Lúcio Júnio Bruto
Lúcio Júnio Bruto (em latim Lucius Iunius Brutus) foi um personagem legendário, considerado o fundador da República Romana pelo povo romano. Seu pai era Marco Júnio (Marcus Iunius), descendente de um dos colonos que vieram com Eneas, e sua mãe era Tarquínia, filha de Tarquínio Prisco[1].
Segundo a tradição romana (talvez lendária), Lúcio Bruto foi o principal articulador da queda de Tarquínio Soberbo e do regime monárquico. A história da morte de Lucrécia parece ter sido incorporada, posteriormente, à sua biografia, provavelmente por volta do século II a.C.
Na condição de cônsul da recém fundada República, diz-se que fez executar os próprios filhos por traição e concluiu o primeiro acordo comercial com os cartagineses, mas isso também pode não ser verídico.
Não menos duvidosa era a alegação de Marco Bruto, um dos assassinos de César, de ser seu descendente.
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[editar] Contexto histórico
O sétimo e último rei romano, Lúcio Tarquínio, governava Roma durante os tempos de Bruto. Este rei era descendente de Lúcio Tarquínio Prisco, um usurpador etrusco. Durante o tempo dos Tarquínios, o reino estendera-se até atingir cerca de 800 km², e a cidade tinha uns 35 mil habitantes. As cidades latinas reconheciam a força do rei romano e eram-lhe servis.
Contudo, o ambiente em Roma não era amigável para estes reis etruscos. Em anos anteriores os reis convidaram as famílias nobres da cidade para que o aconselhassem, numa reunião chamada Senado. Quando faleceu Sérvio Túlio, o novo rei Tarquínio recusou convocar estes nobres, e estes ofenderam-se. Nesta época foi-lhe dado o apelido de Superbus ("Soberbo").
[editar] Infância e juventude de Bruto
Depois de matar Sérvio Túlio, o rei Tarquínio teria assassinado vários outros nobres, inclusive o pai de Bruto, para roubar suas fortunas[2]. Além de matar o pai, ele também matou seu irmão mais velho; Bruto escapou de ser morto porque fingiu ser idiota - e continuou fingindo ser tolo por sua vida, daí que deriva seu apelido de bruto[2].
Ainda segundo Dionísio, Tarquínio, desprezando a idiotice de Bruto, criou o órfão junto com seus filhos, apenas como diversão para eles, porque Bruto falava muitas coisas idiotas[3]. Quando uma praga se abateu sobre Roma, Tarquínio mandou seus filhos Arruns e Tito para o oráculo de Delfo, e mandou Bruto com eles, para que ele os divertisse durante a viagem[4]. De fato, eles tiveram motivo para rir, porque, na hora das ofertas, Bruto entregou a Apolo um cajado de madeira; só que, dentro do cajado, havia uma vara de ouro[5]. Os irmãos perguntaram ao Oráculo quem seria o próximo governante de Roma, e o oráculo respondeu que seria quem primeiro beijasse a sua mãe[5]; eles então combinaram que beijariam a mãe ao mesmo tempo, um de cada lado[6]. Bruto, porém, interpretou o oráculo de forma diferente, e, ao chegar na Itália, beijou o solo italiano[6].
[editar] Queda de Tarquínio
A queda do rei foi desencadeada pela conduta do seu filho Sexto Tarquínio. Segundo a tradição romana, Sexto violou uma mulher nobre casada chamada Lucrécia, a qual se suicidou depois. Isto ocasionou que Bruto, que era primo do rei, levantasse a população e expulsasse os Tarquínios, para depois estabelecer a república. Acredita-se que isto ocorreu em 509 ou 505 a.C..
[editar] Instituição da República
Imediatamente foi criado um Senado permanente, e designados dois magistrados que executariam as decisões dos primeiros, estes foram designados pretores e depois cônsules. Os primeiros cônsules da República foram Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino, o esposo da finada Lucrécia.
O primeiro ato de Bruto como cônsul foi obrigar Colatino a renunciar sob o pretexto de ele ser um Tarquínio e Roma não seria livre até marcharem todos os Tarquínios. Colatino viu-se pressionado e mudou-se para a povoação latina de Lanuvium. Depois o Senado decretou que todos os Tarquínios deviam exilar-se, e o povo escolheu Públio Valério, amigo de Bruto, como novo cônsul. Aparentemente, ninguém reparou no fato de Bruto ser um parente mais próximo dos reis que o exilado Colatino (embora Bruto não portasse o nome Tarquínio).
Tempo depois, vários familiares seus planejaram o derrocamento de Bruto, mas a conspiração fracassou e muitos familiares seus foram executados, incluindo os seus dois filhos Tito e Tibério. Pouco tempo depois, Tarquínio, o Soberbo tentou recuperar o trono, mas fracassou, porém Bruto faleceu no combate.
Apesar de os romanos o considerarem como fundador da República, as suas ações levaram os historiadores a considerar que Bruto visava instalar-se como rei, mas a morte impediu os seus planos.
Referências
- ↑ Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 68.1
- ↑ a b Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 68.2
- ↑ Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.1
- ↑ Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.2
- ↑ a b Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.3
- ↑ a b Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, Livro IV, 69.4
[editar] Bibliografia
- Bowder, Diana - "Quem foi quem na Roma Antiga", São Paulo, Art Editora/Círculo do Livro S/A,s/d
| Precedido por: (Não existia o título) |
Cônsul da República Romana com Lúcio Tarquínio Colatino 509 a.C. |
Sucedido por: Públio Valério Publícola e Marco Horácio Pulvilo |
[editar] Ligações externas