Kim Philby

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Selo soviético homenageando Kim Philby.

Harold Adrian Russell "Kim" Philby ou H.A.R. Philby (Ambala, Índia, 1 de Janeiro de 1912 - Moscou, Rússia, 11 de Maio de 1988) foi um membro do topo da hierarquia dos serviços secretos ingleses que espionava para a União Soviética. Philby era um dos membros do grupo conhecido como Cambridge Five, juntamente com Donald Maclean, Guy Burgess, Anthony Blunt e John Cairncross.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Philby era filho do diplomata John Philby e nasceu na Índia, à época uma colônia britânica, onde o pai servia como magistrado. Ganhou o apelido de Kim, porque, tal como o herói do romance de Rudyard Kipling, começou a falar punjabi, a língua local, antes do inglês.

Entrou para o serviço secreto soviético em 1933, depois de ter estudado em Westminister e no Trinity College, em Cambridge, instituições que recebiam os filhos da elite britânica. Foi recrutado quando estava na universidade, juntamente com mais quatro colegas, que ficaram conhecidos como Os 5 de Cambridge (The Cambridge Five).

Conforme revelaria em entrevista, no ano de sua morte, Philby e seus colegas acreditavam que as democracias ocidentais não teriam condições de se opor ao nazi-fascismo. Na opinião deles, somente o comunismo era forte o suficiente para enfrentá-lo.

Através do jornalismo, ingressou no Serviço Secreto de Inteligência Inglês (SIS) e, sob a cobertura de sua profissão, espionou para os ingleses na Espanha, no período da Guerra Civil (1936-1939).

Em 1944, estabeleceu e chefiou o serviço de contraespionagem para descobrir agentes soviéticos em solo inglês, portanto foi designado para descobrir a si mesmo. Passou para os soviéticos os planos dos aliados para subverter os governos comunistas no Leste europeu durante o período da Guerra Fria, permitindo ao governo de Moscou neutralizar a operação. O governo britânico, no entanto, o considerava um funcionário exemplar e o agraciou com sua mais importante condecoração, a Ordem do Império Britânico.

Enviado para os Estados Unidos em 1949, passou a chefiar a delegação dos serviços secretos britânicos, e serviu de oficial de ligação com o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a recentemente criada Central Intelligence Agency (CIA). Para esta chegou a trabalhar diretamente.

Em 1951, a deserção de seus colegas de Cambridge, Burgess e Maclean, para o lado russo tornou-o alvo de suspeitas. Mesmo submetido a intenso interrogatório, nada revelou a seu respeito, mas, apesar disso, foi afastado do SIS. Foi para o Líbano, onde atuou como espião freelance, novamente sob a cobertura de sua profissão de jornalista.

Em 1963, um desertor da KGB ofereceu evidências contra Philby. Agentes do SIS viajaram para o Líbano para convencê-lo a confessar, mas Philby embarcou num avião de carga com destino a Moscou. Era o fim de uma carreira de mais de 30 anos como agente duplo.

Foi recebido inicialmente com desconfiança, pois Moscou duvidava de sua lealdade, acreditando que suas informações eram "boas demais". Mas no início dos anos 80 obteve a cidadania soviética e foi admitido como consultor da KGB. Foram-lhe concedidas diversas honrarias e prêmios. Contou sua história como agente duplo no livro de sua autoria Minha Guerra Silenciosa, que teve prefácio de Graham Greene, com quem trabalhou durante a Segunda Guerra Mundial.

Em Moscou, após manter um romance com a ex-esposa de seu colega Maclean, casou-se com a russa Rufina Pukhova, com quem viveu até sua morte. Foi seu quarto casamento. Teve uma filha, Anne, de seu segundo matrimônio.

Morreu em 1988, de complicações decorrentes do alcoolismo, antes, portanto, do colapso do regime comunista que tanto admirava.

Os 5 de Cambridge[editar | editar código-fonte]

Nos anos 20, a agência de espionagem soviética NKVD, antecessora da KGB, formulou um plano para se infiltrar no serviço de inteligência britânico. Para tanto, era necessário identificar e avaliar jovens estudantes da elite britânica, destinados a seguir carreira no serviço diplomático ou nos órgãos de segurança e que se manifestassem marxistas ou, ao menos, anti fascistas. Aliás, membros declarados do Partido Comunista eram de imediato descartados, pois já atraíam a atenção das autoridades de segurança britânicas.

A estratégia deu resultado. Os chamados espiões de Cambridge foram recrutados durante seus anos na universidade. Dois deles, Blunt e Burgess, eram membros dos Apóstolos de Cambridge, uma venerável socideade secreta que, nos anos 30, abraçou o marxismo com entusiasmo.

Philby e Graham Greene[editar | editar código-fonte]

Trabalhando sob as ordens de Philby, o escritor inglês Graham Greene ajudou a desmontar a rede de espionagem nazista na Península Ibérica. Decide deixar o serviço secreto em 1944, quando estava para ser promovido.

Esta saída inesperada do serviço secreto, quando sua carreira estava no auge, causou surpresa. No livro Escritores e Espiões — A Vida Secreta dos Grandes Nomes da Literatura Mundial, o escritor espanhol Fernando Martínez Laínez tem uma tese para esta demissão abrupta.

Segundo Laínez, Greene descobriu o papel duplo de seu chefe, mas como era seu amigo preferiu deixar o serviço secreto para não denunciá-lo. Depois que Philby foi para Moscou, Greene visitou-o várias vezes. O personagem principal de seu romance O Terceiro Homem foi inspirado nele.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]