Etruscos

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civilização etrusca

Os etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na península Itálica na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre, mais ou menos equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e a Úmbria. Eram chamados Τυρσηνοί, tyrsenoi, ou Τυρρηνοί, tyrrhenoi, pelos gregos e tusci, ou depois etrusci, pelos romanos; eles auto-denominavam-se rasena ou rašna. É pela sua designação grega que se fala de mar Tirreno [1] .

Desconhece-se ao certo quando os etruscos se instalaram aí, mas foi provavelmente entre os anos 1 200 a.C. e 700 a.C.. Nos tempos antigos, o historiador Heródoto acreditava que os Etruscos eram originários da Ásia Menor, mas outros escritores posteriores consideram-nos itálicos. A sua língua, que utilizava um alfabeto semelhante ao grego, era diferente de todas as outras e ainda não foi decifrada, e a religião era diferente tanto da grega como da romana.

A Etrúria era composta por cerca de uma dúzia de cidades-estados (Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veios, Tarquinia e Fescênia), muito civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. A Fescênia, próxima a Roma, ficou conhecida como um local de devassidão. Versos populares licenciosos, na época muito cultivados entre os romanos, ficaram conhecidos como versos fesceninos (obscenos).

Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Verificaram-se prolongadas lutas entre a Etrúria e Roma, terminando com a vitória desta última no século III a.C.

Apogeu e decadência[editar | editar código-fonte]

Cidade de Bagnoregio, de origem etrusca. Esta estrada foi, outrora, a principal via de ligação com o rio Tibre e Roma.

Por volta de século IX a.C. (c.a. 850 a.C.), os etruscos já estavam estabelecidos na região da Etrúria, entre os rios Arno e Tibre, a oeste e sul da cadeia dos Apeninos. Nos três séculos posteriores, difundiram seus domínios submetendo os povos locais, ocupando vastas áreas da planície do rio e fundaram cidades que existem até hoje. Em direção ao sul, tomaram Roma - então um aglomerado de aldeias - e transformaram-na em uma cidade cercada de muros. Acredita-se que os Tarquínios - uma dinastia de reis etruscos - governaram Roma por volta de 616 a.C. a 509 a.C..

Durante o processo de expansão, os etruscos atingiram até a região da Campânia, onde fundaram Cápua que, desde o início do século VI a.C., representou um centro comercial capaz de rivalizar com as colônias gregas vizinhas: Cuma e Neápolis (Nápoles). Por volta de 540 a.C., aliados aos cartagineses, derrotam os Fócios da Córsega. Essa vitória assegurou-lhes o controle da ilha e marcou o apogeu da expansão territorial.

Entretanto, os etruscos foram expulsos de Roma pelos latinos em 509 a.C.; tiveram sua fronteira destruída pelos gregos de Siracusa e Cuma em 476 a.C. Em 424 a.C., perderam a Campânia para os samnitas e, logo a seguir, o vale do rio Pó foi ocupado pelos celtas. Em 396 a.C., com a tomada de Veios, os romanos incorporaram ao seu território o que restava da Etrúria.

Origens[editar | editar código-fonte]

Cabeça de guerreiro (Necrópole de Crocifisso del Tufo, Orvieto, Itália)

A origem dos etruscos permanece uma incógnita, embora existam várias teorias a respeito. Duas delas são as que têm maior peso:

  1. A teoria orientalista, proposta por Heródoto, que crê que os etruscos chegaram desde Lídia por volta do século XIII a.C. Para demonstrá-lo baseiam-se nas supostas características orientais da sua religião e costumes, bem como que se tratava de uma civilização muito original e evoluída comparada com os seus vizinhos.
  2. A teoria de autoctonia, proposta por Dionísio de Halicarnasso, que considerava os etruscos como oriundos da península Itálica. Para argumentá-la, esta teoria explica que não há indícios de que a civilização etrusca tenha se desenvolvido em outros lugares e que o estrato lingüístico é mediterrâneo e não oriental. Em suas Antiguidades Romanas (livro I, capítulo 25) Halicarnasso considera que "(...)o povo etrusco não emigrou de parte alguma e sempre esteve aqui".. [2]

Outra teoria, já descartada, foi a de uma origem "nórdica", defendida em finais do século XIX e primeira metade do século XX. Era baseada somente em parafonias, na similitude da sua autodenominação (rasena) com a denominação que os romanos deram a certos povos celtas que habitavam a Norte dos Alpes, no atual Leste da Suíça e Oeste da Áustria: os ræthii ou réticos.

A teoria atualmente mais fundamentada de certa forma sintetiza as de Heródoto e Dionísio de Halicarnasso: considera-se, por vários traços culturais (por exemplo, os alfabetos), um forte influxo cultural derivado de alguma migração procedente de sudoeste de Anatólia, mais precisamente desde o território que os gregos chamaram Karya (Cária), tal influxo cultural ter-se-ia estendido sobre povos autóctones situados na que atualmente é a Toscana Talvez as respostas se encontrem na cultura de Villanova, representada por cerca de 100 tumbas encontradas na povoação de Villanova de Castenaso, em Bolonha, possíveis antecedentes da cultura etrusca. Por volta do século VII a.C. existiam doze cidades-estado independentes que se atribuem a Tarcão, filho ou irmão de Tirreno.[2]

Esta tese da origem oriental dos etruscos é a mais conhecida na Antiguidade, tanto que os poetas latinos, principalmente Virgílio, designam frequentemente os etruscos pelo nome de Lydi.[2]

os gregos e os romanos foram os primeiros a se interrogarem sobre a origem dos etruscos. No início, Heródoto[3] situa a origem dos etruscos na Lídia (na atual Turquia). Segundo Heródoto, depois de um período de dificuldades e grande fome (vinte anos), um rei confiou ao filho, Tirreno, a missão de levar o seu povo para uma terra produtiva. Estes lídios conseguiram chegar à Itália e foram denominados de Tirrenos. Os elementos míticos dessa lenda, a fome, a partida para um lugar desconhecido, eram comuns neste gênero de relatos.[2]

No seu apogeu século IV a.C. um extraordinário desenvolvimento político, social e artístico levou os etruscos a controlar vastos territórios (da planície do rio Pó até o golfo de Salerno). A região onde prosperaram, entre o Arno e o Tibre se chama Toscana por causa do nome que tinham em latim, Tusci. O mar que banha a costa da região se chama Tirreno, termo derivado de Tirrenoi, como os gregos denominaram os etruscos.[2]

Até o século VIII a.C., a Toscana era povoada por cidades de cabanas humildes que indicam a vida modesta de sua população. Talvez por isso, o fascínio pela busca da origem de um povo de língua incomparável e que vivia com refinamento.[2]

Organização política e social[editar | editar código-fonte]

Sarcófago etrusco, Museu Britânico

Politicamente, a Etrúria era organizada em federações de doze cidades unidas por laços estritamente religiosos, o que é chamado Dodecápolis, mas esta aliança não era política, nem militar e cada cidade era independente.

A estrutura política é, a princípio, a de uma monarquia absoluta, onde o rei (lucumo) distribui justiça, age como sumo-sacerdote e comandante em chefe do exército. Depois se dá uma transição onde o governo é uma ditadura de corte militar, a qual termina numa república, em essência oligárquica, com magistraturas colegiadas, um senado forte e estável e a participação de uma assembleia popular em representação do povo.

Na pirâmide social etrusca, podemos distinguir quatro escalões:

  • Em primeiro lugar estavam os terratenentes, membros da oligarquia.
  • Plebe livre, ligada por laços de clientela aos anteriores.
  • Estrangeiros, geralmente gregos, que eram artesãos e mercadores.
  • Por último, escravos. Os etruscos tinham uma grande quantidade de escravos para serviço doméstico e agrário.

A família e o papel da mulher[editar | editar código-fonte]

Estatueta funerária de Chianciano, século V a.C., Museu Arqueológico Nacional de Florença

A mulher etrusca, ao contrário da grega ou da romana, não era marginalizada da vida social, senão que participava ativamente dos banquetes, nos jogos ginásticos e nas danças. Esta situação social da mulher entre os etruscos, muito mais livre que entre gregos e romanos, fez que gregos e latinos considerassem "promíscua" e "licenciosa" a cultura etrusca. Entre helenos e latinos as mulheres estavam absolutamente subordinadas aos varões.[carece de fontes?]

A mulher ademais tinha uma posição relevante entre os aristocratas etruscos, pois que estes últimos eram poucos e amiúde estavam envolvidos na guerra: por isto, os homens escasseavam. Esperava-se que a mulher, em caso de morte do marido, assumisse a tarefa de assegurar a conservação das riquezas e a continuidade da família. Também através dela transmitia-se a herança.

Líderes etruscos conhecidos[editar | editar código-fonte]

  • Osiniu (em Clusium) provavelmente em princípio do século XI a.C.
  • Mezentius 1 100 a.C.
  • Lausus (em Caere)
  • Tyrseos
  • Velsu século VIII a.C.
  • Larthia (em Caere)
  • Arinestos (em Arinus)
  • Lars Porsena (em Clusium) finais do século VI a.C.
  • Thefarie Velianas (em Caere) finais do século V a.C. – princípio do século IV a.C.
  • Aruns (em Clusium) por volta de 500 a.C.
  • Volúmnio (em Veios) em meados do século a.C.437 a.C.
  • Lars Tolumnius (em Veios) finais do século a.C.428 a.C.
  • Tarquinius século IV a.C.)

Relações com outros povos (aliados e inimigos)[editar | editar código-fonte]

Mapa das línguas itálicas antigas.

Durante toda a existência da sua civilização, os etruscos foram um povo comerciante, principalmente marítimo, embora também terrestre. Por outro lado, as suas terras viram-se invadidas várias vezes por povos bárbaros já que as suas cidades eram muito ricas e cobiçadas, eram passo obrigado para as férteis terras da Campânia e para chegar a Roma (como ocorreu, por exemplo, com a invasão de Aníbal).

A princípio aliaram-se e repartiram as zonas de influência marítima com os fenícios, contra os helenos. Por volta do século IV a.C. estreitaram relações com Corinto e cessou a hostilidade com os gregos. Contudo, em 545 a.C. aliaram-se com os cartagineses novamente contra os gregos.

Teve numerosos inimigos. Desde um princípio, a Liga Latina (com Roma de aliada ou à frente da mesma), no Lácio; na Campânia os samnitas; nas costas e ilhas os siracusanos e cumitas e nas planícies do os povos celtas seriam inimigos da Etrúria. Apenas conservariam como aliado incondicional, durante toda a história desta civilização, os faliscos (povo que ficava a Oeste do Tibre).

Por volta de 300 a.C., aliaram-se com os helenos contra cartagineses e romanos, pelo controlo das rotas comerciais.

Ao redor de 295 a.C., uma liga de etruscos, sabinos, umbros e gauleses cisalpinos combateu contra Roma, saindo esta última vitoriosa. Contudo, em sucessivas alianças temporárias com os gauleses continuaram lutando contra os romanos, até ter lugar uma aliança com Roma contra Cartago. Após isso, os etruscos, já em decadência, começaram a ser absorvidos pelos romanos.

Língua, alfabeto e inscrições[editar | editar código-fonte]

O etrusco é uma língua aparentemente não aparentada com as línguas indo-europeias.[4] É de salientar que a fonética é completamente diferente da do grego ou do latim, embora influísse neste em vários aspetos fonéticos e léxicos.[5] Caracteriza-se por ter quatro vogais, /a/, /e/, /i/, /o/, redução dos ditongos, tratamento especial das semivogais. Nas consoantes carecia da oposição entre surdas e sonoras, embora nas oclusivas tinha contraste entre aspiradas e não aspiradas.

Alfabeto[editar | editar código-fonte]

O etrusco utilizava a variante calcídica do alfabeto grego,[6] pelo qual pode ser lido sem dificuldade, embora não compreendido. Deste alfabeto grego básico, algumas das letras não eram utilizadas em etrusco (as oclusivas sonoras) e ademais acrescentavam um grafema para /f/ e a digamma grega utilizava-se para o fonema /v/ inexistente em grego.

Inscrições[editar | editar código-fonte]

As principais evidências da língua etrusca são epigráficas, que vão desde o século VII a.C. (diz-se que os etruscos começaram a escrever no século VII a.C., mas a sua gramática e seu vocabulário diferem de qualquer outro conhecido do mundo antigo) até princípios da era cristã. São conhecidas cerca de 10.000 destas inscrições, que são sobretudo breves e repetitivos epitáfios ou fórmulas votivas ou que assinalam o nome do proprietário de certos objetos. Além deste material, contamos com alguns outros testemunhos mais valiosos:

numeral cinco etrusco
  1. O Liber Linteus ou texto de Agram é o texto etrusco mais extenso com 281 linhas e umas 1.300 palavras. Escrito num rolo de linho, posteriormente foi cortado a tiras e utilizado no Egito para envolver o cadáver mumificado de uma mulher nova; conserva-se atualmente no museu de Zagrebe (provavelmente quando isto sucedeu considerava-se que tinha mais valor o rolo de linho que o próprio texto, que paradoxalmente hoje é nosso melhor testemunho da língua; talvez se não tivesse sido conservado como envoltura nem sequer teria chegado até nós).
  2. Alguns textos sobre materiais não perecíveis como uma tabela de argila encontrada perto de Cápua de cerca de 250 palavras, o cipo de Perugia (ver foto) escrito por duas caras e com 46 linhas e cerca de 125 palavras, um modelo de bronze de um fígado encontrado em Piacenza (cerca de 45 palavras).
  3. Além destes testemunhos temos duas mais inscrições interessantíssimas: a primeira delas é a inscrição de Pyrgi, encontrada em 1964, sobre lâminas de ouro que apresenta a peculiaridade de ser um texto bilíngüe em etrusco e púnico-fenício e que ampliou consideravelmente nosso conhecimento da língua. A segunda das inscrições resulta algo intrigante, já que foi encontrada na ilha de Lenos (N. do mar Egeu, Grécia). Composta de 34 palavras, parece escrita num dialeto diferente dos encontrados na península Itálica, quer seja sintomático da presença de colônias etruscas em outros pontos do mediterrâneo, quer de uma língua irmã do etrusco, o lénio, embora se acredite que a presença de uma só inscrição não aclara grande coisa.

Seguramente a inscrição de Pyrgi é a única inscrição etrusca razoavelmente longa que podemos traduzir ou interpretar convenientemente graças a que o texto púnico, que parece ser uma tradução quase exata do texto etrusco, é perfeitamente traduzível. Quanto ao acesso às inscrições: a maioria de inscrições etruscas conhecidas e publicadas encontram-se recolhidas no corpus inscriptionum etruscarum (CIE).

Arte[editar | editar código-fonte]

Sarcófago etrusco, 520 a.C., Museu Nacional Etrusco, Roma

Destaca-se a arte funerária e a sua relação na pintura e escultura, destacando-se as suas terracotas e o talhe de uma pedra local chamada "nenfro". Desenvolveram uma importante indústria de ourivesaria, trabalharam o bronze, a sua metalurgia caracteriza-se pelas suas gravuras, graneados, filigranas e repuxados, em relação à coroplastia criaram o estilo Buchero em cerâmica. Todos estes produtos foram base para a exportação tanto para Norte da Europa como para Oriente. Outro ponto importante é a pintura onde várias escolas produziram frescos admiráveis, mas a mesma tem temas marcadamente narrativos, anedóticos e nomeadamente funerários. Embora a arte etrusca, como outras artes do Mediterrâneo Ocidental, se visse influenciada fortemente pela arte da Grécia Clássica, guarda características singulares; muito relacionada aos rituais funerários, legou a Roma um extraordinário naturalismo quanto à representação de rostos: os bustos são praticamente uma invenção etrusca, o busto propriamente dito, realizado em bronze fundido, difere do "busto" grego, neste último a pessoa retratada acostuma estar idealizada, não assim no genuíno busto etrusco. As cores preferidas na pintura pelos etruscos foram vermelho, verde e azul, pelo jeito porque lhes assinavam conotações religiosas. Entre as obras mais salientáveis encontram-se:

Músico etrusco da "Tumba do Triclínio", em Tarquinia.
  • O Apolo de Veius escultura do deus Apolo do século VI a.C. encontrada no templo-santuário em honra da deusa Minerva de Portonacio.
  • A Quimera de Arezzo: datada entre 380 a.C. e 360 a.C.A quimera, segundo a mitologia romana, foi abatida por Belerofonte, na garupa do seu cavalo Pégaso. Após a sua descoberta em 1553, converteu-se em símbolo do nacionalismo toscano [7]
  • Lupa Capitolina: esta célebre escultura chegou a ser um símbolo de Roma, porém tudo indica que é uma obra etrusca do século IV a.C.. Quanto às duas crianças que representam Rômulo e Remo, foram forjados e acrescentados no século XVI.
  • O chamado Marte de Todi, escultura de um guerreiro armado de um jeito semelhante ao dos hoplitas gregos, embora o armamento (tipo de couraça, etc.) seja, de fato, etrusco.
  • L'Arringatore (o orador): datada entre o século II a.C. e o século I a.C. Aparentemente, representa um nobre chamado Aule Meteli, mas é desconhecido quem era.
  • O sarcófago do casal: datado por volta de 520 a.C.. Foi encontrado numa necrópole em Cerveteri. Construído em terracota, a tampa do sarcófago representa um casal recostado num triclínio.
  • O Frontão de Talamone, frontão com relevos de terracota de um templo etrusco do século II a.C.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A necrópole de Polulonia

Para os templos utilizava-se a pedra, enquanto para as moradias utilizava-se o adobe, com estrutura de madeira e revestimento de argila cozido.

Os etruscos conheciam o arco de meio ponto, a abóbada de canhão, e a cúpula, elementos que utilizaram –entre outras coisas– para a construção de pontes. Também construíram canais para drenar as zonas baixas, levantaram muralhas defensivas de pedra, mas, sobretudo, destacou a arquitetura funerária, em forma de impressionantes hipogeus. Os templos estavam inspirados no modelo grego, embora apresentassem notáveis diferenças: costumavam ser menores, de planta quadrangular, fechados, sem peristilo, somente com uma fileira de colunas da ordem chamada "toscano" a jeito dos pronaos gregos, e o altar estava sobre um fojo, chamado pelos latinos mundus -limpador, purificador- (a palavra talvez seja de origem etrusca), é dizer, um orifício que, simbolicamente, serviria para jogar os restos dos sacrifícios.

Religião[editar | editar código-fonte]

Existem certas analogias com religiões orientais (especialmente com a de Suméria e Caldeia e mesmo a egípcia).

O tipo de religião é de revelação, e está plasmada numa série de livros sagrados, os quais têm temas tais como a interpretação dos raios, a adivinhação, a retidão do estado e dos indivíduos e até um análogo do Livro dos Mortos egípcio. Tudo o compêndio religioso é conhecido como "Doutrina Etrusca". Esta se dividia em "Doutrina Teoria" e "Preceitos Práticos", e estava dedicada à procura da interpretação de praticamente tudo fora do comum para predizer o porvir.

Os sacerdotes denominavam-se arúspices, e sempre tiveram uma posição de privilégio na sociedade. Os arúspices especializavam-se em "interpretar" o que consideravam diversos "signos" proféticos: a adivinhação a partir da observação dos fígados de animais sacrificados, a crença em que se podia adivinhar o futuro observando os raios (ceromancia) ou outros meteoros, e a "interpretação" com intenções divinatórias dos voos das aves. Havia rituais de todo tipo, tanto dirigidos ao estado quanto aos indivíduos, extremamente minuciosos e formais, até o ponto de os considerarem como ciência.

Urna funerária etrusca

O panteão de deuses etrusco está intimamente ligado à influência da mitologia grega, daí que for adorados deuses homólogos aos gregos, embora formasse uma tríada, similar à Creto-micênica. A mais importante foi: Tínia (Zeus), Uni (Hera) e Menrfa (Atena), que se veneravam em templos tripartites. Também existia a crença na existência de demônios maléficos, ao jeito assírio.

Os etruscos criam no mais além, daí as manifestações de grande importância nos lugares de enterramento. Um dos túmulos mais conhecidos é o Hipogeu dos Volumni, nos arredores de Perugia.

É importante salientar que o sagrado interveio sem interrupção nas suas vidas e a sua presença agoniava seus espíritos e corações, embora um jeito de paliar ou atenuar isto foi uma moral que resultava "licenciosa" para os gregos e romanos. É quase com segurança que dos etruscos tomaram os romanos a noção de "circo" já não para representações teatrais senão para lutas entre gladiadores: em efeito, entre os etruscos estas lutas costumavam fazer parte de sacrifícios fúnebres de pessoas da elite, ou uma "diversão" realizada com os prisioneiros de guerra.

Trajes e vestimentas[editar | editar código-fonte]

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Os trajes utilizados pela civilização eram, geralmente, costurados e drapeados. As mulheres etruscas, diferentemente das gregas, participavam ativamente da vida pública e se igualavam aos homens, inclusive quando às vestimentas. Elas usavam mantos e túnicas, semelhantes às vestimentas masculinas, mas para não ficar exatamente como os homens, usavam adornos, além de sapatos e chapéus diferentes.

Referências

  1. Dic. Lello Universal
  2. a b c d e f História Viva, nº04, pp. 52-54. Editora Duetto. São Paulo (2004).
  3. Primeiro livro (Clio) da obra de Heródoto, Capítulo 94.
  4. Língua Etrusca em proel.org
  5. Língua etrusca em Lingvae Imperii
  6. Alfabeto etrusco em proel.org
  7. ver Quimera de Arezzo

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BLOCH, Raymond: Los Etruscos. Eudeba 1981, Sexta edição.
  • LARA PEINADO, Federico: Los Etruscos. Ediciones Cátedra, Madrid, 2007.
  • WALKER, Joseph. Los etruscos - Edimat Libros, 2004
  • BARATTE, François e METZGER,Catherine. Etruria y Roma, historia ilustrada de las formas artísticas - Alianza Editorial, 1982
  • BELTRÁN MARTÍNEZ, Antonio. Arqueología clásica - Ed. Pegaso , 1949
  • CALVET. Louis-Jean. Historia de la escritura - Paidos, 2001
  • PFLUGHAUPT, Laurent. Lettres Latines - Ed. Alternatives, 2003
  • GRIMAL, Pierre. Diccionario de mitología griega y romana , - Paidos, 1981
  • CORNELL, Tim e MATTHEWS, John. Atlas culturales del mundo: Roma, legado de un Imperio - Ed. Folio, 1993
  • DUBY, Georges. Atlas histórico mundial - Ed. Debate, 1987
  • ANDERSON, R.G.W. El Museo Británico - British Museum Press, 1999
  • MEDIAVILLA, Claude L'ABC de la calligraphie - Flammarion, 2000

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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