Joseph Campbell

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Joseph Campbell
Joseph Campbell na década de 1970.
Nome completo Joseph John Campbell
Nascimento 26 de Março de 1904
Estados UnidosWhite Plains, Nova York, Estados Unidos
Morte 30 de outubro de 1987 (83 anos)
Estados UnidosHonolulu, Havaí, Estados Unidos
Nacionalidade  Estados Unidos
Cônjuge Jean Erdman Campbell,
Dançarina/Coreógrafa
Ocupação Erudito
Influências
Influenciados

Joseph John Campbell, (White Plains, 26 de março de 1904Honolulu, 30 de outubro de 1987) foi um estudioso norte-americano de mitologia e religião comparada. [1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Infância e educação[editar | editar código-fonte]

Joseph Campbell nasceu em 26 de março de 1904 e cresceu em White Plains, Nova Iorque [2] , numa família de classe média alta e de religião católica romana. Quando criança, era fascinado pela cultura nativa americana depois de seu pai o levar para ver as coleções do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque, onde ele viu um quadro contendo as coleções dos artefatos dos índios nativos americanos. Ele logo tornou-se especialista nos vários aspectos da sociedade nativa americana. Isso conduziu Campbell a uma vida dedicada ao mito e ao estudo e mapeamento das semelhanças que aparentemente existiam entre as mitologias das mais diversas culturas humanas. Ele encerrou o colegial no Canterbury School (Connecticut) em 1921. Na Faculdade de Dartmouth, chegou a estudar biologia e matemática, mas decidiu-se pelos estudos na área de humanas. Transferiu-se para a Universidade de Columbia, onde completou sua graduação em Literatura inglesa em 1925 e o mestrado em Literatura medieval em 1927. Campbell também foi um atleta bem sucedido, recebendo prêmios em competições de atletismo.

Europa[editar | editar código-fonte]

Em 1927, Campbell recebeu uma bolsa de estudos para estudar na Europa. Campbell estudou Francês antigo e sânscrito na Universidade de Paris e na Universidade de Munique. Ele logo aprendeu a ler e falar em francês e alemão, dominando-as em apenas alguns meses de estudo. Manteve-se fluente em ambas as línguas pelo resto de sua vida.

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Joseph Campbell

Durante a sua estada na Europa, Campbell foi altamente influenciado pelo período da Geração Perdida, momento de enorme inovação artística e intelectual. Campbell comentou sobre a sua influência, especialmente de James Joyce, no livro A Jornada do Herói: Joseph Campbell, sua Vida e Obra (1928, tradução livre):

CAMPBELL: E o que aconteceu é que James Joyce mexeu comigo. Você sabe, aquela maravilhosa vivência em um reino de significativa fantasia, que é a irlandesa, está lá nos romances do Rei Artur, está em Joyce e está na minha vida.
COUSINEAU: Você achou que se identificava com Stephen Dedalus..., no romance de Joyce Retrato do Artista quando Jovem?
CAMPBELL: Seu problema era o meu problema, exatamente... Joyce ajudou a me libertar para uma compreensão do sentido universal desses símbolos. Joyce libertou a si mesmo e deixou o labirinto, digamos assim, da política irlandesa e da igreja e foi para Londres, onde se tornou um dos mais importantes membros desse maravilhoso movimento que ocorreu em Paris no período em que estive lá, nos anos 20.

Foi nessa atmosfera que Campbell conheceu o trabalho de Thomas Mann, que acabou influenciando tanto a sua vida quanto as suas ideias. Também na Europa, Campbell conheceu a arte moderna, entusiasmando-se particularmente pelo trabalho de Paul Klee e Pablo Picasso. Ele também descobriu os trabalhos de Sigmund Freud e Carl Jung. Igualmente nessa época conheceu e tornou-se amigo do jovem Jiddu Krishnamurti, uma amizade que surgiu pelo interesse por filosofia e mitologia hindu. Depois desse evento, Campbell deixou de ser um católico praticante [3]

Retorno aos Estados Unidos e a Grande Depressão[editar | editar código-fonte]

No seu retorno aos Estados Unidos em 1929, Campbell anunciou à sua faculdade em Columbia que sua estada na Europa havia ampliado seus interesses, e que ele gostaria de estudar Sânscrito e Arte moderna, além da Literatura medieval. Como seus orientadores não aprovaram sua decisão, Campbell resolveu abandonar seus planos de completar o doutorado e nunca mais retornou a um programa tradicional acadêmico.[4]

Algumas semanas depois, iniciou-se a Grande Depressão. Campbell gastou os cinco anos seguintes da sua vida (1929-1934) em um período de intenso estudo independente. Conforme afirma no livro A Jornada do Herói: Joseph Campbell, sua Vida e Obra, Campbell dividia seu dia em quatro períodos de quatro horas. Em cada um dos períodos, fazia leituras por três horas seguidas e descansava por uma hora. [5]

Ele também passou um ano na Califórnia (1931-32), mantendo seus estudos independentes e tornando-se amigo do escritor John Steinbeck e da esposa dele, Carol. Campbell manteve ainda suas leituras independentes enquanto lecionava, durante o ano de 1933, na Escola de Canterbury. Durante esse tempo, tentou publicar alguns trabalhos de ficção [6] .

Os estudos independentes de Campbell levaram-no a uma análise profunda das ideias do psicólogo suíço Carl Jung, colega e contemporâneo de Sigmund Freud. Campbel editou os primeiros artigos da Eranos e ajudou a fundar a Bollingen Press da Universidade de Princeton. Outro membro dissidente do círculo de Freud que influenciou Campbell foi Wilhelm Stekel (1868-1939). Stekel foi pioneiro na aplicação das ideias de Freud sobre sonhos, fantasias humanas e o inconsciente em campos como antropologia e literatura.

Sarah Lawrence College[editar | editar código-fonte]

Em 1934, Campbell foi indicado como professor na Sarah Lawrence College (graças aos esforços de seu antigo orientador W. W. Laurence).

Campbell casou-se com uma de suas antigas alunas, a dançarina e instrutora de dança Jean Erdman em 1938. Eles não tiveram filhos. Durante a maior parte dos quarenta e nove anos de matrimonio viveram em um apartamento de duas habitações em Greenwich Village em Nova York. Na década de 80 também compraram um apartamento em Honolulu e dividiram o seu tempo entre as duas cidades.

No inicio da Segunda Guerra Mundial Campbell assistiu uma conferência do indólogo Heinrich Zimmer; os dois se tornaram em grandes amigos. Depois da morte de Zimmer, foi encarregado a Campbell a tarefa de editar e publicar os escritos póstumos de Zimmer, o que faria na década seguinte.

Em 1955-56, quando terminou e publicou o último volume póstumo de Zimmer ( The Art of Indian Asia, its Mythology and Transformations ), Campbell tomou um ano de férias para viajar, pela primeira vez, a Asia. Passou seis meses no sul asiático (principalmente na India) e outros seis meses no leste da Asia ( principalmente no Japão). Este ano teve uma profunda influência em seu pensamento acerca das religiões e dos mitos da Asia, e também a necessidade de ensinar a mitologia comparada em uma linguagem mais ampla, não acadêmica.[7]

Ele aposentou-se na Sarah Lawrence College em 1972, depois de lecionar ali por 38 anos.

Divulgação[editar | editar código-fonte]

Depois de regressar de sua viagem pela Índia e o Japão em 1956, Campbell sentiu que os estadunidenses, tanto o grande público como os profissionais da área, foram ignorantes a respeito dos mitos e das culturas do mundo. Começou a trabalhar em uma série de medidas para mudar esse paradigma. Em primeiro lugar começou a escrever sua obra magna, The Masks of God (A máscara de Deus), que explora os mitos e as culturas do mundo todo através dos milênios.

Ao mesmo tempo começou a ensinar cursos no Foreign Service Institute del US State Department, dissertando sobre os mitos e as religiões comparadas.

Finalmente também teve a iniciativa de falar publicamente sobre os mitos do mundo. Continuou com essa agenda - nas universidades, igrejas, salas de conferência, nas rádios e na televisão - até o fim da sua vida. [8]

Morte[editar | editar código-fonte]

Joseph Campbell faleceu aos 83 anos em 30 de outubro de 1987, em sua casa em Honolulu, Havaí, devido a complicações causadas por um câncer esofágico, pouco depois de completar a filmagem do documentário O Poder do Mito, com Bill Moyers. [9] [10]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Em Português[editar | editar código-fonte]

  • CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Cultrix, 1992. [11]
  • _____. Para viver os mitos. São Paulo: Cultrix, 2000.
  • _____. O Voo do Pássaro Selvagem -- Ensaios sobre a universalidade dos mitos. São Paulo: Rosa dos Tempos, 1997. Edição esgotada, versão digital disponível. - em 25/09/2013, 16h, etrasuspdownload.wordpress.com is no longer available.
  • MARTINEZ, Monica. Jornada do Herói -- estrutura narrativa mítica na construção de histórias de vida em jornalismo. São Paulo: Annablume/Fapesp, 2008.
  • _____. Todos os nomes da Deusa. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997 - 204 p.

Essa é a última obra escrita de Joseph Campbell. O trabalho conta com a colaboração de Riane Eisler, Marija Gimbutas e Charles Musès.

Trabalhos selecionados[editar | editar código-fonte]

James Joyce e os primeiros trabalhos[editar | editar código-fonte]

Como se nota acima, James Joyce foi uma importante influência em Campbell. O primeiro livro importante de Campbell (com Henry Morton Robinson), A Skeleton Key to Finnegans Wake (1944), é uma análise crítica do último texto de Joyce, Finnegans Wake. Além disso, o produtivo trabalho de Campbell, O Herói de Mil Faces, discute o que Campbell chama de monomito — o ciclo da jornada do herói, uma idéia que ele atribui diretamente ao trabalho de Joyce, Finnegans Wake.

As Máscaras de Deus[editar | editar código-fonte]

Seu exaustivo trabalho de quatro volumes As Máscaras de Deus cobre a mitologia através do mundo, da mitologia antiga à moderna. Enquanto que O Herói de Mil Faces foca nas ideias elementares da mitologia, As Máscaras de Deus foca nas variações históricas e culturais do monomito. Em outras palavras, enquanto que O Herói de Mil Faces baseia-se principalmente na psicologia, As Máscaras de Deus baseia-se mais na antropologia e história. Os quatro volumes da coleção são: Mitologia Primitiva, Mitologia Ocidental, Mitologia Oriental e Mitologia Criativa. Conceitos como o monomito e o axis mundi são extensivamente abordados pelo autor.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. http://www.jcf.org/new/index.php?categoryid=11
  2. http://www.jcf.org/new/index.php?categoryid=11
  3. Joseph Campbell, The Hero's Journey: Joseph Campbell on His Life and Work, editado por Phil Cousineau, New World Library, 2003, p. 29.
  4. The Hero's Journey: Joseph Campbell on His Life and Work, 1990, primera edición: 54.
  5. The Hero's Journey: Joseph Campbell on His Life and Work, primera edición, 1990, pp. 52–53.
  6. Larsen and Larsen, 2002, capítulos 8 y 9.
  7. See Joseph Campbell, Baksheesh and Brahman: Asian Journals—India y Sake and Satori: Asian Journals—Japan, New World Library, 2002, 2003.
  8. Joseph Campbell, Sake & Satori: Asian Journals—Japan, editado por David Kudler. Novato, California: New World Library, 2002, pp. xiv.
  9. http://www.nytimes.com/1987/11/02/obituaries/joseph-campbell-writer-known-for-his-scholarship-on-mythology.html,
  10. http://www.jcf.org/new/images/people/joe/grave_marker.jpg
  11. The Hero With a Thousand Faces", Joseph Campbell, p. 249, Fontana, 1993, ISBN 0-586-08571-8