Darius Milhaud

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Darius Milhaud (Marselha, 4 de setembro de 1892Genebra, 22 de junho de 1974) foi um compositor e professor francês, um dos mais prolíficos do século XX. Sua obra é conhecida por conciliar o uso da politonalidade (múltiplas tonalidades ao mesmo tempo) e do jazz. Fez parte do influente Grupo dos Seis.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Milhaud nasceu na comuna francesa de Marselha, membro de uma família judaica. Estudou no Conservatório de Paris, onde conheceu seus colegas de composição Arthur Honegger e Germaine Tailleferre. Teve aulas de composição com Charles Widor e harmonia e contraponto com André Gédalge. Também estudou, de forma independente, com Vincent d'Indy. Ainda jovem, trabalhou como voluntário no Brasil, durante o período em que o poeta Paul Claudel era embaixador no país. Essa época marcou muito sua vida, refletindo-se em obras como a suíte de dança Saudades do Brazil ou a famosa peça Scaramouche. De 1917 a 1919 viveu no Rio de Janeiro como adido da Embaixada da França.

Em viagem aos Estados Unidos da América, em 1922, ouviu pela primeira vez o jazz "autêntico" nas ruas do bairro de Harlem em Nova Iorque. A partir do ano seguinte passou a compor com influência do jazz, tendo completado La Création du monde ("A Criação do mundo"), um balé em seis cenas contínuas, com movimentos naquele estilo.[1]

Devido à Segunda Guerra Mundial, mudou-se para os Estados Unidos em 1940, só podendo retornar à França após sua libertação. Durante esses anos, lecionou no Mills College de Oakland, Califórnia.

Entre 1947 e 1971 alternou períodos de docência em Mills e no Conservatório de Paris até que, devido a sua saúde já debilitada que o mantinha preso a uma cadeira de rodas, acabou se aposentando. Morreu em Genebra, Suíça, aos 81 anos de idade.

Assim como seus contemporâneos Paul Hindemith, Bohuslav Martinů e Heitor Villa-Lobos, compunha muito rapidamente e de forma natural. Suas obras mais conhecidas são os balés Le Bœuf sur le toit e La Création du monde, a peça Scaramouche (em diferentes versões), e a suíte de dança Saudades do Brazil. Sua autobiografia é intitulada Notes sans musique ("Notas sem música"), mais tarde Ma vie heureuse ("Minha vida feliz").

Principais estudantes[editar | editar código-fonte]

Lecionando no Mills College e no Conservatório de Paris, Darius Milhaud teve como alunos, entre outros:

Obras[editar | editar código-fonte]

As obras a seguir apresentadas representam apenas uma pequena fração de tudo o que Milhaud compôs: Sua lista de opera chega ao número 443. Também é importante ressaltar que Milhaud costumava fazer várias versões da mesma peça, como Scaramouche, que pode ser para saxofone e orquestra, saxofone e piano, dois pianos, clarinete e orquestra, etc.

Ópera[editar | editar código-fonte]

  • Les Malheurs d'Orphée (1926)
  • Christophe Colomb (1928)
  • Maximilien (1930)
  • Médée, com texto de Madeleine Milhaud, sua prima e esposa (1938)
  • Bolivar (1943)

Balé[editar | editar código-fonte]

  • L'Homme et son désir, op. 48, para quatro cantores (sem texto) e madeiras, percussão e cordas solistas
  • Le Bœuf sur le toit, op. 58 (1919)
  • La Création du monde, op. 81, para pequena orquestra (1923)

Orquestral[editar | editar código-fonte]

  • Doze sinfonias
  • Seis pequenas sinfonias
  • Suíte sinfônica Nº 2 – Protee, op.57 (1919)
  • Serenade en trois parties, op.62 (1920-1921)
  • Saudades do Brazil, op. 67 (1920-21, arranjo da versão para piano)
  • Suite provençale, op. 152b (1937)

Concertante[editar | editar código-fonte]

  • Piano
    • Cinq Études pour piano et orchestre, op. 63 (1920)
    • 5 concertos para piano e orquestra (1933-1955)
    • Le Carneval d'Aix, op. 83b, fantasia para piano e orquestra (1926)
  • Scaramouche, para saxofone e orquestra (1937), para clarinete e orquestra (1939)
    • I. Vif
    • II. Modéré
    • III. Brazileira
  • Concerto pour batterie et petit orchestre (concerto para percussão e pequena orquestra), op. 109
  • Concertino d'hiver, op. 327, para trombone e orquestra de cordas (1953)
  • Duo Concertant pour Clarinette et Piano (1956)
  • Concerto pour Clarinette et orchestre

Câmara[editar | editar código-fonte]

  • Cordas
    • Le Printemps, para violino e pequena orquestra
    • Première Sonate, para viola e piano
    • 18 quartetos de cordas (os de número 14 e 15 podem ser executados tanto separadamente quanto em conjunto, como um octeto de cordas)
    • 3 études sur des thèmes du Comtat Venaissin (1973)
    • Homage a Igor Stravinsky
  • Madeiras
    • Suite française, op. 248 (1944)
      • 1. Normandie
      • 2. Bretagne
      • 3. Île de France
      • 4. Alsace-Lorraine
      • 5. Provence
    • West Point Suite, op. 313 (1954)
    • Deux Marches, op. 260 (1946)
    • Introduction et Marche funèbre
    • La Cheminée du Roi René (quinteto de madeiras)

Piano[editar | editar código-fonte]

  • Printemps, (1915-1920)
  • Le bœuf sur le toit, para dois pianos (1919)
  • Saudades do Brazil, (1920)
  • Scaramouche, para dois pianos (1941)
  • La muse menagere
  • 2 sonatas
  • Sonatina
  • Les Songes, para dois pianos

Vocal[editar | editar código-fonte]

  • Machines agricoles, op. 56, para um cantor e sete instrumentos, com textos retirados de um catálogo de máquinas agrícolas (1919)
  • Cataloque des fleurs, op. 60, para um cantor e sete instrumentos (1920)
  • Chateau du feu, op. 337, cantata em memória dos judeus mortos pela Alemanha Nazi

Referências

  1. Milhaud – La création du monde: Pomona College, Department of Music, 1999.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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