Juan Figer

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Juan Figer Svirski é um empresário uruguaio de futebolistas, credenciado pela FIFA.

Começo[editar | editar código-fonte]

Juan Figer nasceu em Montevidéu, Uruguai em 04 de outubro de 1934.[1]

Campeão juvenil uruguaio e sulamericano de xadrez aos 17 anos, Figer começou trabalhando como vendedor de camisetas nas ruas de Montevidéu. Começou a juntar mais capital intermediando importações e exportações, e, em 1958, após um grupo de colegas vencer as eleições para dirigir o Peñarol, Figer tornou-se o diretor das categorias de base do clube, e, após algum tempo, assumiu a direção comercial. Entre esses colegas, estava Julio María Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai, e na época novo secretário-geral do clube. Durante esta gestão, o Peñarol conquistou o campeonato nacional diversas vezes, conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes.[2]

Em 1968, Figer se mudou para São Paulo, onde sua família já residia a quatro anos. Pretendia montar um escritório de comércio internacional, que nunca passou de uma idéia. Passado dois anos, ele organizou sua primeira partida: Flamengo versus Peñarol.[1] Ambos os times tiveram dúvidas sobre o sucesso dessa partida e cobraram antecipadamente. O dinheiro pago a eles foi fruto de um empréstimo contraído por Figer. Para sua sorte, o Maracanã recebeu um público de 100.000 pessoas, e seu sucesso lhe deu tudo que precisava para desbravar-se no mundo do futebol. Visitando os clubes paulistas, Figer fez amizade com alguns conselheiros do São Paulo, e, neste ano realizou a sua primeira transferência: a de Pablo Forlán, até então lateral-direito do Peñarol, para o São Paulo Futebol Clube, pela quantia de US$ 80 mil. Neste mesmo ano, trouxe mais dois jogadores do Peñarol, que sofria de uma grave crise financeira, para o Brasil: Hector Silva, para o Palmeiras, pelos mesmo US$ 80 mil e Pedro Rocha, para o São Paulo, por US$ 190 mil. Em 1971 Figer tira o chileno Elias Figueroa do Peñarol e o leva para o Internacional (RS), pelo valor de US$ 50 mil.[2]

Consagração[editar | editar código-fonte]

A profissão de agente foi regularizada pela FIFA apenas em 2001, mas Figer já tinha transferido alguns dos principais jogadores do mundo: Maradona, Klinsmann, Gullit, Rijkaard, Lineker, De León, Sócrates, Careca, Vialli, Casagrande, Dunga, Zé Roberto, Müller, Denílson, etc. Este último ainda bateria o recorde da transferência mais cara do mundo na época, do São Paulo para o Bétis, atingindo as cifras de US$ 40,5 mi..[3]

Existe uma história até obscura que envolve um destes jogadores: Diego Armando Maradona. Em 1975, quando o argentino ainda tinha 15 anos e jogava nas categorias de base do Argentinos Juniors, Figer, que o conheceu devido ao intermédio de agentes argentinos, se encontrou com o então presidente da Portuguesa de Desportos, Manuel Mendes Gregório, na sede da Federação Paulista de Futebol. Em uma prosa, ofereceu o jogador à Portuguesa pela quantia de US$ 300 mil. Na época, Gregório achou a quantia um tanto alta, e refugou o negócio no ato. Em 1976 Maradona debutaria na primeira divisão, em 1977 faria sua primeira partida pela seleção argentina e, no ano de 1978, o Argentinos Juniors já pedia US$ 1 milhão por seu passe e Maradona já era um dos melhores jogadores de seu país. Curiosamente, foi deixado de fora do Mundial de 78.[4]

Conforme o tempo foi passando, Figer, workaholic declarado, foi se tornando muito influente e rico. Fez amizade com os principais dirigentes do Real Madrid e do Milan, tem entrada franca nos principais times paulistas, foi representante do Bayer Leverkusen na América Latina. Passou a representar inúmeros jogadores, desde o território brasileiro até fora dele. E sempre afirmou ter uma linha mais modesta, quando levava um calote: "Quando um clube não nos paga, em vez de protestarmos, nós o promovemos e inventamos formas de ele gerar recursos", disse Figer ao Jornal do Brasil, em 1988.

Problemas com a Justiça[editar | editar código-fonte]

"Nesta perspectiva, faz total sentido a movimentação promovida pelo empresário Juan Figer, que funciona como intermediário em vendas e compras de jogadores de futebol no Brasil e no exterior. Credenciado como agente FIFA, Juan Figer busca valorizar passes de jogadores transferindo-os para clubes da Europa. Como rotina de transação e sob o pretexto de facilitar a compra pelo clube europeu, faz com que clubes uruguaios comprem parte do passe. O detalhe é que o atleta sequer joga no clube uruguaio que tem, em média, 50% do seu passe. Esse "entreposto" uruguaio cumpre um papel de instituição financeira, como um banco onde se consegue financiamento para aquela dada negociação, e que será muito bem recompensado com transações futuras daquele atleta."

Este fragmento de texto foi retirado do artigo 'O fim da "lei do passe" e seus efeitos, de Carlos Eduardo Freitas, datado de 19 de março de 2001.[5]

Juan Figer, agora assessorado também pelo seu filho, Marcel Figer, fez algumas transações de jogadores que geraram dúvidas e suspeitas de evasão fiscal e de divisas, pela existência de algumas suspeitas:

  • Seus jogadores geralmente pertenciam ao Central Español ou ao Rentistas, ambos uruguaios, e eram emprestados a clubes brasileiros ou faziam nesses clubes a ponte entre transferências América do Sul-Europa, caso apelidado de Triangulação Uruguaia;
  • A enorme suspeita de convocação de seus jogadores para a seleção brasileira simplesmente para valorização do passe, e não por competência;
  • O caso de passaportes europeus falsos, que aconteceram com alguns jogadores seus e foi amplamente noticiado na Europa.

Esses fatos repercutiram no mundo inteiro, e a Câmara de deputados brasileira chamou Figer para responder essas acusações na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fatos envolvendo associações brasileiras de futebol, a CPI CBF/Nike, e na CPI do Senado, a CPI do Futebol. Ainda foi investigado pelo Ministério Público Federal. Alguns casos merecem maior destaque:

Esquema Central Español/Rentistas[editar | editar código-fonte]

Conforme averiguado pela CPI, neste esquema existiriam dois tipo de funcionamento:[6]

  • Figer indicaria jogadores brasileiros promissores ao Central Español ou ao Rentistas, que os adquirem de forma total ou parcial, e os emprestam a clubes de alto escalão brasileiros para valorizar os passes, e posteriormente seriam revendidos para a Europa com grande lucro;
  • Os clubes uruguaios citados, por intermédio de Figer, adquiririam os jogadores, e de maneira quase automática, os revenderiam para a Europa por valores extremamente maiores que o da primeira transação.

O grande triunfo seria burlar a cobrança de impostos do território brasileiro.

Em um trecho do depoimento de Figer com a CPI, alguns membros do legislativo discutem sobre o caso do jogador Lucas, ex-Atlético PR:

"O SR. GERALDO ALTHOFF – Um dos jogadores brasileiros que foi comprado pelo Rentistas foi o jogador Lucas. Correto?
O SR. JUAN FIGER – Exatamente.
O SR. GERALDO ALTHOFF – E o senhor foi responsável por essa transação?
O SR. JUAN FIGER – Sim, eu fui o responsável. Essa transação se originou aproximadamente há dois anos, dois anos e meio antes, quando o Atlético Paranaense comprou, do Botafogo de Ribeirão Preto três jogadores chamados Lucas, Gustavo e Cocito. Como o Atlético Paranaense não tinha nenhum tipo de condição financeira para efetuar esse negócio, fiz uma copropriedade: vendi os 50% dos direitos financeiros dos três atletas ao Rentistas. No caso específico de Lucas, que havia, na época, comprado por R$ 600 mil, vendeu os 50% por o equivalente a R$ 500 mil. (…)
O SR. GERALDO ALTHOFF – Quantas partidas o jogador Lucas fez pelo Rentistas?
O SR. JUAN FIGER – O jogador ficou jogando no Atlético Paranaense. O Rentistas comprou 50% dos direitos financeiros do jogador Lucas.
O SR. GERALDO ALTHOFF – Por quantos mil dólares?
O SR. JUAN FIGER – Ele era equivalente a R$ 500 mil na época. Acho que devia dar cerca de…
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Na época estava próximo o dólar do real.
O SR. JUAN FIGER – Era perto de 400 mil dólares. (…)
O SR. GERALDO ALTHOFF – (…) Por quanto foi vendido, depois, o Lucas para a Europa? Quantos milhões de dólares?
O SR. JUAN FIGER – Bem, eu não participei da venda de Lucas para a Europa. Eu participei, sim, no interesse que tinha o Rentistas e o Atlético Paranaense de formalizar uma negociação. A negociação foi feita por 15 milhões de dólares, mais uma série de encargos e despesas que tem qualquer tipo de negociação, como o percentual que recebe o jogador – recebe 15% como comissão."

Esse caso representa o primeiro tipo de funcionamento. Já o depoimento abaixo, que diz respeito sobre a transferência do jogador Zé Roberto, da Portuguesa para o Central Español e do Central Español para o Real Madrid, no mesmo dia, representa o segundo tipo:

"O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – (…) Primeiramente, gostaria de saber se foi o senhor o empresário na venda do jogador Zé Roberto, que pertencia à Portuguesa e hoje joga na Alemanha.
O SR. JUAN FIGER – Perfeitamente. Eu fui empresário e vou comentar exatamente essa transação. A Associação Portuguesa de Desportos estabeleceu um preço, para Zé Roberto, que queria atingir. Eu, como procurador do jogador, também queria que Zé Roberto participasse dos times que ofereceriam melhor condição financeira para ele, e desportiva, naturalmente. E Real Madrid e Central Español fizeram uma parceria, uma copropriedade, e compraram Zé Roberto da Portuguesa, pagando…
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Sr. Juan Figer, a informação que nós temos é um pouco diferente. A informação que temos é que o Zé Roberto foi adquirido pelos Rentistas por US$ 6 milhões, aproximadamente, seis milhões e alguma coisa.
O SR. GERALDO ALTHOFF – Foi pelo Central Español.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Central Español.
O SR. GERALDO ALTHOFF – US$ 4,6 milhões.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – E, no mesmo dia, ele foi vendido pelo Central Español para o Real Madrid, por nove milhões e…
O SR. GERALDO ALTHOFF – US$ 9,980 milhões.
O SR. JUAN FIGER – Eu vou explicar.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Portanto, não houve uma parceria; houve uma intermediação.
O SR. GERALDO ALTHOFF – E o senhor teria recebido, à época, US$ 2 milhões pela transação.
O SR. JUAN FIGER – Não. Eu vou comentar como foi esse negócio e quais são os números. Houve uma parceria entre Real Madrid e Central Español: Central Español pagou à Portuguesa US$ 4,6 milhões, e Real Madrid pagou à Portuguesa US$ 1,5 milhão. Ambas as cifras totalizaram US$ 6,1 milhões. Posteriormente, essa venda ficou como um contrato de risco, e a quantidade exata que o Real Madrid pagou até hoje ao Central Español – porque o contrato de risco estabelecia a permanência do jogador, durante cinco temporadas, no Real Madrid, e ele permaneceu unicamente seis meses – foi US$ 5,5 milhões ou US$ 5,6 milhões. Essa foi a importância total que pagou o Real Madrid.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – O que se noticiou é que a venda do Central Español para o Real Madrid, que ocorreu no mesmo dia da aquisição junto à Portuguesa, teria sido de mais de US$ 9 milhões. Então, o senhor está dizendo que isso não é verdade?
O SR. JUAN FIGER – Não. A venda efetiva do jogador, como era um contrato de risco, e o que realmente Real Madrid pagou, à parte do US$ 1,5 milhão que pagou à Portuguesa, foi de US$ 5,5 milhões e US$ 5,6 milhões."

Esse fato gerou muita polêmica e acabou acarretando com a renúncia do então presidente da Portuguesa, Manoel Gonçalves Pacheco. Esses dois casos representam exatamente os dois modos de funcionamento do chamado pela CPI de Esquema Central Español/Rentistas.

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

Quando os treinadores Carlos Alberto Silva, Carlos Alberto Parreira e Vanderlei Luxemburgo estavam no comando do Brasil, houve uma suspeita de que estes técnicos estavam convocando jogadores de Figer apenas para valorizá-los. Podemos citar, como mero exemplo, o caso do jogador Mílton, que em 1988 foi convocado por Silva. O atleta, que pertencia ao Coritiba, após a convocação foi vendido ao Como, da Itália. Porém, não há nada provado contra Figer nesta acusação..[2]

Passaportes Europeus Falsos[editar | editar código-fonte]

Alguns jogadores de Figer foram extraditados com passaporte comunitário falso na Europa, e geralmente sequer sabiam responder a respeito do passaporte. No caso do jogador Edu, que na época foi transferido por Figer para o Arsenal FC, o jogador admitiu que seu empresário conseguiu seu passaporte diretamente de Portugal, apesar da embaixada portuguesa no Brasil ter declarado que o jogador não poderia ter conseguido o passaporte senão no Consulado Português de São Paulo.[7] Ao desembarcar na Inglaterra, Edu foi extraditado por suspeitas de passaporte falso. Em um encontro entre parlamentares brasileiros e Hermínio Menéndez, representante de Figer na Europa, este garantiu, na época, que Figer nada tem a ver com o ocorrido. O mesmo aconteceu com Warley ao chegar à Itália. Porém, Figer disse na CPI que Warley teria obtido o passaporte falso diretamente da Udinese.[8] Neste caso também, não houve nenhuma sentença judicial contrária a Juan Figer.

Hoje[editar | editar código-fonte]

Após todas as suspeitas e investigações, nada aconteceu com Figer, curiosamente, o nº 1 da FIFA. Ele e seu filho Marcel continuam operando normalmente no mercado do futebol. Sua empresa de representação de atletas está registrada como MJF Publicidade e Promoções,[9] e constam dados seus e de Marcel Figer. Em sua carteira atual de jogadores, temos os melhores do mundo. Podemos citar Valdívia, Breno, Kaká, Robinho, Julio Baptista, Zé Roberto, Luís Figo, Fábio Aurélio,Pelé entre muitos outros. Sua carteira de jogadores está avaliada em aproximadamente 195 milhões de euros. Figer representa também o treinador Vanderlei Luxemburgo, e é creditado como quem levou o treinador para o Real Madrid. Detalhe: Luxa acertou na época um contrato de quase R$ 11 milhões por um ano e meio de contrato para não fazer nada de bom, e ainda ganhou do Real um Audi e uma casa.[10]

Referências