Graham Hancock

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Graham Hancock (Edimburgo, Escócia, 2 de agosto de 1950) é um jornalista e escritor britânico. Seus livros incluem Lords of Poverty, Em Busca da Arca da Aliança, As Digitais dos Deuses, Keeper of Genesis (lançado nos EUA como Message of the Sphinx), O Mistério de Marte, Heaven's Mirror (com a esposa Samantha Faiia), Underworld: The Mysterious Origin of Civilization e Talisman: Sacred Cities, Sacred Faith (com Robert Bauval).

Ele também roteirizou e apresentou os documentários do Channel 4 Underworld: Flooded Kingdoms of the Ice Age e Quest for the Lost Civilization (exibido em três partes pelo Discovery Channel, baseado em seu livro "Heaven's Mirror").

Seu livro mais recente, Supernatural: Meetings With The Ancient Teachers of Mankind, foi lançado no Reino Unido em outubro de 2005 e nos EUA em 2006. Nele, Hancock examina a arte rupestre paleolítica à luz do modelo neuropsicológico de David Lewis-Williams, explorando sua relação com o desenvolvimento da mente do homem moderno.

As principais áreas de interesse de Hancock são mistérios antigos, monumentos de pedra ou megálitos, mitos antigos e dados astrológicos/astronômicos do passado.

Um dos principais temas discorridos em vários de seus livros é a possível conexão global com uma "cultura-mãe", da qual, crê ele, todas as antigas civilizações históricas descenderiam.

Embora seus livros tenham vendido mais de 5 milhões de exemplares e tenham sido traduzidos em 27 línguas, seus métodos e conclusões têm encontrado pouco apoio entre os acadêmicos. Muito criticado por ser um pseudoarqueólogo, Hancock, que admite francamente não ter formação em arqueologia, considera proporcionar um contrapeso ao que classifica como aceitação e apoio "inquestionados" dados às visões ortodoxas pelo sistema educacional, meios de comunicação e pela sociedade em geral.[1]

Baseando seus argumentos no livro de 1995 When the Sky Fell de Rand e Rose Flem-Ath (discípulos do Prof. Charles Hapgood, Hancock sustenta que a crosta terrestre, as placas tectônicas concebidas como uma única camada exterior, é capaz de subitamente mudar sua direção relativa ao manto subjacente. Ele observa que há evidência de animais e plantas de climas temperados que aparentemente foram "congelados instantanemente" em áreas que agora são gélidas mas que já foram muito mais quentes.

Por volta de 11.600 AC, de acordo com os Flem-Ath, um cataclismo súbito deslocou a Antártida para o sul por cerca de 2 mil milhas. Antes deste acontecimento, a Antártida pode ter sustentado uma civilização humana cujas construções, cidades inclusas, estariam agora sepultadas sob o gêlo antártico. Citando semelhanças entre as tradições das antigas civilizações do mundo, o autor sugere que navegantes desta antiga civilização hipotética viajaram pelo mundo para fundar as civilizações que se seguiram.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Edimburgo, Hancock cresceu na Índia, onde seu pai trabalhava como cirurgião. Voltando para o Reino Unido, formou-se pela Durham University em 1973, colando grau com Louvores de Primeira Classe em sociologia.

Como jornalista, trabalhou para muitos periódicos britânicos, tais como The Times, The Sunday Times, The Independent e The Guardian. Foi co-editor da revista New Internationalist de 1976 a 1979 e correspondente na África Oriental de The Economist de 1981 a 1983. Em 1996, apareceu em The Mysterious Origins of Man.[2]

Teoria da Correlação de Órion[editar | editar código-fonte]

Um tema constante de diversos trabalhos de Hancock é a exposição da "Teoria da Correlação de Órion", primeiro defendida pelo autor belga Robert Bauval e posteriormente desenvolvida em trabalhos em colaboração com Hancock, bem como em suas publicações individuais. A base desta teoria diz respeito á proposição de que as posições relativas das três principais pirâmides do Egito Antigo na planície de Gizé foram (por projeto) correlacionadas com as posições relativas das três estrelas da constelação de Órion, que formam o "Cinturão de Órion", conforme eram visíveis por volta de 10.500 AC.

Às suas primeiras afirmações a respeito do alinhamento das pirâmides de Gizé com Órion ("… as três pirâmides eram um mapa terrestre inacreditavelmente preciso das três estrelas do Cinturão de Órion")[3] juntaram-se posteriormente especulações sobre a idade da Grande Esfinge.[4]

Segundo estes trabalhos, a Grande esfinge foi construída por volta de 10.500 AC, e sua forma de leão seria uma referência definitiva à constelação de Leo. Conseqüentemente, a orientação e disposições da Esfinge, pirâmides de Gizé e do rio Nilo, com relação uns aos outros no chão é interpretada como uma imagem espelahda exata ou "map" das constelações de Leão, Órion (especificamente, o cinturão e a Via Láctea, respectivamente.

Conforme Hancock declara em O Mistério de Marte de 1998, co-escrito com Bauval:

… demonstramos com um corpo de evidências substancial que o padrão das estrelas está "congelado" na superfície em Gizé, na forma das três pirâmides e a Esfinge, representando a disposição das constelações de Orion e Leo como eram visíveis no momento da aurora do equinócio de primavera durante a "Era de Leão" astronômica (entenda-se, na época em que o Sol estava "abrigado" em Leão no equinócio de primavera). Como todas as eras precessionais, este foi um período de 2.160 anos. Calcula-se geralmente que tenha se situado entre as datas do calendário gregoriano de 10.970 e 8.810 AC. (op. cit., p.189)

As alusões à datas situadas 12.500 anos atrás são significativas para Hancock, uma vez que é nesta era que ele localiza a avançada civilização progenitora, agora desaparecida, mas que ele afirma na maioria de seus trabalhos ter exisitido e cuja tecnologia vançada influenciou e deu forma ao desenvolvimento das civilizações (conhecidas) da antiguidade mundial. A egiptologia e a arqueologia sustentam que as provas disponíveis indicam que as pirâmides de Gizé e a Grande Esfinge foram construídas durante o período da Quarta Dinastia do Egito (terceiro milênio AC) [5] ). Hancock não contesta a datação das pirâmides, mas afirma que elas devem ter sido projetadas com conhecimento de como as estrelas eram vistas 8.000 anos antes delas serem construídas —uma vez que a TCO afirma que elas estão orientadas naquele sentido— o que sugere haver mais indícios da influência de uma tecnologia e conhecimento não disponíveis para os construtores das pirâmides.

As afirmações feitas por Hancock, Bauval e outros como Adrian Gilbert e Anthony West, a respeito do significado destas supostas correlações foram examinadas por vários cientistas, que publicaram críticas e refutações detalhadas destas idéias.

Entre estes vários críticos estão dois astrônomos, Ed Krupp do Observatório Griffith em Los Angeles e Anthony Fairall, professor de astronomia da Universidade da Cidade do Cabo, Africa do Sul. Utilizando equipamentos de planetários, Krupp e Fairall investigaram separadamente o ângulo entre o alinhamento do Cinturão de Órion e o norte durante a era citada por Hancock, Bauval et. al. (o qual difere do ângulo visto hoje ou no terceiro milênio AC, por causa da precessão dos equinócios), e descobriu que o ângulo era consideravelmente diferente da "justaposição perfeita" defendida por Bauval e Hancock na TCO– 47-50 graus pelas medições do planetário, comparado ao ângulo de 38 graus formado pelas pirâmides.[6]

Krupp também apontou par ao fato que a linha ligeiramente curva formada pelas três pirâmides desviava-se rumo ao norte, onde a ligeira alteração na linha formada pelo Cinturão de Órion desviava-se rumo ao sul, e para fazê-las coincidir, uma ou outra teria que ser invertida de cima para baixo.[7] Na realidade, foi isto o que ocorreu no livro original de Bauval e Gilbert ("The Orion Mystery"), que comparava imagens das pirâmides e Órion sem informar que o mpa das pirâmides estava invertido..[8] Krupp e Fairall encontraram outros problemas nas afirmações, inclusive observando que se a Esfinge representasse a Constelação de Leo, então deveria estar na margem oposta do Nilo (a "Via Láctea") com relação às pirâmides ("Órion"),[6] [7] que o equinócio vernal por volta de 10.500 AC estava na Constelação de Virgo e não Leo,[6] e que me qualquer caso as constelações do Zodíaco são originárias da Mesopotâmia e completamente desconhecidas até a muito posterior era greco-romana.[8] Contudo, um comentarista sugeriu que em seus artigos sobre este assunto Krupp seria culpado de "fazer exatamente o que acusa aqueles que ataca de fazerem: pseudo-ciência exemplar".[9] Este mesmo comentarista, contudo, apesar de criticar algumas das afirmações de Krupp sobre a natureza da astronomia dos egípcios antigos, descreve as teorias de Hancock e Bauval como "improváveis, por vários outros motivos" (Conman, 2002)

A teoria de uma Esfinge mais antiga recebeu apoio consideravelemnte maior da ciência acadêmica. Mais notável, o geólogo Robert M. Schoch argumenta que os efeitos da erosão pluvial na Esfinge e seus arredores significam que partes do monumento devem ter sido esculpidas originalmente no máximo entre 7.000–5.000 AC.[10] A análise de Schoch tem sido largamente corroborada por outro geólogo, David Coxill, que concorda que a Esfinge foi fortemente castigada por água de chuva e conseqüentemente deve ter sido esculpida nas eras pré-dinásticas,[11] enquanto um terceiro geólogo, Colin Reader, sugeriu uma data vários milhares de anos anterior à data comumente aceita para a construção. Estas opiniões, contudo, tem sido quase unanimemente constestadas pelos egiptólogos acadêmicos, os quais junto com alguns geólogos, sustentam a datação convencional do monumento. Sua análise atribui o desgaste aparentemente acelerado da Esfinge desde à moderna poluição industrial, diferenças qualitativas entre as camadas de pedra calcárea no próprio monumento, com o auxílio de areia carregada pelo vento, e/ou mudanças de temperatura causando a rachadura na pedra.

Referências

  1. Graham Hancock's website
  2. NBC's Origins Show (March 1996). Página visitada em 2007-02-19.
  3. Fingerprints of the Gods, 1995, p.375
  4. Hancock and Bauval, Keeper of Genesis, lançado em 1997 nos EUA como The Message of the Sphinx
  5. (January 21, 2004) (2006) The Seven Wonders. The Great Pyramid of Giza.
  6. a b c Fairall, Anthony (1999). "Precession and the layout of the Ancient Egyptian pyramids". Journal of the Royal Astronomical Society.
  7. a b Krupp, Ed (1997). "Pyramid Marketing Schemes". Sky and Telescope.
  8. a b Krupp, Ed (2002). Astronomical Integrity at Giza. Página visitada em 2006-08-08.
  9. Conman, Joanne (2002) 'Blinking Back: Eyeball to Eyeball with Ed Krupp'
  10. synopsis of a 1999 paper by Schoch
  11. Coxhill, David (1998) cited by Robert Schoch

Ligações externas[editar | editar código-fonte]