Gabinete de curiosidades

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Frontispicio do Musei Wormiani Historia mostrando o quarto das maravilhas de Worm.

Os Gabinetes de Curiosidades ou Os quartos das Maravilhas designam os lugares em que durante a época das grandes explorações e descobrimentos dos século XVI e século XVII, se colecionavam uma multiplicidade de objetos raros ou estranhos dos três ramos da biologia considerados na época: animalia, vegetalia e mineralia; além das realizações humanas.

Em geral os gabinetes de curiosidades eram uma exposição de curiosidades e achados procedentes de novas explorações ou instrumentos tecnicamente avançados, como foi o caso da coleção do Tsar Pedro, o Grande, em outros casos eram amostras de quadros e pinturas, sendo este o caso do arquiduque Leopoldo Guillermo, podendo ser considerados como os precursores dos atuais museus de arte.

Apareceram durante o Renascimento na Europa. Os gabinetes de curiosidades são os antecessores diretos dos museus. Tiveram um papel fundamental para o desenvolvimento da ciência moderna embora refletissem a opinião popular do tempo (não era raro encontrar sangue de dragão secado ou esqueletos de animais míticos). A edição de catálogos, geralmente ilustrados, permitia acessar e difundir o conteúdo para os cientistas da época.

Os Gabinetes de Curiosidades desapareceram durante os séculos XVIII e XIX, sendo substituídos por instituições oficiais e coleções privadas. Os objetos considerados mais interessantes foram transferidos para museus de artes e de história natural que começaram a ser fundados. Tiveram grande importância no estudo precoce de certas disciplinas de biologia ao criar coleções de fósseis, conchas e insetos.

Elementos históricos[editar | editar código-fonte]

  • Ole Worm (1588-1654) constituiu um famoso gabinete de curiosidades cujo inventário ilustrado foi publicado, em 1655, sob o título Museum Wormianum .
  • Georg Everhard Rumphius (1627-1702) elaborou um livro e um catálogo de seu gabinete.
  • Albertus Seba (1665-1736) constituiu um gabinete de curiosidades cujo catálogo publicou a partir de 1710.
  • Sir Hans Sloane (1660-1753) reuniu um dos maioress gabinetes de curiosidade do mundo. Foi a origem da criação do Museu Britânico.
  • René-Antoine Ferchault de Réaumur (1683-1757) montou o maior gabinete da França. Após a sua morte, foi integrado ao Gabinete de rei.
  • Em 1760, Sir James Darcy Lever começou a acumular uma imensa coleção que o levou à ruína. Devido à recusa do governo britânico de comprá-la, foi dispersada.

Organização das coleções[editar | editar código-fonte]

Nos gabinetes de curiosidades , as coleções podiam ser organizadas em quatro categorias ( nomeadas em latim ) :

  • artificialia, onde eram agrupados objetos criados ou modificados pela mão humana ( antiguidades, obras de arte, etc);
  • naturalia, onde eram agrupados as criaturas e objetos naturais;
  • exotica, onde eram agrupados plantas e animais exóticos ;
  • scientifica, onde eram agrupados os instrumentos científicos.

Gabinetes de curiosidades europeus[editar | editar código-fonte]

Os gabinetes de curiosidades ou quartos de maravilhas, conhecidos como "Cabinets de Curiosités" na França, "Wunderkammern" na Alemanha e Austria, "Wonder Chambers" na Grã-Bretanha e "Kunstkammer" na Dinamarca.

Johann Georg Hainz: Kleinodien-Schrank, 1666

Os principais gabinetes de curiosidades da Europa foram :

  • O de conde Moscardo. O livro "Cose piu notabili" é um itinerário por seu gabinete de curiosidades.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Paolo Frambotto, 1556. MOSCARDO, Lodovico : Note overo Memorie del Museo di Lodovico Moscardo.... Paris, Museu de História natural : FHNV.
  • Julius Von Schlosser: Die Kunst- und Wunderkammern der Spätrenaissance, 1908.
  • Antonie Schnapper. Le géant, la licorne, la tulipe: Collections françaises au XVIIe siècle. Paris, Flammarion, 1988.
  • Roland Schaer. L'invention des musées. Gallimard/RMN, Découvertes, 1993.
  • Oliver Impey and Arthur MacGregor, 2001. The Origins of Museums: The Cabinets of Curiosities in Sixteenth- and Seventeenth-Century Europe. ISBN 1842321323.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]