril de 1481, a bula Cogimur iubente altissimo proclamava a cruzada contra os turcos[2] [3] .

Só no reinado de D. Manuel I, é que Portugal decidiu participar na cruzada, mandando El Rei, preparar uma esquadra que partiu para o Mediterrâneo sob o comando do bispo de Évora, D. Garcia de Meneses[3] .

No entanto, os portugueses não precisaram de combater, pois quando chegaram a Otranto esta tinha sido abandonada devido à notícia da morte súbita do Sultão, vítima da peste[3] .

Batalha de Diu[editar | editar código-fonte]

O primeiro conflito armado entre Portugueses e Turcos, deu-se em 1509 no Oceano Índico, durante a batalha de Diu, também conhecida por Batalha Naval dos Rumes[4] , a mais emblemática batalha naval da História da Marinha Portuguesa[5] .

Foi uma tentativa por parte do Sultanato Mameluco Burji do Egipto, de impedir a criação de uma ligação regular de comércio entre a Ásia e a Europa no processo de expansão do Império Português na Ásia, enfrentando a armada portuguesa com uma frota conjunta do Sultanato, Império Otomano, Calecute e do Sultão de Gujarat, com o apoio técnico-naval da República de Veneza e da República de Ragusa[1] .

Conquista de Goa[editar | editar código-fonte]

A seguir à conquista de Diu, Afonso de Albuquerque procura uma cidade importante para a transformar na capital do Império do Oriente e decide conquistar Goa, um importante porto da costa ocidental do Industão que estava nas mãos de Adil Khan (Hidalcão), um sultão otomano.

A cidade foi conquistada em Fevereiro de 1510, sem um único tiro, mas Albuquerque foi obrigado a abandoná-la, sob forte pressão das tropas inimigas. No entanto, a 25 de Novembro desse mesmo ano, é reconquistada de forma definitiva[6] [7] .

Conquista de Tunes[editar | editar código-fonte]

Em 1535, os Otomanos sob o comando de Khair ad-Din iniciaram um ataque aos navios cristãos no mar Mediterrâneo a partir de Argel.

Para os combater, Carlos V reuniu um exercito sob a égide do Sacro Império Romano-Germânico, com o apoio de Portugal, República de Génova, Estados Pontifícios e da Ordem de Malta, conquistando Tunes, à altura, sob o controle do Império Otomano[8] .

1538 a 1563[editar | editar código-fonte]

Em 1538 os turcos regressaram a Diu com uma armada quatro vezes mais poderosa do que a reunida em 1509, sendo novamente derrotados, fugindo para o Mar Vermelho[9] .

Neste período, surgiram imensos conflitos entre portugueses e turcos, todos eles em volta da rota das especiarias e do controle da pimenta [1] [4] [5] [10] .

De todas essas batalhas, destaca-se a Campanha da Etiópia (1541 a 1543), devido à importância da mesma na manutenção do Império Etíope e da religião cristã no território[11] em que ficaram registadas para a história as batalhas de Baçente (1542) e de Wayna Daga (1543)[12] .

Batalha de Alcácer-Quibir[editar | editar código-fonte]

A Batalha de Alcácer-Quibir, conhecida em Marrocos como Batalha dos Três Reis, foi uma grande batalha travada no norte de Marrocos perto da cidade de Ksar-El-Kebir, entre Tânger e Fez, a 4 de Agosto de 1578. Os combatentes foram os portugueses liderados pelo rei D. Sebastião aliados ao exército do sultão Mulay Mohammed (Abu Abdallah Mohammed Saadi II, da dinastia Saadi) contra um grande exército marroquino liderado pelo seu tio, o Sultão de Marrocos Mulei Moluco (Abd Al-Malik da dinastia Saadi) com o apoio do exercito otomano[13] .

Oitava Guerra Otomano-Veneziana[editar | editar código-fonte]

A oitava Guerra Otomano-Veneziana foi travada entre a República de Veneza e o Império Otomano entre 1714 e 1718. Foi o último conflito entre as duas potências e também entre Portugal e os Turcos, terminando com uma vitória otomana e com a perda da posse da maior possessão de Veneza na península grega, o Peloponeso (Moreia), tendo participado ao lado da República de Veneza, Portugal os Estados Pontifícios e a Ordem de Malta[14] .

A Participação de Portugal foi decisiva para o desfecho da guerra com a sua vitoriosa participação na batalha naval de Matapan travada a 19 de Julho de 1717.

Após a conquista da Moreia, pelos turcos, estes avançaram por terra, cercando Corfu. Perante esta ameaça, D. João V, Rei de Portugal à altura, encarregou o conde de Rio Grande, o almirante Lopo Furtado de Mendonça, de comandar a esquadra portuguesa, ao encontro da força turca sitiada ao largo do cabo de Matapan, culminando numa histórica vitória[15] .

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
Internet
Bibliografia
  • José Virgílio Amaro Pissarra. Chaul e Diu, 1508 e 1509. O Domínio do Índico. Lisboa: Tribuna da História, 2003. 99 p. ISBN 9789728563113
  • João Paulo Oliveira e Costa & Vítor Luís Gaspar Rodrigues. Conquista de Goa. Lisboa: Tribuna da História, 2008. 112 p. ISBN 9789728799939

Ver também[editar | editar código-fonte]