Hélio Gracie

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Hélio Gracie
Hélio Gracie em 2004
Nascimento 1 de outubro de 1913
Belém (PA)
 Brasil
Morte 29 de janeiro de 2009 (95 anos)
Petrópolis (RJ)
 Brasil
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Grão-mestre em Jiu-jitsu brasileiro
10º Dan

Hélio Gracie (Belém do Pará, 1 de outubro de 1913 - Petrópolis, 29 de janeiro de 2009) foi o patriarca da família Gracie.[1] Foi responsável pela difusão do Jiu-Jitsu no Brasil e idealizador do estilo de arte marcial brasileira conhecido mundialmente como Brazilian Jiu-Jitsu.

Descendente distante de escoceses, quando era apenas uma criança sua família mudou-se para o Rio de Janeiro. Devido à sua frágil saúde, Hélio, o mais franzino dos Gracie, não podia treinar o Judô tradicional ensinado pelos seus irmãos, especialmente Carlos Gracie.

Observador, Hélio passou a acompanhar, dos seus treze aos dezesseis anos, as aulas ministradas por Carlos. Aprendeu todas as técnicas e ensinamentos de seu irmão, mas, para compensar seu biotipo, Hélio aprimorou a parte de solo tradicional, através do uso do dispositivo de alavanca, dando-lhe a força extra que não possuía, criando assim o Jiu-Jitsu Brasileiro (hoje internacionalmente conhecido como Brazilian Jiu-Jitsu, ou BJJ).[2]

No dia 29 de janeiro de 2009, aos 95 anos, Hélio Gracie faleceu e deixou como legado as raízes do esporte que ensinou e difundiu por todo o planeta.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Hélio Gracie nasceu dia 1 de Outubro de 1913 em Belém do Pará. Quando completou seus 16 anos de idade encontrou a oportunidade de ensinar o Jiu-jitsu tradicional, e essa experiência o levou a criar o Jiu-jitsu brasileiro. Um diretor do Banco do Brasil, Mario Brandt, chegou para uma aula privada na original Academia Gracie no Rio de Janeiro, como estava marcado. Carlos Gracie, que era quem dava as aulas chegaria tarde e não estaria presente. Hélio então ofereceu-se para dar aula ao rapaz. Mais tarde quando Carlos chegou pedindo desculpas pela demora, o estudante afirmou que não havia problema, mas que gostaria de agora em diante receber aulas de Hélio. Carlos concordou com o pedido e então Hélio se tornou um instrutor na academia.

Hélio então percebeu, que mesmo sabendo as técnicas teoricamente, seria difícil executá-las devido à sua fraqueza. Percebendo que muitas das técnicas requeriam força bruta. Consequentemente ele passou a adaptar a arte marcial para seus atributos físicos, e aprendeu a maximizar a alavanca, assim minimizando a força que seria necessária para executar as técnicas. Com esses experimentos, Jiu-Jitsu Gracie, mais tarde conhecido como Jiu-jitsu brasileiro (ou Brazilian Jiu-Jitsu em inglês) foi criado. Usando essas novas técnicas, um praticante menor e mais fraco ganharia a capacidade de se defender e até derrotar oponentes mais fortes.

Primeiras lutas[editar | editar código-fonte]

Hélio começou sua carreira de lutas quando finalizou o lutador de boxe profissional Antonio Portugal em 30 segundos em 1932. No mesmo ano Gracie lutou contra o estadunidense Fred Ebert por 14 rounds de 10 minutos cada, até que a luta foi interrompida pela polícia.

Em 1934, Hélio lutou contra Wladak Zbyszko, que era chamado de "campeão do mundo", por 3 rounds de 10 minutos. Esta luta terminou empatada.

Lutas contra judocas[editar | editar código-fonte]

Em 1932 Hélio Gracie lutou contra o judoca Namiki. A luta terminou empatada, mas segundo a família Gracie o sinal do fim da luta tocou segundos antes que Namiki batesse o braço. Hélio enfrentou duas vezes o judoca japonês Yasuichi Ono, depois que o japonês estrangulou o irmão George Gracie em outra luta. Ambas as lutas terminaram empatadas. Hélio Gracie também lutou contra o judoca japonês Kato duas vezes. A primeira luta, no estádio do Maracanã terminou empatada. Hélio pediu então uma segunda luta, realizada no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Hélio ganhou a segunda luta estrangulando Kato.

Em 1951, Hélio Gracie lutou contra o judoca Masahiko Kimura no Maracanã.[4] Kimura ganhou usando uma chave de braço chamada ude-garami - que mais tarde seria chamada de kimura pelos gracies. Em 1994, durante uma entrevista, Hélio Gracie admitiu que ficou inconsciente ao ser estrangulado por Kimura, mas que reviveu e continuou lutando. A luta terminou com Kimura aplicando a chave no braço esquerdo de Hélio, que se recusava a "bater" (desistir da luta). Seus técnicos então jogaram a toalha, terminando a luta. Outras fontes mencionam que o braço de Hélio foi quebrado, mas segundo fotos tiradas no vestiário, após a luta, e por depoimento do próprio, ficou com o braço dolorido, mas não quebrado.

Um texto escrito por Kimura relata o fato:

"Hélo me agarrou pelas duas lapelas, e me atacou com um O-soto-gari e Kouchi-gari. Mas ele não me moveu nem um pouco. Agora era minha vez. Eu o joguei no ar por O-uchi-gari, Harai-goshi, Uchimata, Ippon-seoi. Por volta de 10 minutos de luta, eu o lancei por O-soto-gari. Eu planejava causar uma concussão. Mas já que o tatame era muito macio não teve muito efeito nele. Enquanto continuava a lançá-lo, estava pensando em um modo de finalizar. Eu o arremessei por O-soto-gari novamente. Assim que Hélio caiu, eu o imobilizei por Kuzure-kami-shiho-gatame. Eu mantive por dois ou três minutos, e então tentei sufocá-lo pela barriga. Hélio balançava sua cabeça tentando respirar. Ele não aguentava mais, e tentou empurrar meu corpo esticando seu braço esquerdo. Nesse instante, eu agarrei seu pulso esquerdo com minha mão direita, e torci seu braço. Apliquei Udegarami. Eu pensei que ele iria desistir imediatamente. Mas Hélio não bateu no tatame. Não tive escolha a não ser continuar a torcer o seu braço. O estádio silenciou. O osso de seu braço estava se aproximando do ponto de quebrar. Finalmente, o som do osso quebrando ecoou no estádio. Ainda assim Hélio não desistiu. Seu braço esquerdo já estava inutilizado. Sob essa regra, eu não tinha outra escolha a não ser torcer o seu braço novamente. Tinha muito tempo ainda sobrando. Eu torci o seu braço esquerdo novamente. Outro osso quebrou. Hélio ainda não bateu. Quando tentei torcer o braço novamente, uma toalha branca foi jogada. Venci por TKO(nocaute técnico). Minha mão foi erguida. Japoneses brasileiros correram para a arena e me ergueram. Por outro lado, Hélio deixava seu braço esquerdo pendendo e parecia muito triste, resistindo a dor."

Em fim 1980 lutou contra o norte-americano Charles Williams, acabou também empatando, sendo que Williams é o lutador mais baixo da história de todas as lutas. Só com anão. Charles foi treinado por Hélio a lutar, assim desde então até 1991 com o falecimento de Charles.

Mensagem do Mestre[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição. Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atleta, seja qual for sua especialidade. Além de boa alimentação, controle sexual e da abstenção de hábitos prejudiciais à saúde. O problema consiste na criação de um Jiu-Jitsu competitivo com regras, tempo inadequado e que privilegia os mais treinados, fortes e pesados. O objetivo do Jiu-Jitsu é, principalmente, beneficiar os mais fracos, que não tendo dotes físicos são inferiorizados. O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que não aceita certos regulamentos e tempo determinado. Essas são as razões pelas quais não posso, com minha presença, apoiar espetáculos, cujo efeito retrata um anti Jiu-Jitsu. Cquote2.svg
Hélio Gracie, em entrevista à Fightingnews

Mensagem de Helio Gracie no DVD Jiu-jitsu Advanced[editar | editar código-fonte]

Helio Gracie conta que tinha um grande problema para aplicar os golpes do jiu-jitsu tradicional Japones:

Cquote1.svg Primeiro eu não fazia, pois não conseguia adaptar-me para aplicar os golpes, eu comecei a fazer adaptações desse jiu-jitsu por mim criando um jiu-jitsu um pouco diferente porque aqueles golpes não conseguia aplicar, comecei me ajeitar fiz o jiu-jitsu para mim, este jiu-jitsu foi dando uma maior eficiência, um dia vem um cara muito forte lutar comigo onde foi minha primeira luta o nome dele é Edigar Santos Rocha e sendo que na mesma obtive vitória em tempos depois Carlos Gracie aranjou outra luta daqui para cá venho aprimorando cada vez mais a técnica, sendo a mesma que dominou o mundo e o meu filho Rorion Gracie com o UFC nos Estados Unidos deu esta propagação fantástica que o mundo inteiro quer aprender jiu-jitsu, o jiu-jitsu que eu faço e que meus filhos fazem não e possível vencê-los a não ser por acidente, amanhã você vai lutar com Holyfield, em 100 lutas pode perder 3 ou duas, ou seja para vencer-me terá que saber o jiu-jitsu que eu adaptei ou apenas por um acidente, logicamente a confederação de boxe jamais deixará pois traria prejuízos enorme ao boxe pela grande rotatividade de investimento.

O jiu-jitsu que criei não foi para esporte de competição, eu nunca tive qualidade físicas, eu não fui um atleta, mas criei a primeira federação de jiu-jitsu para ter uma projeção oficial do jiu-jitsu, ou seja destacar minha arte para ser oficial, meu jiu-jitsu é uma arte de defesa pessoal, para proteger o cidadão o homem de mais idade, a mulher ser atacada, o homem fraco, a criança, a senhora ou a moça amanhã se dominada e apanharem por vagabundo qualquer, porque não tem condições atléticas para brigar como eu nunca tive, o meu jiu-jitsu é um jiu-jitsu pujante de eficiência física para condições de defesa pessoal haja visto exemplo que nos temos visto, os melhores lutadores no Brasil e o celeiro de campeões mundiais de jiu-jitsu, todos melhores lutadores do mundo de jiu-jitsu são do Brasil, independente dos meus filhos que são melhores que todos os outros, apenas meus filhos sabem o jiu-jitsu de briga, concilia a técnica esportiva com a de briga, agora no Brasil só faz jiu-jitsu com regras e tempo, ora como posso lutar com um homem mais forte com 5 ou 10 minutos de briga se eu sou fraco e ele e forte eu tenho que esperar que ele canse para ganhar, quem é melhor sou eu ou ele, ele que ganha durante o tempo ou eu que ganho depois do tempo porque o juiz disse que eu perdi, nossas lutas são sem tempo, porque eles não tem técnica vão cansando e nos ganhamos a luta. Eu sempre disse nunca ganhei de ninguém, eles que perdem.

Eu devo tudo ao jiu-jitsu eu era um garoto fraco, nervoso, complexado, eu achava ser valente era não ter medo de brigar acontece que depois que comecei a praticar jiu-jitsu passei a não brigar, passei acreditar em mim, passei a ser tolerante as coisas, e sou um homem tolerante aparentemente, pois o controle do jiu-jitsu foi tão grande me fez bom moralmente, todo brigador e covarde, todo brigador e inseguro por isso que ele briga, o homem seguro e confiante, quando seguro moralmente ele domina a pessoa com a moral e não com briga.

Cquote2.svg
Hélio Gracie, em DVD

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Helio Gracie


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Estadão - Lenda das artes marciais, Hélio Gracie completaria 100 anos nesta terça-feira (1 de Outubro de 2013). Página acessada em 12/10/2013.


  1. Esportere Árvore genealógica da família Gracie Esportere.com.br.
  2. Fisiculturismo Fisiculturismo.com.br.
  3. .. Maior nome do jiu-jítsu, Helio Gracie morre em Itaipava, no Rio, aos 95 anos Globo.com Globoesporte.globo.com.
  4. GOOGLE. Hélio Gracie x Masahiko Kimura. Disponível em: video.google.com/videoplay?docid=1690337360622979628