DOI-CODI

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O Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) foi um órgão subordinado ao Exército, de inteligência e repressão do governo brasileiro durante o regime inaugurado com o golpe militar de 31 de março de 1964, a ditadura militar, também chamada de "Anos de Chumbo".

Destinado a combater inimigos internos que supostamente ameaçariam a segurança nacional, como a de outros órgãos de repressão brasileiros no período, a sua filosofia de atuação era pautada na Doutrina de Segurança Nacional, formulada no contexto da Guerra Fria nos bancos do National War College, instituição norte-americana, e aprofundada, no Brasil, pela Escola Superior de Guerra (ESG).

Índice

São Paulo [editar]

Quartel do 1º B.P.E. e sede do DOI-CODI no Rio de Janeiro.

Estabelecido em praticamente todos os estados da federação, em São Paulo as suas instalações eram localizadas na Rua Tutóia, no bairro do Paraíso, onde atualmente funciona o 36° distrito policial.

O DOI-CODI surgiu a partir da Operação Bandeirante (OBAN), criada em 1969 com o objetivo de coordenar e integrar as ações dos órgãos de combate aos indivíduos e às organizações que pretendiam resistir ao regime militar.

Cada estado tinha o seu CODI, subordinado ao DOI, que era o órgão central. Os DOI, sob um único comando de um Major de Infantaria do Exército, reuniam militares do Exército e integrantes voluntários das polícias militares estaduais, polícias civis e federal. Na década de 1973, os DOI foram renomeados Secção do CIEx - Centro de Informações do Exército.

O DOI-CODI, tinha um Capitão de Infantaria, no seu comando interno, e um Major de infantaria no comando externo.

Um de seus principais comandantes, entre de setembro de 1970 a janeiro de 1974, foi o Coronel-de-Infantaria Inativo Carlos Alberto Brilhante Ustra, na época major, reconhecido pela atriz Bete Mendes como um de seus torturadores no período em que esteve presa.

Foi nas dependências do DOI-CODI, no II Exército de S. Paulo, que ocorreu a morte, em 1975, do jornalista Vladimir Herzog, diretor de jornalismo da TV Cultura. Na época, apesar da tese ter pouca credibilidade perante a sociedade, as autoridades militares procuraram, com o auxílio de uma fotografia mal montada e de um laudo assinado pelo ex-médico legista Harry Shibata, classificar o episódio como "suicídio". Na véspera Vladimir Herzog, atendendo a uma convocação do II Exército para prestar esclarecimentos, dirigiu-se por seus próprios meios ao local onde viria a ser posteriormente torturado e assassinado.

Menos de um ano depois, em circunstâncias semelhantes, morre também por "suicídio" atestado pelo mesmo Harry Shibata, nas dependências do DOI-CODI paulista, o operário Manoel Fiel Filho.

Em função destes e de outros episódios, devidamente documentados pelo Projeto Brasil: Nunca Mais, a tese de que apenas militantes armados eram considerados alvos dos DOI-CODI não pôde mais se sustentar. Os DOI-CODI ficaram efetivamente conhecidos como centros de torturas daqueles que se opuseram ao regime ditatorial vigente.

Rio de Janeiro [editar]

No Rio de Janeiro o DOI funcionava no Quartel do 1º Batalhão da Polícia do Exército, no bairro da Tijuca, na Rua Barão de Mesquita nº 425. No local foram presos, torturados e muitas vezes assassinados os militantes da luta armada naquela cidade.1

Existe a ideia de transformar esse emblemático local em centro de memória, a semelhança da Escola de Mecânica da Armada (ESMA) (da Marinha de Guerra), onde funcionavam as câmaras de tortura da ditadura militar argentina.2

Ver também [editar]

Referências

Bibliografia [editar]

  • SILVA, Carlos Teixeira da (org.). Dicionário crítico do pensamento da Direita. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2000. p. 136-137.