Lúpulo

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Humulus.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Rosales
Família: Cannabaceae
Género: Humulus
Espécie: H. lupulus
Nome binomial
Humulus lupulus
L.

Lúpulo é uma liana europeia da espécie Humulus lupulus, da família Cannabaceae. O lúpulo é tradicionalmente usado, junto com o malte (grão malteado), a água e o levedo, na fabricação do chope e da cerveja. No calor do cozimento da mistura, o lúpulo libera suas resinas de sabor amargo, dando à cerveja sabor característico.

O lúpulo é um conservante natural, sendo essa uma das principais razões para ser adotado na produção de cerveja. O lúpulo era adicionado diretamente ao barril de cerveja após a fermentação para mantê-la fresca enquanto era transportada. Foi assim que um estilo particular de cerveja surgiu, a Índia Pale Ale. Na virada do século XVIII, os cervejeiros britânicos começaram a enviar cerveja forte, com muito lúpulo adicionado aos barris para preservar a bebida durante a viagem de vários meses para a Índia. No final da viagem, a cerveja acabava adquirindo grande intensidade de aroma e sabor de lúpulo. Perfeito para satisfazer a sede de pessoal britânico nos trópicos. [1]

Além de um constituinte da cerveja, o lúpulo é cultivado como trepadeira ornamental em jardins em áreas subtropicais e temperadas. Também é usado em pequena escala na alimentação, produzindo o chamado "aspargo de lúpulo"

Variedades[editar | editar código-fonte]

  • Humulus lupulus var. lupulus. Europa, Ásia Ocidental.
  • Humulus lupulus var. cordifolius. Ásia Oriental.
  • Humulus lupulus var. lupuloides (sin. H. americanus). Região Oeste da América do Norte.
  • Humulus lupulus var. neomexicanus. Região Leste da América do Norte.
  • Humulus lupulus var. pubescens. Região Central da América do Norte.

Cultivo[editar | editar código-fonte]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Cultivo de lúpulo em Hallertau

O primeiro campo de cultivo de lúpulo data de 736, em Hallertau região do país atualmente conhecido como Alemanha (que ainda hoje é o mais importante centro de produção, responsável por cerca de 25% da produção mundial), apesar da primeira citação do uso do lúpulo na fabricação de cerveja ter sido feita somente em 1067 por Hildegard of Bingen . O lúpulo foi introduzido nas cervejas da Inglaterra no início do século XVI, e, no caso dos Estados Unidos, tendo o cultivo começado em 1629, no estado de Washington.

Atualmente, os principais centros de produção do Reino Unido encontram-se em Kent (que produz o lúpulo Kent Golding), Worcestershire, e Washington state no caso dos Estados Unidos. Outras importantes áreas de cultivo incluem Bélgica, Alemanha, República Tcheca, Xinjiang (China), Tasmânia (Austrália), a região de Lublin (Polônia) e Chuvashia (Rússia). Nova Zelândia é referência na produção de lúpulo orgânico.


Utilização na cerveja[editar | editar código-fonte]

A utilização na cerveja é o maior uso comercial do lúpulo.[2] A flor de Humulus Lupulus é utilizado como condimento e conservante em quase todas as cerveja hoje em dia.

As resinas do lúpulo são compostas por dois principais ácidos: alfa ácidos e beta ácidos.

  • Ácidos alfa têm uma leve efeito antibiótico/bacteriostático contra bactéria Gram-positiva, e favorece a atividade exclusiva da levedura durante a fermentação da cerveja. Os alfa ácidos são responsáveis ​​pelo sabor amargo na cerveja, porém o mesmo é insolúvel em água até ser isomerizado pela ebulição do mosto. Quanto maior o tempo de ebulição, maior o percentual de isomerização e mais amarga a cerveja será. No entanto, os óleos que contribuem com sabores e aromas característicos são voláteis e se perdem em grande quantidade durante longas fervuras. Há muitas variedades de lúpulo, mas estes podem ser divididos em duas categorias gerais: Amargor e Aroma. Lúpulos de amargor são ricos em ácidos alfa, cerca de 10 por cento de seu peso.[1] Lúpulos de aroma contêm geralmente menos, cerca de 5 por cento e produzem um sabor e aroma mais desejável à cerveja. Muitas variedades estão no meio termo e são utilizadas para ambos os fins. Lúpulos de amargor são acrescentados no início da ebulição e fervidos durante cerca de uma hora. Lúpulos de Aroma são adicionados ao final da fervura e normalmente fervidos por 15 minutos ou menos. Adicionando diferentes variedades de lúpulo em diferentes momentos durante a fervura, um perfil mais complexo de lúpulo pode ser alcançado, fazendo com que a cerveja apresente um equilíbrio entre amargor, sabor e aroma.[1]
  • Beta ácidos não isomerizam durante a fervura do mosto, e têm um efeito desprezível no sabor da cerveja. Em vez disso, eles contribuem para o aroma da cerveja; variedades de lúpulo com elevados níveis de beta ácidos são muitas vezes adicionados no final da fervura do mosto para conferir aroma. Beta ácidos, podem oxidar e dar origem a compostos como o dimetilsulfureto (DMS), que produz na cerveja sabores estranhos, como legumes podres ou milho cozido.[1]

Produção[editar | editar código-fonte]

A produção mundial de lúpulo em 2005, de acordo com FAOSTAT foi a seguinte:

  1. Alemanha 29 000 toneladas
  2. EUA 26 180 toneladas
  3. China 20 000 toneladas
  4. República Checa 6 800 toneladas
  5. Polônia 3 355 toneladas
  6. Austrália 2 000 toneladas
  7. Coreia do Norte 2 000 toneladas
  8. UK 2 000 toneladas
  9. Eslovênia 1 500 toneladas
  10. França 1 400 toneladas

A produção mundial de 2005 foi de 102 216 toneladas.

Química[editar | editar código-fonte]

Lúpulo contém 8-prenilnaringenina, o mais potente fitoestrógeno conhecido.[3]

Referências

  1. a b c d Palmer, John. How to Brew. Página visitada em 6 de Julho de 2012.
  2. A. H. Burgess, Hops: Botany, Cultivation and Utilization, Leonard Hill (1964), ISBN 0-471-12350-1
  3. Keiler; Zierau; Kretzschmar. (2013). "Hop Extracts and Hop Substances in Treatment of Menopausal Complaints" (em English). Planta Med 2013; 79(07): 576-579 79 (07): 576-567. DOI:10.1055/s-0032-1328330.
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