Kashgar

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Kashgar
قەشقەر / 喀什

Kaxgar
Kashgar, cidade-oásis na Região Autônoma Uigur do Xinjiang; minarete situado próximo à Mesquita de Id Kah
Kashgar, cidade-oásis na Região Autônoma Uigur do Xinjiang; minarete situado próximo à Mesquita de Id Kah
Localização de Kashgar dentro do Xinjiang
Localização de Kashgar dentro do Xinjiang
Kashgar está localizado em: China
Kashgar
Localização dentro da China
39° 28' N 75° 59' E
País República Popular da China
Região Autônoma Xinjiang
Área
 - Total 294,21 km²
População (2003)
 - Total 351 874
    • Densidade 1 196/km2 
Fuso horário China padrão (UTC+8)
Código Postal 844000
Código postal 0998
Sítio www.xjks.gov.cn/
Região autónoma de Xinjiang
Província de Kashgar, em Xinjiang
Localização da cidade de Kashgar.
Parte central antiga da cidade de Kashgar.

Kashgar[1] (em uigur: قەشقەر, K̢ǝxk̢ǝr; em chinês: 喀什, pinyin: Kāshí) é uma cidade-oásis com aproximadamente 350 000 habitantes situada na parte ocidental da Região Autônoma Uigur de Xinjiang, na República Popular da China. Kashgar é o centro administrativo da prefeitura homônima, que tem uma área de 162 000 km² e uma população de cerca de 3,5 milhões de habitantes.[2] .

Situada a oeste do deserto de Taklamakan, no sopé das montanhas Tian Shan, a cidade está a uma altitude de 1290 m. Segundo o censo de 1999, a sua população era de 205 056] habitantes.

Kashgar situa-se no cruzamento entre as rotas que provêm do vale do Amu Daria, de Khokand e Samarcanda, Almaty, Aksu e Kotan, o que a converteu num importante centro político e comercial quase desde a sua fundação.

A cerca de 200 km a oeste da actual cidade, mesmo na fronteira com o Quirguistão, passava a antiga Rota da seda. A auto-estrada do Karakorum une Islamabad, a capital do Paquistão, com Kashgar, atravessando o passo Khunjerab.

Kashgar tem uma importante comunidade muçulmana devido à destacada presença de uigures. Na cidade tem lugar a cada domingo um importante mercado a que acorrem numerosos agricultores da zona.

A cidade cobre uma área de 15 km², e localiza-se a uma altitude de 1.289,5 m. Sua temperatura anual média é de 11,7 °C, com uma mínima de -24,4° em janeiro de máximas de até 40,1° em julho.

História[editar | editar código-fonte]

A primeira menção autêntica de Kashgar produziu-se durante o período da dinastia Han, quando os chineses conquistaram Hiungnu, Yutien (Khotan), Sulei (Kashgar) e um grupo de estados na bacia do rio Tarim. Tal ocorreu no ano 76 a.C.. Nessa época, Kashgar ainda não era conhecida no ocidente.

A região converteu-se ao budismo e cresceu rapidamente ao mesmo tempo que se desenvolviam as rotas comerciais entre Oriente e Ocidente.

No livro de Han, a história da época Han, que cobre o período compreendido entre 125 a.C. e 23, descreve-se que em Kashgar havia 1510 casas, 18 647 habitantes e que 2000 delas eram capazes de utilizar armas. Durante o período compreendido entre os anos 25 e 170, as residências aumentaram até às 21000.

Os Xiongnu[editar | editar código-fonte]

Kashgar, tal como outros reinos do oeste, ficou sob o domínio dos Xiongnu que se dedicaram a cobrar impostos excessivos que os reinos não podiam comportar. Em meados do período Jianwu (25-55), os reinos mandaram enviados para solicitar a união com o Reino do Meio e expressar o desejo de que se lhes concedesse um Protector-Geral. O imperador Guangwu (25-47) decidiu que, já que o império ainda não estava bem estabelecido, não tinha tempo para se dedicar a assuntos externos pelo que negou o seu consentimento.

Entretanto, os Xiongnu foram-se debilitando. O rei de Suojo (Yarkand, de nome Xian, destruiu diversos reinos. Após a morte de Xian, estes reinos atacaram uns aos outros. Xiao Yuan, Jingjue, Ronglu, e Qiemo foram anexados por Shanshan (a região do Lop Nor, com capital próximo da moderna Ruoqiang). Qule e Pishan foram conquistados por Yutian (Khotan). Yuli, Danhuan, Guhu e Wutanzili foram destruídos por Jushi (Turfan) embora mais tarde estes reinos tivessem sido restabelecidos.

O Império Kushana[editar | editar código-fonte]

No período entre 114 e 120, o rei Anguo de Kashgar exilou o seu tio materno, Chenpan, e mandou-o embora com os Kushana. Anguo morreu sem deixar descendentes e a sua mãe foi com o encargo de governar o reino. Finalmente, foi o seu sobrinho, filho de Chenpan, que foi designado como herdeiro do trono de Kashgar.

Por volta de 116, os Kushana, sob o governo de Kanishka, estabeleceram um reino centrado em Kashgar, que controlava também Khotan e Yarkand, antigas dependências chinesas da bacia do Tarim, no actual Xinjiang. Introduziram a escrita brahmi, o idioma indiano prácrito para a administração e expandiram a influência da arte greco-búdica que se desenvolveu na arte seríndia.

Dos Três Reinos aos Sui[editar | editar código-fonte]

Este período caracteriza.se pela ausência de informação histórica sobre Kashgar e a bacia do Tarim em geral.

O Weilue, escrito no segundo terço do século III, menciona uma série de estados que dependiam de Kashgar: o reino de Zhenzhong, o de Suojo, o de Jieshi, Qusha, Xiye, Yinai, Manli, Yire, Yuling, Juandu, Xiuxiu e Qin. A informação sobre as regiões do oeste contida no Weilue termina no ano 170, quase no final do período dos Han.

Em 270, quatro estados das regiões do oeste tinham que apresentar tributo: Karashahr, Turfan, Shanshan e Kucha. Alguns documentos em madeira encontrados na zona arqueológica de Niya indicam também que estes contratos se mantiveram com Kashgar e Khotan.

Em 442, Bilong, rei de Shanshan, chegou a uma corte de "trinta e seis estados nas regiones do oeste". Crê-se que entre estes estados estaba o de Kashgar.

Nos inícios do século VI, Kashgar era um dos numerosos territórios controlados pelos Yeda ou Hunos brancos mas o seu império foi derrubado entre 563 e 567 depois de um violento ataque dos turcos do oeste que mantiveram o controlo de Kashgar e outros estados na bacia do rio Tarim.

A dinastia Tang[editar | editar código-fonte]

Nos inícios da dinastia Tang, em 618, começou uma luta prolongada entre a China e os turcos do oeste para controlar a bacia do Tarim.

Em 653, os anais dos Tang falam de uma embaixada no reino de Kashgar. Em 639 uma segunda embaixada que trazia produtos de Kashgar funcionava como símbolo de submissão.

Xuanzang passou por Kashgar (chamava-lhe Ka-sha) em 644 na sua viagem de regresso da Índia para a China. A religião budista, que então estava em decadência na Índia, estava em pleno esplendor em Kashgar. Os escritos de Xuanzang explicam que em Kashgar se encontravam abundantes flores e frutas, e que tinham uma língua baseada na da Índia mas diferente da de outros países. Os habitantes de Kashgar eram fervorosos devotos do budismo e podiam-se encontrar algumas centenas de mosteiros.

EM 646, quando o imperador turco pediu a mão de uma princesa chinesa, o imperador reclamou como dote Kucha, Khotan, Kashgar, Sarikol e Karashahr, embora este matrimónio não tenha chegado a acontecer.

Numa série de campanhas entre 652 e 658, com a ajuda dos uigures, os chineses derrotaram finalmente os turcos do oeste e tomaram o controlo de todos os seus domínios, incluindo os da bacia do Tarim.

Em 662 rebentou uma rebelião nas regiões do oeste e o exército chinês acudiu à zona para a proteger. Foi derrotado pelos tibetanos a sul de Kashgar. Depois de outra derrota das forças chinesas em 670, os tibetanos tomaram o controlo da região e subjugaram Kashgar em 676. Mantiveram controlo sobre a cidade até 692, momento no qual a China retomou o controlo de suas antigas possessões, controlo esse que manteve durante os seguintes 50 anos.

Invasão árabe[editar | editar código-fonte]

No século VIII chegou do oeste a invasão dos árabes. Kashgar e o Turquistão ajudaram a rainha regente Bokhara a repelir o inimigo. O Islão implantou-se nos estados independentes do Turquistão, convertendo-se numa influência cada vez mais importante. Só no século X é que a religião muçulmana se implantou em Kashgar.

Os uigures[editar | editar código-fonte]

Pensa-se que os uigures sejam descendentes dos Tolas, uma das tribos de origem túrquida que emigraram para a China. O príncipe Boghra Khan, o mais famoso deste povo, converteu-se ao Islão em finais do século X. O reino uigure durou até 1120 mas esteve sempre envolto em lutas dinásticas. Os uigures empregavam um alfabeto baseado no sírio e tomado dos missionários nestorianos.

Os mongóis[editar | editar código-fonte]

O reino dos uigures foi destruído pela invasão dos Kara-Khitai, outro povo de origem túrquida que, por sua vez, foram eliminados em 1219 por Gengis Khan. Esta invasão reforçou e desenvolveu a expansão do credo muçulmano.

Marco Polo visitou esta cidade, à que chamou Cascar, no ano de 1273 ou 1274. Os escritos de Marco Polo assinalam a presença na cidade de numerosos cristãos que tinham as suas próprias igrejas de culto.

Em 1389-1390, Tamerlão destruiu Kashgar e Andijan. Kashgar entrou num período tormentoso e em 1514 foi destruída por Mirza Ababakar que, com a ajuda de 10.000 homens, construiu um novo forte com defesas massivas na margem do rio Tuman. A dinastia dos Jagatai Kans foi derrubada em 1572 com o desmembramento dos condados entre grupos rivais; apareceram duas facções dos Khoja, os montanheiros brancos e os negros, que, entre guerras e conflitos, preenchem a história de Kashgar até 1759.

Guarnição chinesa[editar | editar código-fonte]

Em 1759, um exército chinês invadiu Kashgar e, depois de diversos massacres, consolidou finalmente a autoridade estabelecendo uma guarnição manchu e enviando colonos chineses.

Os chineses queriam ampliar as suas conquistas até Samarcanda, cujos chefes solicitaram ajuda ao rei afegão Ahmed Shah. Este monarca enviou um emissário a Pequim para solicitar a restituição dos estados muçulmanos da Ásia Central, mas este emissário não foi bem recebido. Os chineses mantiveram Kashgar com pequenas interrupções devido a revoltas muçulmanas. A revolta ocorrida em 1829 terminou com a concessão de importantes privilégios comerciais aos muçulmanos no distrito de Alty Shahr. Até 1846 houve paz na zona.

A revolta de 1862[editar | editar código-fonte]

Imagem de Kashgar em 1868.

A grande revolta Ttingani, ou insurreição dos chineses muçulmanos iniciada em 1862 em Kansuh, estendeu-se com rapidez por toda a bacia do Tarim.

As tropas Tungani massacraram em Agosto de 1863 milhares de chineses, enquanto que os habitantes de Kashgar, revoltados contra os seus amos, invocaram a ajuda de Sadik Beg, um chefe Kirguiz que enviou tropas para ajudar os seus irmãos muçulmanos em Kashgar. Sadik Beg marchou para Kashgar que tinha caído em mãos de Buzurg Khan mas foi derrotado e regressou a Khokand.

Com o desaparecimento do governo chinês na zona em 1865 e a chegada ao poder de Yakub Beg, as indústrias de Kashgar começaram a decair. Kashgar e outras cidades da bacia do Tarim ficaram sob o poder de Yakub Beg até 1877, ano em que morreu e chineses retomaram o controlo da cidade.

Túmulo de Apakh Hoja.

Lugares de interesse[editar | editar código-fonte]

  • A mesquita Id Kah: é a maior de toda a China. Foi construída em 1422 e ocupa uma área total de 16.800 m². A mesquita conta com uma madrassa com capacidade para 400 estudantes bem como banhos públicos que podem albergar mais de 100 pessoas.
  • O túmulo de Apak Hoja: situado a 5 km do centro é um dos lugares mais sagrados de Xinjiang. É um edifício de ladrilhos que alberga o túmulo de cinco gerações da família de Apak Hoja, considerado por muitos uigures muçulmanos como um profeta a quem apenas supera em importância o próprio Maomé. O mausoléu foi construído em 1640 e reconstruído em 1795. A oeste do mausoléu há uma mesquita que se utiliza nas festividades religiosas para orar antes de fazer as homenagens ao túmulo do profeta.
  • A estátua de Mao Zedong: com uma altura de 18 metros, é a maior estátua do antigo líder comunista na China.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Gordon, T. E. 1876. The Roof of the World: Being the Narrative of a Journey over the high plateau of Tibet to the Russian Frontier and the Oxus sources on Pamir. Edinburgh. Edmonston and Douglas. Reprint: Ch’eng Wen Publishing Company. Taipei. 1971.
  • Hill, John E. 2003. "Annotated Translation of the Chapter on the Western Regions according to the Hou Hanshu." 2nd Draft Edition. [2]
  • Hill, John E. 2004. The Peoples of the West from the Weilue 魏略 by Yu Huan 魚豢: A Third Century Chinese Account Composed between 239 and 265 CE. Draft annotated English translation. [3]
  • Hulsewé, A. F. P. and Loewe, M. A. N. 1979. China in Central Asia: The Early Stage 125 BC - AD 23: an annotated translation of chapters 61 and 96 of the History of the Former Han Dynasty. E. J. Brill, Leiden.
  • Puri, B. N. Buddhism in Central Asia, Motilal Banarsidass Publishers Private Limited, Delhi, 1987. (2000 reprint).
  • Shaw, Robert. 1871. Visits to High Tartary, Yarkand and Kashgar. Reprint with introduction by Peter Hopkirk, Oxford University Press, 1984. ISBN0-19-583830-0.
  • Stein, Aurel M. 1907. Ancient Khotan: Detailed report of archaeological explorations in Chinese Turkestan, 2 vols. Clarendon Press. Oxford. [4]
  • Stein, Aurel M. 1921. Serindia: Detailed report of explorations in Central Asia and westernmost China, 5 vols. London & Oxford. Clarendon Press. Reprint: Delhi. Motilal Banarsidass. 1980. [5]
  • Yu, Taishan. 2004. A History of the Relationships between the Western and Eastern Han, Wei, Jin, Northern and Southern Dynasties and the Western Regions. Sino-Platonic Papers No. 131 March, 2004. Dept. of East Asian Languages and Civilizations, University of Pennsylvania.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Também grafada Cascar em fontes antigas, como Grousset, René. The Empire of the Steppes: A History of Central Asia, ISBN 0-8135-1304-9, p. 360.]
  2. [1] visitado 24 de dezembro de 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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