Hemocromatose

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Hemocromatose
Classificação e recursos externos
CID-10 E83.1
CID-9 275.0
OMIM 235200
DiseasesDB 5490
MeSH D006432
Star of life caution.svg Aviso médico

Hemocromatose é uma doença na qual ocorre depósito de ferro nos tecidos em virtude de seu excesso no organismo. Os principais locais de depósito são o fígado, o pâncreas, o coração e a hipófise. O excesso de ferro nesses órgãos progressivamente lesiona as células e prejudica seu funcionamento. A hemocromatose pode ser hereditária, quando é causada por uma anomalia genética, ou secundária, quando é provocada por outra doença ou por fatores ambientais.[1]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Causas hereditárias/primárias[editar | editar código-fonte]

  • Hemocromatose Hereditária (HH) associada ao HFE (tipo 1):
    • C282Y homozigose
    • C282Y/H63D heterozigose composta
  • Hemocromatose Hereditária não associada ao HFE:
    • Hemocromatose juvenil (tipo 2)
      • Mutação hepcidina (2A)
      • Mutação hemojuvelina (2B)
    • Hemocromatose tipo 3 (mutação do receptor 2 da transferrina)
    • Mutação da ferroportina tipo 4 (hemocromatose autossômica dominante)

Causas adquiridas/secundárias[editar | editar código-fonte]

Outras causas[editar | editar código-fonte]

Raramente no grau observado na Hemocromatose Hereditária:

Características[editar | editar código-fonte]

Tecido hepático danificado pelo excesso de ferro.

Hemocromatose Hereditária (HH)[editar | editar código-fonte]

A hemocromatose hereditária (HH), descrita inicialmente por Von Recklinghausen em 1889, é a mais comum doença genética, hereditária, alcançando 1 em 200 pessoas descendentes de nórdicos ou celtas, na maioria dos casos. Trata-se de uma prediposição para a absorção excessiva de ferro na alimentação, que leva ao seu acúmulo pela falta de um mecanismo eficiente no ser humano para a sua eliminação.

  • A absorção normal de ferro é da ordem de 1 mg por dia. Nesta doença pode ser absorvido até 4 mg.
  • A quantidade total de ferro do corpo gira em torno de 3 a 4 g. Nas formas avançadas da doença, pode passar de 20 g.

É causada principalmente por duas alterações em um gene (HFE) - C282Y e H63D - que foram identificadas em 1996. Estas alterações causam a troca de um aminoácido na posição 282 e/ou na posição 63 da proteína HFE. No entanto, muitos portadores de hemocromatose com recorrência familiar não são portadores de nenhuma dessas alterações, o que indica que há outras modificações no gene ainda desconhecidas.

Hemocromatose Secundária[editar | editar código-fonte]

Ocorre pelo acúmulo de ferro causada por outras patologias. A sua principal causa são as hemoglobinopatias, aonde a destruição crônica de hemácias, libera a hemoglobina rica em ferro no sangue e há acúmulo nos mesmos órgãos-alvo da hemocromatose hereditária.

Outra causa estatisticamente significativa é a administração excessiva de ferro, seja pela necessidade de múltiplas transfusões sanguíneas, por auto-medicação ou pelo tratamento equivocado de uma anemia de outra causa como sendo anemia ferropriva (por deficiência de ferro).

Infelizmente, muitas vezes portadores de anemias hereditárias desenvolvem hemocromatose pelo próprio mecanismo da anemia, pela necessidade de transfusões para controlá-la e ainda fazem uso de complementos de ferro por erro diagnóstico.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas são, na maioria dos casos :

  1. Fadiga (cansaço)
  2. Astenia (fraqueza)
  3. Dor abdominal
  4. Perda de peso
  5. Amenorreia (ausência de menstruações)
  6. Dores nas articulações
  7. Insuficiência hepática (por cirrose e/ou carcinoma hepatocelular)
  8. Sintomas similares a diabetes
  9. Insuficiência e arritmia cardíacas.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico costuma ser feito por exames de sangue rotineiros que medem os níveis de ferritina e saturação de ferro. Testes genéticos podem confirmar mutações nos genes que tipicamente causam HH, mas mesmo no caso de não identificar mutações nos genes o diagnóstico não pode ser descartado, pois mutações mais raras podem estar envolvidas.[2]

Para confirmar e aumentar a precisão do diagnóstico é necessário retirar e examinar o sangue semanalmente por um período de quatro a seis semanas acompanhando o efeito das medicações e da dieta nos níveis de ferro e de glóbulos vermelhos.[2]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Fígado e peixe devem ser evitados, por serem riquíssimos em ferro.[3]

O tratamento se baseia na retirada do excesso de ferro (flebotomia) de forma similar a feita em postos de doação de sangue, com a diferença que esse sangue costuma ser descartado para não prejudicar outras pessoas com seus níveis perigosos de ferro.[2]

A carne (boi, porco, galinha, peixe e mexilhões) e a gema do ovo são uma das principais fontes de ferro e portanto deve ser comida com moderação ou evitada. [2] Todos alimentos enriquecidos com ferro devem ser consumidos com moderação, por exemplo, pães, cereais e grãos enriquecidos ou integrais e complexos vitamínicos. Além disso, pimentão, feijão, salsa, frutas secas, chocolate meio-amargo, melado de cana-de-açúcar, rapadura e açúcar mascavo também são ricos em ferro e devem ser moderados.(Lista com mais detalhes: [1])

Outra alternativa é o uso de agentes "sequestradores" de ferro, como a deferoxamina, sendo que o uso da medicação é reservada aos com contra-indicação à flebotomia, como os portadores de anemias.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

Com um diagnóstico precoce, pode-se evitar danos aos tecidos de diversos órgãos com a retirada do ferro em excesso. No caso da hemocromatose hereditária, como as manifestações de sintomas são bastante difusas e relacionadas a diversas enfermidades, em muitos casos o diagnóstico ocorre por pura sorte, no momento de um check up geral, ao se observar pequenas mudanças em exames de sangue ou no rastreamento de familiares de portadores conhecidos de hemocromatose.

Com o controle do consumo de ferro na alimentação é possível minimizar os sintomas e levar uma vida normal, mas continua sendo necessário fazer exames regulares.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Powell, LW. Recent concepts in iron metabolism and HFE mutations. Journal of Gastroenterology and Hepatology, Volume 19, Supplement 7 (December 2004)
  2. a b c d http://www.einstein.br/einstein-saude/nutricao/Paginas/hemocromatose-excesso-de-ferro-e-prejudicial.aspx
  3. http://www.tuasaude.com/alimentos-fontes-de-ferro/