Graham Greene

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Graham Greene
Data de nascimento 2 de outubro de 1904
Local de nascimento Berkhamsted
Data de morte 3 de abril de 1991 (86 anos)

Henry Graham Greene (Berkhamsted, 2 de outubro de 1904Vevey, 3 de abril de 1991) mais conhecido como Graham Greene, foi um escritor inglês, com uma obra composta de romances, contos, peças teatrais e críticas literárias e de cinema. Formou-se na Universidade de Oxford, e começou sua carreira como jornalista, trabalhando como repórter e subeditor do The Times. Publicou cerca de 60 romances.

Ao longo de sua vida, Greene esteve em vários países bem distantes da Inglaterra, aos quais ele se referia como lugares selvagens e remotos do mundo. Em 1935, visitou a África (especialmente Serra Leoa e Libéria), onde, além de buscar material para seus artigos do Times e para um futuro livro (Journey Without Maps), também prestou serviços à Anti-Slavery and Aborigines' Protection Society [1] [2]

As viagens o levaram a ser recrutado pelo MI6, o serviço secreto britânico, através de sua irmã, Elisabeth, que trabalhava para a organização, e ele foi enviado para Serra Leoa durante a Segunda Guerra Mundial.[3] Assim, de 1941 a 1943, ele trabalhou para a inteligência britânica, em Freetown. Muitos de seus romances, a partir de então, tiveram como tema ou pano de fundo a espionagem. Kim Philby (que posteriormente descobriu-se ser um agente duplo, a serviço da KGB) era seu supervisor no MI6 e seu amigo.[4] [5] Posteriormente, Greene escreveria a prefácio do livro de memórias de Philby, My Silent War (1968 memoir).

Em seus romances, o escritor retrata pessoas que encontrou e lugares onde viveu. Ele deixou a Europa pela primeira vez aos 30 anos de idade, em 1935, rumo à Liberia . Essa viagem seria a inspiração para o livro Journey Without Maps.[6] Sua viagem ao México em 1938, para observar os efeitos da campanha anticatólica do governo, que promovia a secularização forçada, foi paga pela editora Longman[7] e foi assunto de dois livros.

Seu primeiro livro de sucesso foi O Expresso do Oriente (1932). Outras obras: O Poder e a Glória (1940), Nosso Homem em Havana (1958) e O Fator Humano (1978). Muitas de suas obras foram transformadas em filmes. Suas obras falam muito de situações políticas de países pouco conhecidos e aos quais viajava frequentemente, como Cuba e Haiti.

Outra temática frequente em sua obra é a religião. Tendo se convertido ao catolicismo em 1926, os dilemas morais e espirituais de sua época eram representados através de suas personagens. Graham Greene era considerado o maior 'escritor católico' da Grã-Bretanha, apesar de sua resistência em ser retratado dessa maneira.

Greene e Shirley Temple[editar | editar código-fonte]

Em 1937, Greene era editor da revista literária britânica Night and Day e escreveu uma crítica sobre filme Wee Willie Winkie (1937), estrelado por Shirley Temple, então com oito anos. O texto assinalava a coqueteria da pequena atriz e o efeito que ela provocava entre homens de meia idade e clérigos. Em consequência desse comentário, Greene foi alvo de um processo judicial movido pela Twentieth Century Fox. [8] Temendo ser preso, o escritor refugiou-se no México, país que não permitia a extradição - e que inspiraria seu livro The Power and the Glory. Afinal, a justiça decidiu em favor do estúdio - concordando com o advogado dos demandantes, que se referiram à resenha de Greene como "uma das calúnias mais horríveis que se pode imaginar". Assim, foi fixada uma indenização de 3.500 libras, das quais £500 saíram do bolso de Greene. O restante foi pago pela revista.[9]

Obras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Butcher, Tim Chasing the Devil: The Search for Africa's Fighting Spirit , p. 6 (carta de um funcionário do Ministério das Relações Exteriores, sobre o plano de Graham Greene de visitar a Libéria, 20 de dezembro de 1934).
  2. On Reading Graham Greene in Liberia in a Time of Ebola. Por Brian Castner. Los Angeles Review of Books, 20 de fevereiro de 2015.
  3. Christopher Hawtree. "A Muse on the tides of history: Elisabeth Dennys". The Guardian, 10 de fevereiro de 1999.
  4. Robert Royal (November 1999). The (Mis)Guided Dream of Graham Greene First Things. Visitado em 2 June 2010.
  5. BBC – BBC Four Documentaries – Arena: Graham Greene BBC News (3 October 2004). Visitado em 2 June 2010.
  6. Butcher, Tim (2010). Graham Greene: Our Man in Liberia History Today Volume: 60 Issue: 10. Visitado em 2. "insisted this trip, his first to Africa and his first outside Europe"
  7. Graham Greene, Uneasy Catholic. Times Literary Supplement, 22 de agosto de 2006.
  8. Was Graham Greene right about Shirley Temple? Por Alexander Chancellor. The Spectator, 22 de fevereiro de 2014.
  9. What Was the Deal With Graham Greene Calling Shirley Temple "a Fancy Little Piece"? Por L.V. Anderson. Slate, 12 de fevereiro de 2014.
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