Língua etrusca

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Etrusco (mechl Rasnal)
Falado em: península da Itália
Região: Europa
Extinção: Extinta.
Família: Línguas tirrênicas?
 Etrusco
Escrita: alfabeto etrusco
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: ett
Línguas da península da Itália na Idade do Ferro

O etrusco era um idioma falado e escrito na antiga região da Etrúria (a atual Toscana) e em algumas partes das atuais Lombardia, Veneza, e Emília-Romanha (onde os etruscos foram deslocados pelos galos), em Itália. No entanto, o latim substituiu totalmente o etrusco, deixando apenas uns poucos documentos e uns poucos empréstimos linguísticos no latim (e.g., pessoa do etrusco phersu), e alguns topônimos , como Parma. Dela existem inscrições atualmente impossíveis de traduzir ou decifrar. As poucas palavras traduzidas referem-se à vida e à morte, uma vez que os poucos documentos encontrados são espécies de lápides.

História[editar | editar código-fonte]

Os etruscos eram um dos povos indígenas de Itália, que viviam ali antes da migração indo-europeia e da chegada dos latinos ao redor de 1 000 a.C.. Heródoto[1] , no entanto, descreve os tirrenos (na época de Heródoto, o nome grego para os etruscos) como imigrantes da Lídia ao oeste de Anatólia, que, escapando da fome, foram conduzidos a ocidente pelo seu líder Tirreno, para se estabelecer na Úmbria [2] . A alfabetização era bastante frequente, como se pode ver pelas 13 000 inscrições (dedicatórias, epitáfios etc.), a maioria curtas mas algumas de considerável longitude.[3] Foram datadas por volta de 700 a.C.[4]

No século I a.C., o historiador grego Dionísio de Halicarnasso[5] destacou que o idioma etrusco era diferente de qualquer outro, e que os etruscos tinham uma rica literatura, como foi destacado pelos autores latinos. Bonfante, um estudioso nesta matéria, diz que "... ele lembra nenhuma outra língua da Europa nem doutro lugar ...."[3]

Com a ascensão da República Romana, que conquistou a Etrúria, a hegemonia do latim acelerou o declive da civilização etrusca, e por volta de 200 a.C., o etrusco estava já substituído pelo latim, exceto quiçá em alguma montanha isolada ou pântanos, num campo no qual eram mais acessíveis os autores latinos, nos tradicionais contextos do culto religioso.

No final da República, só uns poucos educados romanos com interesse na antiguidade (como Varro) podiam ler etrusco. A última pessoa conhecida que era capaz de ler etrusco foi o imperador romano Cláudio (10 a.C.54 d.C.), que compilou um dicionário (atualmente perdido) com entrevistas aos últimos camponeses que ainda falavam o idioma.

Desenho das inscrições do fígado de Placência, ver arúspice.

Tito Lívio e Cícero eram entendidos nos altamente especializados ritos religiosos etruscos que estavam codificados em várias coleções de livros escritos em etrusco sob o título latino genérico de Etrusca Disciplina. Os Libri Haruspicini tratavam da adivinhação com as entranhas de animais sacrificados, osLibri Fulgurales expunham a arte da adivinação mediante a observação dos raios. Uma terceira coleção , os Libri Rituales, podiam ter proporcionado a chave da civilização etrusca: seu amplo âmbito que abarcava a vida política e social bem como as práticas rituais. Segundo o escritor latino do século IV Mário Sérvio Honorato (mais conhecido como Sérvio), existia uma quarta coleção de livros etruscos, que tratava de deuses animais. As autoridades cristãs recolheram obras do paganismo e queimaram-nas durante o século V; o único livro sobrevivente, Liber Linteus, foi escrito em lino, e sobreviveu unicamente ao ser utilizado para envolturas de múmias.

O etrusco teve alguma influência sobre o latim. Uma escassa dúzia de palavras foram tomadas prestadas pelos romanos e algumas delas podem se encontrar nos idiomas modernos.

Classificação[editar | editar código-fonte]

O etrusco não mostra parentescos evidentes com outras línguas importantes da antiguidade, como o latim ou o grego. Durante certo tempo foi considerada uma língua isolada como o basco. Atualmente encontra-se juntamente com outras línguas menores forma a chamada família tirrênica.[6] Desde Rix (1998) é amplamente aceito que o rético e o lemnio juntamente com o etrusco são parte desta família tirrénica.

Outra possível língua relacionada com etrusca é a minoica. Tal relação foi a principal hipótese de Michael Ventris antes de descobrir que a língua atrás da mais moderna escrita linear B foi o miceno, um dialeto grego. Giulio Mauro Facchetti, um pesquisador que tenha lidado com ambas as línguas (etrusca e minoica) apresentou mais uma vez essa hipótese, comparando algumas das palavras da minoica com significado conhecido com palavras etruscas similares[7]

No seu Naturalis História (século I ), Plínio escreveu sobre os povos alpinos: "Os rétios e os vindelícios fronteiriças com a dos [nóricos], todos distribuídos em numerosas cidades. Os galos sustentam que os récios descendem dos etruscos, por seu líder Repto." Baseado nisto e em dados linguísticos está claro que o etrusco está relacionado com o rético. No entanto, para além destes fatos conhecidos, há um amplo debate.

Alguns eruditos atuais [8] afirmaram que o etrusco é parte da grande família tirrênica e está remotamente relacionada com a família de línguas indo-europeias, e citam similitudes nos finais gramaticais e o vocabulário. Nada pode ser determinado considerando a escassez de textos em geral em etrusco. Por agora muitos permanecem conservadores e consideram o tirreno isolado.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

O etrusco foi falado no noroeste e centro-oeste da Itália, na região que hoje conserva o seu nome, Toscana (do latim tuscī "etruscos"), como ao redor de Cápua na Campânia e no vale do ao norte da Etrúria.

Idiomas relacionados[editar | editar código-fonte]

Um idioma muito relacionado com o etrusco foi o que se falou uma vez na ilha de Lemnos antes da invasão ateniense (século VI a.C.), acertadamente chamado lemnio. Uma pequena tábua de pedra chamada estela de Lemnos foi encontrada ali com uma escritura aparentada com o etrusco e datada cerca de 600 a.C. Sabe-se que os lémnios falaram este idioma devido às peças de cerâmica com inscrições escritas com este mesmo alfabeto. No entanto, desconhece-se quando ou como, falantes deste dialecto chegaram a esta ilha.

Contudo, a antiga opinião de que o etrusco é uma língua isolada pode ter apoio. Na actualidade, o etrusco é considerado parte de uma grande família linguística que conhecemos como tirrênica, baseada no nome grego para os etruscos, "Tyrrhenoi".

Algumas traduções[editar | editar código-fonte]

Pronomes

Língua etrusca Português
EIS ele, ela
EQO Eu

Termos familiares

Língua etrusca Português
PATER pai
MATER mãe
FILIOS filho
FRATER irmão
FILIA filha

Relacionados com tempo

Língua etrusca Português
ASNOS ano
SEPTEMBER mês de Setembro
DIES dia
MENSIS mês

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Heródoto, Histórias I.94
  2. [1]
  3. a b Bonfante (1990), pág. 12
  4. Bonfante (1990) pág. 10.
  5. Dionísio de Halicarnasso, Livro 1.30.2
  6. Helmut Rix, "Etruscan", pp. 964, in The Cambridge Encyclopedia of the World's Ancient Languages, ed. R. D. Woodard, Cambdridge University Press, 2004, ISBN 0 521 56256 2
  7. G. Facchetti M. (2001) "qualche osservazione sulla lingua minoica" Kadmos'40 / 1, p. 1-38.
  8. Steinbauer 1999

Ver também[editar | editar código-fonte]