James Matthew Barrie

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James Matthew Barrie
James Matthew Barrie.jpg
Nome completo James Matthew Barrie
Nascimento 9 de maio de 1860
Kirriemuir, Escócia, Reino Unido
Morte 19 de junho de 1937 (77 anos)
Londres, Inglaterra, Reino Unido
Nacionalidade Reino Unido Britânico
Ocupação Escritor e dramaturgo
Magnum opus Peter and Wendy (1911)

Sir James Matthew Barrie, 1º baronete, OM (Kirriemuir, Escócia, 9 de maio de 1860Londres, Inglaterra, 19 de junho de 1937), muitas vezes referido como J. M. Barrie, foi um escritor e dramaturgo britânico nascido na Escócia. Nascido no pequeno condado escocês de Argus, Barrie frequentou a Glasgow Academy e a University of Edinburgh, até se mudar para Londres em 1885, para seguir carreira de dramaturgo e escritor. Escreveu diversas peças teatrais e livros durante quase toda a vida, em sua maioria voltada para o público adulto, inclusive a peça, ao contrário do como é referido comumente, The Boy Who Wouldn't Grow Up (O Menino Que Nunca Quis Crescer, em português), de 1904, que deu origem ao famoso personagem Peter Pan, sua mais célebre e famosa criação, um menino criado pelas fadas que conseguia voar e vivia em uma terra mágica chamada Neverland (ou Terra do Nunca, como é conhecido nos países lusófonos), aonde não envelhecia jamais. Porém, só em 1911 o romance Peter and Wendy ou simplesmente Peter Pan, foi publicado em livro, narrando a clássica história dos irmãos Darling, Wendy, João e Miguel (Wendy, John e Michael, em inglês) que acompanham Peter Pan em uma jornada pela Terra do Nunca, aonde enfrentam piratas, liderados pelo Capitão Gancho. Antes disso Barrie escreveu os romances Little White Bird (1902) e Peter Pan in Kensington Gardens (1906), ambos inspirados no personagem, narrando suas aventuras no Jardins de Kensington, em Londres.

Acredita-se que Barrie tenha se inspirado em sua amizade com os filhos de Sylvia Llewelyn Davies, uma dona de casa viúva a quem o escritor conheceu por acaso, para criar o mundo mágico de Peter Pan. De fato, Barrie se tornou tutor dos garotos depois da morte de Sylvia até sua morte em 1937, devido a uma forte pneumonia; Em vida, doou os direitos autorais da história de Peter Pan ao hospital pediátrico Great Ormond Street.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O pai do autor, David Barrie, era um fiandeiro e sua mãe, Margaret Ogilvy, a filha de um pedreiro. O casal teve dez filhos e Barrie foi o nono. Jamie, como era chamado, ouvia histórias de piratas contadas por sua mãe que lia para seus filhos as aventuras de R. L. Stevenson. Quando Barrie tinha sete anos, seu irmão David morreu em um acidente de patinação (patinagem). David fora o filho preferido e sua mãe caiu em depressão. Barrie tentou conseguir sua afeição vestindo-se com as roupas do irmão falecido. A relação obsessiva que surgiu entre mãe e filho marcaria a sua vida. Depois da morte da mãe, Barrie publicou, em 1896, uma biografia em sua memória.

Aos 13 anos, Barrie saiu de sua casa. Na escola, interessou-se por teatro e devorou obras de autores como Julio Verne, Mayne Reid e James Fenimore Cooper.

Barrie estudou na Dumfries Academy e na Universidade de Edimburgo. Depois de trabalhar como jornalista para o Nottingham Journal, mudou-se para Londres em 1885, de bolsos vazios, como escritor independente. Vendia seus trabalhos, a maioria humorísticos, para revistas de moda, como The Pall Mall Gazett.

Em seu romance de mistério Better Dead (1888), Barrie satiriza pessoas conhecidas. Com seus amigos Jerome K. Jerome, Arthur Conan Doyle, P.G. Wodehouse e outros fundou um clube de críquete chamado Allahakbarries. Doyle era o único membro que realmente conseguia jogar "cricket".

Em 1888 ganhou fama com Auld Licht Idylls, um retrato da vida escocesa. A crítica elogiou sua originalidade. Seu melodrama The Little Minister (1891) se tornou um imenso sucesso e foi filmado posteriormente por três vezes. Depois disso, Barrie passou a escrever para o teatro.

The Little Minister foi uma produção de palco muito popular tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, onde Barrie começa sua colaboração com o empresário Charles Frohman e sua estrela Maude Adams. Duas das melhores peças de Barrie, Quality Street, sobre duas irmãs que abriram uma escola para “crianças refinadas”, e The Admirable Crichton, na qual um mordomo salva uma família após um naufrágio, foram produzidas em Londres em 1902 e posteriormente filmadas.

Em 1894 casou-se com Mary Ansell, que havia aparecido em sua peça, Walker, London. Segundo a biografia escrita por Janet Dunbar, de 1970, Barrie possuía disfunção erétil, sendo que muitas fontes afirmam que ele era assexuado.

Peter Pan[editar | editar código-fonte]

capa do livro Peter e Wendy, de 1915

No mesmo ano o nome de Peter Pan aparece no romance adulto de Barrie, The Little White Bird. A obra é uma narração em primeira pessoa, sobre a ligação entre um rico solteiro e um garotinho, David. Levando o garoto para passear em Kensington Gardens, o narrador lhe conta sobre Peter Pan, que podia ser encontrado nos jardins, à noite.

Peter Pan foi produzido para os palcos em 1904, mas a peça teve que esperar vários anos por uma versão impressa definitiva e não apareceu com uma historia narrativa até 1911. O livro foi intitulado Peter e Wendy. No epílogo do romance, Peter visita uma Wendy já adulta.

A história de aventura de Barrie foi a conseqüência da sua não revelada busca pelo amor. Peter Pan serviu como uma consolação pela falta de afeição recebida pelas duas mulheres mais importantes de sua vida: sua mãe e sua esposa. Barrie escreveu a peça numa tentativa de definir seu remorso por perder sua infância e nunca ter tido um filho ou filha como Peter ou Wendy.

Cada vez que uma criança diz "Eu não acredito em fadas" em algum lugar uma pequenina fada cai morta no chão.(Trecho de Peter Pan)

Estátua de Peter Pan, em Londres

Peter Pan desenvolveu-se gradualmente das histórias que Barrie contava para os cinco filhos de Sylvia Llewelyn Davies, ela própria filha do romancista George du Maurier e uma figura materna com quem Barrie teve uma longa amizade. Arthur, marido de Sylvia, não ficou feliz com a invasão da família por Barrie. Quando Sylvia e seu marido morreram, Barrie tornou-se o guardião não-oficial de seus filhos, mas na realidade ele era talvez mais um sexto filho do que um pai adotivo. George, um dos filhos, morreu na Primeira Guerra. Michael se afogou com um amigo em Oxford (possivelmente, foi um suicídio combinado entre ambos). A morte de Michael foi uma grande perda para Barrie. Peter, que se tornou editor, cometeu suicídio em 1960, se jogando na frente de um metrô. É dito que Peter se tornou muito infeliz ao longo da vida, por nunca conseguir se desassociar do personagem que recebeu seu nome.

Durante a Primeira Guerra, Barrie fez um filme no estilo Velho Oeste com seus amigos, estrelando Shaw, William Archer, G.K. Chesterton, entre outros. Escreveu mais duas peças de fantasia. Dear Brutus (1917) descreve um grupo de pessoas que entram numa floresta mágica onde eles são transformados nas pessoas que eles poderiam ter se tornado se tivessem feito escolhas diferentes. Mary Rose (1920) é a historia de uma mãe procurando por seu filho perdido. Eventualmente ela se torna um fantasma.

Barrie tornou- se barão e, em 1922, recebeu a Ordem de Mérito. Era visitado em Adelphi Terrace, por ministros, duques e estrelas do cinema, como Charlie Chaplin e admiradores, que ele ocasionalmente ajudava com dinheiro ou conselhos.

Mesmo já com a idade avançada, Barrie podia interpretar o Capitão Gancho e Peter Pan com entusiasmo para o filho de sua secretária, Lady Cynthia Asquith.

O criador do menino eternamente jovem e da Terra do Nunca morreu em 19 de Junho de 1937 de pneumonia. Encontra-se sepultado no Cemitério Kirriemuir, Kirriemuir, Angus na Escócia.[1]

Referências

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