Edino Krieger

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Edino Krieger (Brusque, Santa Catarina, 17 de março de 1928) é um compositor brasileiro.

Vida[editar | editar código-fonte]

Aos sete anos seu pai começou a instruí-lo em violino, em com 14 anos deu um concerto em Florianópolis que lhe valeu uma bolsa de estudos do governo do estado, transferindo-se para o Rio de Janeiro. Ali ingressou no Conservatório Brasileiro de Música, tendo aulas de contraponto, harmonia e composição com Hans-Joachim Koellreutter, ao mesmo tempo em que se aperfeiçoava no violino com Edith Reis, na Escola Lambert Ribeiro.

Com pouco mais de um ano de estudos já fazia progressos tão brilhantes que recebeu em 1945 o Prêmio Música Viva por um Trio de Sopros, e a partir desta data passou a aprofundar seu envolvimento com o dodecafonismo e integrar o Grupo Música Viva de compositores de vanguarda, ao lado de Koellreutter, Claudio Santoro, Guerra-Peixe e Eunice Catunda. Em 1948 foi selecionado para estudar no Berkshire Music Center, de Massachussets, tendo na banca examinadora Aaron Copland, Henry Cowell, Gilbert Chase e Carleton Sprague Smith, e onde foi aluno de Darius Milhaud. Em seguida estagiou por um ano na Juilliard School of Music de Nova Iorque, na classe de composição de Peter Mennin. Estudou também violino com William Nowinsky, assistente de Ivan Galamian, na Henry Street Settlement School of Music. Representou a Juilliard no Simpósio de Compositores dos Estados Unidos e Canadá realizado em Boston, tendo executada sua obra Música de Câmara para flauta, trompete, violino e tímpanos, e atuou como violinista da Mozart Orchestra de Nova Iorque. Sua temporada nos Estados Unidos fez com que progressivamente se afastasse do dodecafonismo.

Voltou ao Brasil em 1949, passando a procurar uma ocupação estável. De início trabalhou com terapia musical no Hospital do Engenho de Dentro, e depois ingressou nos quadros da Rádio MEC. Também nesta época colaborou com a Rádio Roquette Pinto e o jornal Tribuna da Imprensa, como crítico. Em 1952 teve aulas com Ernest Krenek, e logo mudou-se para Londres para continuar seus estudos de composição com Lennox Berkeley. Em 1955 obteve o Prêmio Internacional da Paz do Festival de Varsóvia e o Prêmio da Fundação Rottelini de Roma. Retornando ao Brasil, reassumiu seu posto na Rádio MEC, onde foi indicado Diretor Musical e regente assistente da orquestra da rádio.

Em 1959 conquistou o prêmio maior do I Concurso Nacional de Composição do Ministério da Educação, com o Divertimento para Cordas, e foi agraciado com a Medalha de Honra do Cinqüentenário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1961 seu Quarteto de Cordas nº 1 obteve o Prêmio Nacional do Disco. Em 1968 recebeu o Troféu Golfinho de Ouro pelo conjunto de sua obra, o que se repetiu em 1988. Em 1976 foi indicado Diretor Artístico da FUNTERJ - Fundação de Teatros do Rio de Janeiro, organizando a temporada de reabertura do Teatro Municipal e o Centro de Produções Teatrais de Inhaúma. Em 1979 criou o Projeto Memória Musical Brasileira junto ao Instituto Nacional de Arte.

Na década de 1980 recebeu vários prêmios e honrarias, como o título de Cidadão Emérito do estado do Rio de Janeiro (1982), uma condecoração do governo da Polônia em 1984, a Medalha Anita Garibaldi de Santa Catarina (1986), o Prêmio Shell de Música (1987) e foi patrono de um concurso de piano em sua cidade natal. Entre 1981 e 1989 dirigiu o Instituto Nacional de Música da FUNARTE, fundação também presidida por ele de 1989 até 1990, data de sua extinção, e de 2003 a 2006 exerceu a Presidência da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. É Presidente da Academia Brasileira de Música, tendo sido eleito por unanimidade.

Obras e estilo[editar | editar código-fonte]

Edino Krieger desenvolve uma trajetória polimorfa. Sua primeira obra, de 1944, é uma Sonata para violino em estilo barroco que relembra Corelli. Do mesmo ano é seu Improviso, já seguindo o impressionismo musical. A influência de Koellreutter se faz notar logo no ano seguinte, com o Trio 1945, o Quarteto de cordas e a canção Tem piedade de mim.

Nos Estados Unidos começou seu desligamento da escola dodecafonista e suas explorações com novas técnicas de harmonia e orquestração, como fruto de seu contato com Milhaud e Aaron Copland. Desta fase são sua Melopéia, para grupo de câmara, e Fantasia, para grande orquestra. Reincidências no dodecafonismo aconteceram sob o estímulo de Krenek, gerando o Sururu nos doze (1951), a Música para piano e a Balada para três vozes femininas, flauta e violão, onde já se nota um hibridismo estilístico, com exóticas explorações de modalismos em atmosferas dodecafônicas.

A década de 1950 começa com trabalhos de índole neoclássica como o Rondò fantasia e a grande Abertura sinfônica, inspirados na escola de Hindemith, e envereda pelo universo dos regionalismos, compondo canções como Tu e o vento, Balada do desesperado e Desafio.

A fase londrina é caracterizada por um certo retraimento, preocupando-se mais com o maior acabamento formal e com uma busca de novos horizontes. Disto surgem obras de alta qualidade e de caráter nacionalista, como o 1º Quarteto de Cordas (sua primeira tentativa anterior foi renegada pelo autor), o Concerto para piano e orquestra, a Sonatina para piano solo e a suíte Brasiliana, uma de suas composições mais conhecidas e apreciadas pelo grande público.

Em 1961 compôs as músicas do filme Bruma Seca e em 1970, para O Meu Pé de Laranja Lima. As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas pelo surgimento de algumas de suas peças mais significativas: o Ludus Symphonicus (1965), escrito para o 3º Festival de Música de Caracas e estreada pela Orquestra Filarmônica da Filadélfia, o bailado Convergências (1968); o Canticum Naturale (1972), para soprano e orquestra, baseada em cantos de pássaros e ruídos ambientais da Amazônia; Ritmata (1974), para violão solo, de grande sucesso, e o notável Estro Armonico, de 1975, uma de suas obras-primas, organizada em um sistema de serialismo vertical de grande coesão estrutural.

Os anos 80 também testemunharam a aparição de composições bem sucedidas, como Sonâncias I para violino e dois pianos (1981) e o Romance de Santa Cecília (1989), para narrador, soprano, coro infantil e orquestra, em três movimentos, onde empregou motivos de antigas danças e cantos plagais para criar uma atmosfera de alegria, despojamento e devoção.

Sua produção mais recente é assinalada pelo Concerto para dois violões e cordas (1994), o Te Deum puerorum Brasiliae (1997), composto para a visita do Papa ao Rio de Janeiro, onde fundiu vários sistemas modais: cantos gregorianos, regionalistas e indígenas, e Terra Brasilis, escrita por encomenda do Ministério da Cultura para celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil.

Obra mais conhecida[editar | editar código-fonte]

  • Canticum Naturale (1972), para soprano e orquestra, baseada em cantos de pássaros e ruídos ambientais da Amazônia

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Mariz, Vasco. História da Música no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. 6ª ed. pp. 359–366.
  • Música clássica em CD ISBN 85-7110-431-x pág.117